Notas iniciais
Fala aí, galera! Finalmente posso respirar fundo e gritar bem alto que terminou o período agitado de trabalhos, ao menos por enquanto. Agora posso parar e editar mais capítulos em pouco tempo, tava tudo atrasado bicho. Já estava ficando meio desesperada hahaha Como de costume agradeço a todo mundo que tá lendo esta louca e tão especial fanfic. Passamos de 200 comentários e 6 mil visualizações, mano. Eu tô muito feliz e muito agradecida por vocês acompanharem a fic, que já vai completar um ano (contando o início que eu projetei a história), e quatro meses pra ela completar um ano de postagem. Nem parece né, parece que eu postei o cap 1 semana passada. Enfim, galeríssima, boa leitura!

Quatro e vinte da tarde. O segundo turno do dia começou há pouco tempo. O detetive Sales chegara ao vestiário para trocar de roupas e começar a trabalhar num caso que lhe foi designado. Praticamente sozinho no vestiário, contando apenas com a presença de outro oficial um pouco longo, ele abriu o armário e pegou uma camisa social cinza para se trocar, já que vestia uma camisa polo.

Ao encostar a porta do armário, Kevin levou um susto ao se deparar com um homem que esperava por ele logo atrás da porta.

— O que você tá fazendo aqui, hein, Grissom?! — perguntou irritado após o breve susto que levou. O sargento se aproximou dele sem fazer um barulho sequer.

— Queria saber como você estava. — Irônico, Grissom cruzou os braços e deu de ombros.

— Vá se ferrar. — Curto e grosso, Sales tentou sair para bem longe de Grissom.

Só que o sargento foi mais rápido e se pôs na frente dele.

— O que que você quer?! — Zangado com aquela provocação, o detetive o encarou nos olhos.

— Ouvi que você entrou na minha sala pedindo satisfação à minha parceira. — Ele fez um gesto com o pescoço — Ou melhor, veio querendo bancar o machão num assunto que não é problema seu.

— Quem te disse isso? — Irritado, ele franziu as sobrancelhas.

— Eu tô dizendo. Esse caso não é mais seu desde quando você não teve competência de resolvê-lo. — A voz de Grissom foi rígida, ainda que no fundo ele tenha gostado de falar aquilo.

— O que foi? Vai ficar defendendo aquela mulher agora? Por acaso tá transando com ela?

O sargento cerrou o punho direito com força. Precisou ter cuidado para não cair na pilha do detetive.

— Se eu durmo ou não com ela isso não é problema seu. — respondeu tranquilamente.

— É, vocês dois se merecem. — Sales desdenhou com vontade. Então forçou sua saída para que Grissom deixasse o caminho livre.

Porém, o sargento foi mais firme. Ele tocou em seu peito com força.

— Me deixa em paz seu desgraçado! — Bruscamente o detetive Sales empurrou a mão de Grissom.

— Fica longe dela e do caso, ouviu? — Grissom apontou ameaçadoramente para ele.

— Quem é você pra me falar isso, hein? Você não passa de um velho obsoleto que fica correndo atrás de fantasmas. Abre teu olho!

Irritado com aquela resposta, ele franziu as sobrancelhas.

— Eu, obsoleto?! Por SUA causa — O sargento pressionou o indicador no peito dele — quatro homens estavam livres há vários meses porque você não se deu o mínimo trabalho de investigar a morte de Vanessa a fundo. Seu "caso fechado por falta de provas" atrasou a investigação! E olha que estou falando somente desse.

Um oficial entrou no vestiário, o que fez o sargento mudar de expressão aos poucos. Foi o momento em que finalmente deixou o detetive se afastar. Sorte para o detetive Sales, que assim como Grissom, observou brevemente a entrada daquele homem.

— É um aviso. — alertou Grissom no momento em que Sales passou por ele. Sua voz estava baixa, para que somente o detetive pudesse ouvir — Eu não vou falar de novo.

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Os nervos estavam à flor da pele. Suor escorria pelos seus rostos. Respiração pesada e foco total na missão que se iniciaria em breve. Utah era o estado. Depois de uma árdua busca pela assassina de Lewis que durou um dia e meio, uma equipe estava preparada para agir, inclusive os dois detetives responsáveis pelo caso.

Eram duas e trinta e cinco da manhã. Uma equipe de operações especiais foi posta próxima a uma casa simples em Santa Clara. Nenhum helicóptero por perto, justamente para afastar quaisquer suspeitas. Todo cuidado era pouco, nunca se sabia quando uma reviravolta numa operação poderia acontecer.

