Manhunters

60 Problemas imediatos e pendentes


Notas iniciais
E aí, pessoal! Cheguei com mais um capítulo em um dos dias que costumo postar os capítulos. Acho que vou sair um pouco dessa regra de dias de postagem por mais vezes, ou se vocês quiserem eu mantenho a segunda, quarta e sexta como dias normais de postagem. BEM, chegamos ao encontro da Sara com o Grissom, galere! Como muitos devem ter adivinhado, haverá um choque (que não é de cultura) entre as partes. Vamos ver como é que o sargento vai sair dessa, além do comportamento da detetive no procedimento do interrogatório da suspeita.

Aqueles olhos azuis a encaravam com seriedade e, ao mesmo tempo, admiração. Ela odiou aquilo tanto quanto odiou sua presença. Chegar desta forma sem ao menos avisar somente piorou a situação. Para ele, voltar a vê-la após alguns dias fez seu coração acelerar por um breve momento. Sua forma de enxergar a parceira mudou. Grissom não a via mais como uma simples parceira ou amiga, havia algo mais; ele a via com um grande apreço em seus olhos, certa paixão.

— Sara- — Ele disse, ao se distanciar da mesa. Mas ela, intransigente, o interrompeu.

— O que faz aqui? — A detetive cortou qualquer sinal de afeto. Ela o encarou seriamente, como se à sua frente estivesse um homem hostil.

— Estou voltando ao trabalho. Aos poucos... mas já é alguma coisa. Não te avisaram?

Que ótimo.

— Me avisaram, sim. — Assentiu — Que bom. — respondeu secamente enquanto caminhava em direção à sua bolsa, repousada em cima da cadeira frente à mesa dele. O sargento, em silêncio, observou apenas.

— Soube que pegaram a assassina do Lewis. — Disfarçou, no esforço de progredir com a "conversa".

— É, nós pegamos. — Desdenhando dele, Sara procurou por alguns arquivos na bolsa e depois rondou sua mesa a procura de outros. Seus planos de ficar um pouco na sala do sargento foram por água abaixo — Se me der licença, eu tenho um interrogatório pela frente.

Mas o sargento não se deu por satisfeito. Ele ergueu a mão direita na tentativa de continuar (ou iniciar) uma conversa mais concreta.

— Sara, por que você-

— Olha só, por que você não fica aqui e continua trabalhando no caso, tá bem? — Impaciente, ela franziu o cenho e o encarou nos olhos.

— Ainda não estou autorizado a atuar no caso. — Ele repetiu o que disse anteriormente.

— Então não sei o motivo pelo qual está aqui. — Sara deu de ombros, respondendo friamente; chegou a sorrir, ironizando seu comentário. Não pode esconder de si mesmo que foi um pouco doloroso dizer aquilo, mas a tristeza se sobressaía a qualquer outro sentimento.

Seu maior motivo de estar ali era porque ele gostaria de vê-la. Por mais que tivesse a decepcionado daquela forma, havia um desejo pessoal em se encontrar com a parceira. Mas pelo visto ela o queria longe, bem longe.

— Por favor, — Insistente Grissom tentou contornar a situação. Logo notou o motivo pelo tratamento duro que recebia — não vamos ficar envolvendo o trabalho com... aqueles... assuntos pessoais. Vamos-

— Ah, agora você está interessado em falar sobre "assuntos pessoais"! — Ela o ironizou, só que desta vez estava séria, ou melhor, nitidamente irritada — Me poupe, tá?! Eu vou voltar para o trabalho.

Grissom não teve tempo de reagir. Tão rapidamente Sara deixou a sala e fechou a porta com certa força para não deixar barato. A tentativa de ao menos começar uma conversa sobre o trabalho fracassou com muita facilidade. Ele sabia que estava em maus lençóis, só não sabia o quão mal ele estava. Aquilo era só o começo.

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Sua mente estava a mil por hora. Se já não bastasse a pressão do trabalho, Sara teve de lidar com o surgimento de um de seus piores problemas pessoais. Ela deixou a sala de Grissom e se encaminhou para a sala de observação na esperança de não ter que ver o sargento passar. Estava chateada demais com ele e não seria qualquer pedido de desculpas que resolveria a situação. De todas as vezes que Grissom a deixou decepcionada, aquela foi a pior por uma série de aparatos e uma história longa como plano de fundo.

