Notas iniciais
MIL DESCULPAS PELA DEMORA! Eu e minha irmã estávamos tão ocupadas e por eu estar fazendo universidade em outra cidade só a vejo no fim de semana e temos sempre prova, trabalhos e deveres que tomam conta do tempo além da minha outra fic e meu livro em andamento... Mas prometo que tentarei ser mais ativa! Espero que gostem desse cap recheado e desculpem os erros!!

Pov's — Calissa Abreu

Encarei a tela do meu aparelho eletrônico e franzi as sobrancelhas. Enquanto relia aquelas frases inúmeras vezes, a única reação que tive foi sentir um frio na espinha. Estava claro que não estávamos nos envolvendo com um simples ato de bullying escolar. Aquela mensagem que acharamos na sorveteria poderia ter sido apenas um xingamento ou um mal entendido, talvez, de alguém que estivesse com inveja da beleza e popularidade de Júllya, embora fosse claramente uma ameaça de morte. Contudo agora o assassino da nossa amiga havia nos ameaçado da mesma forma apenas por estarmos com a posse de um suposto bilhete que ele lhe escrevera, embora não fazíamos ideia de quem o feito.

Todos nós oito nos entreolhamos por um tempo, que embora fosse pequeno aparentava ser bastante longo. Não sabíamos o que falar ou como reagir. Apenas nos olhávamos e analisávamos a situação, tentando encontrar uma brecha ou uma saída. Finalmente, entre aqueles olhares constrangedores e assustados, alguém arranjou forças para se pronunciar:

—E-eu… Não posso mais me envolver nisso… Tenho que ir — Fora Bianca, a garota loira ao meu lado.

Ela apenas deu um passo para trás e suas mãos estavam tremendo, quando se virou e nos deixou sozinhos, enquanto caminhava em direção ao portão de entrada do colégio apressadamente. Estavamos todos tão abalados, que nem conseguimos chamá-la de volta e quando Elisa conseguiu sussurrar seu nome, já era tarde e Bi havia atravessado o portal e não poderia mais nos escutar.

—O bilhete se fora… Não temos mais nenhuma prova… — Jessica lamentou e abaixou a cabeça para encarar seus tênis.

—É acho que… Agora a única coisa que podemos fazer é ir para casa — Bryan comentou enquanto dava de ombros.

Jibby concordou com a cabeça e ajeitou a mochila sobre os ombros. Ele estava pronto para dar meia volta e ir embora, assim como fizera Bianca, quando estendi a mão e os parei.

—Esperem! Não podemos desistir assim!

—E o que você sugere? Não temos mais o bilhete — Keylan me relembrou o óbvio.

—E acabamos de ser ameaçados de morte! — Dylan exclamou em voz alta, algo que nenhum de nós queríamos realmente acreditar.

Não havíamos simplesmente sido ameaçados como quem o fizera fora um assassino frio e cruel, quem matara nossa amiga. Engoli em seco. A situação estava ficando mais crítica. Tentei olhar para a situação de um ângulo diferente, não como se fosse real e muito menos que fôssemos as vítimas. Fiz como se estivesse assistindo a uma maratona das minhas séries e filmes favoritos de suspense e terror que tanto amava e possuía. Foi naquele momento que o que parecia mais óbvio apareceu. Não consegui imaginar como não pensara nisso antes e arregalei os olhos quando a ideia me surgiu a mente.

—Mas é lógico! — Exclamei alto demais e fiz com que todos, que já estavam começando a se dispersarem, darem atenção a mim — Fomos ameaçados! Recebemos mensagens! Todos nós! — Apontei para cada um de nós e eles me encararam confusos como se eu fosse uma doida. É claro que todos já sabiam que havíamos recebido uma mensagem. Não era novidade — Isso significa que temos uma prova! Na verdade, temos seis provas se contarmos todos os celulares aqui!

Estendi a tela do meu telefone, onde ainda jazia a página com a mensagem ameaçadora que vinha do antigo celular de Júllya.

—Vamos até a polícia! É ainda melhor do que o bilhete porque podemos fazer melhor do que analisar a caligrafia do mundo inteiro! Podemos rastrear o celular da Júllya! Não o encontramos desde que ela fora assassinada e essa é a nossa pista!

