Manhattan
7 Sete
Notas iniciais
– O que tem nos seus pesadelos? — eu não queria responder àquela pergunta.
– Não lembro, é confuso. — algumas vezes era assim mesmo.
– Tudo bem se você não estiver pronto para falar sobre isso. — Stiles estava com uma camisa minha e nada mais, era engraçado como ele não se importava em ficar andando nu pela casa, mas como ele mesmo argumentava "sentia frio nos braços".
– Você está com sono? — mudei de assunto.
– Na verdade não. — ele caminhou até mim e me montou. — Tenho outra coisa em mente. — ele se inclinou para me beijar.
– Aé? E o que sua cabecinha está armando? — minhas mãos passearam por suas coxas, ele puxou a bainha da própria camisa para baixo e roeu o lábio.
– Eu não sei, algo que envolva você e a minha bunda. — ele moeu contra meu pau e eu o puxei para um beijo.
– Acho que podemos arranjar isso.
Eu fui para a terapia naquela noite, odiava sequer ter que entrar naquele consultório, mas era pela segurança do Stiles. Não existia a possibilidade de eu feri-lo daquela maneira, nunca. Alan Deaton parecia calmo demais e seu tom profissional não escondia como ele analisava meticulosamente seus pacientes, não existia muito julgamento ali, mas ele era claramente um homem cauteloso.
– Você atacou seu namorado. — ele não falou o nome de Stiles e aquele rótulo que antes me incomodaria, me aqueceu.
– Sim. — eu não estava me abrindo muito, não acreditava em terapia.
– Vamos começar a tratar do seu problema, Derek. Parassonia Sexual Atípica não é uma coisa fácil de se lidar e eu não vou mentir dizendo que você seria capaz de parar e não forçar Stiles a qualquer coisa. — meu estômago retorceu com a ideia de violentar alguém.
– Eu faço qualquer coisa. — não era mentira.
*
Scott ainda estava chateado, mas eu precisava resolver aquilo. Faziam três dias e eu não aguentava mais ser ignorado e sabia que aquilo poderia ser ruim para ele também.
– Quem é sua nova amiga? — perguntei comendo minha salada.
– Kira, ela é modelo. — ele deu de ombros.
– E Isaac? — ele me encarou por dois segundos antes de voltar para o seu videogame.
– Ele é ótimo, mas eu gosto de mulheres também e gosto de relacionamentos com uma dinâmica ampla.
– Ele sabe disso? — Scott deu pause.
– Não. O que os olhos não veem o coração não sente.
– Vamos nos ignorar até quando? — soltei frustrado.
– Você está se destruindo e eu não sou obrigado a ver isso. — ele soltou.
– Derek tem um problema e eu simplesmente não vou deixá-lo por causa disso.
– Você não tem obrigação de salvar esse cara, Stiles.
– Você não entende. — Scott me encarou, eu sentei ao seu lado e suspirei.
– Sempre pode me explicar. — ele incentivou, o encarei sentindo a verdade pesar ao meu redor.
– Eu não estou salvando ninguém, Scott. Derek quem me salvou. — soltei e me afundei no sofá.
– Merda. — Scott murmurou e me abraçou.
– Sim. — retribuí. — Senti sua falta, idiota. — ele riu e apertou mais seu corpo contra o meu.
– Tome cuidado, Stiles. — ele advertiu e eu relaxei, as coisas se acertariam.
Derek me encontrou de manhã cedo na entrada da Triskle Enterprise, sorri ao vê-lo mas ele parecia cansado. Me inclinei e o beijei, tinha algum tempo antes do meu expediente começar.
– Pode subir comigo? — ele perguntou baixinho no meu ouvido.
– Claro que sim, garotão. — ele sorriu e me guiou até o elevador.
Não tinha ninguém trabalhando naquele momento, mesmo a recepcionista não tinha chegado. Seu escritório tinha uma mesa pequena de café da manhã e ele tirou seu paletó assim que entrou. Fiz o mesmo e sentei para comermos.
– Como você está? — perguntei sentindo ele tenso demais.
– Bem, um pouco cansado e com um pedido para te fazer. — ele serviu café para nós dois e eu abocanhei um pão de queijo.
– Sou todo ouvidos. — respondi preocupado.