— Lembrem-se: queremos a mulher viva. — falou o detetive para o comandante da equipe. — Gordon não deve oferecer resistência, mas a qualquer sinal, por favor, evitem qualquer medida drástica.

— Você sabe muito bem que se algo fugir não vou poder controlar nossos homens. — Ele respondeu rigidamente — Tenho que zelar pela vida deles, de vocês e do pessoal à nossa volta. — Defendeu-se.

— Claro que tem. — Max o ironizou.

Não demorou muito tempo, o chefe recebeu uma mensagem pelo comunicador acoplado em seu ouvido. Ele, alguns agentes, inclusive Sara e Maksim estavam reunidos a alguns metros próximos da entrada da casa. Todos contribuindo para o mínimo de silêncio no local. Todos os civis que passavam por ali eram recomendados a se afastar ou fazer o menor barulho possível.

— Ótimo. — respondeu o comandante após ouvir a mensagem. Confiante, ele dirigiu a palavra a Maksim — Já estão todos prontos.

— Ok. — O detetive fez que sim com a cabeça e depois se voltou para Sara, que estava próxima a ele — Está pronta?

— Estou. Uma pena que a gente não vá participar disso. — Ela brincou, enquanto ajeitava o seu colete à prova de balas.

— Hum. — Ele sorriu — Ficou triste é?

— Confesso que gostaria de participar um pouco da ação. — Deu de ombros, ainda a carregar o mesmo sorriso.

— Por isso eles estão aqui, justamente pra gente não participar da festa.

— Vamos entrar em um minuto. — O comandante alertou-os.

Na mesma hora os detetives tomaram suas armas dos respectivos coldres e ficaram atentos.

— Fique atrás de mim. — Maksim se dirigiu a mulher, que, surpresa, ergueu as sobrancelhas.

— Eu vou ficar bem, Max. — Ainda impressionada, ela respondeu sorrindo.

— Só estou me certificando.

A equipe altamente treinada ficou à posta. Dois homens cercaram a porta pelos lados e um ficou frente a ela, todos aguardando uma simples ordem do comandante, que após alguns segundos de verificação, acenou. O oficial chutou a porta com tanta força que o trinco e as dobradiças foram danificados. Quase num raio, os homens entraram na casa de lanternas acesas e armamento pesado. Sara e Ivanenko foram logo atrás.

Não havia ninguém na sala de estar, tampouco na cozinha. Os outros locais do primeiro andar foram verificados, inclusive o porão. Enquanto isso uma equipe subia as escadas. A primeira equipe deu a área como "limpa". Tudo foi feito na surdina, não se ouvia quase nenhum barulho.

Em certo momento, Ivanenko olhou para Sara e apontou para cima, logo após a equipe especial ter subido. Os dois foram em seguida. Quando os detetives ainda subiam as escadas um forte barulho foi ouvido, em seguida, outro, quase no mesmo tom. Era o som das portas sendo arrombadas pelos agentes. Após isso, gritos de homens foram ouvidos; era o momento da abordagem. Com pressa, Sara e Maksim trataram de correr e chegar até o quarto de onde Hilary foi encontrada.

O local era um quarto de hóspedes. Assim que os detetives entraram, puderam ver a mulher já contida. Estava no chão já imobilizada. Os agentes em volta dela comemoravam a operação, enquanto o pessoal que estava no outro quarto também foi imobilizado por outros agentes.

Ivanenko guardou sua pistola e pegou a algema, prestes a caminhar em direção à Hilary. Entretanto, Sara se pôs à frente e o impediu com o braço. Seguiu até a suspeita. A luz foi acesa.

— Vai, levanta. — disse quando se agachou. Foi então que percebeu que a mulher ainda usava roupas de dormir.

Sara olhou para o parceiro. Sua expressão era evidente, queria que todos os outros deixassem o quarto para que a suspeita se trocasse.

— Muito bem, senhores, deixem a moça se trocar. — Ele ergueu os braços para os outros homens, em seguida, voltou-se a Sara — Vou falar com os donos da casa.

— Ok.

Em questão de segundos, Ivanenko e os agentes, um pouco aborrecidos, deixaram o quarto. Ivanenko esperou que todos saíssem e fechou a porta, deixando as duas mulheres sozinhas.

— Você vai ter uma longa viagem, melhor se trocar logo. — A detetive se afastou e ficou próxima a porta.