Abri meus lábios em um sorriso. Estava orgulhosa por ter pensado naquilo. Ninguém podia me julgar agora por ser fanática por histórias de suspense e terror, elas valiam a pena. Aprendiamos coisas que, mesmo não querendo admitir, poderíamos colocar em prática algum dia e esse era ‘o dia’.

—Bem pensado, Calissa! — Jess colocou a mão em meu ombro — Vamos até a polícia!

Assenti com a cabeça e entrelacei meus braços em Jessie e Elisa, que estavam próximas de mim. Comecei a caminhar decididamente até a saída da escola, quando a voz de Dylan me parou.

—Não podemos. Eu e os meninos temos o treino de Rugby, agora mesmo.

—Puxa, é verdade — Jibby suspirou — Temos que treinar.

—Precisamos desse jogo para passarmos para as regionais… Mas, bem, vocês podem ir até a polícia e depois conversamos sobre isso — Keylan sugeriu.

Assenti. Eu não precisava mesmo que todos fossemos. Se fosse preciso, iria até mesmo sozinha. Não era como se estivéssemos à beira da morte, ao menos não ainda.

—Ei, mas vocês não podem irem sozinhas. Pode ser perigoso — Dylan tomou a frente mais uma vez. Ele encarou seus três amigos e companheiros de Rugby.

Bryan, então, levantou a mão e se ofereceu:

—Eu vou. Eu as acompanho até a delegacia. Não é como se quisesse treinar agora mesmo… Eu compenso depois… Bom jogo para vocês.

O moreno se aproximou de nós e os outros garotos concordaram e todos se viraram para caminharem em direção do ginásio, enquanto nós quatro nos dirigiamos até o lado de fora do colégio. Respirei fundo e apertei meu celular com força. Afirmei comigo mesma: “Estamos próximos de encontrá-lo e não há nenhuma ameaça que nos atrapalhe e nos afaste de nosso objetivo. Vamos provar quem você é e fazê-lo pagar por ter assassinado a nossa amiga”. Ao menos, era o que pensava.

Pov's — Jessica Valadares

Pois é, Daniel, parece que o assassino de Júllya Bencatel, filha do dono da empresa Bencatel Universal, ainda está a solta e agora, amedrontando os amigos da garota” a voz da repórter Helena saía da televisão. “Mas como é isso?’, o apresentador Daniel perguntava com voz surpresa como sempre fazia. “Acontece, Daniel, que os amigos dela receberam uma mensagem do suposto celular de Júllya, que estaria desaparecido. Eles foram ameaçados e logo depois foram à polícia!”. “Minha nossa!’. “Pois é…”, os dois interagiam. “Mas me conte, Helena, não dá para rastrear o celular?”. “Sim, dá. E foi isso que a polícia fez. O acharam em um terreno baldio perto do rio Pamer. Olha só a reportagem completa:” Sim, o celular de Júllya havia sido encontrado em um terreno baldio. Até aquele momento os investigadores não pareciam ter encontrado nada de significante no celular, nem mesmo digitais. O assassino era cuidadoso. Agora tentariam rastrear todos os lugares onde o celular havia passado depois daquele fim de semana.

Os minutos seguintes do jornal mostraram todos os detalhes do caso. Fotos da Júllya, de sua família, uma entrevista com seu pai, que pela primeira vez parecia um pouco mais instável que de costume. Como se agora ele sentisse uma pequena parte do que realmente aconteceu. Se você tentasse reparar bem, perceberia que agora ele possuía um, ou dois fios fora do normal e que seus olhos estavam razoavelmente vermelhos. Enfim, eu não iria mais me obrigar a ouvir aquela realidade. Desliguei a TV. Estava na hora de ir para a escola. Pelo medo e preocupação, minha mãe havia me mantido em casa por dois dias, mas reconsiderou quando descobriu que os outros estavam indo. Mesmo assim, ainda contrariada:

— Querida, não acho que você deve ir para a escola. Ainda mais com esse assassino à solta.

— Tudo bem, mãe, eu já faltei dois dias. E eu não posso ficar mais em casa. Você não me deixa nem ir na padaria.

