Notas iniciais
Olá, pessoal, HOJE É SEXTA-FEIRAAA! Como sempre, quero agradecer a todo mundo que tá lendo, comentando, acompanhando, que favoritou a fic, vocês são demais mesmo! Estão me dando um super incentivo para continuar a escrever. Obrigada de coração!

Great Basin Park — Lower Lehman Creek. Dois de fevereiro, 01h45min. Oito meses atrás.

A temperatura estava baixa no parque, clima Ideal para Vanessa Temple treinar sua corrida. Em breve participaria da maratona anual de sua empresa e não queria perder o posto de campeã; aproveitou o dia de folga para ficar ainda mais em forma. Com uma calça legue, tênis esportivo e uma camisa de manga, a mulher de 32 anos corria na trilha entre árvores e arbustos. Ouvia em seus fones Bluetooth músicas estilo indie, tudo para manter um clima descontraído e ao mesmo tempo animado.

A mulher branca, alta, de cabelos loiros presos num coque não estava nem aí para o vento cortante que tocava seu rosto que, misturados ao suor, davam uma sensação de navalha cortando seu rosto. Uns treze minutos depois de corrida, por fim, terminou seu objetivo e meta. Se traçasse uma progressão geométrica aumentando o tempo e trajeto em cada dia de treinamento, certamente garantiria o primeiro lugar.

Esse prêmio já é meu. Pensou convicta.

As pessoas admiravam Vanessa pela sua ambição. Não era daquelas pessoas que se deixavam levar por comentários negativos, principalmente de homens machistas que achavam que o lugar dela não era em cargos altos. Ela já tinha planos pro futuro e, aos poucos, conquistava suas metas.

A mulher pegou o smartphone acoplado em seu braço e observou o tempo cronometrado pelo aplicativo. Um bom tempo, até. Poderia ser melhor.

Ela suspirou fundo e olhou para o local à sua volta. Chegou quase no limite que as luzes dos postes alcançavam. Ainda assim a vista da trilha já estava prejudicada. Hora de voltar.

— O tempo é precioso. — aquela voz cortante retornara.

A executiva virou-se para o caminho de volta. Levou um susto. Achou que viu alguém por perto, um vulto talvez. Ou talvez fosse apenas a sua mente lhe pregando uma peça. Estava cansada do treino e o sangue começava a esfriar.

Só que não teve tempo de tomar seu caminho. Num segundo virou-se para o lado e levou um soco no rosto. Mal teve tempo de reagir. Foi agarrada por trás com força; o homem segurou seu pescoço com o antebraço e desferiu dois golpes. Um na barriga e outro no peito, bem no coração.

O homem a jogou no chão com força e ficou frente a ela, observando o término de sua vida. Assim como foi rápido em abordá-la, também foi veloz em guardar a arma. Diferente de Arthur, Vanessa não morreu na hora, pelo contrário; agonizou. Ela se contorcia no chão, tentando miseravelmente estancar o sangue que escorria dos ferimentos. Em certo momento ela observou a mão suja de vermelho e tentou gritar, mas estava sem voz.

— Soc... soc... socorro... — disse roucamente.

Numa última tentativa, forçou-se ao máximo para tentar se arrastar para longe dele. Não sabia para onde, só queria se afastar da morte.

Mas Zodíaco acompanhou a moça até onde ela iria e esperou até o último momento.

— Seu tempo acabou.

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Novo lar, doce lar.

A morena destrancou a porta da modesta residência e entrou. Respirou o ar do espaço alugado num bairro de Henderson que seria sua casa pelos próximos meses. Deixou a pasta no sofá sentou-se ao lado; repousou o pescoço e fechou seus olhos. Ela tentou descansar naquela mesma posição por alguns minutos, mas logo levantou a cabeça. Estava inquieta com o caso e chateada por não continuar a investigar os vídeos de segurança dos outros casos.

Quanto mais tempo demoravam em arranjar pistas, o dia final da próxima vítima se aproximava. E poderia ser qualquer um, em qualquer lugar de Nevada, aparentemente. E ainda faltavam mais nove casos a serem reavaliados. Agora ela sabia como o sargento se sentia. Com uma equipe de dois integrantes o trabalho já estava sendo difícil, imagine uma equipe de apenas um integrante. Grissom não conseguiria dar conta do caso nem se trabalhasse 24 horas por dia. Sairia derrotado muito antes.

Por hora, pensou apenas em tomar um banho e esfriar a mente já sobrecarregada de pensamentos. Foi se arrastando para o banheiro e levou consigo o celular. Abriu o aplicativo de música, jogou no aleatório e o celular começou a tocar “Just Breathe” do Demon Hunter. Sara deixou que a água do chuveiro tocasse em seu rosto ao erguer a cabeça e fechar os olhos. Então pensou em todo o dia de trabalho que teve, como um flashback em sua mente. Pensou no assassino sem rosto, e como teria de pensar em agir dois passos à frente. Pensou também em seu novo parceiro. Ele era um quebra-cabeça que se recusava a dar as peças para ser resolvido, uma incógnita.

