Manhattan
1 Um
Notas iniciais
Scott estava a vontade na sala, esparramado no sofá e bebericando uma cerveja, me joguei ao seu lado tomando um gole de sua garrafa, ele me encarou e riu. Era bom ter meu melhor amigo e praticamente um irmão por perto, ainda mais agora que estávamos tão longe de casa.
– Devemos pedir uma pizza? — perguntei ligando a televisão em um canal de esportes qualquer.
– Temos uma cozinha digna de programa de culinária e vamos começar pedindo comida? — Scott brincou e colocou os pés na mesa de centro, seria uma desgraça se minha mãe visse aquilo.
– Eu não sei cozinhar nem um ovo, Scott. — admiti e levantei para pegar mais cervejas.
– A cozinha é perfeita e está cheia de mantimentos, com tanta tecnologia não deve ser difícil. — ele levantou e começou a pegar algumas coisas. — Vou fazer um guisado. — o encarei bastante surpreso.
– Vai nos intoxicar? — Scott revirou os olhos e me ignorou. — Se você vai cozinhar, eu vou correr até a Lerman, preciso saber quanto tempo tenho para chegar lá andando, o trânsito daqui é um inferno pela manhã. — Scott riu.
– Você vai mesmo correr no seu primeiro dia aqui? Relaxe um pouco, Sti. — pensei um pouco, estava cansado da mudança, foi um longo dia arrumando minhas coisas e eu não queria muito correr, mas seria bom reconhecer o terreno ao qual precisaria me acostumar a conviver nos próximos anos.
– Eu volto logo e comemos, ok? — insisti e calcei meu tênis de corrida.
– Tudo bem. — Scott deu de ombros, peguei minha chave, carteira e óculos escuros.
Nova Iorque é um puta lugar, para alguém que cresceu em uma cidade pequena e sem graça como Beacon Hills, estar em uma grande cidade e desfrutar da diversidade de Manhattan era uma coisa incrivelmente deliciosa e assustadora. Eu levaria um tempo para aprender a desviar das pessoas na hora do rush e pegar rotas menos atribuladas enquanto seguia para o conjunto de edifícios da Triskle Corporation.
O prédio era enorme, o vidro espelhado, a entrada com segurança, câmeras e uma ampla porta giratória. Entrei e encarei o relógio no meu pulso, levei cerca de vinte minutos em passos agradáveis, era um bom tempo. Olhei ao redor fascinado e percebi que o fluxo de pessoas era menor naquele horário, estava tarde e eu me senti muito mau vestido ao observar as mulheres e homens com ternos caros transitarem por ali.
– Boa noite, vim buscar meu crachá. — entreguei minha identidade e preenchi minha ficha para retirada do cartão de acesso e um crachá de identificação. — Muito obrigado. — me virei e observei as informações nos dois pedaços de plástico firme, um com uma foto nada favorável minha e outro com um número de acesso.
*
O baque surdo das moedas no chão foi mais alto que o corpo do homem que caiu de bunda no meio do saguão do meu prédio. Ele se apressou em ajoelhar e ajudar a mulher desajeitada e arrogante que resmungava tentando recolher seus pertences, poucos pararam para prestar atenção na cena e eu me vi fascinado por aquele ser.
De perfil se via muito pouco, a veia saltada do pescoço, o relance dos lábios molhados e vermelhos, as pintas que faziam um longo caminho que se perdia por todo seu corpo, provavelmente. Troquei o peso do corpo de uma perna para outra e vi a mulher sair irritada, sem ao menos se desculpar ou agradecer ao homem que bufou e se levantou, seu crachá tinha ficado no chão, olhei o nome e a foto, era um funcionário – possivelmente novo – da Lerman Folks.
Ele ajeitou seu moletom e passou a mão pelo cabelo, senti uma necessidade estúpida de atirá-lo contra a parede mais próxima fazê-lo se ajoelhar para mim. Engoli em seco e o segui até o lado de fora, tentando acompanhar suas passadas rápidas. Meu motorista me esperava e fiz sinal para continuar onde estava, segurei o homem aparentemente mais novo pelo ombro e o vi recuar na defensiva.
– Puta que pariu! — ele xingou, seus lábios se entreabriram para respirar e eu pensei em mil maneiras de tornar aquela boca útil.
