Notas iniciais
Oi galerooo, boa leitura!!!

Acordo querendo morrer. A noite teve uma chuva pesada e estranhamente o sol se abriu hoje de manhã. Por isso acordei, a claridade estava me incomodando. Me levanto, já era quase quatro horas e eu não fico impressionado já que sinto que dormir por horas e horas. O dia estava com sol, os passarinhos cantando, o vento razoável pra não estar tão quente, o dia não estava ao meu favor, já que eu estava acabado. Ando e ando lentamente até chegar na fogueira que fizemos ontem. O carro de Nick não estava mais lá, eu peguei carona no carro de André, com mais a Júlia e a Ana, e ainda bem que o carro dele continuava lá. “E aí, bom dia” diz Matheus com cara de sono, saindo da barraca. Dou um sorriso sem empolgação e forçado, pergunto onde estão os outros. “Freddie sumiu depois dos resultados, assim como Ana, Júlia e And…” Antes que ele pudesse terminar, eu saí de perto, com a preocupação de Ana e outros terem sumido, mas lembrei que Matheus foi dormir no mesmo horário que eu, então assim como eu, não tinha visto ninguém. “Desculpa” disse voltando para perto. “Você saiu da barraca? é perigoso para eles passarem a noite na floresta” “eu não sai da barraca, fiquei a maior parte do tempo acordado e não vi movimento lá fora, ninguém esteve aqui” ele me responde secamente, depois volta pra barraca, ele não estava nem ai, e demostrou que não me iria ajudar se eu pedisse.

Percorri o caminho da noite passada quando Ana se declarou, me veio um flashback, suas mãos nas minhas costas, seus beijos no meu pescoço… Ok concentra... Não andamos muito, então foi fácil perceber que ela já tinha saído dali. Continuei andando, e cada vez mais podia ouvir barulho de água, mar, cachoeira seja lá o que for. Sai correndo e o barulho aumentava. Estava indo atrás pelo motivo de achar que eles podiam estar lá e se não tivessem eu iria tomar um banho, tomar um pouco de água e continuar a procura. Era incrível aquilo tudo, era lindo. Tomei um banho apenas de cueca e não os vi, tomei um pouco de água. Eu não estava triste por não os achar, não sei, algo dentro de mim estava com raiva, eu estava afim de voltar pra casa, deitar no peito da minha mãe e adormecer e nunca mais abrir meus olhos. A tristeza estava batendo de novo por lembrar dela. Me jogo com tudo para baixo da água, fico sem respirar, sem me mexer e estava de olho fechado. Não conseguia ouvir nada, além do barulho gigantesco da água caindo e batendo nas pedras. Fiquei menos de dois minutos ali em baixo, era uma sensação horrível, estar preso e não respirar, mas era melhor do que tudo que senti em menos de um dia. Sai da cachoeira chorando e enquanto colocava a roupa ouvi uma risada, uma risada bem dada. Achei que pudesse ser Ana, coloquei a calça o mais rápido possível e sai correndo em direção ao que achei que fosse o doce riso dela. A cada corrida podia ouvir conversas, se não fosse elas, não teria problema, eu só queria uma carona para sair dali, o mais rápido possível.