— Não precisava daquilo. — disse Hilary, ao caminhar para perto de uma bolsa de viagem. Sara estava de olho nela para se certificar que não tentaria fazer nada hostil.

— Ah... claro que precisava. — A detetive ironizou — Não viu que tinha um bando de homens por aqui? E olha só pra você. — Apontou para ela com a mão direita. Sara conhecia muito bem como alguns homens agiam quando encaravam uma suspeita, ainda mais se fosse uma garota de programa — E é melhor se arrumar logo, a gente nem devia estar aqui sozinha.

As duas não ficaram muito tempo no quarto. Quando deixaram o local deram de cara com o detetive Ivanenko esperando por elas um pouco próximo à porta.

— Pode pegar a bolsa com os pertences dela, Max? — A detetive o solicitou, enquanto conduzia Hilary, já algemada, para baixo. Maksim assentiu na mesma hora e voltou para o quarto.

Quando Sara desceu as escadas junto da suspeita, encontrou o comandante da equipe conversando rigidamente com o casal que acobertou Hilary. Ela não gostou da cena já que a responsabilidade de fazer quaisquer perguntas relacionadas ao caso era dela e do Ivanenko; mas como se viu em desvantagem deixou aquilo passar.

As duas deixaram a casa. A detetive, inclusive, mal deixou que ela trocasse duas palavras com os donos, que também seriam indiciados. Uma viatura da polícia local foi disponibilizada. Terminada a operação, as equipes, inclusive os detetives e a suspeita foram até a sede da polícia local. De lá, pegariam um voo de helicóptero em poucas horas de volta à Nevada.

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— Não sei se você vai conseguir dormir no helicóptero, mas pode tentar descansar um pouco lá no hotel quando chegarmos. — Ivanenko brincou, ao se virar para o lado e ver Sara lutando para não fechar seus olhos.

Ao término da operação, a dupla já estava de volta na viatura policial, que era conduzida por um oficial da polícia metropolitana. O banco do carona estava livre, ainda assim, Maksim preferiu sentar-se ao lado de sua parceira.

A mulher ergueu as sobrancelhas e depois riu.

— Eu ficaria feliz da vida se conseguisse uma horinha de sono. — Assentiu.

Maksim cruzou os braços e sorriu.

— O que você fez a Hilary... — disse, ao olhar para a frente e observar a outra viatura que levava a suspeita.

— É, eu... talvez vocês tenham ficado chateados, mas eu tive que fazer aquilo. — Ela balançou a cabeça.

— Não, eu não estou brigando com você. Acho que fez o certo. — O detetive respondeu cordialmente, o que garantiu outro sorriso vindo dela.

Após alguns segundos de silêncio, a morena deu continuidade à conversa.

— Ao menos uma parte do caso foi completada. Já estava agoniada com isso.

— Sei como é.

— Eu quero te agradecer por trabalhar nesse caso. Pegamos a suspeita num tempo menor que esperava.

— "Agradecer"? — O detetive perguntou surpreso, deixando escapar uma risada — Só fiz meu trabalho, assim como você. Se não fosse a sua ajuda eu estaria até agora procurando por pistas.

Os dois se entreolharam momentaneamente e em seguida cada um virou para um canto. Ter Maksim como parceiro estava sendo muito bom para ela. Além de ganhar mais experiência com alguém mais velho, a relação com o detetive melhorava cada vez mais; diferentemente da relação que estava tendo com Grissom, de um pico da montanha a um vale profundo. E falando no sargento, Sara precisava arranjar alguma estratégia porque em breve, muito em breve, teria de voltar a lidar com ele.

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Após uma conversa entre os detetives e o delegado da polícia local, Hilary passaria a noite na cadeia, já que não conseguiram um transporte para retornar a Vegas assim que capturaram a suspeita. Ao mesmo tempo que foi uma dor de cabeça isso foi um alívio para os dois policiais, principalmente para a detetive, que foi afetada pela dura carga de trabalho.

Ela estava cansada, realmente cansada. Mas sua mente estava perturbada e possivelmente não a deixaria dormir tão facilmente. Uma ironia, já que no carro faltava pouco para ela pegar no sono. Sara não tinha muitas escolhas melhores e imediatas, então recorreu ao seu melhor refúgio. Sentou em sua cama e recostou-se na cabeceira. Pegou o celular e procurou por um número específico. Chamou por ele e esperou uns segundos.