Após uns dez minutos no chuveiro e cantorias depois, Sara finalizou o banho e se enrolou na toalha. Seguiu para o quarto e vestiu roupas simples: Calça de tecido leve clara e blusa de alça preta. Retornou à sala para pegar sua pasta e trouxe-a consigo para o quarto recém arrumado. Da pasta, retirou os arquivos do caso e os espalhou sob a cama, e separou o caso da segunda vítima para si. Não era o relatório completo, mas uma versão breve dos fatos e sem todas as fotos disponíveis. Era uma espécie de resumo com os detalhes principais do caso, como os depoimentos da primeira testemunha e seguintes, dos guardas que estavam patrulhando e a análise da perícia.

— Vamos ver... Charles Hall tinha um álibi na hora do crime. Foi logo descartado da suspeita. — Disse sozinha enquanto folheava os documentos. Parou somente quando chegou aos guardas — Ah! — lamentou — Que droga! — então se jogou na cama, decepcionada por não poder fazer mais nada. Ela necessitava ver aquelas gravações o mais rápido possível, só que o tempo não ajudava. Que belo primeiro dia de trabalho.

De repente sentiu uma pontada no estômago. Lembrou-se do pedaço de torta que o sargento — por incrível que pareça — lhe deu. Então ela correu para a cozinha, pegou um garfo e voltou para o quarto, onde tirou a caixinha de dentro da bolsa e abriu-a.

Não deve ser tão ruim assim, né... Pensou apreensiva, antes de partir um pedaço.

Assim que provou a primeira mordida seus olhos arregalaram.

— Eu não... acredito... nisso...! — disse eufórica.

Ela olhou para a caixinha em sua mão e pegou rapidamente outro pedaço.

— Que droga, Grissom, isso aqui é bom demais!

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Dia seguinte, sete horas da manhã. Sara levantou da cama um pouco mais disposta que as primeiras noites que passou na casa. Ontem acabou pegando no sono enquanto analisava os arquivos e só acordou à noite. Jantou e foi dormir. Pela manhã, tomou café, tomou banho e se arrumou. Pôs uma blusa de manga curta azul, um terninho cinza escuro e calça social do conjunto; calçou sapatilhas da mesma cor e saiu de casa. Como não tinha carro chamou um táxi e chegou à delegacia em ponto.

Ao bater na porta e entrar de vez já encontrou o sargento dentro da sala, sentado em sua mesa e analisando vários arquivos, parecia até déjà vu.

— Bom dia, sargento Grissom. — cumprimentou formalmente, fechando a porta. Ele vestia um conjunto social azul marinho, uma camisa branca e gravata vermelha.

— Bom dia, Sidle.

Antes que ela pudesse falar algo, Grissom voltou-se para ela e a encarou firme.

— Por que não me avisou que foi até a casa de Francine Parker? — O sargento questionou seriamente.

— O quê? Eu avisei ao capitão Brass e ele permitiu minha ida até lá! — Sara apontou para fora — Além disso, informei em meu relatório, e deixei uma cópia para você!

— Tinha que ter me avisado antes! Eu quem supervisiono você, Sidle! Tem que reportar esse tipo de coisa primeiramente a mim! — Grissom se levantou, agora encarando-a a páreo.

— Ah! — Ela ergueu sua voz, não se deixando intimidar — Isso é muita hipocrisia sua! Não foi você que saiu na caçada à arma do crime ontem e nem me avisou? — Apontou para ele — Agora você sabe como eu me senti!

— Você não entende! — O sargento insistiu — Algo poderia- — Ele se calou de repente.

— Poderia o quê? — A mulher retrucou, encarando-o — Acha que eu poderia me machucar? E você realmente liga? — Perguntou ironicamente.

Grissom se fechou. Ele desviou seu olhar e voltou para sua cadeira.

— Esqueça. — comentou secamente.

Ambos estavam tensos, como se a qualquer momento pudessem começar uma nova briga. E o dia de trabalho mal começara. Grissom e Sara no mesmo lugar era como duas substâncias químicas que não podiam se juntar ou uma reação perigosa acontecia. Eram opostos que não tinham a menor possibilidade de se atraírem.

— Olha só, eu vou para a sala de multimídia? Eu aviso se achar algo.

— Até mais.

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— Tá, tá bom. Mais uma cena de crime sem câmeras próximas ou testemunhas oculares... — disse Sara após analisar os arquivos da vítima Vanessa Temple — Tudo o que temos é a pessoa que achou o corpo dela logo depois de ter sido assassinada. Era um homem que acampava nos arredores junto da família quando ouviu o cachorro latir. Ninguém viu o assassino. Sem evidências deixadas, novamente. Nem uma fibra sequer, mesmo que o cara tenha desferido um soco em seu rosto e tenha a imobilizado. — Ela soltou um riso nervoso — Ah, não pode ser... — A mulher se esticou para trás e soltou um suspiro.

