Notas iniciais
Oi tchucos, queria pedir desculpas por não ter postado ontem, é que eu comecei meu cursinho. Eu tô no terceirão e vou fazer o enem e vestibulares, então tá beeeem puxado pra eu postar os novos capítulos. Por fim, espero que gostem e boa leitura!!!

"Tá, então vamos zoar geral na formatura?" Nick pergunta. Ele era novato e não conhecia nosso grupo muito bem. Ele parecia muito com a gente, mas achava que o nosso grupinho era um grupinho excluído da escola. Nós éramos compostos por três meninas e quatro meninos, mas agora cinco. Era eu, Júlia, Ana, Carol, André, Freddie e Matheus. Carol eu conheci na escola e Ana pela Júlia. André era meu antigo vizinho. Freddie e Matheus conhecido pelo André. Freddie e matheus eram os mais estudiosos do nosso grupo. Eles mal iam nas festas e não falavam muito, mas estavam sempre roubando coisas e fumando maconha em seus quintais. "Isso, estamos pensando em levar algumas bebidas e vender, mas eu preferia aproveitar a festa, já que é de graça e acampar depois" Carol responde Nick e ele apenas concorda com a cabeça. "Pode ser. Vamos acampar então, eu levo as bebidas e vocês as barracas" enquanto fala, Ana pega na minha mão e a aperta, isso só para tentar fazer ciúmes ou mexer com Carol, o que não funciona já que ela não deu bola. Depois de todos concordarem em menos de uma semana, beber muito e aproveitar a festa de formatura e ir acampar, cada um se fecha no grupo. Matheus e Freddie conversam sobre seus jogos preferidos da semana, Nick fica falando com Carol planejando o final de semana na formatura. Júlia beijando André e eu e Ana. Mesmo depois de quase transar, Ana estava normal. Não tocava no assunto, na verdade no que ela tocava era em mim. O tempo todo. Eu estava de boa em ela me usar, não me apeguei e nem vou me apegar a ela. O meu problema era Júlia, ver ela beijando meu melhor amigo não era uma coisa muito agradável. Eu estava ficando doente de ver aquilo. Depois que saímos da casa de Ana no domingo, não conversamos, parecia que estava faltando algo. Ela parecia mudada e eu também. Em menos de uma semana nós todos mudamos e isso me assusta um pouco.

No caminho para casa é a mesma coisa. Não nos falamos, não nos olhamos, aquilo estava me incomodando. Precisava fumar. "Eu vou para o campo" obviamente ela sabe que iria para fumar, e só ela tem os cigarros. Na minha cabeça ela iria comigo. Mas não. Ela apenas diz ok vira onde deveria virar e segue. E eu bobo fico olhando ela ir sem ao menos tomar coragem de chamar. Irritado com a situação, eu não vou para onde queria ir. Bato na porta diversas vezes. Nada. Saio enfurecido do quintal de Ana, mas paro por ouvir alguém gritar meu nome. Era ela. Estava com uma toalha envolvida no corpo. Chego mais perto da porta e digo oi. Ela pede para entrar. Conversamos um pouco e eu percebo que tenho assuntos inteligentes com ela, assuntos diferentes. Nós riamos em sintonia. Não estava apaixonado. Não mesmo, era só admiração, passei tanto tempo falando de coisas sem noção com Júlia, perdendo tempo com besteiras, que não pude conhecer as pessoas incríveis que existem ao meu lado. Bem ali perto.