— Você não tá vendo que eu querendo dormir? — A voz do outro lado da linha reclamou. Pela voz a mulher parecia estar irritada, mas Sara já sabia que era mentira.

— Ainda não chegou a sua hora de dormir, Annie, você sabe disso. — Ela respondeu, mas sem dar muita ênfase na brincadeira.

— Bem, eu posso ter começado a mudar de hábito, e daí?

— Vou fingir que acredito. — A detetive assentiu.

— Mas então, como é que você está aí? Se está me ligando a essa hora é porque deve ser algo importante.

— Ah... eu só queria... falar com você pra ver se pego no sono. — Sara se acomodou na cama e olhou para cima. Pôde perceber a risada que sua irmã soltou na mesma hora.

— Seria mais fácil você ouvisse a sua voz numa gravação para dormir, não? — comentou rindo — Tá, falando sério agora, tá tudo bem?

Sara levou um tempo para responder a pergunta. Perguntou a si mesmo se foi uma boa ideia ligar para Annastasia e envolver, mesmo que em parte, sua irmã nessa história.

— Quer que eu fale a verdade? As coisas não estão muito bem...

— É por causa do trabalho, né... Onde é que você tá? Tá aí na delegacia?

— Não. Em Utah.

— Utah?!

— É uma longa história. Você vai acabar pegando no sono mesmo. — Sara balançou a cabeça — Mas não é por isso... — Ela fez uma pausa — O trabalho por aqui está complicado, tá... cansativo.

— Você precisa de um descanso aí. Ninguém consegue trabalhar sem parar e ficar num nível de sanidade mental saudável.

— Eu sei disso, Annie! Mas como é que eu vou descansar se houve uma reviravolta aqui no caso e o Grissom- — Ao dizer o nome dele, Sara se calou quase na mesma hora — ainda não está de volta ao trabalho?!

— Ei, calma aí, Sara!

O modo como a irmã retrucou alertou-a sobre seu próprio estado. Então baixou o tom de voz.

— Olha, desculpa... Eu tenho andando meio estressada.

— É, eu percebi.

Houve um silêncio de ambas as partes. Sara não sabia o que dizer após isso, já que tinha medo de falar algo que não devia.

— Estava pensando em ir a Vegas e ficar com você por alguns dias. — Ela comentou após o silêncio.

— O quê?! Nem pensar. — Assim que a ouviu, Sara arqueou as sobrancelhas e novamente retornou com o duro tom de voz.

— Por que não?

A morena relutou por um instante antes de falar a resposta.

— Não quero que você vá para lá, Annie, não está vendo que o caso em que estou trabalhando é perigoso?

— O quão perigoso, hein? Tudo o que você me falou é que iria trabalhar num caso importante com o Grissom! Eu não vejo-

— Annastasia, isso está fora de questão. Eu não quero que você saia daí, ouviu?

— Virou a mãe agora, é? — Annie a questionou desafiadoramente.

— Céus, não vamos voltar nessa discussão mais que desnecessária, não é? — Sem paciência para retrucar, Sara tentou cortar o assunto relacionado a Cassandra — Eu só tô querendo te proteger, não tá percebendo isso?! — Ela olhou para a porta e depois encarou o telefone de lado. Respirou fundo e baixou o tom de voz para falar — Annie eu não quero que você venha porque... porque Nevada está perigosa. E eu não tô falando da violência ou de assaltos, é que... — A detetive hesitou por um instante — tem um serial killer matando pessoas em certos pontos do estado. Esse é o caso em que eu tô trabalhando.

Annie não respondeu de cara, como estava acostumada a fazer. Pelo contrário, ela não falou nada, ficou em silêncio por um tempo considerado "anormal" pela irmã.

— Por que não... me disse isso...? — Nitidamente chocada, Annastasia perguntou baixo.

— Por que esse tipo de situação é delicado, Annie.

— Que merda, não estou nem aí, Sara! Você foi encarar esse caso de um cara que tá matando não sei quantas pessoas lá! Tá se metendo em furada por causa desse Grissom?!

Sara não gostou daquilo, principalmente da forma que ela interpretou sua escolha a optar por uma oportunidade única de trabalho. Ela fechou a cara, pronta para responder de forma dura.

— O que disse?! Se eu aceitei esse trabalho foi pra mostrar o que eu posso fazer. Reconhecimento, tá legal?! — respondeu inconformada. Grissom também teve um peso importante em sua escolha, mas não foi o motivo principal, de longe foi.

