Mansão Arpini
6 O Aviso
Notas iniciais
Elisa Arpini — POV's
Eu estava imóvel. Sinceramente não sabia o que fazer ou como reagir. Depois de termos conversado com a Psicologa do colégio, tive certeza que iríamos seguir em frente. Que iríamos superar isso, porém agora a única coisa que eu conseguia imaginar era que iríamos ter mais um motivo para ter pesadelos, para ficar acordadas a noite toda encarando o teto, como estava sendo difícil, especialmente para alguma de nós, desde a morte da Júllya.
Encarei o coração vermelho de papel jogado no centro da mesa. Todas encaramos. Reli a frase ameaçadora centenas de vezes rapidamente e cada nova leitura meu coração se acelerava mais e flashs daquele fim de semana apareciam em minha mente: o apagão, Júllya assassinada na minha garagem, fios sabotados, telefone cortado, um vídeo de nossa conversa, alguém nos espionando na minha própria casa! Todas aquelas lembranças em deixaram aterrorizada. Balancei a cabeça para desviar esses pensamentos da minha mente e aquele momento assustador e silencioso foi quebrado pela garçonete que colocou sobre a mesa e nos entregou os nossos pedidos.
Observei a mulher entregar um papel com a conta para Calissa e nos deixar a sós novamente. Nós quatro nos entreolhamos e depois aos nossos respectivos sorvetes. Não estávamos mais com vontade de devora-los. Havíamos perdido completamente o apetite. Nada naquele momento importava a não ser que nossa melhor amiga havia sido assassinada. E não fazíamos ideia de quem era essa pessoa que a assassinara tão friamente.
Bianca apanhou o milkshake de manga que pedira e começou a brincar com o canudo sem tocar na bebida. Calissa apenas encarava a bandeja e Jessica Tinha a expressão de quem vira um fantasma. Estávamos todas estáticas. Não conseguíamos preferir nenhuma palavras e nem nos mexer, até que respirei profundamente e resolvi que deveria interromper aquele longo e desesperador silêncio.
Estendi minha mão direita trêmula e hesitei, a princípio, encarando o bilhete, mas o apanhei e estendi em frente aos meus olhos, assim roubando a atenção de todas as garotas.
—Nós... — Comecei um pouco tensa — Temos que decidir o que vamos fazer com... Isso.
Mostrei o papel para enfatizar e de forma com que todas o vissem.
—Eu não sei vocês, mas eu só quero ir para casa. Devíamos simplesmente desaparecer com isso. Eu não quero... — Ela suspirou, estava descontrolada e tremia — Ter mais nada a ver com aquele dia. É passado. E agora a Júllya também.
A loira apanhou seu sorvete, se virou e começou a caminhar para fora da sorveteria, quando Calissa se aprontou para tentar impedi-la.
—Bianca! Espera!
—Não... Eu vou para casa. Eu preciso ir para casa... Vejo vocês depois.
Ela finalizou e atravessou a porta deixando-nos para trás. Lissa ficou encarando-a por um tempo – parecia estar colocando os pensamentos em ordem – enquanto desaparecia de nosso campo de visão e depois se virou para mim.
—Eu acho melhor jogarmos isso fora... Não sei... E-eu não estou mais com fome... — Ela comentou enquanto pegava seu açaí sem nenhuma vontade de tomá-lo.
Calissa apanhou a sua carteira de dentro da mochila e estendeu uma nota de 20.
—Podem deixar que eu pago.
A loira foi até o balcão e pagou a mulher que nos servira, depois passou por nós e apenas se despediu com um aceno enquanto se dirigia para a saída e caminhava na direção oposta à de Bianca.
Senti um frio na barriga e olhei para Jess, ao meu lado, a única garota que ainda estava comigo. Eu havia perdido uma amiga há um mês e agora era quase como se tivesse acabado de perder mais duas.
Jessica não proferiu nenhuma palavra. Ela estava totalmente quieta e imóvel até aquele instante. E permanecemos apenas nos encarando por um tempo, até que Jessie desviou o olhar para o papel em minha mãe e, finalmente, abriu a boca:
—E-eu também não sei o que devemos fazer... Só acho que também vou para casa... Até mais Lisa.
Jessica me deu um beijo carinhoso da bochecha, apanhou seu milkshake de frutas vermelhas e aos poucos foi se afastando de mim. Ela atravessou a avenida e continuei a observá-la até que desaparecesse completamente.