"Você é virgem?" eu pergunto meio alterado pela bebida e pelos cigarros, na falta do que falar. Ela parecia bem constrangida. Até mais que eu pensei. Ela começou a esfregar as mãos uma na outra como mostra de seu nervosismo, passou a respirar fundo e olhou para o chão. Se levantou. "Me desculpa" peço ao perceber que não deveria ter feito aquilo. Ela de costas anda mais um pouco, mas olha para mim. Está chorando, na verdade as lágrimas não caíram ainda, faltava ela piscar. Fiz um sinal para ela se sentar do meu lado. "Eu confio em você" deita a cabeça na almofada que estava em cima da minha coxa, começa a chorar, passa suas mãos em seus olhos. "Me desculpa... Me desc..." ela tentava se controlar. "Está tudo bem, esqueça, por favor..." Passava minhas mãos no seu cabelo para tentar acalmar. "Eu tinha..." parou de esfregar suas mãos em seu rosto, olhou para cima e seus olhos verdes escuros pareciam amedrontados. "Oito anos... Meus pais tinham se separado, mas durou apenas uns sete meses... Ahn..." respirava fundo ao relembrar. "Esses sete meses foram os piores da minha vida... Minha mãe passou a namorar com um cara. Minha irmã tinha um namorado... E... E eles brigaram, minha mãe ficou do lado do imbecil que enfrentou o namorado da filha dela... Então, minha mãe para se redimir, pediu para ele ir até nós pedir desculpas em uma noite... Ele me deu boa noite, já havia dado para minha irmã... Eu lembro que a noite estava realmente escura e só tinha velas como claridade no quarto, lembro de estar olhando o céu pedindo a Deus a minha família de volta... Ele entrou no quarto, se desculpou..." ela começa a se contorcer e para de olhar para o teto. "Se sentou na minha cama... E ahnn... Ele pegou em meu rosto, disse que eu era linda, que se eu fosse mais velha ele com certeza queria ter um caso comigo... Ele foi abaixando as sua mãos..." começa a chorar como se ainda tivesse oito anos. Começa a se contorcer. "EU ODEIO ELE... ELE... Ele foi até mim e..." Ela simplesmente não conseguia terminar as frases. Ela estava tremendo e dizendo que o odiava. Passou a andar pela casa e ficar mais nervosa. "Eu nunca contei isso a ninguém... Eu tenho medo que ele volte... Oh meus Deus... Ele fazia isso todas... Todas as noites… Depois me abusou de verdade... Ele disse que voltaria, que me amava... Eu tenho medo de passar minhas noites sozinhas... Eu podia mentir pra você... Eu podia dizer outra coisa... Ma... Mas eu confio em você... E soltar isso é... Muito b... bom… Eu não me sinto nem um pouco preparada pra te contar isso, mas você é ótimo pra mim… Ninguém sabe… Eu fico ansiosa e com medo que ele volte, eu sinto vontade de vomitar só de pensar que ele pode viajar a noite" ela dizia as coisas soluçando. Eu estava olhando ela. Parecia estar com medo, apavorada que ele voltasse. Eu estava com tanta raiva, com tanto ódio, mas com pena. Ela continuava me olhando no chão, estava jogada com os olhos inchados. Fui até ela e a abracei. "Eu... Eu estou aqui... Eu sempre irei...".

Estava pronto, com medo, mas pronto. medo por ser minha formatura, nós íamos pra lá pra fazer idiotices, bobeiras que na minha opinião era ridículo, coisa de criança. Alguns no grupo concordavam comigo que era bobeira fumar e beber até ficarmos loucos e estragar tudo o que a nossa turma planejou. Tinha gente na sala que queria isso desde da oitava série, já que cancelaram a formatura do ensino fundamental. Não queria zoar e nem estragar com nada, poderia fazer isso onde iríamos acampar. Penso passando pela escada que iria beber pouco, dançar algumas músicas boas e fim.

Meu pai está na cozinha com uma calça de moletom e o cabelo bagunçado, barba para fazer, comendo cereal e vendo algo no computador. "Pai? as duas horas pedi para que fosse se arrumar, o que houve?" "oh... Me desculpa, eu estava vendo um filme e faltam vinte minutos para acabar. Eu..." Eu sabia o que ele estava falando, não queria ir, mas estava com receio de admitir. "Está tudo bem se você não quiser ir, entendo" eu tinha que entender, na verdade não queria ir na formatura pelo mesmo motivo, minha mãe tinha falecido a três meses, e nesse tempo, não só para ele, mas para mim foram cansativos e parados. Eu estava abalado ainda, mas eu tinha que continuar. Me lembro de que ela queria ir muito para lá, queria me ver arrumado, passado de ano, formado, diploma na mão, e eu queria vê-lá orgulhosa de mim. "O que você está olhando? se não quiser ir você pode ficar aqui comigo, você sabe que só de te ver assim arrumado já me da um orgulho" respondo a ele que está tudo bem e que só estava distraído. Saindo de casa posso ver ela saindo no mesmo momento que eu. Cabelo arrumado, vestido longo normal, sem muito efeito, estava de tênis, maquiada. Nunca a vi daquele jeito, mas tenho certeza que para fechar em cem por cento ela teria que colocar seu sorriso, já que estava com a cara fechada. Júlia se despedia de sua mãe que estava chorando. Seu padrasto estava sorrindo para ela e dizendo algumas coisas. Júlia estava sendo ela, apenas balançando a cabeça e fingindo estar interessada e estar prestando a atenção. Eles não iriam, Júlia a um tempo me contou que sua mãe não tinha dinheiro suficiente para arrumar a si, pagar a formatura, arrumar a Júlia e o marido, nisso tudo quem iria era seu pai, apenas.