— Vai me dizer que esse cara não te atraiu, hein? Caramba! — Ainda não satisfeita, Annie continuou com sua posição.

— Annie. Você acha que eu ia colocar a minha vida em risco para estar perto de um homem do qual não tenho contato há oito anos?! E daí se eu sentia algo, isso não importa! Estou aqui para trabalhar, não pra me envolver com ele!

Foi difícil encarar a realidade que qualquer chance de um possível relacionamento romântico com o sargento não iria acontecer. Mas ela tinha que ser direta, firme. Seu foco maior era num serial killer, não num romance fictício.

— Cara... você... eu não acredito nisso. — Annastasia era uma pessoa difícil de convencer. Ela ainda permanecia indignada com as escolhas da irmã e parecia irredutível — Eu não acredito que você tá arriscando sua vida pra alguém reconhecer o teu trabalho. Isso não... isso não tá descendo, Sara. Uma coisa é você aceitar trabalhar num caso de homicídio e outro é caçar um serial killer!

De certa forma as palavras dela fizeram sentido. Nunca fizeram tanto sentido quando naquele contexto. Era verdade, Sara estava tão animada com a repentina oportunidade que mal calculou o peso de sua decisão: sair do estado, investigar um caso já em andamento, arriscar sua vida, e por último, mas não menos importante, (re)cultivar uma relação com seu "amigo". A pergunta que pairava era "vale mesmo a pena?".

— Sei que está chateada, Annie. Eu espero que um dia você entenda a minha decisão.

— Ah, "chateada"... — Ela ironizou. Chegou a soltar uma risada — Chateada é pouco, tá bom?! Sara, me escuta. — Ela continuou, num tom mais sério desta vez — Sai dessa! Eu não sei o que vou fazer se-

— Eu sei me cuidar, Annie. — A detetive retrucou na mesma hora, percebendo o caminho pelo qual a irmã estava tomando.

Silêncio na linha.

Se isso foi uma tentativa de me deixar melhor, não adiantou.

— Annie, você sabe que eu te amo.

Não vem com esse papo de "eu te amo", não, você me ouviu? — Irritada, Annastasia a cortou rigidamente.

— Eu estou tentando agarrar essa oportunidade. Você sabe que isso é importante pra mim. — Sara fez uma pausa e suspirou brevemente. Olhou para o lado e continuou — Se alguma coisa acontecer comigo, eu quero que saiba que o meu trabalho tem esses riscos. Cassandra também encarou estes riscos, Annie.

Não, o, não. — disse rapidamente — Não coloca ela nesse meio, tá? Eu só quero que você termine essa droga de caso e volte o quanto antes, já que você é cabeça dura demais para me ouvir!

— Se o caso fosse fechado hoje, com certeza já estaria arrumando minhas malas e me preparando para pegar o primeiro voo de volta. — Do jeito que a situação se encontrava, Sara faria jus ao que falou.

Quanto mais rápido terminasse o caso seu retorno à Califórnia se aproximaria e ao mesmo tempo a distância de Grissom. Mas para ela, infelizmente, o caso estava longe de ter um final; consequentemente os dias trabalhando com o sargento também não chegariam ao fim tão cedo. Ela olhou para cima com um semblante triste:

— Mas não dá, Annie, não dá. Eu tenho um compromisso, não posso largar tudo e voltar agora. Espero que você possa me entender, mesmo.

Alguém bateu à porta, desviando a atenção de Sara na mesma hora. Era o momento de encerrar a ligação e torcer para que sua irmã não tenha guardado mágoa ou raiva.

— Olha só, Annie, eu vou ter que desligar. Fica bem tá? — disse, enquanto se levantava da cama. Esperou um pouco aflita por uma resposta.

Tá legal... — Ela respondeu, mas deu para notar a melancolia em sua voz Se cuida, Sara, pelo amor de Deus.

A morena chegou a sorrir por um instante. Não era sempre que Annastasia citava o nome de Deus.

— Eu vou. — Sara tapou o microfone do celular com a mão e exclamou — Já vou! — Então se voltou para a irmã — Quando isso tudo acabar eu volto pra gente cantar Bring Me To Life juntas.

Para... — Depois de um riso disfarçado, Annie parecia um pouco melhor, para alívio da detetive.

— Amo você, Annie.

Um breve silêncio.

Eu também.

Ela abriu um largo sorriso. Foi bom terminar a conversa sem um vestígio de uma briga com uma das poucas pessoas que ela realmente se importava.

