Eu podia ter um pouco de álcool correndo em minhas veias, mas não cederia ao instinto possessivo de Derek, ele poderia ser qualquer coisa, menos meu dono. Ouvi repetidamente a forma como ele mencionou a minha vontade e senti minha garganta comprimir e meu estômago revirar, respirei fundo e lavei novamente meu rosto, precisava voltar ao trabalho.

– Hale ficou impressionado e deixou essa garrafa para você. — Jackson foi bastante específico ao me citar e eu sorri, fingindo estar satisfeito.

– Pode ficar. — peguei alguns papéis e coloquei em sua mesa. — Precisamos discutir a Priser agora. — Jackson franziu o cenho mas não contestou.

Era fim de expediente quando eu cruzei a porta giratória para dar de cara com Derek encostado em seu camaro, óculos escuros e o terno perfeitamente abotoado. Respirei fundo antes de tentar seguir meu caminho e ouvir meu nome.

– Falou comigo, senhor Hale? — eu não tinha nada para tratar com ele, mas precisava do profissionalismo, não poderia estragar minha primeira semana naquele emprego.

– Você pode vir até o meu escritório amanhã? Vou informar Jackson sobre alguns detalhes do projeto e gostaria que passasse lá para maiores explicações. — assimilei cada palavra e assenti.

– Como quiser. — meu tom era estritamente focado e eu não queria pensar em como ele parecia me comer com os olhos.

– Eu devo me desculpar, por mais cedo? — ele parecia divertido agora.

– Se nossos assuntos comerciais acabaram, eu preciso ir. — ele fechou a cara.

– Tenha uma boa noite, Stilinski. — senti minha nuca arrepiar com o tom áspero.

Scott pediu comida chinesa naquela noite e eu me sentia esgotado. Estávamos acabando de comer em silêncio quando ele começou a falar sobre seu dia de trabalho, modelar para uma grande marca de jeans e conhecer outros modelos como ele eram coisas incríveis para alguém que teve seus pequenos momentos de ruínas que quase o destruíram de uma só vez.

– Isaac é incrivel, você precisa conhecê-lo. — sorri com a ideia de finalmente ver meu melhor amigo feliz e limpei um pouco a mente do dia de trabalho desagradável.

– Derek Hale. — soltei quando ele terminou de descrever o loiro do bar e falar sobre um milhão de outros detalhes da sessão de fotos.

– Quem é Derek Hale? — suspirei e empurrei meu prato para longe.

– O cara da outra noite. — Scott franziu o cenho por um momento.

– O magnata? — concordei. — Porra, ele trabalha com você? — fiz que sim novamente. — Qual o problema? — ele finalmente percebeu que eu não parecia tão animado.

– Ele quer me foder.

– Como você sabe?

– Ele disse.

– Assim, na lata? — assenti. — Porra, isso foi um pouco... — o cortei.

– Rude, grosseiro, estúpido. Ele é presunçoso e acredita que é irrecusável. — Scott riu.

– Você deu um fora nele, não foi?

– Eu não reagi bem, mas podemos considerar que sim.

– Ele entendeu o recado?

– Fui claro o suficiente, mas Scott... — suspirei por um momento. — esse cara é encrenca, tenho certeza que vai continuar insistindo.

– Você sempre pode denunciar, mas se for um flerte saudável... — Scott deu de ombros.

– Ele não flerta muito, é direto demais.

– Seja também. — era um bom conselho.

*

Eu não estava acostumado com um "não", mas eu sabia respeitar limites e eu vi um quando insisti com Stiles. Ele parecia assustado quando o encurralei. Tudo bem, essa não era a melhor abordagem, mas eu sempre estive tão ocupado com minhas conquistas que não pensei que ele seria diferente. A verdade é que tudo em Stiles era fora dos meus padrões. Eu saí com muito poucos caras e nunca foram encontros saudáveis, não que meus relacionamentos patéticos com mulheres fosse diferente, mas aquele cara tinha alguma coisa e eu precisava tirá-lo do meu sistema, antes que algo acabasse muito mal.