Eu estava sozinha. Era quase como se esse fosse o fim de nossa amizade, mas eu sentia que mesmo que o fosse ainda estaríamos ligadas. Nunca deixaríamos de ter uma certa conexão, aquela a qual afirmava que tínhamos participado da cena de um crime.
Quando, por fim, sai do transe, encarei o bilhete em minha mão tentando me decidir sobre o que fazer com ele. Parecia que todas queriam que jogássemos fora, todavia talvez fosse apenas porque estávamos nervosas demais para apresarmos direito ou porque estávamos cansadas de nos envolvermos em assuntos relacionados aquele terrível final de semana.
Peguei meu milkshake de musse de morango com Laka e caminhei em direção a saída. Antes me aproximei da lixeira e estendi a mão prestes a deixar que o coração vermelho desmoronasse em pedaços como estavam nossos corações naquele exato momento, contudo não consegui fazê-lo.
Não soube exatamente o porque. Talvez apenas não tivesse coragem porque não queria apagar totalmente a lembrança de Júllya da minha cabeça ou porque sentia que aquilo poderia trazê-la de volta ou quem sabe vingar sua morte.
Mas mesmo sem saber abri minha mochila verde de abacaxis e joguei o papel dentro dela, antes de atravessar a sorveteria e a começar a caminhar de volta para o colégio, onde meu irmão Dylan me esperava para me levar para casa.
Dylan Arpini — POV's
A tela do celular brilha em minhas mãos avisando que tenho alguma mensagem no whatsapp. Provavelmente de Keylan, respondendo a mensagem que eu havia mandado uns 15 segundos atrás. Na mosca. Ele responde “ Não vou levar ninguém, to pensando em ser a noite dos bros” a minha pergunta sobre quem ele levaria na festa de quinze anos de Steffany, irmã de Tiffany uma garota da nossa sala. “Noite dos bros?! Não sei se vai dar, vou quero levar uma garota”. Paro e reflito um pouco. Dou um sorriso e escrevo “Estou em dúvida entre a Laura e a Camilla que me convidaram. Mas ainda acho que a Cecíllia também vai me chamar… não dá para perder uma oportunidade dessas, sabe?”. Estando perto de um sorriso sinto minha boca seca. Lembro-me que tem coca-cola na geladeira e levanto da minha posição confortável na cama ainda com o celular em mãos. Abro a porta do quarto e piso com meus pés descalços no corredor gelado. Meu quarto novo era um pouco menor que o último, mas a melhor parte é que ainda ficava perto do de Elisa.
Paro. Algo como intuição me diz para olhar para a esquerda, onde fica o quarto de Lisa. Levanto a cabeça e olho. A porta fechada, algo bem estranho para ela que nunca faz isso. Por qual motivo Elisa fecharia a porta do quarto? Sinto um calafrio e o sorriso em minha boca some. Lembro- me de Júllya e a forma como ela morreu. Algo como “e se fosse a sua irmã no lugar dela?” me vai a mente. “Você se arrependeria de não ter dado tanta atenção a ela”. Espanto esses pensamentos e caminho até a porta do quarto dela. Silêncio. Ela não fazia nenhum barulho. “Realmente estranho”. Coloco as mãos na maçaneta e às giro lentamente. Dou um empurrãozinho na porta e ela se abre mostrando todo o quarto com Elisa sentada na cama, de costas. Um alívio estranho percorre meu corpo. Elisa estava bem. Sorrio de novo ao notar que ela lia algum papel. “Será um admirador secreto?”. Sendo ou não, eu descobriria o que era.
Enfim ela se vira e me nota em sua porta. Dou um sorriso para sua cara preocupada. Sim, com certeza um admirador. Ela esconde rapidamente o bilhete.
—O que está escondendo aí Elisa?
—N-nada — Ela gagueja e se levanta.
— Deixa eu ver!
— Não é nada, Dylan!
E então começou uma perseguição pelo quarto. Elisa correu e foi para trás da cama com seus olhos arregalados. Pulei para cima dela, que rapidamente subiu em cima da cama e foi para o outro lado do quarto.
— Para, Dylan!