– Você esqueceu seu cartão. — entreguei o objeto e o vi me encarar e lamber os lábios, sorri em sinal claro de satisfação.
*
Ele parecia muito bom, melhor impossível. Um homem alto, mas não muito mais que eu e seus olhos, tinham tantas cores em seus olhos que pensei estar perdido neles. Engoli em seco e umedeci meus lábios, pisquei lentamente antes de pegar o cartão e sentir meus dedos roçarem nos dele, seu sorriso parecia predatório, delicioso. Sua barba era uma tentação ao meu toque e me perguntei como seria possível um magnata de terno me fazer pensar tanto em sexo como aquele.
– Obrigado. — respondi tentando não parecer envergonhado e abalado por aquele homem.
– Disponha, Stiles. — ele falou meu nome e isso me fez sentir tão quente.
Eu podia sentir minhas bochechas pegando fogo quando ele se virou e caminhou até seu camaro preto, me perguntei por quê ainda estava ali, parado feito um idiota.
Scott tinha realmente feito o jantar e não estava tão ruim. Beber vinho branco e papear sobre o que aconteceu e como as pessoas por aqui são alheias a existência dos outros nos divertiu até a madrugada e quando percebemos, estávamos dormindo no sofá ainda sentados e com a televisão alta demais para alguém sonolento. O fiz ir para a cama e segui para o meu quarto, um banho cairia bem, mas eu me sentia tão cansado. Foi fácil escorregar para os sonhos.
*
Acordei com o coração batendo tão rápido que doía, meu corpo estava molhado e meus lábios salgados pelas lágrimas que escorriam sem permissão. Tremia enquanto tentava chegar ao banheiro antes de regurgitar todo meu jantar e um pouco de tudo que ainda estivesse dentro de mim. As lembranças eram embaralhadas e eu só me senti um pouco melhor debaixo da corrente de água fria que me atingia de todos os lados no chuveiro.
Não eram nem cinco horas quando saí do banho e vesti um moletom qualquer, meu corpo doía de tensão e eu queria apenas poder descansar um pouco do dia duro que tive, mas não seria possível. Fui para o meu escritório e comecei a trabalhar, ocupar a mente sempre funcionava e se eu não podia dormir, que adiantasse minhas pendências profissionais.
*
O sábado era bem melhor no Central Park, tinha movimento, barulho e mesmo aquela natureza parecia urbana. Eu gostava do cheiro e da energia que todo o ambiente tinha, exceto Scott que parecia bastante irritado por ter saído da cama cedo para correr.
– Você precisa arrumar algo melhor para fazer, sério. — ele resmungou descansando um pouco e bebendo um pouco de água, sorri e apenas joguei um pouco do conteúdo no meu rosto.
– Não dá para manter meu corpo só com pizza e álcool, cara. — retruquei e alonguei um pouco do meu corpo. — Vamos fazer mais um set e então podemos descansar. — o encorajei.
– Porra, você quer me matar? — ele me seguiu mesmo assim.
No caminho de volta para casa vimos um grupo de jovens entregando panfletos de uma academia de Krav Maga, peguei um deles por educação mas fiquei tentado a experimentar, eu gostava de praticar luta com meu pai, ele é o xerife de Beacon Hills e sempre quis me manter capaz de me defender, talvez fosse bom para gastar alguma energia.
Passamos a tarde nos familiarizando com Manhattan, era um lugar incrível e apesar de um pouco caótico, tinha certeza que nos daríamos bem por ali. Eu tinha alguns bons pressentimentos e todos estavam envolvidos em ignorar minha mãe um pouco mais e curtir o primeiro final de semana de liberdade com o meu melhor e único amigo.
– Então, aquele cara que você comentou ontem, trabalha com você? — Scott perguntou enquanto eu preparava um macarrão a bolonhesa, era o máximo que conseguia fazer sem estragar, muito.
– Eu não faço ideia. — respondi cortando um pouco de cebola.
– Você não me falou muito o por que ele te chamou atenção. — Scott parecia interessado demais, sabia que estava tentando ser um bom amigo, mas pensar naquele cara, era encrenca.
– Ele era um homem bem vestido, estilo magnata, muito rico com certeza, estava com um terno de pelo menos dez mil dólares. — dei de ombros e vi a cerveja pousar aberta ao meu lado.