Ao seguir para e porta e abri-la, ficou surpresa ao ver a figura que chamava por ela.

— Nos falamos depois, Ann. Beijo. — Disse após erguer as sobrancelhas. A mulher encerrou a ligação e olhou para frente.

— Interrompi a conversa? — O homem perguntou sorrindo.

— Não, já estava prestes a desligar mesmo. — Retribuindo o gesto, Sara também riu — Falei há pouco com a minha irmã.

— Ah, você tem uma irmã, é? — Surpreso, ele apontou para a detetive.

— Você não sabe um monte de coisa sobre mim, Max. — Sara riu, sabendo que ele queria apenas puxar assunto. — Mas me diga, aconteceu alguma coisa?

O detetive sorriu e balançou a cabeça. Foi então que a morena reparou o pequeno recipiente que ele segurava em sua mão esquerda.

— Aproveitando o tempo? — disse ela ao apontar para a pequena garrafa.

— É para relaxar. — Assentiu.

— Deixa eu adivinhar... vodca?

— Só porque eu sou meio russo? Estou decepcionado. — Erguendo as sobrancelhas o Maksim brincou.

— Vai, me dê um crédito. São três e pouca da manhã. — A morena ergueu os braços.

— Estou brincando. É conhaque. — Sorriu — Quer um pouco? — Ivanenko estendeu a pequena garrafa para ela.

Surpresa, Sara não soube o que dizer de cara. Não era sempre que um recente parceiro pudesse tratá-la de uma forma tão natural, como se fossem amigos de longa data.

— Não, obrigada.

— Ok... — Maksim olhou para o lado após o clima estranho que se formou com o silêncio que partiu de ambos — Quero agradecer à sua ajuda. Sem você não teríamos encontrado a suspeita em um tempo tão curto.

A morena fez uma careta.

— Não acredito que veio aqui só por isso.

— Vim apenas para conversar, caso queira. Esses dias foram agitados, ainda assim estou sem sono. — Deu de ombros.

Sara encarou homem à sua frente. Pela feição em seu rosto, olheiras e postura dava pra ver que Ivanenko estava cansado. Ficou admirada por sua vontade em iniciar uma conversa àquela hora da noite.

— Eu adoraria conversar com você, Max, só que infelizmente estou exausta. Quando voltar à Vegas terei de resolver um monte de coisas...

Mesmo tentando disfarçar, era notável a discreta decepção de Ivanenko.

— Entendo. — Assentiu — Vou deixar você descansar um pouco, então. Boa noite.

Seu tom de voz o entregou e ela percebeu aquilo, ainda assim estava indisposta para conversar. Achou até que exagerou em conversar além do tempo esperado com sua irmã.

— Boa noite, Max. — disse, acenando para ele com um sorriso tímido.

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Hora de voltar. Foram dias longos e cansativos. Parte do trabalho foi feita e a detetive estava contente por isso. Seu maior medo de outrora seria o prolongamento da investigação da morte de seu suspeito. Os próximos passos eram descobrir a verdade ou mentira de Hilary e continuar no caso do serial killer, aproveitando a "oportunidade" que Lewis deixou após sua morte.

Os detetives já estavam no helicóptero junto da suspeita e de outro oficial da polícia de Vegas. Não houve muita conversa de início, estava frio e a vontade em dizer alguma coisa mais fria ainda. Enquanto observava a paisagem ao longe, Sara teve aqueles momentos de recordação; não foram muito bons. Toda vez que tentava pensar em algo era como se a lembrança de dias atrás voltasse à tona. A ficha não pareceu ter caído tanto que o beijo pareceu não ter existido. A detetive gostaria muito de acreditar nessa mentira e não ter que lidar com o depois.

— Sara?

— Hã? — A mulher se voltou para ele num pulo.

— Você está bem? — Ivanenko se inclinou um pouco para observá-la.

— Eu tô. Desculpe se falou algo e eu não ouvi. Estava meio distraída.

— Não se preocupe. Depois de tudo o que aconteceu até mesmo eu estou meio envolto em alguns pensamentos por aqui.

— Você fez um bom trabalho. — Ela sorriu de lado.

— Nós fizemos. — Ivanenko enfatizou — Não me surpreenderia se você continuasse aqui após a resolução do caso.

— Hum. — A mulher riu — Quem sabe. — Sua resposta pareceu convencê-lo, mas no fundo, Sara tinha outros planos pela frente.