Tentei calcular seus passos. Conhecia aquele olhar, ela tentaria correr para fora do quarto. Antes que ela pudesse repensar a ideia, peguei um atalho pela cama e prostrei-me na sua frente surpreendendo-a enquanto tentava começar a correr. Elisa se jogou na cama com os braços para trás segurando fortemente o bilhete. Ela havia facilitado tudo. Joguei-me em cima dela e tentei colocar as mãos em suas costas, mas ela estava forçando muito. Com certeza aquele bilhete era importante. Importante o bastante para não correr o risco de perdê-lo. Para ela melhor que o bilhete continuasse a existir, mesmo se eu o pegasse, caso contrário poderia tê-lo engolido. O bem estar do papel era prioridade.
Nos olhamos por alguns segundos até eu decidir o que fazer. Não que fosse difícil, já que era uma tentação não fazer cosquinhas nela já que a mesma não podia se defender. Olhei para a barriga dela e ela entendeu.
— Não…
Então eu comecei a fazer cócegas nela que deu altas gargalhadas até não aguentar e tirar suas mãos das costas para tentar se defender e me fazer parar. Nessa hora eu peguei o bilhete.
— Não, Dylan!
Ela recuou para trás apreensiva enquanto eu me aproximei da porta do quarto. Olhei mais uma vez para o rosto dela que expressava uma reação como se eu tivesse uma bomba-relógio em minha mão e que ela havia tentado fazer de tudo para que eu não pegasse. Ainda de costas para ela eu abri o papel bem depressa. Li o conteúdo. Meu sorriso desfaleceu. A mensagem no papel tinha uma carga muito grande.
— O que é isso, Elisa?!
— Eu e as meninas achamos na sorveteria. Naquele mural que penduram os bilhetes. Ele estava nos papéis que haviam sido feitos mês passado, provavelmente a anterior á morte dela.
Eu não acreditava no que lia.
— Quando ia me mostrar?!
— Eu não sei! Eu estava confusa.
— Então é isso agora?! Vocês, meninas, encontram algo assim e não iam nos mostrar?!
— O que você vai fazer?
Ela parecia realmente estar com dúvida. Como se fosse aliviante compartilhar esse segredo com outra pessoa. Eu tinha que reconhecer que ela estava com medo.
— Eu fico com esse bilhete, ok?!
— Não, Dylan! Dylan! Volta aqui, não faz isso! Me devolve! — Mas eu já havia saído do quarto.
Assim que li o nome “Júllya Bencatel” um arrepio percorreu meu corpo. Aquele papel, era a prova viva de tudo o que havia acontecido. Tudo que eu tentava esquecer. E se ele era autêntico, era também, do assassino dela. Mas como aquele bilhete havia vindo parar em nossas mãos?! As garotas não poderiam simplesmente não terem visto ele?! Ou talvez, terem decidido ir a um outro lugar naquele dia?! Mas eu tinha outro problema: eu teria que pensar durante a noite o que fazer com ele.
"Será o seu fim Júllya Bencatel"
Keylan Medina — POV's
O sinal havia tocado e o intervalo começara há alguns minutos. Estávamos, eu, Jibby, Bryan e Dylan, sentados na escadaria que dava para o segundo andar do colégio. Teríamos treino de Rugby em uma hora e enquanto não tínhamos que escutar os gritos do treinador a cada passo que dávamos, havíamos tirado um tempo para conversarmos e descansarmos a respeito dos estudos. Claro que o assunto girou em torno da festa do momento: os quinze anos de uma das irmãs Monet.
—Não faço ideia de quem levar — Comentou Bryan — As meninas todas convidam sempre o Dylan, mesmo… Vou esperar para ver “a garota da vez” que ele vai escolher — O moreno fez aspas com os dedos — Para depois me decidir em quem chamar.
Eu e Jibby rimos do comentário de Bryan, enquanto Dylan apenas encarava o chão. Estranhamente, porque ele sempre falava mais que todos nós. E agora estava mais calado do que o normal, especialmente se estávamos falando sobre ele.
—Ta pensando em levar quem, Jibby? — Perguntei para o loiro ao meu lado agora.
—Hum, não sei… Eu estava pensando em chamar uma garota, mas não tenho certeza se seria uma boa…
—Pelo menos um de nós sabe muito bem com quem ir — Bryan comentou e deu um empurrão no amigo — Então, ta apaixonado é?
—Ei, para com isso — Jibby empurrou ele de volta e começou a rir.