— Bem, as únicas câmeras de segurança eram as do posto da guarda florestal, que ainda assim ficam muito longe da cena do crime. Uns 200 metros ao sul. — completou Daniel — E até agora tudo o que vi foram guardas e alguns grupos de pessoas.

— Para ter acesso aos locais de acampamento, é obrigatória a passagem por aquele posto de segurança, não é? — ela fez um gesto com a mão, apontando para o monitor.

— Sim. — O homem assentiu — Pelo que sei, não existe outro modo de acessar aquelas áreas sem passar por lá.

— Então partimos do pressuposto que o assassino, de alguma forma, passou no posto da guarda e foi filmado. — A detetive comentou, agora mais animada.

— É bem possível.

— Ótimo!

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Três horas se passaram. Sara voltou para a sala do sargento. Novamente parou antes de tocar a maçaneta e olhou para cima.

Vamos, Sara, você consegue.

Então entrou. Viu o homem enfurnado numa pilha de livros e arquivos sobre os casos. Parecia até que criou raízes naquela sala.

— Ei, estou de volta. — disse ela friamente.

— Oi. — respondeu, dessa vez levantando seu rosto para vê-la. Ele notou que a mulher carregava uma pasta consigo — Conseguiu achar alguma coisa nas câmeras? — perguntou logo.

— Você parece interessado. — Ela ergueu uma sobrancelha apontando para ele — Bem, vou contar o que descobri. No caso da segunda vítima-

— Vanessa Temple. — Grissom completou automaticamente.

— Então... A cena do crime ocorreu num local onde só pode ser acessado passando pelo posto da guarda, no qual há câmeras de segurança. Verifiquei os mapas e só havia uma possibilidade do assassino fugir do local, pela entrada do Lehman. E como aquela entrada possui câmera de segurança...

— É possível que o assassino tenha sido flagrado. — Ele deixou o livro na mesa, concentrando-se totalmente nela.

— Bem, não exatamente. — discordou sorrindo.

— Como assim? — perguntou dando de ombros.

Sara e lhe entregou uma pasta. Grissom, curioso, pegou-a rapidamente e verificou o conteúdo. Havia algumas fotos; ele observou cada uma delas, e sua expressão mudou de séria para nervosa. Ele franziu as sobrancelhas:

— Não tem nada aqui! — O sargento apontou para as fotos.

— Veja bem, sargento Grissom. — A mulher se aproximou dele — Aqui temos as filmagens de horas antes de Vanessa ter sido assassinada, veja. — Ela apontou para o horário da gravação e o ponto central, que era o espaço de onde foi filmado — Agora, veja como estão as gravações, um tempo depois. Percebe? — Ela disse, mostrando duas fotos, apenas.

Grissom aproximou as fotos para enxergar melhor. Num primeiro momento não entendeu a mensagem que Sara tentava lhe passar. Mas ao se concentrar nas imagens, percebeu algo, logo se manifestou:

— Moveram... a câmera?

Ela lançou-lhe um sorriso.

— Essa câmera é imóvel.

— Desgraçado. — Grissom balançou as fotos que estavam em sua mão.

— O que temos de saber agora é se o nosso homem — enfatizou — agiu sozinho ou teve cúmplices. Ele foi muito esperto em fazer aquilo. — Sara balançou a cabeça — Não há seguranças que vigiam os vídeos em tempo real, foi muito fácil para ele. Resta a nós saber quem estava patrulhando naquele turno e de quebra, ter em mãos o registro dos visitantes.

Grissom fechou a pasta. Ele voltou-se para a detetive à sua frente. Suspirou. Seu rosto estava diferente desta vez; não se mostrava hostil ou irritado.

— Sobre o que houve mais cedo... — comentou um pouco desconcertado.

— Esqueça aquilo. — Ela se antecipou — Vamos nos concentrar no que interessa se não, a gente não vai a lugar nenhum.

Grissom assentiu e desviou seu olhar dela.

— Bom trabalho... Sara.

A mulher olhou para ele com um rosto surpreso. Foi a primeira vez que o sargento dirigiu-se a ela pelo seu nome. Algo meio bobo, mas que, de alguma forma, fez a diferença para a detetive.

Notas finais
Posso dizer que agora em diante vocês vão ver mais o Grissom e a Sara atuando "juntos" se assim posso dizer. Acho que os primeiro 7 capítulos foram uma introdução à própria história e aos dois, até porque se passou apenas um dia (ahaha). Agora a fic vai rodar mais e vai ficar mais envolvente no caso Zodíaco e no próprio relacionamento dos dois. Muito obrigada e até o próximo capítulo!