A breve conversa terminou como esperado. E mais uma vez a detetive se encontrava observando a paisagem e pensando no futuro, mais precisamente no caso e seu "antigo parceiro". O arrependimento ao chamá-lo para entrar em sua casa batia forte. Tudo terminou naquele beijo, outrora tão desejado, mas que causou uma grande dor de cabeça.

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— Você nos deu um trabalho do cacete, viu? — A morena foi direta — Você nos causou um problema se metendo no meu problema e criou um outro problema, maior ainda. — falou sarcástica.

O relógio mostrava as horas: 09h01. Assim que chegaram em Vegas não foi necessária muita conversa com o capitão Brass ou qualquer outro oficial. O próximo destino era a sala de interrogatório. Na mesa, haviam duas pastas cheias de arquivos do caso e três copos de café quase frios.

Hilary não aparentou ter vergonha de encarar a detetive. Estava neutra, séria, como se aquilo fosse mais uma conversa entre empresários que um interrogatório. Ivanenko não gostou.

Não houve resposta da suspeita.

— Já que você não quer falar deixe que a gente fale, então. — De pé e de frente para ela, Maksim apoiou as mãos na mesa e a encarou quase na altura dos olhos — A gente quer que você conte a verdade, somente isso. — comentou baixo, mas friamente.

Hilary se recostou na cadeira e olhou para seu copo. De vez em quando erguia seu olhar dirigindo-se a Sara.

— Por que você matou Franklin Lewis, Hilary? — Ivanenko diminuiu o ritmo e o tom de voz. Retirou suas mãos da mesa e se afastou um pouco dela.

A mulher suspirou.

— Não adianta ficar em silêncio o momento todo. — O detetive pressionou, mesmo sabendo que ficar em silêncio era um direito dela — Testemunhas viram você junto de Lewis e outras também te viram saindo de madrugada. Seu próprio DNA te coloca dentro daquele quarto, bem juntinha dele. — Sorriu brevemente.

Finalmente Hilary encarou Ivanenko por mais tempo. Parecia convicta de suas ações e do que estava prestes a dizer:

— Ela não fala mais? — perguntou, referindo-se a Sara.

Na mesma hora os policiais trocaram olhares. Ivanenko, que não era um policial que se irritava facilmente já estava perdendo a paciência. O cansaço físico e mental contribuiu para aquela anormalidade.

— Eu vou tomar mais um pouco de café. — disse, ao suspirar olhar para as duas. Assim que se Sara fez um gesto positivo, Maksim deixou o local.

Após alguns segundos de silêncio total, Sara se sentou na cadeira e ajeitou-se, puxando o móvel para si. Encarou a mulher, dando oportunidade para que falasse, mas como isso não aconteceu a morena soltou um suspiro e se manifestou:

— Olha só, antes que você venha contar a "sua verdade" dizendo que Lewis atacou você ou que aquilo foi um acidente, deixa eu te contar a situação. — Ela gesticulou com a mão — Como eu falei antes meu suspeito está morto. A morte dele atrapalhou uma investigação que já está durando meses e que pode durar mais tempo se você não me ajudar com isso. — Sara fez uma pausa — Se você mentir e a gente descobrir isso de alguma forma, todo mundo vai sair prejudicado, inclusive você.

Silêncio. Hilary não encarava mais a detetive, e sim, a porta. Era um jogo cansativo. Desde sua captura, a suspeita quase não falava, evitava o máximo possível dizer alguma coisa sobre o caso. Não parecia estar sob ameaça tampouco apresentava nervosismo.

— Não sei por que você quer fazer esse jogo duro, Hilary. Você sabe que está encrencada, a não ser que colabore com a gente, só assim eu posso dar um jeito de ajudar você.

— Tá bom, "ajudar". — A mulher assentiu depois de sorrir — Eu quero um advogado.

— Claro que você quer. — Decepcionada e ao mesmo tempo irritada, a detetive se levantou da cadeira e deixou a sala.

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Na sala de observação, Ivanenko se encontrava ali, observando o brevíssimo interrogatório de Sara. Quando ela saiu, o detetive se virou para porta e ficou à sua espera. Não demorou para que ela chegasse.

— Ela é durona. — Comentou Maksim para aliviar a situação.

— Já esperava por isso. — Ela deu de ombros — Após tanta correria pra achá-la, meu receio de agora é que tenhamos chegado aqui para dar de cara em um beco sem saída.