Lutar com Ennis pareceu uma boa ideia. Meu instrutor era um campeão, tinha um cinturão para provar o quanto seus títulos pesavam e era tudo, menos leve nos treinos. Era bom descontar minha raiva e frustração em alguém, mesmo que sob algumas regras, eu tinha formas legais de extrair toda àquela tensão do meu sistema nervoso.

– Nada te deixou furioso hoje, Hale? — ele provocou. — Venha me pegar. — era uma ordem, eu não me segurava em nenhum treino, mas estava desconcentrado, minha cabeça pensava no garoto com lábios pecaminosos.

– Out! — reclamei ao sentir o joelho de Ennis contra minhas costelas. — Merda. — me recuperei e o ataquei, precisava ter foco.

– Vamos lá, Hale! Você não tem nada melhor para mim? — arfei com o golpe certeiro nas minhas costelas mais uma vez e o ataquei, no chão eu tinha bem mais desenvoltura e a raiva de ter sido rejeitdo por Stiles saía pouco a pouco pelos meus poros.

*

Conheci a academia no Brooklyn no dia seguinte, Scott me acompanhou apenas para olhar. Ele tinha muitos trabalhos sem camisa para aparecer com hematomas depois de um bom treino. Eu gostava do kickboxing que fazia com meu pai em Beacon Hills e tinha pouco conhecimento de defesa pessoal, mas o suficiente para não morrer nas mãos de um idiota. Ethan me recebeu com um sorriso no rosto e seu irmão gêmeo Aiden treinava com outro cara.

– Você veio. — lembrava dele do dia dos panfletos e adorei a ideia de poder descarregar as frustrações da semana ali.

– Preciso gastar energia. — devolvi o vendo preencher alguma coisa.

– Essa é sua ficha, você preenche e vem treinar. — ele me entregou a prancheta.

Os golpes não eram tão duros, mas a maior parte do momento minhas costas estavam no chão porque eu não tinha prestado atenção suficiente no movimento. Depois de alguns minutos de pausa, Aiden pediu para treinar comigo. Ele era um instrutor mais duro e eu podia sentir ele querendo testar meus limites. Não foi difícil me imobilizar ou reproduzir todas as dores possíveis nos meus pontos sensíveis, mas eu dei conta e consegui imobilizá-lo algumas vezes, até acertá-lo.

– Isso foi bom para um garoto do interior. — o ajudei a levantar e ri, o ar quase não chegando aos meus pulmões.

– Ser filho do xerife ainda é alguma coisa, mesmo aqui. — rebati abrindo uma garrafa d'água.

Faltavam menos de 24 horas para o evento beneficente da Hale Foundation, Scott tinha gastado um tempo considerável procurando informações sobre Derek Hale e tinha uma pasta tomada dessas coisas na minha mesa, mas hoje tudo o que queríamos era sair para dançar e desestressar toda nossa semana de trabalho. Pela manhã eu atravessei mais uma vez as portas giratórias e peguei o elevador um pouco adiantando, o elevador seguiu direto para o último andar na Triskle Enterprise e eu gelei.

Derek estava parado na frente do elevador com um terno de risca escuro e a gravata vermelha, eu engoli em seco para não puxá-lo e ceder a sua proposta indelicada do dia anterior, ele estava conversando com outros homens muito bem vestido e quase não se deu conta da minha presença, saí e entreguei um documento a sua secretária, o elevador partiu com os outros presente e eu senti o seu olhar sobre mim.

– Vai descer, Stiles? — seu tom era ameno e rouco, eu queria ter forças para não achá-lo completamente atraente.

– No próximo. — respondi terminando de assinar um dos documentos, ele segurou o elevador.

– Tem espaço suficiente para nós dois, Stilinski. — o encarei mais uma vez e entrei. — Com medo de não resistir? — ele provocou e eu remexi na pasta em minhas mãos.

– Você é muito presunçoso, Hale. — ele se aproximou, seu braço colado ao meu enquanto ajeitava o nó da gravata.

– Você está dormindo com alguém? — a pergunta foi como um soco no estômago.

– Desde quando isso é da sua conta? — eu estava ofendido.

– Desde que isso possa virar um obstáculo no que eu quero.

– Sério? E o que seria, Hale? — meu tom era grosseiro, mas eu não estava nem aí.