Dylan ainda estava quieto. Encarei-o. Ele estava realmente estranho. Na verdade, agora que estava pensando a respeito do assunto, meu melhor amigo havia passado o dia todo esquisito. Ele não falara durante as aulas, nem para fazer comentários fúteis comigo. No entanto, tampouco prestara atenção no que os professores explicavam. Ele parecia realmente distante, como se algo o preocupasse, de alguma maneira, por isso resolvi checar se meu amigo estava bem. Eu senti que se não o fizesse poderia me sentir culpado por não ajudá-lo quando ele precisava de mim. Sempre fomos muito próximos e amigos desde a infância, então, não iria deixá-lo na mão, nunca.
—Hey, Dylan — O chamei e o garoto levantou o olhar em minha direção, um pouco distante — O que ta pegando, cara?
—Como assim?
—Você ta muito quieto… No que ta pensando… Aconteceu alguma coisa?
— Não, eu só… Estava pensando… — Dylan hesitou apreensivo.
—No que, cara? Pode confiar na gente, sabe disso.
Bryan e Jibby nos olharam e confirmaram com a cabeça, pareceriam ter percebido o quanto ele estava diferente naquele momento, talvez, realmente eu fosse mesmo o seu melhor amigo.
—Bem, não quero mesmo esconder de vocês… Achei super errado quanto Elisa e as meninas tentaram esconder de nós…
—Peraí, isso envolve as meninas? Do grupo… — Bryan engoliu em seco antes de pronunciar a palavra que tanto o perturbara — Júllya?
—Isso. Elas encontraram uma coisa na sorveteria aquele dia. Foi um bilhete do mural do mês passado… E ele remetia ao assassinato da Júllya, bom, parecia ter sido escrito totalmente para ela e provavelmente antes de sua morte.
—Como assim? Do que ta falando? — Jibby perguntou confuso e se aproximou mais de nós.
Dylan apenas mordeu o lábio inferior e apanhou a mochila. Ele abriu o zíper e tateou com a mão à procura de alguma coisa: essa era o suposto bilhete, que ao encontrar o moreno estendeu em nossa direção. Hesitamos e nos entreolhamos a princípio, porém apanhei o coração vermelho de papel e li em voz alta para que todos ouvissemos:
—Será o seu fim Júllya Bencatel- Ficamos alguns segundos só engolindo o sabor amargo das palavras- O-o que isso q-quer dizer?
Gaguejei. Até aquele momento pensei que isso era passado, que poderíamos superar, mas agora parecia algo impossível. Havíamos sobrevivido a um crime e isso nunca nos deixaria, embora pudesse ficar mais fácil seria algo que sempre carregaríamos conosco. Não importa quanto tempo passasse. E aquele papel apenas provava isso.
—E o que você pensou em fazer? — Jibby perguntou assustado — O que devemos fazer?
—Acho que não tem nada que possamos fazer… — Bryan confessou — Ela simplesmente se foi… É algo que não dá para mudar…
Apenas o encaramos e, em nossas mentes, concordamos. Sabíamos que por mais doloroso que parecesse, ele estava certo e aquilo apenas dificultava digerirmos a realidade.
Bianca Biancastelly — POV's
Dava passos lentos enquanto atravessava o longo corredor do primeiro andar. Ajeitei minha bolsa sobre os ombros. A única coisa que escutava era o som dos meus all star cor de rosa indo de encontro com o chão frio e reluzente. Estava sozinha durante todo dia. Eu conseguia enxergar Júllya em todo lugar que ia. Ela estava realmente me assombrando. Eu a via triste e desesperada como se toda a sua felicidade fosse fachada, para bloquear seus verdadeiros sentimentos. E eu como sua melhor amiga não consegui perceber o quanto ela precisava de ajuda, aquilo me corroía por dentro. Eu sentia meu coração se desfazer a cada passo que dava.
Desde que deixara as meninas na sorveteria no dia anterior, eu atravessara uma longa linha entre a nossa amizade e me afastara delas. Não conseguia saber exatamente o porquê de que estava fazendo isso, contudo sentia que a melhor opção seria me livrar completamente de Júllya e daquela noite. Eu queria que tudo desaparecesse da minha mente e que eu pudesse seguir em frente sem que nada se intrometesse na minha vida e nos meus pensamentos. Eu estava farta dos pesadelos. Não conseguia mais dormir. Apenas olhar para as meninas fazia com que me lembrasse do que havíamos vivido e, talvez, a melhor maneira de seguir em frente e deixar o passado completamente para trás fosse me afastar das minhas amigas também.