Sara se sentou na cadeira e deixou os arquivos na mesa. Começou a folheá-los um por um na esperança de encontrar algo relevante sobre a suspeita ou para tentar esquecer os momentos que passou com o sargento há pouco tempo. Ficou lá por uns cinco minutos, até que alguém deu por sua falta e a encontrou por lá.

— Sara? Ei, estava te procurando. — falou o detetive quando entrou. Aliviado, Ivanenko seguiu em sua direção e depois olhou para o vidro, diretamente para a sala de interrogatório vazia.

— Desculpe, eu estava... tentando analisar esses arquivos aqui num lugar mais quieto. Minha cabeça está a mil. — Ela brincou, disfarçando o evidente cansaço.

— Por que você não faz uma pausa? — Maksim perguntou ao tocar em seu ombro direito. Aquilo chamou sua atenção.

— Eu até queria, mesmo. Mas... posso correr o risco de perder a concentração. — Riu. A verdade é que ela queria distância daquilo tudo, mas o trabalho a mantinha afastada de pensamentos de cunho pessoal; então preferiu aguentar a carga.

— Bobagem. — O detetive tentou animá-la — Vamos. Tome um café, coma alguma coisa e depois volte. Eu espero receber logo a liberação da quebra de sigilo telefônico do Lewis e de Hilary. Quem sabe não encontro alguma pista nesse meio tempo. — Completou-se um pouco mais confiante.

A morena suspirou por alguns segundos enquanto olhava para aqueles arquivos. Talvez sua melhor opção do momento fosse tirar uns minutos de pausa, como aconselhado pelo parceiro atual.

— Tá bom, tá bom. — Ela ergueu os braços, rendendo-se, finalmente ao descanso (ou ao cansaço) — Vou parar um pouquinho e depois eu volto.

— Ótimo. — Maksim deu um breve tapinha em seu ombro. Sorrindo, ele a acompanhou — Soube que o sargento Grissom está aqui.

O sorriso dela se desfez aos poucos.

— É... eu falei com ele, já. — Tentou disfarçar assentindo.

— Bom que ele esteja voltando, senão você teria que aguentar o peso todo daquele caso.

A morena sorriu, só que desta vez foi um gesto sincero. Foi bom ouvir aquelas palavras reconfortantes ainda que se referissem a um tema não muito confortável. Ou melhor, bastante desconfortável.

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Grissom deixou sua sala tempos depois da partida da detetive. Já estava lá tempo demais e não queria trazer problemas para si e para ela. Saiu decepcionado, porém já esperava por isso. Após aquele evento viu-se mais como um homem egoísta, que mesmo tendo se comportado de maneira reprovável no final de domingo, ainda tinha a audácia de aparecer em seu escritório para vê-la, sabendo muito bem que ela iria aparecer. Só que nem ele conseguiu evitar a si mesmo, resultando num fim de conversa do pior jeito possível. O maior desafio da vez seria pedir desculpas (novamente) por um novo conjunto de erros que cometeu contra a mulher que amava.

Saindo de sua sala e fechando a porta, Grissom caminhou alguns passos em direção a área principal e encontrou uma figura familiar. Estava segurando um copinho de café enquanto retornava à sua mesa. Era o novo parceiro de Sara, Maksim. Grissom sabia que não devia fazer aquilo, pois tinha a chance de causar má impressão, mas não conseguiu impedir a si mesmo, mais uma vez. Olhou discretamente para os lados; vendo que sua presença não atraía a atenção de ninguém o sargento fez seu caminho para se encontrar com Maksim.

— Detetive Ivanenko. — disse ele, próximo do homem que interrompeu sua passagem.

— Hã? Sargento Grissom? — Maksim ergueu as sobrancelhas, surpreso com a repentina aparição. Ele deixou o copinho em sua mesa e estendeu sua mão direita para cumprimentá-lo. Um pouco impressionado com a iniciativa, Grissom retribuiu o gesto — Já está de volta?

— Não exatamente. Vim aqui para saber como estão as coisas. — Disfarçou, olhando de volta para sua sala. A memória da recente conversa, ou melhor, discussão com Sara veio à tona.

— Conseguimos deter a suspeita de ter matado Franklin Lewis, não sei se você soube. — Maksim coçou a nuca.