– Quero te foder, estou sonhando com isso e não posso ter ninguém no nosso caminho. — engoli em seco e o encarei, seus olhos pareciam famintos, selvagens.

– Não estou interessado. — retruquei.

– Te vejo mais tarde, Stiles. — ele sorriu enquanto deixava o elevador.

Concentrar-me no trabalho foi bem mais difícil, eu me sentia quente e ultrajado. Derek Hale, cheirava a perigo e disparava todos os alertas em minha mente, mesmo assim eu estava lá pronto para ele. Alguns dos nossos trabalhos tinham sido encerrados naquela sexta e eu me senti melhor depois de passar algumas horas discutindo sobre a nova conta da Gusman. Era quase hora do almoço quando Jackson saiu para uma reunião com um dos acionistas sênior e meu telefone tocou.

– Escritório de Jackson Whittemore, boa tarde. — atendi com a saudação habitual.

– Stiles, como está?

– Olá Bobby, muito bem. Aconteceu alguma coisa com a minha mãe?

– Não, está tudo bem com ela. Podemos almoçar hoje?

– Estou meio ocupado, não dá para ser amanhã?

– Meu motorista está na porta do seu trabalho, prometo que será rápido.

– Tudo bem, eu só tenho uma hora de almoço. — desliguei e desci.

Bobby era um bom homem e fazia minha mãe feliz, mesmo que isso significasse enchê-la de mimos e reforçar seus comportamentos egoístas, disfarçados de amor materno. Nós fomos até um restaurante próximo e ele pediu um filé, enquanto eu fiquei com uma salada de frango, queijo, crotons e presunto de parma. Era bom comer em silêncio, mas logo eu precisaria voltar e sentia que aquela conversa não seria uma boa coisa.

– Sua mãe ficou bastante assustada com a notícia de que você começou a fazer Krav Maga. — franzi o cenho.

– Espere, como você sabe disso? — meu estômago comprimiu, de repente não exstia mais fome.

– Sua mãe me contou hoje de manhã.

– E como ela sabia? — ele não parecia entender minha indignação.

– Rastreou seu telefone, isso a deixa mais tranquila.

– Como? — minha voz subiu consideravelmente e ele olhou ao redor. — Porra, você deixou ela me rastrear. — esfreguei a mão no rosto e o encarei.

– Não precisa subir a voz, você sabe que ela só quer protegê-lo. — ri sarcástico.

– Me proteger? Eu tenho 24 anos, sou um homem bem crescido para precisar de proteção. — limpei minha boca e joguei o guardanapo na mesa.

– Não desconte em mim, Stiles e coma. — ouvi o mesmo tom controlador de Derek ali e enjoei.

– Você está deixando ela doente e eu acabo ficando junto. — minha respiração estava ofegante, eu estava pirando.

– Eu só faço o melhor para sua mãe e para você, obviamente. — apertei os olhos irritado e me levantei.

– Isso acabou, ok? Essa merda é contra a lei e eu não preciso de proteção. — fui embora, tinha que trabalhar.

O resto do dia passou facilmente, não tinha muito o que se fazer e eu simplesmente ignorei todas as chamadas da minha mãe. Mas ela não desistiu e ligou para o meu trabalho, o que me irritou muito.

– Oi mãe.

– Você esqueceu seu celular no restaurante, Bobby pediu que entregassem em seu prédio, Scott recebeu.

– Quando você me contaria que estava me rastreando?

– Querido, eu só queria ter certeza de que você estava seguro.

– Eu tenho 24 anos, sei me cuidar.

– Não seja bobo, Stiles. Eu sou sua mãe e sei o que é melhor para você.

– Contou para o doutor Deaton seus métodos de cuidar de mim?

– Stiles.

– Acho que precisamos de uma sessão conjunta.

– Claro, ele vai adorar te ver. — suspirei cansado.

– Olha, preciso ir.

– Que tal passarmos a manhã juntos? Chame Scott e podemos ir naquele SPA que ele adora.

– Tudo bem.

– Te pego às 11. — concordei e desliguei.