– E como ele era, fisicamente? — Scott bebericou um pouco do líquido e eu suspirei.
– Um pouco mais alto que eu, olhos impressionantes, nem consegui descrever aquelas cores e suas sobrancelhas eram bastante expressivas. Sem contar com a barba, acho que eu ficaria muito feliz que sentisse minhas coxas queimando por uma semana por causa daquela barba. — Scott gargalhou.
– Você está querendo trepar com um magnata? — ele limpou o resto de cerveja que escapou dos lábios com a risada e eu me virei, bebendo um pouco antes de responder.
– Ele é encrenca, convivi tempo demais com meu pai para saber quando um homem presta ou não, mas Scott, eu não sei se alguém resistiria àquele cara.
– Então ele deve ser mesmo tão impressionante, eu nunca te vi sequer falar de um cara assim.
– Acho que preciso transar. — respondi voltando para o macarrão.
– Sempre a disposição. — ele brincou.
– Idiota. — joguei a tampa da garrafa de cerveja nele.
– Sou um bom amigo. — ele riu.
– Eu sei. — terminei de preparar o jantar.
Domingo de manhã tinham duas caixas no meu sofá e Scott parecia um cachorro feliz após ganhar algum petisco. Cocei a nuca e bocejei, estava cansado e queria correr um pouco ainda hoje, mesmo que tudo pedisse que eu gastasse meu dia na cama.
– O que é isso? — perguntei esfregando o rosto.
– Claudia mandou dois smookings fantásticos para o evento Beneficente de sexta-feira. — revirei os olhos, eu odiava esses eventos e minha mãe não me deixaria escapar de nenhum, não estando na mesma cidade que ela.
– Minha mãe nunca vai parar. — resmunguei e resolvi voltar para cama, era melhor.
Ela ligou horas depois para falar sobre o evento, milhares de informações que se perderam no meu tédio infinito. Eu queria correr, conhecer um restaurante, um bar, qualquer coisa, preferia me render a pesca com meu pai do que ouvir minha mãe falar sobre depilação e alguma garota rica que estava “disponível” nesse evento.
– Mãe, estou desligando. — anunciei cansado daquele papo.
– Não ouse! — ela rosnou.
– Não posso ficar aqui até amanhã, preciso ajeitar minhas coisas para o trabalho. — ela suspirou.
– Mal chegou e já vai se enfiar num escritório, para que isso, Sti? Mamãe poderia pagar todas as suas vontades e você poderia gastar mais tempo me dando atenção. — ri, não era uma proposta divertida, mas Claudia Finstock era assim.
– Mãe, tchau. — disse novamente e ela fez um barulho inconformado.
– Te amo, querido. — ela finalmente se resignou.
– Também amo você. — desliguei.
Segunda de manhã, eu atravessei as portas giratórias do saguão da Triskle Corporation. O dia parecia quente e agitado, estava bem perto dos meses mais quentes e eu precisava aproveitar que por enquanto poderia chegar aqui sem suar. Apresentei meu cartão de identificação e subi vinte andares e em alguns minutos, fui recebido por uma jovem muito bonita e ruiva.
– Olá, sou Lydia e trabalho bem ali, na recepção da Lerman Folks. O senhor Whittemore está lhe aguardando. — sorri para ela e a segui.
– Obrigado, Lydia. Tenha um bom trabalho. — sussurrei antes de vê-la desaparecer do meu ambiente de trabalho.
Jackson Whittemore era simplesmente um cara com presença de espírito e muito bonito também. Seus olhos eram verdes, seu rosto quadrado, maças do rosto bem definidas e os cabelos loiros e bem acomodados com pomada modeladora. Nada parecia fora do lugar e mesmo inspirando alguma arrogância, sabia que era um homem competente e que seria uma experiência incrível estar ali.
– Bom dia, Stilinski. — ele estendeu a mão e eu o cumprimentei.
– Bom dia, senhor. — respondi cordialmente e sentei.
– Lydia vai explicar como funciona a maior parte das máquinas e onde tudo se encontra nas instalações da empresa. Minha agenda e todas as contas que vierem para minha mão, serão compartilhadas com você e nós trabalharemos duro para superar qualquer expectativa dos nosso clientes, fui claro? — sorri, ele era extremamente competitivo e apesar da tentativa de me intimidar, também era inofensivo.
