Manhattan's Girl Vol. 1

4 Fofocas E Uma Surpresa.


Megan pegou uma torrada de um cesto da cozinha e passou um pouco de fois gras. Esther, a empregada dos Dicknson a fitou e disse:

- Srta. Megan, o que está fazendo aqui na cozinha? — Ela arrumou o uniforme cinza e branco. — Já vamos servir o jantar.

- Não vão sentir a minha falta se eu não for jantar. — Megan respondeu desgostosa. Ela enfiou a torrada na boca. — Parece que meus pai não dão a mínima para mim.

- Ora, vamos, não diga isso, senhorita. — Ester colocou algumas lagostas que faltavam nos pratos de porcelana chinesa. — Eles a amam muito e só não lhe contaram pois queriam fazer uma surpresa.

Megan olhou para a empregada. Por que Meg estava conversando com ela? Já bastava os pais terem escondido uma gravidez, ela ainda teria que passar o resto da infeliz noite conversando com a empregada? Ah!, não. Era o cúmulo do absurdo. Megan olhou para os cabelos grisalhos de Esther, para o corpo magro e enrugado e para os grandes olhos castanhos. Ela sentiu um pouco de pena e decidiu que Esther não merecia ser tratada como ela a tratava. Como se fosse um nada.

Exatamente, o que seria de nós sem os empregados?

- Ahn. Obrigada, Esther. — Megan se levantou da cadeira de acrílico e viu seu reflexo na geladeira Side by Side. — Eu vou, hã, voltar para a sala.

A sala de estar estava surpreendentemente cheia. As pessoas conversavam e riam, tomando os seus uísques e champanha. Alison e Nick parecia estar tendo uma conversa muito importante em um canto. Haven e Stacy conversavam sobre algo- ou alguém — que as deixava empolgadas enquanto Josh alternava o olhar entre elas e Nick e Alison com as mãos enterradas nos bolsos.

Megan olhou novamente para a decoração do apartamento. Clarisse havia mandado reformar a cobertura toda. Os sofás pretos viraram brancos, a poltrona de veludo mudara de lugar, de perto do bar para a frente da porta da varanda.Luzes indiretas iluminavam os cantos da sala e as pontas da cortina branca voava com o vento de outono que entrava. Um enorme vaso de prata com tulipas brancas estava posicionado no centro da mesa de jantar. Para a Sra. Dicknson parecia perfeito, para Megan, não chegava nem perto disso.

Ela viu os pais se beijando ao lado da mesinha de centro , com a mão da mae na barriga. Quando é que isso vai acabar?, perguntou-se Meg cruzando os bracos.


- Ei, ainda tem o baile de outono no colégio. — piou Haven para Stacy depois de beber a sua mimosa. Haven ja bebera tantos tipos de drinques que Stacy estava com medo de ela vomitar em seus Loubotins novos. — Alison é da Comissão Organizadora, não é?

- E quando é que Alison nao é de alguma comissão? — Stacy prendeu uma mecha dos cabelos castanhos cacheados no broche de brilhantes Cartier. — Ai, vai ser, tipo assim, demais. Foi uma ótima ideia Baile de Máscaras. É tão seculo XIX. E alugar o salão do St, Clair's Hotel e não usar o ginásio do colégio foi melhor ainda.

- Preciso comprar o meu vestido, sapatos novos. Onde eu vou encontrar uma máscara? — Haven se empolgou. — Ah! Mal posso esperar.

Josh se desligou da conversa fútil das garotas e focou o olhar em Alison e Nick. O que ela estaria falando com ele? Era algo a ver com o acontecimento de ontem ou não tinha nada a ver? Como ele queria saber o que estavam falando.

Megan passeou pela sala sem querer conversar com ninguém, mas parou algumas vezes para falar com os avós e cumprimentar alguém. A pilha de correspondência estava na mesinha ao lado do elevador e ela odiava ver aquelas cartas sem saber se tinha alguma para ela. Havia um bilhete impresso com letras de forma e não tinha identificação para quem era. Megan o pegou e o abriu.


- Veja só como ela ja ganhou alguns quilos. — murmurou a Sophie Schenberg para a Patrícia Geller. — Aposto que ja engordou uns 3.

A sala fervilhava de conversas e fofocas sobre a gravidez de Clarisse Dicknson. É o que dizem: Falem mal, mas falem de mim.

- Eu sei. — concordou a Sra. Geller. — Com toda a certeza ela vai para Los Angeles fazer alguma plástica para voltar a ser como era antes. Não que ela fosse magra.

- Acho que ela ja passou da idade de ter filhos. — comentou Natalie Burckhardt com sotaque francês. — Não acha, Elizabeth?

- Não é a melhor idade para se ter filhos. — disse a Sra. Bridgemanem resposta. Ela bebericou a chamapanha. — Mas acho que não fará mal algum.

Ela pegou uma torradinha da bandeja que Esther carregava, colocou-a na boca e mastigou vigorozamente, recusando-se a dizer uma palavra a mais da amiga.

Por mais que gostasse de fofocas, não iria se divertir nas costas dos amigos.

- Pensei que ela tivesse operado. — a Sra. Burckhardt falou passando a mão casualmente no cabelo castanho-claro. — Quero dizer, depois de 16 anos depos que Megan nasceu...

- Além de que a diferença vai ser enorme. — completou a Sra. Schenberg.

- E eu que achava que apenas 4 anos já era ruim o bastante entre Haven e Heloíse. — a Sra. Geller meneou a cabeça.

- Ainda há gente pior do que nós. — concluiu a Sra. Schenberg.


Megan franziu o cenho depois de ler o bilhete. Quem poderia ter deixado aquilo ali? Não era escrito a mao e sim digitado, e nao tinha assinatura. Estranho!

"Parabéns aos papais pelo novo bebê. E para a irmãzinha um pequeno recado: Estou de olho em vocês. Todos vocês.

Beijinhos..."

Havia um espaço em branco aonde deveria ter a assinatura, o nome ou qualquer outra identificação da pessoa que deixara aquele recado ali. Megan pensou quem poderia ter escrito o bilhete e o que queria dizer com "Estou de olho em vocês".

Não veio nada na mente dela, então guardou o papel no bolso do vestido, pensando que mais tarde ela pensaria nisso.