Saí às 17 horas da minha mesa e tentei descer, mas novamente fui arrastada para o andar da Triskle Enterprise, bufei irritado. Hoje, definitivamente, não era o meu dia. A recepcionista me olhou feio e Derek estava na porta do elevador, me arrastando para sua sala logo em seguida. Explodi assim que as portas estavam foscas.

– Que merda você está fazendo? — desamassei meu terno e ele sorriu.

– Eu quero você, Stiles. Me diga o que preciso fazer para tê-lo. — seu olhar aqueceu e seu sorriso se desfez quando eu sentei em seu sofá cansado de tudo.

– Você, minha mãe, Finstock... — bufei — vocês são todos iguais! Eu odeio isso, sabe? Me sinto como um brinquedo, odeio isso. — Derek me observou com cautela e sentou ao meu lado.

– Stiles. — ele tentou se aproximar e eu me levantei, ficando próximo demais.

– Chega Derek, quando eu disser não é não. — Derek se assustou um pouco com isso e deu um passo para trás. — Você é gostoso, tenho certeza que fode bem, mas eu não quero isso.

– Não da forma como eu estou oferecendo. — o tom depreciativo, como se sexo fosse uma transação comercial estava lá.

– Para que perder tempo? Você quer um acordo, como se isso fosse mais um de seus contratos. — ele arqueou as sobrancelhas.

– Não gosto de misturar as coisas, Stiles. Relacionamentos não são uma coisa boa e sexo é só uma das coisas que temos para desfrutar, para quê complicar? — ri seco.

– Sério, Hale? É isso o que tem para oferecer? Eu não sou apenas um buraco, uma trepada ok? Se era só isso, tenho que ir para casa.

– Stiles. — ele me agarrou e senti meu corpo contra as paredes de vidro fosco e blindado.

– Derek, não. — eu fraquejei, seu corpo esmagava o meu e eu podia sentir seu cheiro tão de perto.

– Me dê um beijo, é só isso o que eu quero. — ele pediu, hesitei. — Por favor. — engoli em seco e lambi meus lábios, logo os seus estavam nos meus.

O beijo era quente, intenso. Derek sabia beijar e eu me sentia derreter. Seu toque era gentil apesar de toda a cena e suas mãos antes me segurando contra a porta, deslizaram pelas laterais do meu corpo e agarraram minha bunda, eu gemi. Ele viu isso como um sinal para avançar e por um momento eu não me importei. Quando meu corpo atingiu o sofá e seu peso e ereção tocaram meu corpo, levei minhas mãos ao seu cabelo e apertei. Sentia sua barba queimar meu rosto, seu cheiro de loção e algo mais invadir meu sistema, até que aquele som nos interrompeu.

– O senhor Stanton está na linha dois, senhor Hale. — gelei e Derek se afastou no mesmo momento.

– Porra, a gente ta no trabalho, no meio do expediente. — arfei e levei um tempo para me recompor.

Ele respondeu ao seu secretário e eu peguei meu paletó que estava no chão, ele seguiu meu movimento e parou cara a cara comigo, não sabia o que fazer. Eu me sentia envergonhado por ceder, estava irritado pela intromissão e frustrado pelo tesão que ainda incomodava minhas calças, seu indicador passou por minha bochecha e eu reprimi o desejo de retrair ao toque.

– Hey, tudo bem? — soltei o ar com força.

– Pareço bem? — me afastei e vesti o paletó.

– Você está lindo e com cara de quem quer trepar. Me deixou com tanto tesão que até doi, Stiles. — minha respiração engatou. — Se eu não tivesse que trabalhar, te jogaria nesse sofá e faria você gozar tanto quanto fosse possível. — apertei os olhos e respirei fundo.

– Pelo menos você é direto. — acusei.

– Você não parece um cara que gosta de mentiras e galanteios.

– Eu gosto de respeito. Preciso ir.

– Espere essa ligação, eu levo você.

– Isso, senhor Hale, não muda nada. — tentei ser firme.

– Muda sim, você está com tesão e eu também. O que tem de errado?

– Eu não sou uma boneca inflável, Hale.

– Stiles, o que você quer? Nós podemos chegar em um acordo. Me dê uma chance.

– Derek. — ele se aproximou de novo e cheirou meu pescoço, arrepiei.

– Amanhã, vamos almoçar juntos.