— Eu soube. — Assentiu o sargento — Foram para Utah, não é mesmo? — Ele tentou disfarçar o incômodo.

— Sim. Montamos uma equipe e seguimos para lá. — Pouco desconfiado por causa da pergunta, ainda assim o detetive não deixou transparecer.

— Por que ela foi junto? Não sabia que Sara trabalhava no caso oficialmente. — Grissom não conseguiu esconder a insatisfação em saber daquele fato.

— É verdade. Mas ela quis ir, pediu ao capitão e ele liberou. — retrucou o detetive ao defender Sara.

Ligeiramente Grissom virou o rosto para o lado.

Droga. O que que eu estou tentando fazer...

— Ela foi de grande ajuda no caso. Ou melhor, está sendo. — Assentiu.

Sara está fazendo seu trabalho, diferente dele, que por "culpa" própria, foi incapacitado e depois afastado de seu distintivo. Ela estava realmente dedicada a resolver esse problema que afetou o caso dos dois. Não estava errada em sentir raiva dele por aquele evento, muito pelo contrário, tinha todo direito.

— Aconteceu alguma coisa entre vocês dois? — Maksim perguntou de repente. O semblante parecia de alguém um pouco irritado.

— Por que pergunta isso? — Tentando se fazer de desentendido, o sargento o questionou.

— Percebi o quanto ela tem aparentado se cansar a cada dia que passa. Ela está ficando sobrecarregada. — Ivanenko foi curto e grosso.

— Eu sei disso. — Grissom não gostou do tom dele. Respondeu como alguém que já não aguentava mais ouvir sermão — Mas o que eu poderia fazer? — Apontou para si mesmo com ambas as mãos.

— Não estou colocando a culpa em você, mas digo que tem alguma coisa errada acontecendo. Ela precisa de apoio, de... alguma base, ou vai acabar caindo. — O detetive apontou para longe discretamente.

O sargento não respondeu. No fundo sabia que ele estava certo, mas não tinha possibilidade alguma de intervir para alguma mudança. Pelo pouco tempo que ficou perto de Sara deu para perceber o quanto ela o queria longe. Aos poucos ele se questionava se conseguiria consertar os erros que cometeu contra ela, mesmo tentando afastar esse pensamento.

— Estou tentando voltar o mais rápido possível para ajudar minha parceira. — Ao terminar de falar, Grissom engoliu em seco. Não queria demonstrar sinais de fraqueza ou de problema para o detetive.

— Isso é bom, bom que esteja pensando assim. — Ivanenko assentiu. Então disfarçou e olhou para sua mesa — Se me der licença eu vou continuar meu trabalho por aqui.

— Certo. — Respondeu secamente e também assentiu. Despedindo-se dele, Grissom deixou o local.

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Há um bom tempo longe, Grissom retornou ao estande de tiro para treinar a pontaria. Após os eventos de semanas atrás, o sargento tinha que se certificar que estaria preparado para toda situação extrema. O caso do posto foi uma exceção por causa de seu estado emocional, ainda assim, ele tinha que ter certeza de seu preparo.

Ele pegou a pistola padrão da polícia que era cedida para o treinamento, um óculos de proteção e fones de ouvido. Dirigiu-se ao estande de tiro e pediu para o técnico ativar os alvos móveis. O sargento respirou fundo, franziu o cenho e ficou em posição para atirar.

"Ela está ficando sobrecarregada."

O comentário do detetive retornou à sua mente. Grissom balançou a cabeça rapidamente e tentou retornar ao foco total no treinamento.

"Ela precisa de apoio."

— Eu sei disso. — comentou baixo, enquanto nos alvos que surgiam. Eu sei disso!

Ele pressionou a pistola em suas mãos, porém não percebeu logo, somente quando sua mão ferida pelo caco de vidro começou a doer. Então gemeu brevemente e amaldiçoou o ferimento.

Estava chegando no limite. A situação por inteiro estava chegando no limite. Algo precisava ser feito antes que tudo chegasse a ruínas. Antes que a mulher por quem ele mais se importava se ferisse. Se importava? Não somente isso, era a mulher que amava.

