Manhunters
61 Decisão final e uma viagem à irrealidade
Notas iniciais
Quinta-feira. Um dia, ou melhor, mais um dia da semana marcado por uma onda de melancolia. Ânimos em baixa, os detetives passaram praticamente o dia inteiro na delegacia. Sara não estava para conversas amigáveis com ninguém, além do fato de não ter uma relação próxima com quase ninguém, o caso era mais um motivo para ela ficar no seu canto.
No momento a foto de Regis Dale se destacava na tela do computador de Grissom. Ela não estava brincando quando desejou ficar sozinha. Saiu da sala poucas vezes para conversar com Ivanenko acerca do caso ou vice-versa, quando ele ficava um tempo na sala para discutirem acerca deste. Para ela, havia um ponto cego, um detalhe que tem atormentado sua vida há alguns dias. E de alguma forma o nome do advogado não largava sua mente. Seu medo era de começar uma busca que no final se mostraria inútil e não a levaria a lugar nenhum.
Alguém bateu à porta. Imaginando que fosse o detetive Maksim, Sara nem se esforçou em olhar para a porta, somente esperou que entrasse.
— Detetive Sidle. — falou a voz masculina após entrar. Parecia um pouco animado.
Ela arqueou as sobrancelhas e ergueu a cabeça para enxergar quem entrara. Era o xerife Ecklie, pela segunda vez presente naquela sala, e novamente vindo para falar com ela. Sara engoliu em seco e imaginou estar pálida de uma hora para outra.
Merda, eu não acredito que ele só aparece em momento ruim.
— Xerife?
— Oi, Sara, eu peço desculpas por aparecer assim do nada.
Pelo visto... vou começar a me acostumar...
— Está tudo bem... — Fingiu — Mas, é... por que... — Ela não teve muita coragem de prosseguir com a pergunta.
— Por que estou aqui? Bem, queria falar com você sobre o caso.
— Qual deles? — Sara ergueu uma sobrancelha.
— Na verdade, um pouco dos dois. — Ecklie fechou a porta e se aproximou da mesa. Fez o mesmo igual da última vez. Não pediu "permissão" quando se sentou na cadeira frente à mesa — Vejo que o trabalho de você e do detetive Ivanenko está dando resultado.
A morena fez uma careta, tentando disfarçar o nervosismo. Estava preocupada em atualizar o xerife acerca das respostas do caso, ainda longe.
— Bem... nós conseguimos, ao menos deter a suspeita de ter matado o Lewis, mas-
— Não, não precisa disfarçar, detetive. — Ele ergueu a mão direita, o que fez Sara engolir em seco rapidamente.
Isso vai dar merda.
— Estou, particularmente, impressionado com o trabalho de vocês dois.
Foi uma surpresa, para falar a verdade. Sara precisou levar alguns segundos para acreditar naquela declaração. Ela apenas arregalou os olhos e ficou meio boquiaberta.
— Em poucos dias vocês dois avançaram longe no assassinato de Franklin Lewis e encontraram um suspeito. Não é sempre que isso acontece. Geralmente os investigadores podem levar semanas para encontrarem algo. — Assentiu — Vocês estão fazendo um ótimo trabalho.
— Eu... agradeço, xerife. — respondeu, ainda receosa.
— Hum. Continuem com o bom trabalho. — Ele riu. Passados alguns segundos, continuou a falar — E mudando de caso... como vai a investigação do serial killer?
Pronto, era o assunto que ela mais gostaria de evitar. Mas não havia como.
— A... partir do andamento do caso da morte do Lewis, nós vamos levantar informações para as investigações deste. — Disse, mas sem muita confiança.
— Entendo. — Ecklie assentiu novamente — Soube que o sargento Grissom está num momento de transição. Por enquanto ainda precisa passar por alguns exames.
— É, eu sei... — Sara comentou em baixa voz.
— Olha, Sara, eu sei que vocês dois estão trabalhando nesse caso há algum tempo, mas... — O homem alongou a palavra — pelo que deve ter percebido, Grissom está passando por alguns problemas.
A detetive o encarou diretamente desta vez. Ela concordava com o xerife, mas não quis admitir, ficou em silêncio.
— Imagino que no meio das investigações vocês enfrentaram alguns obstáculos por causa desses... "problemas".