– Não posso, estou ocupado.

– Domingo então.

– Também tenho compromisso.

– Stiles, você precisa ceder um pouco. Eu não vou desistir, vamos ficar nisso a vida inteira.

– Sugiro então que procure alguém que queira foder como um coelho e então quando nos encontrarmos novamente, isso aqui não existirá mais. — Derek bufou.

– Não insulte minha inteligência. Você pode escolher o dia, mas se fizer isso de novo, vou encher sua bunda de tapas.

– Não gosto desse tipo de coisa.

– Veremos.

– Me deixe ir, Hale.

– Segunda depois do expediente então.

– Segunda na hora do almoço. — retruquei já com a mão na maçaneta.

– Até mais, Stiles. — não o respondi.

Scott me esparava em casa com um cara, ele era loiro e alto e eu podia ver algo mais em seus olhos, como uma faísca. Era muito bonito e eles pareciam entrosados, bebendo um pouco de vinho e vendo algum programa de culinária na TV. Eu não queria atrapalhar, então respirei fundo e os cumprimentei.

– Stiles! Eu queria te apresentar ao Isaac. — apertei sua mão e ele sorriu.

– Scott vive falando de você. — era um tom inseguro, mas eu gostava da energia daquele garoto.

– É um prazer. Eu tive um dia do cão, posso ter uma taça? — Isaac me servu. — Obrigado.

– Eu tenho aula agora, preciso ir. — ele levantou e nos despedimos.

– Seria bom passar um tempo com vocês, uma pizza na quarta quem sabe?

– Quarta eu não posso, tenho um ensaio. Terça, talvez?

– Perfeito, a gente come aqui mesmo. Vai ser divertido. — assim que ele saiu, eu podia ver Scott me contando cada detalhe do que eles tinham.

Eu estava vestindo um jeans escuro e justo, uma camisa preta e arrumava meu cabelo enquanto Scott vestia sua própria camisa. Nós tínhamos passado um bom tempo conversando e eu não tive a oportunidade de conversar sobre o que aconteceu entre eu e Derek em sua sala, explodiria se não contasse logo.

– O que foi? — perguntei enquanto bebíamos em um bar.

– Estou com tesão, Derek Hale, realmente é quente.

– Eu não gosto dessas coisas. — rebati lembrando que mesmo odiando qualquer menção a tapas e contensões eu continuava com tesão.

– Ele arrasou no papi e mamãe no sofá, cara. — arqueei as sobrancelhas. — Qual é, Stiles. Vocês vão encontrar um equilíbrio.

– Ele é o tipo de cara que eu deveria me manter bem longe.

– Nenhum dos dois quer um casamento, aproveite.

– Eu preciso beber.

– E dançar.

Eu estava extremamente cansado e um pouco bêbado quando atravessamos a Times Square, um cara nos abordou com uma espécie de passe livre para uma casa noturna há duas quadras dali, Scott se animou e apesar de cansado achei uma boa esgotar todas as minhas energias, seria bom para o dia seguinte. O lugar era sofisticado e agitado. Alguns caras conversando em privado, outras mulheres se acabando na pista de dança, um grupo fazendo aniversário e então nosso espaço. Estávamos andando quando algumas garotas sentadas bebiam e chamavam por Scott e eu.

– Sentem aqui. — uma delas falou e eu ri, Isaac teria problemas em frear os desejos de Scott.

– Ele está comigo. — senti uma mão quente e pesada em meu ombro, assim como Scott franzir o cenho.

– Derek. — me virei surpreso e um pouco irritado, o que ele estava fazendo ali?

– Esse é o Derek? — Scott gritou, o som abafava um pouco da reação exagerada e eu grunhi.

– Sim, Derek esse é...

– Olá Scott, vamos sentar ali naquela mesa? — pisquei atônito, como ele sabia o nome de Scott?

– O que você está fazendo aqui? Quem disse que quero sentar com você? — já estávamos acomodados quando isso aconteceu e Derek fez sinal para a garçonete ruiva que alegremente o atendeu, se oferecendo.

– Eu vou dançar, tudo bem? Resolvam-se. — Scott sibilou e me deixou ali, cedi contra o assento e vi a ruiva entregar duas doses de vodca com cranberry.