Podia parecer egoísmo, entretanto eu era a que mais tinha dificuldades para fechar os olhos e dormir ou me sentir segura. Eu perdera a minha melhor amiga. Ela sempre fora meu porto seguro e elas não viram… Elas não passaram pelo que passei aquela noite… Eu vira a cena do crime… Júllya caída na garagem dos Arpini em meio a uma enorme poça de sangue… Eu senti como se naquele momento minha vida tivesse mudado para sempre e que eu estava presa. Eu precisava ser libertada. Eu clamava por algo ou alguém que pudesse me salvar e, infelizmente, me afastar das meninas era quase como se eu me afastasse das grades que me mantinham presa.
Atravessei as portas de entrada do colégio e comecei a descer as escadas em direção ao pátio, quando minha atenção foi voltada para um grupo de pessoas tão próximas como se fossem um círculo. Assim que me notaram, eles acenaram para que me aproximasse. Não sentia vontade de fazê-lo, mas também senti curiosidade em saber o porquê de seus olhares estarem tão apreensivos.
—O que foi? — Perguntei quando me aproximei o bastante para ser envolvida pelo círculo.
—Estamos decidindo o que fazer com o bilhete… — Elisa respondeu quase como se sussurrasse.
—Vamos levar a polícia. Talvez devêssemos descobrir de quem é a letra, mas não podemos comparar com a caligrafia do mundo inteiro, então, essa é a melhor opção — Calissa me explicou.
Engoli em seco. Não queria participar daquilo. Reviver a morte de Júllya era demais para mim.
— Mas eu ainda não me conformo com o fato de que vocês não iam nos mostrar o bilhete -Dylan parecia se sentir incomodado quando não era incluído nas coisas.
—Então vamos levar para a polícia. Certo. Onde está o bilhete? — Jessica estendeu a mão e olhou para o ainda indignado da rodinha — Precisamos dele.
Dylan e Keylan se entreolharam confusos.
—Vamos Keylan!
— Como assim, cara?! Você estava com ele!
— Eu te dei o bilhete aquela hora.
—Ei, eu te devolvi!
— Não devolveu não!
—Eu falei que não queria ficar com o bilhete!
Ambos começaram a discutir um com o outro sobre quem estava com a posse do papel, para em seguida apalparem os bolsos das jeans e das mochilas à procura do coração vermelho. Após o longo tempo procurando, o loiro e o moreno, ambos, nos encararam com expressões totalmente apreensivas.
—Sumiu — Dylan confirmou e Keylan concordou.
—Como assim sumiu? — Bryan perguntou confuso.
—Não está em lugar nenhum! — Keylan exclamou e levantou os braços.
—O quê?! — Jessica ainda tentava engolir a informação.
— Não está nos bolsos e nem nas mochilas…
Todos engolimos em seco. Como poderíamos ter perdido o papel? Aquilo estava realmente estranho. Havíamos descoberto uma suposta pista à respeito do assassinato de uma de nossas amigas e agora simplesmente conseguimos perdê-la? Como seria possível?
Em uma ato de desespero, todos, começando por Jessica se atiraram na mochila do Dylan e jogaram as coisas no chão. Mas ninguém achou.
— Também poderia estar na mochila do Keylan… — O Arpini tentava entender porquê só se atiraram na mochila dele.
— Não está. Eu já olhei — Keylan olhava para o chão.
Permanecemos em silêncio durante alguns minutos apenas com nossos pensamentos e digerindo a situação, quando um barulho invadiu nossos ouvidos e todos nos entreolhamos antes de apanharmos nossos celulares, apenas eu e Keylan estávamos sem, uma vez que havia quebrado o meu naquela noite e ele não o tinha.
O loiro encarou a tela do celular de Dylan e eu me virei para encarar a de Calissa, ao meu lado. Todos sentimos nossos corações apertados e nos entreolhamos confusos e totalmente sem reação ao nos depararmos com a mensagem que acabaramos de receber. Vinha de um celular ao qual conhecíamos bem e que sentíamos realmente falta: o celular de ninguém menos do que Júllya. O mesmo que nos enviara o vídeo de nossa conversa naquele final de semana e dessa vez a mensagem era ainda pior e mais assustadora do que antes:
"Alguns segredos levam as pessoas ao túmulo. Tomem cuidado com o que sabem."
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