Um alvo inocente apareceu na frente do sargento. Por pouco, Grissom quase atirou na cabeça do objeto móvel. Parou seu dedo no instante final, antes de apertar o gatilho. Ele ergueu as sobrancelhas e respirou rapidamente por várias vezes. Se Grissom não se acertasse com as questões pendentes logo, Zodíaco ficaria cada vez mais distante, e ao mesmo tempo, cada vez mais próximo de fazer uma vítima próxima a ele; quem sabe se ele não estava nos planos futuros do assassino. Ou pior, ela.

Ele pressionou ainda mais a arma em suas mãos. Sua cara estava fechada; qualquer um que o encarasse no momento sairia de perto. O sargento não sabia direito o que estava sentindo, apenas que Sara estava envolvida nesse emaranhado de pensamentos e sensações.

Outro alvo surgiu rapidamente, assim como o alvo do inocente. Grissom não hesitou, descarregou o recém pente de munição trocado. Acertou o meio do alvo e a área que representava a cabeça. Era o último dos alvos móveis. Ao término do treinamento, o sargento deixou a arma no balcão abaixo dele e retirou os óculos bruscamente. Enxugou os olhos e apoiou-se no balcão. Sua respiração estava ofegante.

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Restaurante Celestial, Reno, Nevada. 12h05min.

O casal chegara há pouco tempo ao norte do estado. Faltavam dois dias para um evento importante, o campeonato de esgrima júnior e sênior da cidade. *****, filho do casal ficou há meses se preparando para mais uma etapa em sua carreira como esgrimista. Uma jovem promessa, aprendeu com o pai a disciplina e a ética de ser um espadachim. Ainda tinha muito a aprender com ******, mas estava no caminho certo.

— Está gostando da comida? Foi um amigo que indicou este lugar. — perguntou o homem sorrindo ao se inclinar para a frente e encarara a esposa.

A mulher, que saboreava a salada de batatas com molho especial não conseguiu se segurar e soltou uma breve risada para ele.

— Que amigo? — Desconfiada, ela brincou — Tá falando do seu parceiro, não é? Ele é o seu único amigo!

— Agora me senti ofendido. — ****** devolveu na mesma moeda — Eu tenho vários amigos. — Assentiu.

— Só se for na rua de onde a gente morava. — Retrucou, ainda brincando.

— Está bem, você venceu. — Ele ergueu as mãos — Admito que tenho colegas por aqui. Ainda que as pessoas digam que tenho carisma, acho que sou um pouco fechado para criar amizades ao nosso derredor. É um processo demorado.

Ela sorriu.

— Você vai conseguir, ******. As pessoas amam você, só precisam te conhecer melhor para criarem um vínculo. — Ela esticou o braço esquerdo e tocou na face de sua mão — O que você está fazendo por toda essa gente com certeza vai ter o devido reconhecimento. Eles vão conhecer suas intenções e vão te amar.

— Obrigado, meu amor. Eu sou o homem mais sortudo deste mundo por ter você. — Ele tocou carinhosamente em sua mão e entrelaçou seus dedos nos dela. Após alguns segundos a admirar o rosto da esposa, ****** mudou de assunto — E como está o nosso menino? Vi que estava conversando com ele pela manhã.

— Ele está gostando do lugar. Está bem animado para o campeonato, mas precisei acalmá-lo um pouco por conta da ansiedade.

— Eu entendo. Sei que ele vai se sair muito bem. Está treinando muito... tenho certeza que nosso filho vai chegar a lugares altos.

— ***** não para de falar do campeonato e o quanto você o incentiva. Tem certeza que não está o motivando um pouco além da conta?

Curioso pela inesperada pergunta, ****** ergueu uma sobrancelha.

— Não se preocupe com isso, *****. Meu pai também agiu assim comigo. Veja só o que eu me tornei hoje. — Ele ergueu os braços para evidenciar a si mesmo — Não incentivaria nada além que nosso filho não conseguisse suportar.

Ela o encarou por alguns segundos. Viu nos olhos do marido que ele estava certamente convicto de suas ações e palavras. Ver o filho caminhando para chegar a lugares altos era um de seus maiores orgulhos, senão o maior.

— Me desculpe, então. — A mulher gesticulou com a mão direita — Sei como você também está animado com isso, e-

— Você não tem que pedir desculpa de nada, meu amor. — Ele a interrompeu — Concordo com você, nosso menino precisa se acalmar um pouco ou a ansiedade vai atrapalhá-lo. — Assentiu — Quando a gente voltar eu vou falar com ele. — Terminou de falar sorrindo calorosamente.