– Aqui, senhor Hale. — franzi o cenho, como ele sabia o que eu estava bebendo a noite toda?

– Como você me encontrou? — observei seu rosto, a barba mais baixa e as roupas informais caíam tão bem em seu corpo quanto o terno.

– Você não é difícil de encontrar. — ele desconversou.

– Você está... com um ótimo visual. — Derek riu.

– Pelo menos alguma coisa em mim é agradável para você.

– Talvez eu só goste da roupa.

– É isso, você gosta da minha camisa? Ou calça?

– E se for?

– Posso arranjar outras peças iguais e usar todos os dias. — ele sorriu e eu mordisquei meu lábio.

– Isso seria uma pena. — me ouvi dizer e tentei não me envergonhar.

– Pensei que tivesse gostado. — ele lambeu os lábios.

– Eu adorei sua roupa, Hale. — me aproximei um pouco. — Mas eu amo os ternos.

– Vamos ver se você aprova como fazemos nosso drinque por aqui. — ele me beijou.

Eu não deveria ter me entregado tão fácil ao beijo, mas por mais repentino que fosse, Derek sabia beijar e eu queria aquilo tão mal quando poderia ser. Nos afastamos ofegantes e eu senti meus lábios inchados e frios pela bebida, o álcool ainda se agitando no meu estômago.

– Preciso sentir você, Stiles. — ele buscou meu lábio inferior e puxou. — Estou com tanta vontade. — seu nariz correu minha mandíbula, como se estivesse guardando meu cheiro na memória.

– Aqui não. — o cortei e me afastei, ele virou sua bebida de uma só vez e eu fiz o mesmo em seguida. — Espere, como a garçonete sabia o seu nome e como você sabia o nome de Scott e o que eu estava bebendo toda a noite?

– Eu sou dono daqui e você tem pagado tudo com cartão de crédito, o nome de Scott está no contrato de locação do seu apartamento.

– Você sabe onde eu moro? — eu me sentia gelado, o estômago torcido em horror, eu queria fugir dali.

– Stiles, você está bem? — fiz que não e Derek segurou minha mão, eu queria fugir.

– Porra, você está me perseguindo. — soltei o ar com força, meu coração estava correndo em batidas.

– Por favor, Stiles, respire. — Derek sentou sobre a mesa e esquentou minhas mãos nas dele.

– Você é algum tipo de stalker maníaco? — ele arqueou as sobrancelhas, aquelas malditas e expressivas sobrancelhas.

– Sério isso?

– Minha mãe rastreou meu celular, ela manda me vigiarem, mas ela tem um problema e faz terapia. Você também faz? — eu estava divagando.

– Não, mas depois de você talvez eu precise. — ele estava flertando.

– Isso é um comportamento normal seu? Você persegue todos os caras com quem você transa?

– Eu não persigo ninguém, Stiles.

– Por que fez isso? Por que não me perguntou o que queria saber? Por que não me chamou para sair como uma pessoa normal faria, caralho? — ele apertou minhas mãos e arfou.

– É difícil, nós passamos só alguns minutos juntos.

– Claro, você só quer saber como trepar comigo. É isso, você só quer trepar comigo e só vai sossegar quando conseguir? — me afastei um pouco, precisava de ar.

– Meu Deus, Stiles! Pare de gritar. — ele pediu e eu o encarei com cautela. — Por que está me olhando assim? — ele crispou os lábios e eu respirei fundio.

– Preciso de um minuto. — pedi e ele ficou imóvel, como se qualquer movimento quebrasse toda nossa interação.

– Em quê? — ele pediu baixinho. — Vou deixar bem claro, Stiles. Se você falar sobre eu querer trepar com você de novo, não respondo por mim. — quase ri com aquela reação exagerada.

– Talvez eu não esteja dando o devido valor a você. — eu continuei calmo.
– Como assim?

– Você foi grosseiro e invadiu minha privacidade, mas eu acredito que você ganhe muitos sim mesmo antes de perguntar.

– Não estamos falando sobre isso.

– Tudo bem. Você quer o caminho para obter sexo comigo. É esse o motivo de estarmos aqui? Seja honesto comigo. — ele nem hesitou.