— Você vai mesmo ficar bem, Ursinho?

Ursinho. Não sou chamada assim desde criança. Me traz boas lembranças.

— Você não me chama assim, faz tempo — Eu sorrio entendendo que ela está com muito medo.

— Eu sei — Ela beija minha testa- Vou te levar para escola então.

Nós caminhamos até a escola e na porta já fomos capaz de ouvir alguns burburinhos entre os alunos.

— Tchau, mãe.

— Tchau, Jessica -Mas ela continua andando comigo.

— Vai me levar até lá dentro?!

— Oh, não. Eu só vou conversar com o diretor.

Só assinto com a cabeça. Ter ela como companhia me deixa mais confortável. Lá dentro, a vejo se dispersar enquanto caminho em direção a minha sala. Provavelmente ela justificaria minhas faltas para ele. Os cochichos são acionados por onde vou.

— Aquela ali não era amiga da garota morta?- duas garotas de um ano menor conversavam enquanto me olhavam. Provavelmente viram o jornal.

— Sim, a Júllya. Acredita que seu pai está dando 100.000 reais para quem der alguma pista sobre o assassino dela?

Aquela notícia me fez parar de andar. 100 000 reais?! Parece que a entrevista que eu pulei foi importante.

— Sério?! Hahaha. Será que isso quer dizer que ele não tem mais com o que gastar depois que ela morreu?!

Como alguém poderia rir de algo como aquilo?! Que insensível. A raiva percorreu meu corpo e eu me virei para encarar as garotas que perceberam na hora. Elas pararam de sorrir e, logo, foram embora. Continuei andando até entrar na minha sala e ver minhas amigas. Calissa e Elisa conversavam entre si, em seus lugares de costume, suas carteiras (ambas mais para o fundo, mas nem tanto). Mas Bianca estava sentada sozinha em uma das primeiras carteiras e não falava com ninguém, apenas encarava o quadro branco e brincava com um chaveiro de conchinhas coloridas entre suas mãos, provavelmente, estava à espera da professora. Resolvi ir conversar com a Lisa e a Lissa. Estava curiosa se elas já sabiam da notícia.

— Oi, gente.

Elas pararam de conversar e me encararam falando oi. Calissa estava sentada na carteira atrás de Elisa que havia se virado para conversar com ela. Eu estava em pé, me curvando um pouco.

— Vocês sabiam que o pai da Júllya está oferecendo 100 000 reais para quem der alguma pista do caso?!

Para a minha surpresa elas pareciam saber. As duas fizeram que sim com a cabeça e Calissa, que estava com os braços cruzados na carteira continuou:

— E também 1 milhão para quem denunciar o assassino.

Minha nossa! 1 milhão?|!

— 1 milhão?!

— Sim…

Aquilo era inovador. Ele não tinha se pronunciado ainda, mesmo durante semanas e na primeira vez que se pronunciou fez um grande alarde. Estava começando a pensar que ele não sentia tanto ou que preferia esconder, mas entendi agora o que um pai milionário faz em uma situação assim. De qualquer forma, ele também nos ajudou. Se pegassem o assassino nossos medos acabariam.

— Por que a Bianca não está aqui, com a gente?

Calissa fez uma cara que queria dizer; “Ah, ela? Não está aqui pelo simples motivo de nos abandonar”. Dessa vez quem falou foi Elisa.

— Ela não quer mais falar com a gente. E também, sua mãe veio na escola e proibiu qualquer mínimo contato conosco. Se isso acontecer os funcionários da escola vão intervir.

— Nossa! Mas por quê? Como você sabe?

— Porque ela acha que se não ficar mais conosco vai esquecer de tudo, ela mesmo disse.

Parece que todo mundo tentava esquecer tudo do seu jeito.

— E pela próxima semana um policial vai ficar por aqui.

— Na escola?!

— Caso “ele” tente algo conosco…

Essa frase e o fato do policial ficar perto de nós para evitar algum “incidente” tornava tudo mais real. Um arrepio percorreu minha espinha.

— Mas por quê?

Calissa que observava atentamente a conversa só reagindo com suas “caras e bocas” entrou na conversa:

— Porque o papai e mamãe Arpini pediram — Ela disse de um modo sarcástico.