— Obrigada, querido.

****** lançou-lhe outro sorriso caloroso e continuou a comer.

— Estava pensando no convite que nos mandaram...

— Sobre o evento no final de semana? — Perguntou ela.

— Esse mesmo. O que você acha?

— Bem... acho seria uma boa escolha. — De de ombros — Um evento como aquele ter a sua presença chamaria a atenção de outros nomes para ajudarem na causa. Tenho certeza que muitos acreditam no que você acredita e te dariam apoio.

— Hum... — Ele fez uma careta.

— Porque fez essa cara? Não quer ir?

— Não sou muito conhecido por aqui. Talvez achem que eu esteja tentando me aproveitar da situação.

— ******, — Ela o chamou na tentativa de persuadi-lo e animá-lo — veja por outro lado. Expandir seus horizontes será uma boa oportunidade para as pessoas conhecerem o seu trabalho. Além disso, como eu falei antes, quando te conhecerem melhor, vendo o que você faz e o que será capaz de fazer, eles vão te ver com bons olhos.

Ele desviou seu olhar para o lado. Mordeu o lábio inferior e suspirou rapidamente. Voltou-se para a esposa e sorriu.

— Você tem razão, *****. Eu vou aceitar o convite.

— Que bom. Fico feliz por isso. — Vendo que a mão dele ainda estava próxima, a mulher tocou nela mais uma vez.

****** encarou o gesto e cobriu a mão da esposa. Sentir seu toque, quanto mais a sua presença era como sentir uma injeção de ânimo. Ela era seu forte, a metade que sempre buscou. Sua esposa e seu filho eram as duas pessoas mais importantes de sua vida; eram sua prioridade, seu maior tesouro. Qualquer que tentasse prejudicar os dois poderia sofrer a fúria de um demônio que tinha a aparência de um anjo e agia como um.

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Departamento de polícia de Las Vegas, Nevada. 12h49min.

Estava na hora do interrogatório recomeçar. O breve intervalo fez bem para Sara. Não foi exatamente o descanso que ela merecia ou precisava, mas ao menos deixou-lhe um pouco mais leve e focada para dar continuidade à investigação; principalmente num momento crucial do caminho. Hilary e seu defensor público tiveram um bom tempo para conversar, mais que o suficiente no entendimento dos policiais. A suspeita e o advogado se encontravam presentes na sala, aguardando a chegada dos detetives.

— Pronta? — perguntou ele, ao se levantar de sua mesa.

— Tenho que estar. — Ela brincou. Ajeitou os documentos e arquivos que levaria consigo até a sala de interrogatório guardando-os numa pasta de papel. Levantou-se e aguardou o detetive dar os primeiros passos em frente.

Vamos lá, Sara, se concentre. Pensou, na tentativa de se manter focada. A detetive sabia que um erro seria um risco na investigação e poderia atrapalhar ainda mais o caso do serial killer. A hipótese de um crime encomendado perdurava em sua mente, mas nada anulava o fato de que a morte de Lewis poderia ter ocorrido por outros motivos.

— Esse é o espírito. — Ele também brincou, tentando levantar a moral da parceira — Vamos, temos um caso pra resolver.

Os dois seguiram o seu caminho até a sala. A detetive, que seguia atrás, olhou uma última vez para a sala do sargento Grissom. Se não desse de cara com ele, sua mente não ficaria tão agitada. Em todos os momentos que ele poderia aparecer aquele foi o pior. Pareceu que fez propósito, surgir num momento crucial para deixar sua mente em conflito. Aquele Grissom era cruel.

Ela suspirou e continuou a caminhar. Chegando na sala, os policiais cumprimentaram os dois presentes, como costume formal. Sara fez questão de observar com cautela o semblante da suspeita. Não obteve a reação esperada; a mulher ainda se mantinha estável.

— Boa tarde, vamos retomar o interrogatório. — disse Ivanenko, ajeitando seu terno antes de se sentar na cadeira frente ao advogado. Ele fez de propósito, deixou que a parceira ficasse exatamente frente a frente com Hilary. Em seguida olhou para Sara, que encarando a suspeita, sentou-se em sua respectiva cadeira.