– Sim.

– Achou mesmo que me encontrar bêbado, tornaria mais fácil sua tarefa de trepar comigo? — ele sorriu.

– Sempre existe a esperança, mas não acho que pagar uma bebida e te oferecer entradas vips seria o suficiente. — bufei.

– Certo. Então por que todo esse circo? Por que não esperou até segunda?

– Porque não quero que ninguém mais tenha acesso a você. Solto, disponível. Eu não quero ter que lidar com mais ninguém. — levantei uma das minhas sobrancelhas e o encarei.

– Não estou disponível, só vim desestressar.

– Você bebe e dança para desestressar, eu venho atrás de você tentando resolver o que me impede de obter paz.

– Eu sou um problema, é isso?

– Sim. — ele foi sincero, brutalmente honesto.

– O que é uma relacionamento para você?

– Perda de tempo. Sexo é só sexo, Stiles. Eu aprendi a separar minhas amizades disso. Não preciso gastar tempo com peculiaridades sociais quando poderíamos estar transando.

– Você não gosta de companhia de outros caras?

– Não, nem de outras mulheres. Meus relacionamentos não deram certo porque misturaram as coisas. Não precisamos disso.

– Claro.

– Onde vamos com essa conversa?

– Você separa sua vida, amizade, trabalho, tudo do sexo.

– Tenho meus motivos.

– Tenho certeza que sim. Entenda, minha vida profissional está incrível e eu preciso de dedicação para ela crescer, não estou preocupado com relacionamentos e eu não quero perder tempo com um.

– Eu concordo com você.

– Mas eu gosto de sexo, muito. — Derek sorriu.

– O que estamos esperando? — eu ri.

– Preciso de conexão emocional com quem eu transo, não estou dizendo que precisa ser algo grande, mas eu tenho que conhecer o cara com quem vou me envolver, confiar nele. Sexo é mais do que um negócio para mim.

– Por quê?

– Odeio me sentir usado.

– Não dá para você me usar então? — eu ri, por mais idiota que parecesse, sentia que Derek não tinha noção do quanto aquilo era sério e importante, mas ele tentou.

– Não funciona assim. — ele olhou no fundo dos meus olhos, eu me sentia tão exposto assim. — O que eu quero dizer é que preciso que isso funcione como uma troca justa.

– Certo.

– Derek Hale, o controlador concordou com tudo isso?

– Eu não gosto disso, tudo bem? Eu não vou fingir que compreendo, mas é uma questão importante para mim. Só me diga o que preciso fazer. — o ar sumiu dos meus pulmões.

Eu não esperava que Derek aceitasse isso, que ele realmente estivesse interessado em mim ao ponto de tentar. O cara tinha tudo nas mãos, por que gastar seu tempo comigo? Ele encarava o sexo como uma transação comercial e eu tinha o sexo como um ponto sensível da minha vida.

– Precisamos de intimidade. Eu preciso disso. — ele me encarou por um momento e eu desviei o olhar. — Não preciso ser seu amigo ou sequer saber muito sobre você, mas alguma coisa preciso saber e não invadindo sua privacidade, perguntando. Tudo o que eu quero é que além do sexo, passamos algum tempo juntos.

– Não é o que estamos fazendo aqui?

– Sim e é por isso que não acho que o valorizei o suficiente. Você está tentando e isso é bom, mas as vias foram erradas. — ele revirou os olhos. — Não vou encarar isso como um relacionamento, tudo bem?

– Parece bom para mim. — ele sorriu e me beijou.

Eu tinha acabado de decidir, ainda um pouco bêbado, ficar com Derek Hale. O cara mais poderoso de Nova Iorque, um dos caras mais lindos que já tinha visto e que era extremamente controlador, mesmo que de uma forma sensual, sem contar os alertas de perigo. Ele preencheu minha boca com seu sabor e o álcool frio misturado, suas mãos correram meu corpo e eu senti todas as preocupações dissiparem do meu estômago. Era estranho me sentir assim, eu simplesmente me deixei levar.

– Quero mais um desse. — pedi por mais bebida, mesmo sentindo que já tinha tido o suficiente para uma noite.