Um pouco de longe posso ver Júlia apenas com roupa de baixo e grito seu nome. Eu estava contente de ver ela, aliviado. Chego perto o suficiente e dou um abraço forte, ela leva um susto. “Cara, que susto Leonardo. você é louco?”. Júlia sorri de uma maneira sincera, como nunca antes. Sorrio para ela aliviado, por mais que aquilo não fosse o que eu queria, e por mais que aquilo não fosse minha mãe, eu estava me sentindo em casa. “Eu tô todo molhado desculpa” “eu também, relaxa, tomamos banho na cachoeira”. o verbo no plural me fez lembrar da risada e a risada me fez lembrar de Ana, olhei para o lado. Lá estava ela, de roupa de baixo também, molhada, sua maquiagem tinha sumido, e ela não estava contente em me ver. Digo oi e ela abaixa a cabeça, estava decepcionada, podia sentir. “Olha, vocês deveriam conversar. Eu vou atrás do meu namorado”. Foi aí que lembrei de fato da noite passada. Júlia com a sua cara de decepção. Ana sendo deixada pra trás. “Me desculpa, sério, eu não deveria ter feito aquilo… Caramba te deixar sozinha, nessa floresta ainda, eu não sei o que tinha na cabeça” ela me olhava séria, mas seus dedos do pé que estavam se mexendo dizia que estava nervosa. “Eu sei o que tinha, espera, o que tem na sua cabeça… Tem nome, cabelo loiro, mexas rosas e seu vestido de formatura era mais bonito que o meu” se levanta da pedra gigante que estava sentada e sorri falsamente enquanto passa pelo meu lado. Pego em seu braço, não sabia o que fazer, não quero estragar aquilo tudo que tínhamos. Por mais que um gostasse de Júlia, eu sentia algo por ela. “Eu fiquei mexido com que me dissesse ontem” mentira “pensei em nós dois a noite inteira” mentira “eu acho que gosto de você também” muita mentira. “Acho que deverias dar uma chance a ele” chega Júlia dizendo de longe. “Pelo que ouvi ele está sendo sincero, o conheço bem” ela sorri de canto pra mim e coloca seu braço encostado no meu ombro, ela sabia que eu estava mentindo, por que estava falando aquilo?. “Onde está André?” Ana parecia melhor, até parecia feliz por eu ter dito aquilo é antes que Júlia pudesse responder ela pergunta “não vai contar para seu melhor amigo o que fizesse com André?”. Ana sabia que eu ia ficar bravo se soubesse que ela transou com ele, cada um naquele círculo de três pessoas estavam jogando bomba em cada um. Ela olha para Ana como se estivesse perguntando o por que daquilo, sorri de uma maneira Júlia, de canto e misterioso. “Ta bom, ok” ela respira fundo “transamos” ela sorri de vergonha. Ana da um riso alto e Júlia fica séria. Ela não me conta muito detalhes. Diz apenas que doeu, mas que não saiu sangue, foi perto da cachoeira. “... Ele pediu pra fazer, quando estávamos na fogueira, quando Ana saiu perto de mim pra ir atrás de você. Eu não estava preparada, mas queria muito, então pensei 'se eu ver Ana e Léo se beijando eu não faço, mas se tiverem se pegando gostoso eu faço’. Foi aí que eu achei que vocês estivessem se beijando e quando eu chego, vocês estavam se chupando na mata, e eu fiquei morrendo de medo, porque o destino disse ‘vai’ e eu não queria, mas queria” ela ficou confusa, parou de falar, balançou a cabeça como se estivesse expulsando os pensamentos negativos. “Eu saí assustada, fui até ele e lá estava, todo pronto, todo nervoso, como se fosse a primeira vez. Fomos até a cachoeira porque ele disse que sabia que eu ia amar que fosse lá” ela me olhou e estava séria. Me olhou com esperança, esperando que eu tivesse alguma ação, naquela esperança toda dela, eu sorrio falso só para dizer que fiz algo. “E cadê ele?” pergunto sorrindo. “Eu não sei, ele sumiu durante a noite. Acordei, tomei um banho, e vi Ana”. Eu continuei a olhando, ela estava agitada, de sorrizinhos e mãos tremendo, em onze anos de amizade nunca tinha visto ela daquele jeito, tinha algo errado, ou ela estava apaixonada. Ou até pior fingindo.

Fomos atrás de André, todos provavelmente já tinham ido embora, e estávamos exaustos. Júlia disse que achava estranho ele ter sumido, Ana sempre ia quieta e eu o mesmo. Eu tinha muita coisa na cabeça. Minha mãe, o comportamento da pessoa que eu mais conhecia na vida, essa mesma pessoa ter transado, não comigo e sim com outro, eu ter mentido pra Ana e ela ter acreditado, o sumiço de André. E será que André anda traindo Júlia? e espera, ela disse 'vou atrás do meu namorado’, ele pediu ela e ela não me contou?. A paranóia só aumentava e eu estava triste, não de novo, porque pra ser sincero ela não tinha sumido desde ontem.

Andávamos, andávamos e andávamos, achamos uma única barraca, a fogueira e o carro, como já era quase noite e estava começando a chover, tivemos que deitar na barraca. Júlia já estava em desespero e era ainda a única a falar. Para minha surpresa começou a chorar. As únicas vezes que a vi chorando foi por sua família, e quando terminava de chorar dizia sempre que chorava apenas porque o assunto era sério e que nunca mais ia se repetir. Ela odiava demonstrar fraqueza.