Após uma breve troca de olhares entre os policiais, a detetive tomou as palavras seguintes:

— Bem, vamos voltar para o começo. Hilary Gordon. Você está aqui porque é a principal suspeita de assassinar Franklin Richard Lewis na madrugada de quinta para sexta. O que confirma as nossas suspeitas são alguns fatores: além do seu reconhecimento feito por algumas testemunhas, encontramos o seu DNA na cena do crime, prova crucial da sua presença na noite do crime. — Ela deu uma leve batida nos arquivos abaixo de sua mão, presentes na mesa — Isso é um fato que penso ser bastante difícil de ser refutado, sim?

— Nós concordamos com o fato de que, sim, minha cliente estava junto de Franklin Lewis naquele dia. — O advogado, um homem branco, meio calvo, de bigode meio avantajado falou sem receios ou ressalvas. Não falou mais nada após isso.

— Horas após deixar o prédio, os policiais que vigiavam Lewis o encontraram morto em sua cama. Em seu quititinete, mais especificamente, no quarto, foram encontrados garrafas de bebida alcoólica e vestígios de cocaína. Essa mesma cocaína foi encontrada em seu corpo, via ingestão nasal. — A detetive juntou as mãos — Agora, o que tem a dizer sobre isso? Como entraram em contato até o momento que resultou na morte de Lewis? — Perguntou ela, depois continuou após uma breve pausa — Isso aqui está sendo gravado, então qualquer falsa verdade que você disser vai te complicar muito.

Sara encarou bem o rosto da mulher. Queria ter certeza que atentaria a cada detalhe de suas feições para pegá-la numa possível mentira.

— Pode começar, senhora Gordon. — pressionou Ivanenko, recostando-se na cadeira e cruzando os braços.

Hilary encarou o advogado momentaneamente e depois se voltou para os policiais.

— Nós fizemos sexo, sim. Bebemos e usamos cocaína, está bem? — Ela foi curta e grossa, na tentativa de finalizar a interrogação o mais rápido possível.

— Ótimo, facilitou o nosso trabalho. Não vamos ter que pedir um exame para você. — Meio sarcástica, Sara fez um gesto positivo com o pescoço — E o que houve naquela noite? — questionou-a, inclinando a cabeça levemente para observá-la mais e perto — Cuidado com o que você vá dizer ou poderá se complicar depois.

Novamente a suspeita se virou para o advogado, que ficou em silêncio.

— O que houve, hein? Por acaso as coisas saíram do controle? — Sara a instigou — Alguma coisa deu errado nesse meio tempo? Ele... atacou você ou aquilo tudo foi planejado.

— Você não tem o direito de acusar minha cliente sem provas. — O defensor a repreendeu.

Ao olhar para o homem de terno, Sara ergueu uma sobrancelha e quase sorriu sarcasticamente.

— Não a estou acusando de nada, só estou perguntando. — A detetive segurou o tom para não parecer estressada — Eu só quero esclarecer o que houve nesse tempo, já que alguma coisa aconteceu para Lewis ter morrido. Com o cara morto, você vai embora do local tão "tranquilamente" quanto chegou. — Ela bateu levemente na mesa — Isso não tá descendo, Hilary, sinceramente. — Então se recostou — O que aconteceu naquela noite? — Insistiu.

Ivanenko percebeu certa tensão presente na fala e comportamento da detetive, mas ficou quieto. Se a interrompesse num momento crucial como aquele poderia passar uma imagem de insegurança para os dois à frente deles, a última coisa que gostaria de fazer.

— Se permanecer em silêncio será pior, Hilary. Você vai ser acusada de homicídio qualificado. E nós temos provas suficientes para colocar aquele travesseiro na sua mão. — Sara apontou com o polegar para trás.

Silêncio.

— Vale mesmo a pena ficar quieta e nem ao menos defender a si mesma?

Tem alguma coisa errada.

— Então você vai ser presa por simplesmente ter sufocado um homem, certo? — Ivanenko sugeriu sarcasticamente, apontando a mão para ela e assentiu— Tá bom. Por quê? Por acaso ele... tentou estuprar você? Tentou te atacar? — Ele apoiou as mãos na mesa e se inclinou para a frente.

A mulher baixou um pouco a cabeça, respirou fundo e ficou passeando com olhar pelos cantos do móvel.