— O que está querendo dizer... xerife? — perguntou, mas se arrependeu logo em seguida. Ao mesmo tempo que temia pela resposta, ela já tinha em mente o teor dela.
— Você e o Ivanenko, pelo que tenho percebido, estão se dando muito bem. Estão fazendo um bom trabalho como eu disse antes.
Por mais que o caminho daquela conversa não fosse de tão mal, ainda havia uma pontada de incerteza.
— O que acha de continuar o trabalho com ele? Desta vez no caso do Zodíaco?
Quieta, não conseguiu responder nos segundos após sua pergunta. Até porque aquela não era uma pergunta para ser respondida com tanta rapidez e naturalidade. Mas aquilo a surpreendeu, deixando-a calada por tempo demais.
— H-hã? — Completamente sem jeito, a morena balbuciou uma única palavra.
Ecklie não se conteve e riu brevemente. Ele já esperava por aquela reação. O xerife se recostou na cadeira e mostrou um semblante relaxado, como se estivesse numa conversa de almoço.
— É simples, detetive Sidle, mais simples do que parece. — Deu de ombros — Tanto você quanto Ivanenko são policiais competentes. Não foi à toa que o comissário da Califórnia te recomendou até aqui. Colocar você no caso do Zodíaco foi um bom acerto.
— E... e o sarg-
— Bem, — Interrompendo-a, Conrad logo mudou de semblante — o Grissom não está em condições de atuar num caso desse, e acho que você sabe disso.
Sara olhou para a o computador à sua frente. Às vezes se esquecia de que estava na sala dele, seu espaço particular naquele prédio público. Se ele chegou até lá foi porque batalhou por isso. Atentando para as palavras do xerife, a detetive percebeu a "tentativa" daquele homem em tirar Grissom do caso; caso que o sargento estava levando quase um ano para resolver e o caso em que quase morreu.
— É, bem... eu... — Sara disfarçou, depois encarou-o diretamente — Quer que eu decida sobre a permanência do sargento Grissom? — Ela não tinha coragem de pergunta-lhe, mas teve de fazê-lo.
— Você é a atual parceira dele e a melhor pessoa para tomar esta decisão.
Eu não tô acreditando nisso.
Ela não podia acreditar que o xerife estava "lançando a bomba" para cima dela. Fazê-la tomar uma decisão como aquela era inconcebível, como se Ecklie quisesse jogar um contra o outro. Não que ela gostaria de voltar a trabalhar com Grissom logo, afinal ainda estava com raiva dele; além disso estava se dando muito bem com Ivanenko. Mas aquela decisão afetaria a o trabalho e a vida de Grissom. De "sargento", Sara foi promovida a xerife, e seu primeiro trabalho era difícil.
Se fosse jogar na balança as vantagens e desvantagens de escolher Grissom ou Ivanenko, o detetive Maksim ganharia com leve destaque. Max era um excelente policial e uma boa pessoa; se por um lado era um pouco frio, o detetive se entregava com certa paixão calorosa ao seu trabalho. Poderia ser um pensamento romântico, mas era o que Sara imaginava. Já Grissom, bem... Grissom era um excelente policial, assim como Ivanenko. Tão frio ou até mais frio que o colega, o sargento tinha algo especial, uma vontade inimaginável em resolver crimes complexos; ela percebia isso desde a época da Conferência, como se ele tivesse uma vocação natural para aquilo.
Mais que isso, havia outro detalhe do qual não podia acrescentar ao detetive Maksim. E este detalhe era o que estava matando ela. A detetive sabia que não podia tomar uma decisão baseada em sentimentos ou comentários pessoais, mas era quase impossível separá-los. Tirar Grissom do caso no meio do caminho seria cruel demais; ele já foi afastado uma vez pelo xerife e se fosse retirado por definitivo como iria reagir? Poderia ser sua morte profissional, um soco no estômago que iria doer por um bom tempo. Entretanto, Grissom estava sendo tomado por um desejo quase incessante de trabalhar naquele maldito caso. Por causa de seu trauma do passado, quase morreu ao ser atingido por tiros no posto de gasolina. De homem carismático e aberto de antes, Gilbert se fechou para quase todo mundo e se transformou em um dos melhores policiais, mas pagou por isso. Após tudo que passou, tirá-lo ou não do caso seria empunhar uma espada de dois gumes.
