Manhattan's Girl Vol. 1

5 Qual o Valor Do Dinheiro?


- Não acredito, Steve! Como pôde deixar isso acontecer? — gritou Patricia Geller do escritório do marido.

Haven estancou no corredor acarpetado e aguçou os ouvidos para escutar melhor. A porta do gabinete estava entreaberta e ela podia ver a mãe andando de um lado para o outro na sala. O Sr. Geller estava sentado na cadeira de couro marrom, com o MacBook aberto e a cabeça apoiada em uma das mãos.

- Não pude evitar, Patricia. Não havia como impedir. — Steve falou de olhos fechados e testa franzida.

- Não, não. Você nem deve ter tentado. — ela guinchou de volta. — Conversava com eles, pedia para eles abaixarem os investimentos, podia até suborná-los. Mas não podia ter deixado eles tirarem o dinheiro. — A Sra. Geller suspirou. — O que vamos fazer?

- O que tem de mais óbvio, achar novos investidores. — respondeu ele como se estivesse tentando ensinar a uma criança de 2 anos a ler. Ele parecia cansado. — Não podemos deixa a empresa como está.

Haven congelou. A Família Geller tinha uma petrolífera na região do Oriente Médio desde de que tinha descoberto petróleo por lá e sempre a maior petrolífera que tinha naquela região, desde então os Geller era multimilionários. Aquela conversa estava deixando Haven nervosa. Como assim a empresa sem investimentos?

A empresa estava sem investidores, isso significava que o preço da empresa na bolsa de valores caiu. Se o preço cai, se os Geller forem vender, a empresa vai estar totalmente desvalorizada. Investidores filhos da puta. Mesmo que isso não signifique a quebra da petrolífera, sem investimentos a empresa perdia valor no Dow Jones. Haven sabia desse triste fato.

Sem investimento, queda do lucro, sem lucro, sem orçamento cheio. Orçamento vazio significava contenção de gastos e isso queria dizer sem roupas, sem sapatos, sem bolsas, sem jóias e sem viagens.

Haven respirou fundo. Ela ouviu os saltos Tony Ward da mãe batendo no chão e Patricia abriu totalmente a porta.

- Ah! Haven. Oi, querida. Está há muito tempo ai?

Haven olhou nos olhos castanho-esverdeados da mãe e balançou a cabeça.

- Não, cheguei agora. — mentiu. — Oi, papai.

- Oi, Haven. — O pai não tirou os olhos do computador e isso a irritou um pouquinho.

Ela queria pedir algo que forçasse os pais a lhe falar a situação finaceira deles, mas o que? Ela pensou e disse:

- Mamãe, vi um casaco de pele na Max Mara da Quinta Avenida. In-cri-vel. — Haven mostou uma falsa empolgação. — Achei que podíamos comprá-lo.

Steve tirou os óculos e ergueu o olhar para a esposa. A Sra. Geller engoliu em seco.

- Claro, querida. Podemos sair amanhã, depois da sua aula. — Patricia respondeu sorrindo e ignorando o fato de sua empresa secular estar perdendo dinheiro aquele exato momento.

Haven parou, bestificada com a atitude da mãe. Decidiu tentar novamente.

- Ah, e sabem onde poderiamos passar o Natal? Em Cancún. Sabe, eu li que as melhores festas estão lá. — Haven apertou as unhas pintadas de vermelho-sangue na palma da mão.

- Ahn, não, Haven. Prefiro a Riviera Francesa. As praias são bem mais elegantes.

Steve levantou-se da cadeira e tocou a filha no braço.

- Haven, acho que precisamos conversar.

- Steve, deixe-a fora disso. Ela não precisa ficar preocupada. — O vestido pérola-cintilante da Sra. Geller brilhou ao se sentar ao lado da filha no sofá de couro.

- O que está acontecendo? O que precisam me contar? — Ela fez-se de desentendida.

- Os investidores retiraram o dinheiro da empresa no Dow Jones. Eles tiraram tudo o que investiam em nós. — o Sr. Geller murmurou para a filha.

- Steve! — repreendeu Patricia.

- Temos que falar o que está acontecendo! — retrucou ele olhando feio para a esposa. — Ela vai ficar sabendo mais cedo ou mais tarde!

- Prefiro mais tarde, quando podemos estar mais estabilizados.

- Mas não sou eu quem está prometendo casacos de pele e viagens à Riviera.

- Não podemos mudar o estilo de vida das nossas filhas por conta dos nossos problemas.

- Ei! Parem com isso. — exclamou Haven ficando de pé. — Não temos culpa se os imbecis dos investidores retiraram tudo. — Ela cruzou os braços por cima do vestido. Ela estava cansada e irritada, ansiando por um banho e pela cama. — Temos que resolver logo isso.

Os Geller ficaram em silencio por um tempo. Haven percebeu que o ela havia dito era uma coisa dificil de acontecer. Novos investidores em tão pouco tempo. Eles tinham, no maximo, 2 ou 3 meses até a empresa quebrar de vez.

- Você está certa, querida. — o Sr. Geller disse. — Precisamos resolver isso rápido.

- Eu vou tentar ajudar da melhor forma possível. — Haven abraçou a mãe que estava chorosa. — Vai melhorar. E, mãe, não existe casaco nenhum.