— Vou exercer meu direito de ficar em silêncio. — concluiu, encarando o detetive.

Merda, mas que droga!

Por baixo da mesa, Sara cerrou os punhos com força e pressionou a mandíbula fortemente. Estava irritada, tão irritada que se pudesse gritaria para a suspeita à sua frente. Hilary escondia uma verdade e a detetive tinha certeza disto. Sua maior decepção foi saber que a investigação da morte de Lewis se mostrava bem longe do fim.

Sara abriu as mãos e deslizou-as sobre suas pernas. Respirou lentamente e aos poucos tentou se acalmar.

— Por acaso está sofrendo alguma ameaça, Hilary? — Ela soltou a pergunta de repente. Até mesmo Ivanenko ficou surpreso.

A suspeita franziu o cenho ligeiramente, mas voltou à seriedade logo em seguida. Sara atentava para ela a todo o momento.

— Você deve saber sobre todo esse embolo que está acontecendo nesses dias. Lewis estava envolvido numa investigação de assassinato. Ele era suspeito de conspirar contra a vida de Vanessa Temple, que foi morta covardemente num lugar onde pensou estar protegida. Talvez você soubesse do caso que ele estivesse envolvido, sentiu raiva e resolveu "fazer justiça com as próprias mãos" — Ela gesticulou as aspas com os dedos — Esse foi o motivo pelo qual você o matou?

— Chega. Eu não vou ficar aqui ouvindo vocês instigando minha cliente até ela dizer uma mentira que vocês querem tanto ouvir. — O advogado ajeitou o paletó e se preparou para levantar-se da cadeira.

Sara olhou para baixo e suspirou brevemente.

— Sabe o caminho da sela de sua cliente, não é? — Ironizou, dando a entender que Hilary não teria escolha a não ser fica. Ainda sentada, ela encarou o advogado que se mostrava nada contente.

— Vamos. — disse o defensor, tocando no ombro de Hilary para que ela se levantasse.

— Vê se pensa bem no que vai falar depois. — A detetive assentiu — Você ainda tem tempo de tentar salvar sua pele, Hilary.

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— Merda. Merda!

Sara não disfarçou a decepção que estava sentindo, tampouco tento escondê-la. Quando saiu da sala de interrogatório, logo depois de Hilary e seu advogado, ela foi direto para a mesa do detetive Ivanenko, que a seguiu. A morena apoiou as mãos sobre a mesa e, com raiva, bateu no móvel com o punho direito fechado. Vendo aquilo, o detetive se aproximou dela mais rápido.

— Eu sabia. Sabia que tinha alguma coisa envolvida nisso. Que droga! — Ela se voltou para o parceiro, nitidamente irritada.

— Calma, Sara. — Ele disse em voz baixa — Não entre no jogo deles. Eles sabem que nós é quem temos as cartas. — Discretamente o detetive ergueu os braços — Eles sabem que não tem muita coisa, então vão querer fazer a nossa cabeça. Ainda vamos receber as informações sobre telefonemas ou a conta bancária, só temos de esperar.

— Esse é o problema. — Lamentou ela, gesticulando com a mão direita. Então levou as mãos ao rosto e suspirou — Zodíaco vai fazer outra vítima daqui a três dias e uma das melhores chances que eu tinha de me aproximar de uma possível pista ficou mais distante. — Balançou a cabeça.

O detetive olhou brevemente para baixo e depois atentou para Sara. O que ele disse anteriormente para o sargento se mostrava mais que verdade. A cada dia que se passava ela sentia as consequências do trabalho quase ininterrupto, complexo e cansativo.

— Ela pode ficar sem falar pelo resto da condenação. Vai pagar por matar o Lewis e sem dizer o motivo. Não dá pra acreditar nisso.

— Por isso perguntou a ela se estava sendo ameaçada?

— É... se bem que dinheiro também possa estar rolando nisso tudo. Ultimamente o que mais tem acontecido é isso... — A mulher se virou de lado e olhou para os lados na tentativa de encontrar alguma saída — Eu vou ter que investigar a vida do Lewis nesses últimos meses antes que deem um jeito de sumir com tudo.

— Você?

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Está trabalhando sozinha agora?

Não acreditando no que acabou de ouvir, Sara lançou um sorriso irônico. Ela virou o pescoço para o lado e balançou a cabeça.