– Cristalino. — respondi e me levantei. — Vou me acomodar e rever sua agenda. Sei que temos uma reunião às 11 horas com o pessoal da Priser e que seu marido pediu para reservar uma mesa no Perbolas para uma da tarde. — Jackson sorriu.
– Pró-ativo, isso é bom. — sorri de volta.
– Quer um café? — ele franziu o cenho.
– Eu não vou te pedir para fazer meu café, Stiles. — ele abriu o próprio notebook e me olhou por cima da tela.
– Estava sendo gentil, não pense que vou ser seu escravo. — dei de ombros e ouvi uma risada.
– Nesse caso, forte e sem açúcar. — assenti e saí.
Jackson era realmente um cara interessante e divertido. Eu consegui aprender bem mais em seis reuniões com empresas de contas variadas do que em quatro anos de faculdade em Berkeley.
– Quer almoçar? — Lydia me perguntou cinco minutos depois que Jackson saiu para encontrar o marido.
– Claro. — a segui até o elevador.
– O que está achando do Jack? — ela perguntou descontraída.
– Ele é um cara legal.
– Você vai gostar de trabalhar com ele, toda a liberdade do mundo e algum bônus é sempre bem-vindo. — rimos e saímos do prédio.
– Não faço ideia de onde comer, estou aqui há menos de três dias. — comentei enquanto ela caminhava naturalmente pelas calçadas cheias e movimentadas da cidade.
– Eu conheço um bom lugar. — ela me levou à um restaurante que tinha os melhores tacos do universo, comi três antes de me sentir realmente satisfeito e conversamos bastante em nossa uma hora de almoço.
Descobri o quanto ela era determinada e sabia tudo de todo o complexo empresarial e um pouco da vida dos nossos colegas de trabalho, sem contar com todas as fofocas de artistas famosos e uma eternidade de comentários sobre o marido do nosso chefe. Ela falou muito de Derek Hale também, um cara que segundo ela esquentava qualquer pessoa que o encontrasse, mas que era frio como um iceberg.
O fim do primeiro dia foi gratificante e com gosto de missão cumprida. Eu tinha prometido comemorar meu novo emprego com Scott em um bar próximo de casa e já me sentia arrependido. Ele era incrivelmente aconchegante e intimista, mas eu estava cansado e queria descansar para o dia seguinte, seriam sete reuniões e não pararia de chegar trabalho, Jackson poderia ser muito bom, mas era um tremendo desorganizado.
– Como foi o primeiro dia? — Scott bebericou uma cerveja enquanto observava o local.
– Muito bom, meu chefe é bacana, Lydia é incrível. — suspirei cansado, me sentia muito esgotado.
– Você parece um lixo, cara. — Scott tocou sua garrafa na minha e olhou para o lado, ele e o loiro do bar estavam se comunicando com sorrisos e olhares pecaminosos, meu melhor amigo piscou para ele e eu revirei os olhos e sorri.
– Vai lá, eu estou morto e estamos há uma quadra do apartamento. — eu me levantei. — Divirta-se. — dei um tapinha em suas costas e ele sorriu.
– Obrigado, te devo uma. — ri e o vi cumprimentar o cara enquanto saía, minha casa estaria me esperando.
Na quarta-feira, chegou uma nova conta. A Vodca Pleasure, era a nova sensação do momento e uma concorrente direta de mais dez marcas que competiam entre si no mercado de bebidas. A diferença era que a Triskle Corporation não aceitava menos do que perfeição e lucro para seus negócios e não apostavam em nada que não fosse alto o suficiente para valer o risco.
– Essa reunião vai ser muito importante, Stiles. — Jackson parecia nervoso.
– Vamos pensar em alguma coisa. — o loiro afrouxou a gravata e recostou na cadeira. – Eu liguei para Danny, ele ficou de trazer o jantar. — Jackson me encarou por alguns segundos antes de sorrir.
– Obrigado, você tem salvado minha vida de muitas formas essa semana.
– Vamos trabalhar. — ele concordou.
Eram oito horas da noite quando Danny entrou na sala de reuniões com três sacolas cheias de comida japonesa. Comemos e conversamos um pouco, Jackson explicou o projeto e ouvimos um pouco sobre o dia de Danny na empreiteira. O cara trabalhava com obras magníficas e tinha ideias ótimas também. Com traços havaianos e um brilho nos olhos todas as vezes que encarava seu marido, ele parecia a escolha certa. Era um relacionamento invejável.