Oh sim, outro pai influente. Pelo menos assim, nos sentiríamos mais seguros. Elisa começou, então, a rir:

— Vocês precisavam ver o escândalo que o Dylan fez quando soube disso. Ele se ajoelhou, implorando para que eles não fizessem mais nada. Foi hilário! Eles pretendiam pagar seguranças particulares mas desistiram. Acho que pela primeira vez desde sempre, ele está com raiva de ser tão popular.

Nós rimos juntas, imaginando a cena. De longe, Bianca nos observava.

Pov's — Dylan Arpini

Eu estava sentado na carteira da frente da sala do 3º A, como de costume, quando Jibby e Keylan entraram na sala. Falavam sobre a festa.

— Mas então quem você vai convidar, Keylan?- Jibby perguntava enquanto encarava seus tênis. Ele parecia pensativo por algum motivo não aparente.

— Ah… Eu não vou levar ninguém — Comentou e deu de ombros como se fosse algo irrelevante — Acho que vou ficar melhor sozinho nessa noite — Ele se apoia na carteira ao meu lado.

— Quem você vai levar, Jibby? — Questiono. Que eu me lembrava bem, Jibby não tinha ninguém para chamar, mas parecia estar escondendo algo. Eu gostaria de saber que ele levaria alguém. As vezes eu acho que seria bom para ele, para variar um pouco.

— Bom, para dizer a verdade… — Ele suspirou — Eu estava mesmo pensando sobre isso… Dessa vez, eu queria convidar alguém, mas eu acho melhor não, quer dizer, não quero apressar as coisas e também…- Ele estava bem nervoso.

Bryan balançou a cabeça e revirou os olhos, então, pousou a mão no ombro do loiro e o puxou para perto dele, interrompendo-o:

—Ah qual é, Jibby! Todo mundo sabe que você quer levar a Calissa! É simples, convida ela.

— Não! — Ele exclamou — Quer dizer, sim… Eu meio que tava pensando, mas…

Então sempre foi a Calissa. Eu me perguntei várias vezes quem ele poderia gostar e parece que Calissa havia roubado seu coração. Como eu não pude perceber antes? O modo com que ele a olha! Sou um péssimo amigo. Até Bryan, que parece ser tão avoado percebeu.

— Só que você não é capaz de convidá-la é isso? — Bryan pressionou-o.

—Ei, eu posso fazer isso se eu quiser! — Jibby retrucou e cruzou os braços.

— Ótimo, então faça. Vamos ver — Bryan levantou as sobrancelhas desafiador.

Eu sabia muito bem o que ele estava fazendo. Estava provocando-o para que o fizesse. Ele sabia que Jibby precisava de um bom empurrão para que conseguisse deixar a timidez de lado. Ele quase nunca convidava alguém ou falava com garotas, normalmente éramos nós três que o fazíamos e se ele estava interessado em alguma, precisava falar com ela, não podia se esconder para sempre. A situação me pareceu engraçada e resolvi ajudar.

— Está me desafiando é? Muito bem, vou mostrar que eu consigo chamá-la para sair! — Jibby declarou e Bryan levantou levemente os lábios em um sorriso vitorioso, não pude deixar de rir.

— Vamos Jibby! Não está com medo de levar um “não”, está?!- Eu disse com um tom de ”não acredito!”. Pensei em imitar uma galinha, mas ele poderia entender errado. Queria muito ver o que aconteceria depois, principalmente se Calissa dissesse não, o que era bem provável, mas todos torciam para que não acontecesse.

Já eu não tinha mais tanta certeza de que ia na festa. Um tempo atrás isso me pareceria uma ótima oportunidade, mas desde aquela mensagem eu passei a refletir mais. E se no lugar de Júllya, “eu” tivesse morrido?! Não acho que eu me orgulharia muito em dizer que essa foi minha vida. Não acho que tenho feito algo realmente importante com ela, afinal, eu sou mais um garoto fútil.