"Queria pular essa parte" dou uma risada a ela e nos abraçamos. No caminho ela me perguntou sobre a perspectiva que tinha sobre hoje a noite eu pergunto o mesmo. "E André?" "tudo bem, ele está bem, estamos num bom momento" ela sorri timidamente e quebra de novo um pedaço de mim. "Que bom, fico feliz" é... Eu pelo menos acho. "E você e Ana?" ela engole seco e parece ficar um pouco nervosa. A pergunta me lembra os meses que se passaram quando Ana admitiu toda a história de sua infância e como ela reagiu normalmente depois daquilo, de se abrir pra mim. "Se não quiser falar tudo bem" demoro para responder e ela responde meu silêncio. "Não, não, é... Está tudo bem" termino com isso.

A colação foi um saco, duas horas, era gente que não acabava mais. Júlia me abraçou e choramos um pouco, por estranho que pareça, e fomos acompanhando um ao outro até a festa. Estava tudo muito bonito, várias luzes brilhantes e fumaças. Havia um DJ e as pessoas pareciam animadas e algumas estavam apenas sentadas conversando com seus parentes. Começa a tocar um remix horroroso de uma música que é muito boa, Júlia indignada se inclina e começa a rir no meu ombro por achar engraçado o estrago que fizeram na melodia. Logo depois dela sussurrar em meu ouvido que estava enjoada com aquele DJ, o pessoal nos avista e chega mais perto. André da um selinho em Júlia e Ana em mim. Posso perceber Carol de mãos dadas com Nick. "Vamos zoar tudo" Nick diz num tom de brincadeira aparentemente já bêbedo e Carol sai aos risos com ele. Ana e Júlia se cumprimentam, se abraçando e começam a dançar juntas na pista. "Onde está Freddie e Matheus?" pergunto a André "eles estão montando as barracas, provavelmente estão fumando, mas prometeram que quando a gente chegar na mata vai estar tudo pronto" André me responde muito concentrado, observando Júlia dançar. "Cara... Obrigado" solta um suspiro "por?" "por isso" ele aponta para ela "minha nossa, você não sabe o que ela é capaz, ela tão gostosa, beija muito bem e é um doce ao mesmo tempo" respiro fundo e não peço mais informações, meu sangue estava subindo de ódio de novo e ele parecia estar gostando de me ver daquele jeito. Júlia chega mais perto e ele começa a pegar nela, começam a se beijar ali mesmo, Ana percebendo que eu não estava gostando de ver aquilo, chega mais perto e sussurra "sei como se sente, está tudo bem" ela estava falando de Carol, assim saímos de perto daquilo. Vou para mais longe daquela cena e peço para irmos para o acampamento. Ana diz que quer ir também e pede a todos para irmos embora. Carol e Nick pareciam bravos e acabaram ficando.

"Gostaram?" diz Matheus meio alterado. "Fizemos com todo o amor e carinho que temos por vocês" Freddie completa mais alterado ainda. Eles começam a rir e saem de perto. "Ok, tem barraca para todos, mas tem que ter duas pessoas em cada" Ana diz como se alguém estivesse prestando atenção. "As comidas estão aqui nesses mochilas" Matheus diz chegando mais perto. "Preciso ir dormir, mas se quiserem podemos fazer uma fogueira e conversamos" logo depois de ele terminar a frase, um carro traz uma luz forte e sabemos que chegou os dois que sobraram. "Ok, vamos fazer!!" Ana responde animada e começa a ajudar Matheus com o fogo.