— Você sabe o que tá acontecendo, Max.

— Claro que sei. E sei também que você está indo além, muito além. — O homem disse mais próximo a ela — Sara, não está vendo que esse trabalho tá consumindo você?

A detetive fechou a cara, pela primeira vez após um bom tempo de parceria com Maksim. Ela não gostou de ser contrariada, ainda mais numa situação tensa como aquela.

— O que que eu posso fazer, hein? — Sara deu de ombros, continuando com o mesmo sorriso irônico — O cara que devia ser o meu parceiro foi afastado e está com uns problemas. — retrucou impaciente.

— Ei, eu não queria te chatear. — Ele se defendeu — Mas isso só provou o que eu estava imaginando. Você está sobrecarregada. Dá pra notar em seu rosto.

— E novamente eu pergunto: o que eu posso fazer? — Encarando seriamente, porém, mantendo o mesmo tom provocativo, Sara o questionou.

— Fale com ele! — respondeu sem reservas, e ainda por cima sorriu brevemente.

De tantas respostas que a detetive gostaria ou ao menos suportaria ouvir, aquela foi a pior. Mas antes que pudesse tentar pensar numa resposta decente, foi surpreendida novamente:

— Ou fale comigo. — Ivanenko deu de ombros.

Ela quase sorriu desta vez. Não esperava ser tratada tão bem pelo novo parceiro; bem, até demais. Desconcertada, ficou em silêncio e encarou algumas vezes o rosto dele.

— Não tenho tempo pra isso, Max. Me desculpe.

— Você não vai conseguir muita coisa se continuar assim, Sara. Eu sei que nós não somos amigos, mas eu me importo com a minha parceira. — Ele tocou em seu ombro gentilmente, como ultimamente tem feito.

Após isso a morena soltou um suspiro e deu dois tapinhas em sua mão.

— Tá bom. — Assentiu — Obrigada, mais uma vez. — Agradeceu, mas seu ânimo não pareceu muito sincero.

— Vamos continuar investigando a vida dela. Eu tenho certeza que existe uma resposta. Ela está lá, só falta a gente encontrá-la. — Ivanenko falou enquanto retornava à sua cadeira, pronto para abrir o notebook e acessá-lo novamente.

Aproveitando a deixa, Sara puxou a cadeira ao lado e se sentou próxima a ele. Não era de agora que ela se impressionava com o estilo insistente do novo parceiro. Sem contar com todas as vezes em que o detetive tentava animá-la. Conseguiu algumas vezes, para falar a verdade. Seu julgamento pessoal o considerava uma boa pessoa e ótimo policial, que além do mais tratou-a bem desde o início. Diferentemente do famigerado sargento.

E falando nele, a famosa figura que estava cumprindo o tempo final de seu reduzido afastamento, acompanhou, mesmo que por pouco tempo, a breve conversa entre os dois detetives. Pelo seu ponto de vista eles pareciam estar bastante entrosados, principalmente no momento em que o detetive tocou no ombro dela. Ele cerrou a mão direita brevemente e fez seu caminho para a sala do Brass, evitando explicitamente passar perto deles. Nenhum dos detetives notou sua presença. A maior vontade era de aparecer para os dois, ainda que não tivesse um motivo racional para isso.

Notas finais
Eh isto! Resumindo: tivemos um Grissom que já chegou levando uma rasteira da Sara, levou um sermão do Ivanenko (kkk) e ainda teve que ver aquela cena dos dois detetives. Mesmo sendo nada mais que uma tentativa do Max em deixar a Sara melhor, o Grissom interpretou aquilo mal e não gostou nada, nada. Bem, até ele mesmo está se vendo como alguém ciumento, né. Não posso deixar de citar algo importante, claro, que foi a outra aparição do ******, mais conhecido como Zodíaco. Tirando a personalidade sádica, todos esses assassinatos e o desejo por derramar sangue, ele é um pai de família dedicado e uma pessoa que se dedica a causas. E como a esposa dele falou, as pessoas gostam de estar perto dele. O que eu posso dizer sobre esse trio (Zodíaco, Grissom e Sara), é que logo eles vão se encontrar, só não vou dizer as circunstâncias hehe. Muito obrigada a todos que leram, vocês são demais! Um beijo e até o próximo capítulo