Pov's — Calissa Abreu

O sinal para o intervalo havia soado há alguns segundos. Estava guardando todo o meu material dentro da minha grande mochila, que mais lembrava uma mochila de viagem, enquanto escutava a conversa do momento. Elisa e Jessica passaram todo o tempo discutindo a respeito de como a Júllya mesmo depois de morta estava famosa e popular, talvez ainda mais do que era quando estava viva.

Não havia uma pessoa sequer que não estivesse comentando ou espalhando notícias, verdadeiras ou não, a respeito de seu assassinato. Levantei-me e caminhei em direção a saída da classe seguida um pouco longe pelas duas morenas, que pareciam realmente entretidas em comentar sobre as recompensas do Sr. Bencatel.

Uma garota de cabelos ruivos e volumosos passou por mim e ouvi, embora sussurrasse, com um garoto moreno e forte, que como os demais as palavras que dizia eram justamente sobre a morte da minha amiga:

—Como sabe que meu pai é policial, ele sempre trás notícias para casa — Era Annabella, uma das garotas mais inteligentes e competitivas da classe. Ela sempre queria ter a última palavra e sempre tinha razão, ou era o que desejava ter — Fiquei sabendo que essa história de assassinato é apenas fachada para não acabar com os negócios da Bencatel Universal se revelarem que não passava de um suicídio. Que aquela garota não passava de uma mimada querendo atenção, até na própria morte.

O garoto, Marco, pareceu acreditar no que ela dizia, assim como normalmente todos faziam. Ele arregalou os olhos e Bella abriu os lábios em um sorriso de superioridade, enquanto afirmava a história. Revirei os olhos e observei-os atravessarem a porta até o enorme corredor do colégio.

Respirei fundo e, sem olhar para trás, caminhei pelo corredor também, todavia assim que o fiz percebi que a ruiva, agora, estava entre outras duas pessoas e parecia ter a atenção completa sobre ela. Me aproximei e escutei que, mais uma vez Bella repetia a história para quem quisesse ouvir. Ela estava mentindo descaradamente a respeito de uma garota morta. E não qualquer uma, era da minha melhor amiga.

—Aquele papo de que tem um assassino a solta por aí é tudo fachada. Aqueles amigos dela provavelmente estão sendo pagos para mentir. Olha essa, receberem mensagens ameaçadoras e encontrar o celular em um terreno baldio? Ridículo... — Ela debochava e todos a sua volta concordavam plenamente.

Fuzilei-a com o olhar e fiz o possível para me conter, mas algo foi mais forte do que eu e senti que precisava acabar com aquilo. Ela estava não apenas inventando histórias de Júllya, como também de mim e meus amigos. Dei um passo decidido em direção daquela garota ruiva metida. Estava prestes a puxá-la pela manga da blusa de frio verde da marca tão famosa Coach, que usava, e mostrar que ela não podia simplesmente contar mentiras sobre a minha turma e sair impune, porém senti uma mão trêmula sobre meu ombro e parei a tempo de atacá-la.

—Ah... Calissa... Eu... — Escutei uma voz vinda atrás de mim.

De início não consegui imaginar quem fosse. Era uma voz masculina o que descartava as meninas, no entanto assim que me virei me deparei com um garoto loiro. Ele parecia um pouco inseguro e revezava o olhar entre mim e o chão repetidas vezes. Era Jibby, claro, era fácil descobrir que se tratava dele, uma vez que sua voz parecia alterada na maioria das vezes em que falava comigo, era quase como se tivesse lutando internamente para conseguir proferir alguma palavra.

—Quer falar comigo? — Perguntei e ele tirou a mão rapidamente do meu ombro e me encarou um pouco confuso.

—Quero... É que eu não sei como te dizer...

Franzi o cenho. Por qual motivo ele estaria tão nervoso? Aquilo me deixava extremamente curiosa e ao mesmo tempo confusa. Ele parou um pouco e respirou fundo para, em seguida, me encarar tão fixamente, que seus olhos pareciam que perfurariam os meus caso ele se aproximasse mais um centímetro. Me assustei um pouco, mas continuei a observá-lo, esperando por uma resposta quando o mais inesperado me ocorreu.