A chuva parou. Era quase oito e meia. Minha bateria estava acabando. Ana dormiu no colo de Júlia e Júlia olhava para o nada. “Você está estranha” ela leva um mini susto, me olha e faz cara de quem quer chorar, mas não se permiti a fazer. “Eu to bem” não sorri, apenas abaixa a cabeça e olha para Ana. “Me preocupo contigo” Continuo. Ela sorri ainda olhando pra Ana, retira a cabeça dela de suas coxas cuidadosamente, chega mais perto de mim e fica me olhando. Seus olhos enormes me encaravam e eu queria de novo poder beijá-la. Estava cada vez mais perto. “Também me preocupo contigo” sussurra no meu ouvido segurando meu rosto com a sua mão, se volta ao meu rosto, me olha nos olhos, olha para minha boca, volta aos meus olhos e sorri, porém se deita no meu ombro e adormece. Foi aí que eu tive a certeza que eu era um panacão.

O dia nasce bonito de novo, o sol brilhava e percebi que estava sozinho na barraca, saí e vi as duas rindo ao redor da fogueira. “Olhamos novamente ao redor, não achamos ele, achamos um lugar com sinal e ele não atende, estamos pensando em chamar a polícia” Jú me olha com cara de preocupada. “Pode ser, não temos dinheiro pra voltar, não achamos ele. Melhor chamar a polícia”. E a gente chamou. Perguntaram quem o viu a última vez, onde ele estava na última vez, seu nome, perguntaram o que fazíamos ali e nós respondemos a tudo. Colocaram a gente num carro e eu estava preocupado, assim como as duas, nós estávamos sujos e cansados. Olhava para tudo que era canto enquanto passávamos pela mata. Nada. Ele havia sumido, meu melhor amigo, meu único amigo de fato havia sumido. Saímos da mata, e enquanto o policial virava a curva para pegar a estrada, vejo algo. E não, não era um cara alto, com a aparência parecida de André, em pé, com cara de susto, ou sujo ou qualquer outra coisa. Mas sim, era um homem alto, jogado no chão, com uma poça de sangue ao redor. Gritei para que parasse, gritei alto para que o ajudasse, não importa se não fosse ele. O policial parou o carro, as duas estavam chorando e se abraçando já fora, eu não conseguia colocar minhas pernas no chão, eu estava tremendo, eu estava paralisado. Eu não podia acreditar. Aquilo não era real. Não podia ser. Posso ver o policial atravessar a rua e se agachar para ver. Ele nos olha de longe e insensivelmente pede para que vamos lá, identificar o corpo. Ana se desgrudou de Jú e foi, não conseguia andar, pernas trêmulas, mãos trêmulas, respiração ofegante. Ela chega mais perto, e chora mais. Chora e chora. Meu coração congela, não podia acreditar, coloco minha cabeça no banco do motorista, e ela se agacha, coloca suas mãos no rosto. Júlia entra no carro, coloca sua cabeça na minhas costas corcundas e chora. Eu estava de luto novamente. Eu estava triste, meu rosto molhado, meu olho vermelho. Meu coração doendo.

Depois de quase duas horas, vieram mais viaturas, vieram ambulâncias. O policial que estava nos levando, continuou a viagem. Antes de irmos, pediram pra que eu ligasse para a família dele e concordamos que cada um ir para sua casa, tomar um banho e ir para o hospital. Foram as piores cinco horas do dia. Ver que era ele, esperar e esperar mais os médicos, ir para casa, tomar um banho, me arrumar e ter que ir pro hospital. Me olhei no espelho do meu guarda roupa, estava ridículo, com aquele cabelo, com essa cara. Eu era ridículo, ainda mais com a infelicidade que estava dentro de mim. Tinha cabelos enrolados, castanhos, olhos castanhos, magro e alto. Minhas mãos eram enormes e era só osso. Meus olhos estavam caídos, minha expressão era de tristeza, eu não podia chorar no colo de ninguém, e não queria chorar sozinho, vou até a escada. Respiro fundo. E fui.

Notas finais
E aí gostaram? Obrigada por ter lido até o final!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.