Sara encarou o xerife novamente e percebeu de cara que não podia recusar o convite disfarçado de intimação. Talvez ele não sairia dali sem uma resposta.
Ela respirou fundo, se levantou e se afastou até o lado esquerdo da cadeira. Tomou a decisão.
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Faltavam poucas horas para o dia seguinte, e não muito tempo para as onze da manhã de sexta-feira. Semana melancólica para os policiais. Grissom era quem estava mais pilhado, preocupado, quase desesperado. Ele estava se aproximando e faria mais uma vítima. Sem pistas e sem direção, Zodíaco tinha o tempo a seu favor a as cartas na manga. Era ele quem dava o jogo enquanto o sargento e detetive tentavam compensar todo o tempo perdido, mas de nada adiantava.
Tratando de alertar, indiretamente, a todos envolvidos em seu círculo social, Grissom ainda não se dava por satisfeito, estava longe disso. A única pessoa com a qual ele não entrou em contato era a pessoa com que ele estava desesperado em falar: sua parceira.
Eram quatro e vinte e cinco da tarde. Já em casa após uma série de exames médicos e exercícios físicos, Grissom não tirava de sua mente o dia onze de novembro. Consequentemente a imagem dela não saía de seus pensamentos. Sara era sua maior preocupação. Nada podia ser pior que o fato de não poder estar perto dela nas próximas horas. Pelo tempo que passou com ela deu para saber que Sara não o queria próximo nem se estivesse banhado a ouro.
Péssima hora para cometer um erro daquele. E o pior foi que aquele "erro" o consumia cada vez mais. Quanto mais o tempo passava mais ficava arrependido; não porque a beijou e sim porque foi embora ao invés de ficar com ela. Não era à toa que o desejo da saída de Sara se tornasse mais forte. O perigo aumentava a cada passo mais fundo no caso do serial killer, e se algo acontecesse a ela o sargento nunca iria se perdoar. Não somente por isso, ele tinha medo de ficar completamente apaixonado por ela e deixar que este sentimento complicasse ainda mais a situação em geral.
Finzinho de noite, umas onze e quarenta. Atento, Grissom passou o resto do dia dentro de casa. Ele deixou o porteiro alerta para qualquer visita incomum e subiu para seu apartamento. Perto de si estava sua arma reserva, um revólver Smith&Wesson calibre 38. Caso não tivesse outra arma para se proteger, Grissom estaria numa situação delicada. Até a chegada da noite, o sargento comentara sobre "um cuidado extra" nas próximas horas com os mais chegados, mas ainda não se dava por satisfeito. Ele tinha de saber se ela estava bem.
Foi nesse momento que sua mente o pregava peças criando as mais diversas (e absurdas) situações, e nenhuma delas era boa, muito pelo contrário. Inquieto, Grissom pegou o celular ao lado dele no sofá e olhou para a tela apagada. Pensou em ligar para ela, sabendo muito bem que levaria uma enxurrada de críticas e reclamações. Mas valeria a pena; ele não dormiria bem até ouvir sua voz. Talvez fosse um discurso de um profissional preocupado com sua parceira ou de alguém que sentia algo forte por outro alguém.
Grissom deixou o celular de lado, retornando-o à mesma posição no sofá. Caminhou para perto da tv de onde pegou o telefone, trouxe-o consigo e se sentou. Respirou fundo, olhou para as teclas e discou um número. Esperou por alguns toques e finalmente ouviu uma voz.
— Alô? — A mulher perguntou. Era possível notar o cansaço pelo tom.
Era ela. Brevemente o sargento fechou os olhos e respirou aliviado.
— Quem tá falando? — Um pouco irritada, Sara questionou ao número desconhecido por ela.
Mas ele não respondeu. Não teve coragem de ouvir duras palavras dela por mais uma vez. Passados alguns segundos Grissom encerrou a ligação sem ao menos dizer uma palavra. Fechou seus olhos novamente. Agiu como um covarde novamente.
Ao menos pôde se certificar de que ela estava bem.
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Era uma vez um homem que gostaria de ser o melhor. Bem, talvez ele tenha conseguido isso. Trabalhou duro por anos, e anos, e anos. Tornou-se um profissional conhecido e reconhecido. Caçou assassinos, prendeu alguns, matou outros. Mas a que preço? Quanto mais trabalhava mais se ligava ao trabalho. Era só isso que importava, o trabalho.