— Calma, ainda não acabou. — O detetive fez um gesto com a mão — Estamos no começo ainda. Alguma coisa vamos conseguir arrancar dela. — Ele apontou para frente — Para matar Lewis ela precisou de um motivo. Como ela chamou por um advogado, Hilary deve pedir um acordo, certo? Vai ser o momento em que vamos pressioná-la.

A porta da sala foi aberta, atraindo a atenção dos policiais. Era o capitão Brass, que entrou um pouco apressado. Parecia meio eufórico pelo momento.

— Temos boas notícias? — perguntou para os dois.

— A única boa notícia do dia foi a captura dela. — Um pouco abatida, Sara respondeu.

— Hilary pediu por um advogado, Brass. — comentou Ivanenko.

— Ela não é boba, não. Daqui a pouco o nome dela escapa pra mídia... isso aí, infelizmente, é algo que vai além do que posso segurar. — O capitão suspirou e cruzou os braços. Observou a janela por algum tempo e depois continuou — Procurem tudo da vida dela, não quero que nada escape. — Ele apontou para os detetives — Ela já está sob custódia pelo envolvimento no crime e vai ficar aqui pelo menos por umas 48 horas. Tentem achar alguma possível ligação entre esse serial killer e o Lewis.

— E se não acharmos ligação alguma com essa história? — Max o questionou.

— Por algum motivo essa mulher matou o cara. Ou tem a ver com o dinheiro dele... ou alguma merda aconteceu na cama ou ele morreu porque sabia de alguma coisa importante sobre a morte da mulher no parque.

O detetive assentiu para ele e desviou o olhar. Dava para perceber que Ivanenko ainda relutava em aceitar uma possibilidade como conspiração, por mais que fosse possível.

— Eu vou encaminhar o pedido de um defensor pra ela. Enquanto isso, tentem buscar alguma coisa pro interrogatório.

— Certo. — Os dois responderam em uníssono.

Brass se despediu e saiu da sala rapidamente. Sara e Maksim se entreolharam por alguns segundos.

— Eu já volto. — Ela disse, já dando os primeiros passos.

— Tá chateada porque ainda mantenho minha posição acerca do motivo dela? — Curioso com a inesperada saída, Ivanenko foi direto.

— Não tô chateada com você, muito pelo contrário. É bom que haja outra opinião sobre o andamento das investigações. — Assentiu. Sem mais o que dizer e recebendo apenas um meio sorriso do detetive em resposta, Sara deixou o lugar.

Sua mente estava um pouco bagunçada. O cansaço da viagem e o ritmo do trabalho puxavam-na para uma esfera de ansiedade e estresse. Tudo o que ela mais queria era uma pequena pausa, um pequeno intervalo no qual pudesse "colocar as coisas no lugar". Ainda que fosse um dos últimos lugares no qual ela gostaria de ir, Sara não teve outra alternativa senão a sala do sargento. Era lá que continha uma boa parte dos arquivos pertencentes ao caso.

A detetive tocou a maçaneta e abriu a porta de cabeça baixa. Ao menos o silêncio da sala poderia trazer um pouco de calmaria para o caos que se instalara na mente. Então entrou.

— Bom dia.

Ela ergueu seus olhos ligeiramente.

Era só o que faltava.

Ele estava de pé, encostado à mesa, só esperando por sua chegada. A mulher cerrou os punhos lentamente e soltou um longo suspiro. De todas as pessoas, ele era a última quem ela gostaria de ver no momento.

Sara respirou fundo e fechou seus olhos por dois segundos. Se não bastasse os problemas do lado de fora da sala, acabou de arranjar mais um, desta vez do lado de dentro.

— Grissom.

Notas finais
Pois é o Gil aproveitou que a Sara não estava por perto e deu uma dura no Sales. É ruim dele ter deixado pra lá, hein! Dá pra notar que o Max gostou da Sara, e já trata ela como se fosse uma amiga de tempos. É galera, eh isto. Eu imagino essa fase da fic sendo um imenso círculo que aos poucos vai se fechando e quando se fechar as coisas vão esquentar em todos os sentidos. Finalmente a dupla Sidle-Ivanenko encontrou a suspeita de matar o Lewis, mas como o próprio Lewis e seus ex-colegas, ela vai dar bastante trabalho pros detetives. E após alguns dias, temos o nosso reencontro do Grissom e da Sara, galere. Pois é, tem coisa vindo por aí! Muito obrigada a todos que leram! Um beijão e até o próximo capítulo! ♥