Jibby se jogou aos meus pés. Pisquei umas três vezes com os lábios um pouco entreabertos para ter certeza de que aquilo realmente estava acontecendo. Então, o garoto me encarou de volta e engoliu em seco, pouco antes de se dirigir diretamente para mim como se mais ninguém estivesse no corredor:

—Calissa, eu... Eu queria muito falar com você, mas... Eu não sabia como dizer e, pensei em vir aqui falar com você... E dessa vez, eu vou até o fim — Senti um frio na barriga. De alguma forma, a única coisa que se passava pela minha cabeça era a de que ele estaria prestes a me pedir em namoro e em público, estava aflita e não sabia o que fazer ou onde me esconder — Eu queria te chamar para sair... Quero dizer, para me acompanhar na festa de quinze anos da Monet.

Respirei profundamente. Ao menos me aliviara saber que ele não me pediria em nada mais sério naquele momento e naquela situação. Era algo muito mais simples. Ele simplesmente me convidara para ir a uma festa, claro que ele deixara claro que eu seria uma acompanhante, mas não estava, claramente, insinuando nada.

Observei o garoto a minha frente por alguns segundos. Eu podia ser a mais agitada e audaciosa de todo o meu grupo de amigas, porém com certeza não era a que tinha mais facilidade em lidar com questões como garotos e amor, por isso simplesmente não conseguia encontrar as palavras certas para respondê-lo. A única coisa me surgia na cabeça era a de que não estava nem um pouco a fim de me envolver em festas adolescentes com a galera popular do colégio. Aquilo não fazia o meu estilo, eu era mais para passar o fim de semana inteiro jogada no sofá fazendo uma maratona atrás da outra de séries e filmes de suspense e terror, meus gêneros favoritos, enquanto me deliciava com a melhor comida de todo o mundo: pipoca amanteigada e refrigerante.

A resposta era simples, então porque estava sendo são difícil para respondê-lo? Ora, justamente porque aquela situação não era por si só constrangedora como humilhante e eu não poderia humilhá-lo ainda mais na frente de todos aqueles estudantes. Não consegui imaginar qual o motivo de Jibby ter resolvido se ajoelhar aos meus pés em meio ao corredor movimentado da escola apenas para me pedir para ir a uma festa, contudo ele o fizera e a minha única saída era acabar com aquilo, mas da maneira mais gentil possível... Ele não podia ser lembrado pelo resto da vida como: o garoto que se humilhara para uma garota e levara um belo de um fora na frente da escola inteira.

Engoli em seco. Meu cérebro dava voltas e voltas, em busca de alguma alternativa viável, enquanto desviei meu olhar. Não queria ter de encará-lo. Seus olhos esperançosos apenas dificultavam ainda mais e me pressionavam. Encarei a multidão de pessoas que pararam o que estavam fazendo, apenas para nos observar, talvez estivessem ainda mais surpresos por um garoto quieto e jogador como Jibby estar convidando uma garota aventureira e marota como eu. Não fazia sentido nem mesmo quando pensávamos a respeito do nosso padrão social. A única coisa que tínhamos em comum era a amizade com dois ícones do colégio: Dylan e Júllya, que poderiam ser referidos como os reis e mais populares desse lugar, bem, ao menos Júllya era a rainha... Agora seu cargo simplesmente estava vago e Dylan reinava sozinho pelos corredores.

Annabella me encarava sem desviar o olhar nem um milímetro. Não pude deixar de imaginar que ela estaria anotando cada detalhe para espalhar para todos da cidade inteira, e logicamente acrescentar suas boas mentiras. Desviei o olhar para a porta da sala ao lado e me deparei com um trio que nos encarava perplexamente. Eram Dylan, Bryan e Keylan, os integrantes do grupo de Jibby. Nem mesmo eles pareciam entender o que estava acontecendo, todavia veio à minha mente que provavelmente eles fazia ao menos alguma ideia de que o garoto loiro estava prestes a me convidar e, talvez, apoiassem isso. Aquilo me fez sentir ainda pior. Como eles podiam deixá-lo fazer algum assim? Que belos amigos eles eram!

O Arpini olhava para o amigo com a boca bem aberta e uma grande cara de decepção. Com certeza o que eles esperavam que ele fizesse não era nada parecido com isso. Eles não acreditavam no que viam.