Nunca parou para imaginar que aos poucos o homem se tornava uma máquina, e tudo que sabia fazer era trabalhar. Não parou para repensar sua vida e explorar seu lado humano; relacionar-se com outras pessoas, conhecer alguém que pudesse compartilhar seu mundo e vice-versa. Aos poucos o caçador se tornava menos humano.
Todavia, este homem desejou novamente. Desejou coisas demais, coisas que não merecia. O caçador queria resolver todos os problemas que o infernizavam, todos os casos que tomava. Queria um poder, uma palavra mágica que fizesse os criminosos serem pegos ou que sumissem da face da terra. Mas também gostaria de outra coisa, esta, mais difícil. Após tanto tempo, tantos anos vivendo solitário, (re)encontrar alguém que o tirou do sério por várias vezes e fez sua mente entrar em conflito de forma terrível e maravilhosa o deixou inquieto. O caçador não conseguia negar mais o que sentia. Havia um desejo, dois desejos na verdade, e este último o consumia. Dois desejos impossíveis para ele: o fim dos criminosos e o amor de uma mulher.
Deitado em sua cama, o caçador acordou na madrugada. Tomou consciência aos poucos e ficou a observar o teto. Estava escuro, ele precisou de alguns segundos para se acostumar com a escuridão. Não se contentando, acendeu o abajur ao lado e respirou fundo. Só que de repente sentiu-se estranho. Olhou para sua mão esquerda, que começou a arder. O calor vinha de dentro para fora e aumentava cada vez mais. Instintivamente ele cerrou a mão tentando controlar aquilo, mas não adiantou. Seu corpo começou a "queimar" de dentro para fora, assim como sua mão. O controle era impossível.
De repente o caçador viu seu corpo ser tomado por sombras tão escuras quanto breu, começando por sua mão esquerda. As sombras percorreram e tomaram seu corpo até chegarem à cabeça. A última visão que teve foi da luz que o abajur emitia. Escuridão. Não passou muito tempo, logo o caçador não se viu mais em seu quarto. Sentiu que estava sendo transportado por aquelas sombras, ou será que ele as conduzia? Tudo estava confuso demais, ainda que se sentisse bem. Seu destino? Algumas casas, esconderijos...
O caçador não saiu à toa, ele tinha um objetivo e não voltaria até que o completasse. Nesses locais específicos só enxergava alvos. Talvez tinha controle sobre si mesmo, mas não sobre seu desejo. Ao se aproximar como um raio para perto de um homem, tudo o que fez nos momentos seguintes foi envolvê-lo e... consumi-lo. Ele não o conhecia, mas sabia que era um criminoso e dos piores. Dando-se conta daquele ato, segundos depois, ele olhou ao seu redor e viu que não havia mais ninguém, somente ele. Não havia arrependimento dentro de si, apenas uma sensação de trabalho feito. Foi estranho, mas logo superou.
Ele olhou para suas mãos, envoltas na sombra e ao olhar para a frente viu um espelho. Lentamente caminhou até ele, mas antes que pudesse encarar a si mesmo, tudo o que conseguiu ver foi um borrão escuro e dois pontos vermelhos já que foi levado para fora dali, rumo a outros locais. Sem medo, o caçador seguiu ao encontro de algumas pessoas, pronto para executar a sentença final daqueles homens. Caçou-os um por um, sem chance de defesa ou de reação dos alvos. Foi tão fácil, seus maiores problemas resolvidos em pouco tempo e sem muito esforço. O caçador limpava a cidade em pouco tempo dos piores tipos de gente; criminosos, delinquentes, transgressores da lei. Um favor que ele fazia para a comunidade.
Após terminar o trabalho, o caçador foi tomado pela força novamente, que o levou para longe, de volta para casa. Tinha retornado ao seu quarto, deitado em sua cama como se nada tivesse acontecido. Ele olhou para o teto; de olhos arregalados não conseguia acreditar no que aconteceu. Respirou fundo. Um conflito ético tomou sua mente. Seria remorso por fazer aquilo ou por não ter continuado? Sentia-se cansado, mas seu corpo dizia o contrário, podendo esbanjar vitalidade caso precisasse fazer aquilo novamente. Estava prestes a apagar o abajur que acendera antes.
— Onde estava? — perguntou a voz sonolenta.