Voltamos a trabalhar, Danny gastou mais algumas horas por ali, lendo alguns artigos e trabalhando em seus próprios projetos. Tivemos alguns empecilhos, mas tínhamos uma boa base e uma proposta sólida para a reunião de sexta, bastava diagramar e montar a apresentação. Isso poderia ser feito no dia seguinte, encerramos e eles me deram uma carona até em casa, Danny e Jackson eram um casal carinhoso e o moreno parecia equilibrar as falhas de personalidade que meu chefe insistia em ter quando se sentia cansado, ameaçado ou simplesmente de mau humor.
Minha cama pareceu muito mais gostosa naquela noite e eu não reclamei nem um pouco quando recebi uma mensagem às seis de Jackson, me mandando chegar só depois do almoço. Voltei a dormir, era tudo o que eu precisava.
A quinta-feira chegou muito rápido e eu estava ansioso para minha primeira reunião de conta. Eu queria mostrar nosso trabalho, porque eu sentia que tinha ficado impressionante, nada me faria pensar o contrário. Jackson estava perfeito, nem ao menos apreensivo parecia, mas eu sabia que estava. Entramos na sala de reuniões, eu tinha me certificado de que tudo estava em seu lugar certo. Era incrível que estivesse me sentindo assim, orgulhoso de um trabalho que não foi aprovado e feliz por estar andando com minhas próprias pernas.
*
Stiles estava lá, eu tinha feito um bom trabalho para não cruzar com ele novamente, mesmo sabendo que ele trabalhava no prédio da Lerman Folks, não imaginava que estava trabalhando para Jackson Whittemore. Suspirei e evitei encará-lo, sentei atento as propostas e percebi o quanto as mãos de Stiles eram grandes e ágeis, ele parecia pertencer àquele lugar, saber exatamente o que falar e responder sem ao menos pestanejar cada pergunta dos meus consultores.
– Você compraria a vodca? — perguntei vendo-o me olhar surpreso e Jackson gelar um pouco.
– Pela propaganda? Me dignaria a experimentar, senhor Hale. Mas, não conheço o produto o suficiente para dizer que se tornaria a minha primeira opção. — ele foi brutalmente sincero e isso de um jeito ruim me excitou.
– Que tal provar um dos nossos muitos sabores e então me dizer sua opinião? — torci os dedos debaixo da mesa, sentia meu pau contrair com a ideia de Stiles rebater com alguma malcriação ou aceitar e molhar seus lábios com a vodca criada por mim.
– Por que não? — ele deu de ombros.
– Aqui. — Lydia entrou e serviu uma dose para Stiles, o garoto lambeu os lábios e tomou um gole, o movimento da bebida sendo engolida e sua língua capturando um pouco mais do sabor em seus lábios me fez querer tomá-lo ali mesmo, como um animal.
– É um sabor comum, existem muitas vodcas de pêssego por ai, mas a sua tem um toque de cramberry e eu posso apreciar isso muito mais do que precisar misturar duas bebidas para encontrar o equilíbrio agradável que me deixa beber por uma longa noite de diversão. — ele respondeu ágil e eu engoli em seco, meus lábios se curvaram em um sorriso predador.
– Temos um negócio, Jackson. — levantei e apertei sua mão, meus consultores saíram e ficamos apenas os três. — Deixe-me falar com Stiles por um momento. — sibilei para Whittemore, que logo nos deixou.
– Algum problema? — eu podia sentir a tensão exalando do homem mais novo, ele tinha um bom jogo de cintura, mas eu era atento demais.
– Eu quero você. — meu tom saiu agressivo e eu poderia estar cometendo um erro em assediá-lo, mas era tão irresistível.
– Desculpe? — Stiles deu um sorriso vitorioso, como se estivesse esperando por isso, se divertindo.
– Você ouviu.
– Não estou disponível, senhor Hale. — ele se virou, pegou seu tablet e caminhou até a porta, tomei seu braço.
– Você também quer. — ele se retraiu, de repente a diversão se tornou tensão.
– Acho que acabamos. — ele saiu sem me deixar reagir.
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