Senti os olhares de minhas companheiras atrás e mim e me virei para encará-las de volta. Jessica e Elisa estavam sem reação exatamente como eu. Transmiti um pedido de súplicas com o olhar, porém não pode ser atendido. Elas não faziam ideia de como me livrar dessa. A morena de cabelos longos mordeu o lábio inferior enquanto, provavelmente, tentava arranjar alguma maneira de me ajudar, enquanto a de cabelos curtos desviava o olhar entre mim e Jibby. Balancei a cabeça. Estava na hora de botar um fim naquilo.

Dei meia volta para finalmente responder ao garoto, quando algo roubou minha atenção. Eu escutei o barulho de uma única pessoa se movendo no corredor. Passos decididos de um all star rosa choque e uma garota de cabelos loiros e sedosos atravessava por nós em direção ao refeitório. Ela me observou de relance por um longo tempo, parecia realmente surpresa com a situação, porém não parou para nós observar e apenas continuou andando e nos deixou para trás. Era Bianca. Ela levara a sério a conversa de que se livraria de nós para ter sua vida de volta, para esquecer completamente do incidente com a Júllya. Era claramente uma atitude egoísta, mas eu não poderia culpá-la. Era óbvio, que ela era a que mais sofria de nós. Embora não afirmasse e tentasse nos esquecer, eu sabia que era mais difícil para ela do que fora para gente e que ela não conseguia superar, e diferentemente nós estávamos seguindo adiante.

Uma voz me tirou do transe de meus pensamentos e me fez desviar o olhar de Bianca e me voltar para ele. Jibby estava me encarando bastante inseguro:

—Lissa... Eu sei que parece idiota, mas eu realmente gostaria de ir com você... Te acho uma garota demais — Ele completou e me deixou em uma situação ainda mais complicada.

Meu coração gritava para que dissesse que não iria, que festas não eram a minha praia e que não estava afim, porém minha mente suplicava para que eu lhe desse uma chance e não o envergonhasse na frente de todos. De nossos amigos e até mesmo alunos que nunca havíamos visto isso antes. Passei alguns segundos escutando a discussão entre minha mente e meu coração, todavia depois de observar todos os olhares sobre nós e de não suportar mais a pressão sobre meus ombros, abri a boca e despejei as primeiras palavras que saíram pela minha boca:

—Jibby... Eu... Te acompanho na festa... — Minha mente fora mais forte. Senti um peso se soltar de minhas costas, ao mesmo tempo que meu coração se contraia.

O garoto abriu os lábios em um sorriso de surpresa. Ele não parecia que acreditava no que havia acabado de lhe dizer, no entanto se levantou de uma vez do chão e se dirigiu até mim:

—Certo. Ahn... Eu te mando uma mensagem para decidirmos tudo... E obrigada, vai ser incrível! — Ele sorriu para mim e se virou rapidamente.

O loiro saiu em direção de seus amigos que o abraçaram e comemoraram, foi constrangedor já que os outros viram a festa que eles fizeram. Senti minha bochecha queimar. Todos voltaram aos poucos ao seu fluxo normal, enquanto cochichavam a nosso respeito, e esvaziaram o corredor. Elisa e Jessica se aproximar de mim e começaram a despejar perguntas e afirmações sobre o que acabara de acontecer em cima de mim, porém estava tão distante que não consegui ouvi-las. Ótimo. Ao menos eu havia conseguido fazer com que o assunto "Júllya" deixasse de ser a manchete da escola.

Notas finais
Logo, o próximo cap será postado! Já estamos escrevendo! Estão gostando? Quais seus ships? Quais as suspeitas? Tem alguma crítica ou cmentário? NÃO HESITEM EM COMENTAR POR FAVOR, PRECISAMOS MUITO DA OPINIÃO DE VOCÊS E A MAIORIA DOS ESCRITORES PARAM DE ESCREVER POR FALTA DE APOIO E SEMPRE TEREM 'LEITORES INVISÍVEIS", ALÉM DISSO NÃO MATA NINGUÉM SE EXPOR NEM QUE SEJA PARA DIZER UM SIMPLES "Estou amando. Continua!". Amo vocês que me fazem querer escrever sempre mais! XOXO