"Tá, temos que ver nossas notas. Estão animados?". Entreguei meu boletim e colocaram ele junto com os outros e sacudiram num saco. Nós planejamos isso a um bom tempo, na oitava série falamos que nunca íamos nos separar, íamos abrir nossas cartas, passar a noite juntos e depois iríamos atrás da nossas faculdades, seja onde for e é claro que apenas Matheus, Freddie e Ana tinham passado direto, eu era o mais ferrado, Júlia e André pelo menos estudava e ainda ia bem nas provas, Carol e Nick não sabia já que não somos tão próximos

"Eu estou bem nervosa... Quem será?" Ana parecia ser a única animada naquela noite, parecia que estava soltando fogos, pelo menos comparada a nós todos. "Da Jú... B, B e D... Ah parabéns meu amor" Júlia se levanta animada e elas se abraçam. "Ok, ahn... André..." Freddie diz devagar "... D, B e C" André faz uma cara animada, mas ficou quieto. "Vez do Math" Júlia diz sentada ao redor da fogueira do lado de Ana. "Tá legal, vamos lá... Ana... Oh serio? A, A e um C" Ana sorri de canto sem jeito e todos nós comemoramos. Pego um dos resultados "Freddie... A, C e B, parabéns" dou um riso falso, todo mundo comemora. Não queria saber meu resultado, me bateu algo, estava deprimido e triste. Levantei e avisei que iria ao “banheiro”. Ana vem atrás e fala baixinho como se fosse um pensamento dela “sei que não tá tudo bem, queres conversar?”. Eu estava pra baixo, não queria conversar, não queria desabafar, não queria estar lá, dormir lá, não queria beijar ela também. Não respondi, só senti algo pegando atrás de mim. Mãos negras abraçando minha barriga pelas costas, lábios beijando meu pescoço. “Eu… acho que tô gostando de você”. Ela diz baixinho no meu ouvido. Paro e reflito no que ela acabou de falar. Me viro a ela, pego em sua cintura, e a beijo, a beijo como se fosse a coisa mais sensata a se fazer. Nos beijamos, até ela gentilmente me deitar no chão. Me beija novamente, sai da minha boca, vai até meu pescoço. Desabotoa seu vestido ainda me beijando. Minhas mãos amaciando seu corpo. Já não estava nem ai mais para isso tudo, ela estava linda, ela é linda e me quer. “Ana?”. De novo não. Júlia estava parada nos olhando, estava triste, não podia mentir. “Caramba, Júlia de novo?” “desculpa” ela tampa seus olhos com a mão e estava perdidamente confusa, como se fosse uma novidade ver eu e Ana juntos. Ana diz algo que não consigo escutar, depois de ter dito aquilo rudemente, estava resmungando. Voltou ao ato, mas eu já não estava mais no clima. “Me desculpa, eu preciso…” não consegui terminar a frase, eu estava conectado apenas na situação com a Júlia, não olhei Ana, não terminei a frase, apenas sai.

“Cade ela?” perguntei ao Matheus, ele fez cara de quem não sabia e continuou a falar com a Carol. Andei até a primeira barraca. Nada. fui até a segunda, a abri. Nada. Fui nas outras a mesma coisa. Perguntei ao Matheus que havia pego um cigarro, onde ela estava novamente e ele disse que não sabia, se levantou e foi com Carol na barraca onde estava Nick. Não sabia onde estava as outras pessoas. Fui atrás de Ana. Sumiu. Eu não podia ir muito longe já que não conhecia o lugar. Voltei ao lugar que estávamos. Olhei as barracas, olhei o vazio, olhei para a fogueira que já não tinha mais fogo, peguei o celular, sem sinal. Já era mais de quatro horas, estava sem sono, continuava deprimido. Me deitei na barraca, sozinho, me deitei numa posição favorável para chorar. E chorei. E choveu. E eu continuava chorando.

Notas finais
Gostaram? Obrigada por ter lido até o final.