Assustado, o caçador franziu o cenho ao perceber que havia alguém do seu lado, a poucos centímetros. E não era qualquer um, ele conhecia muito bem a dona daquela voz. Seu coração acelerou pelo susto e principalmente por ouvi-la. Virando o pescoço, olhou para o lado direito e a encontrou, deitada ao seu lado, de olhos quase fechados.
Atônito e sem palavras ele só conseguia ficar parado, observando a mulher. Não podia ser verdade, ela estava ali do seu lado e pelo visto muito bem acomodada.
— Fui... resolver uns... assuntos. — Disfarçou, sem tirar os olhos dela. Então se virou de lado para observá-la com mais clareza — Não... não se... preocupe. — Quase hipnotizado por aquela visão, chegou a se esquecer o que acabara de fazer há pouco tempo.
Desconfiado que estivesse em outro lugar, o caçador olhou ao seu redor para se certificar que estava no lugar certo. Então viu claramente que estava em seu quarto; não houve erro.
— Tá. Agora vem aqui. — Sem reservas, ela o puxou pelo ombro e o levou para cima dela. Beijou-o lentamente, deslizando suas mãos sobre seu pescoço.
Demorou para que a ficha caísse e acreditar que ele estava na cama com a detetive. Só podia acreditar que aquilo era um sonho, mas um sonho do qual ele não queria acordar tão cedo. Se uma parte de si achava errado e desejava parar com aquilo o quanto antes, a outra queria cada vez mais; e foi esta parte que venceu.
Ao se envolver no lençol que a cobria, o caçador sentiu o calor de seu corpo e a pele nua que deslizava sobre a dele. Sua cueca boxer era a única roupa que ele vestia, ao contrário dela. Sem demora, o caçador devolveu beijo e, desta vez, mais intensamente. Chegou ao pescoço e continuou descendo até chegar ao peito, e em seguida, aos seios.
As mãos dela alcançaram o tecido de sua cueca já na tentativa de tirá-la. Percebendo isso, o caçador tratou de tirar sua única peça de roupa. Voltou a beijar seus lábios e olhou para seu rosto mais uma vez antes de penetrá-la. Aquilo era um sonho, disso ele tinha certeza, mas era um sonho prazerosamente bom, do jeito mais errado e maravilhoso possível. Queria passar horas e horas ao lado dela já que a possibilidade de ficar com a detetive no mundo real era praticamente impossível.
Ele fechou seus olhos e moveu seus quadris lentamente. Arrancou gemidos da mulher de seu sonho. Beijou-a por várias vezes. Ela, por sua vez envolveu suas pernas no caçador e levou as mãos às suas costas. A cada movimento dele, a mulher deslizava as unhas em sua pele, arranhando-o por várias vezes, também. Aos poucos, o ritmo de ambos aumentava cada vez mais, até o momento em que o caçador sentiu estar próximo do clímax. Faltava pouco, muito pouco.
— Eu... eu... — A poucos centímetros de seu rosto, o caçador balbuciou algumas palavras, porém não conseguiu. Ela estava prestes a beijar seus lábios novamente.
Porém, um som perturbador e repetitivo tomou conta do quarto. O homem abriu os olhos e automaticamente olhou para o lado esquerdo. Ela não estava mais lá. Encarou o lado vazio de sua cama um pouco atônito, até mesmo inconformado. Irritado, bruscamente ele ergueu o braço para desligar o despertador, que continuava a tocar incessantemente. Chegou a bater com o punho fechado no aparelho. Ao voltar à posição de antes, olhou para cima e levou as mãos ao rosto. Virou-se novamente para o lado esquerdo e mordeu o lábio inferior.
Ele sabia que, de alguma forma, aquele sonho foi errado. Não somente por dormir com sua parceira, mas por ter matado aquelas pessoas. Será que o sonho foi um sinal apontando que Grissom estava, aos poucos, se transformando num monstro com sentimentos? Entretanto aquilo não passava de um sonho do qual ele mal tinha controle. Ao menos ter a oportunidade de amá-la (novamente) e ainda mais daquela forma valeu a pena. Uma pena que o mundo real o chamou de volta e ele não pôde aproveitar mais daquele sonho. Mas foi errado, para ele, foi errado. Aquilo apenas serviria como alimento para um desejo impossível de acontecer.
O pior de tudo? Ele gostou daquele sonho.
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