– Tenho um evento no final de semana, queria que viesse comigo.
– Podemos fazer sexo na limousine? — brinquei vendo ele relaxar um pouco.
– Que sorte a minha, meu namorado tem um fetiche por veículos em movimento. — ele estava sendo sarcástico.
– Por transar em público também. — esfreguei minha mão em seu joelho e ele riu.
– Você é terrível, uma caixinha de surpresas, Sti. — continuamos a comer em silêncio, Derek parecia tão bonito e cansado. — Você não me perguntou sobre a sessão com Deaton. — ele entrelaçou seus dedos nos meus e desviou o olhar.
– Não é da minha conta. Você sempre pode falar comigo, sobre o que quiser. Me contar o que falaram e o que está te incomodando, mas não é meu papel perguntar. É particular. — dei de ombros.
– Ele me deu clonazepam. Eu tenho parassonia sexual atípica. É um disturbio do sono e apesar de ter outros tratamentos, esse remédio vai me deixar dormir bem. — apertei sua mão e sorri. — Não existem garantias de que eu não posso te atacar dormindo. — ele titubeou. — Existem casos absurdos, um marido estuprou sua esposa por treze anos dormindo, um casal só conseguia fazer sexo assim e tantos outros que... se eu... — ele engatou a respiração, apertei sua mão e ele me encarou.
– Estou orgulhoso de você. — ele assentiu tentando se acalmar.
– Obrigado. — ele se inclinou para me beijar.
Lydia não foi trabalhar naquele dia e isso me deixou preocupado. Erica que trabalhava nas Relações Públicas da empresa me explicou que ela ligara avisando que estava doente e que um substituto deveria estar chegando no dia seguinte. Tentei ligar para Lydia, mas ela não atendeu. Comecei meu dia de trabalho me sentindo preocupado. Derek estava se tratando, isso era bom. Mesmo assim eu ainda sentia que ele escondia alguma coisa e que era sério, pesado.
Jackson e eu trabalhamos mais do que gostaríamos naquela noite. Acabei saindo mais de dez horas do escritório e Angus estava do lado de fora me esperando. Arqueei as sobrancelhas e o encarei, por que Derek faria o pobre do Angus trabalhar até tarde por minha causa? Eu poderia pegar um táxi.
– Senhor Hale pediu para levá-lo até sua casa. — ele abriu a porta do passageiro.
– Tudo bem. — entrei cansado, não via a hora de tomar um banho e dormir. — Angus, você trabalha há muito tempo com Derek? — perguntei vendo a a cidade correr pela janela, as luzes sempre acesas, a cidade sempre em movimento.
– Desde que ele era um garoto, senhor Stilinski.
– Me chame de Stiles, por favor. — ele assentiu. — Derek deveria ser uma graça quando criança.
– Sim, ele era esperto e tímido. — não conseguia pensar em Derek corando por qualquer coisa. — Foi uma infância difícil. — Angus ponderou.
– Eu imagino. Essa coisa do suicídio do pai dele, isso mexeu mesmo com ele. — me encolhi ao lembrar de como deveria ser difícil para Derek.
– Derek sofre por isso também. — franzi o cenho, algo me dizia que Angus sabia mais do que estava me dizendo.
– Quantos anos você está trabalhando com ele? — perguntei.
– Desde que ele era um garoto, mas quando ele cresceu me tirou do senhor Peter, desde então estou aqui. — suspirei quando ele estacionou o carro na frente do prédio. — Fazem oito anos. — peguei minha pasta e o vi saltar, logo ele abriu a porta e eu saí.
– Obrigado, Angus. Tenha uma boa noite. — ofereci cortês.
– Obrigado, Stiles. Boa noite também. — ele esperou eu entrar no prédio para ele mesmo partir.
A casa estava silenciosa e escura, deixei minha pasta ao lado da porta junto com os sapatos, pendurei meu paletó na cadeira e caminhei até o quarto, a gravata frouxa e os botões sendo desfeitos no caminho. Derek dormia nu na cama, estava de bruços e parecia confortável em seu sono. Gostei de vê-lo tranquilo e me perguntei quanto tempo ele esperou por mim. Tomei um banho rápido e comi um sanduíche, estava cansado mas ainda com alguma adrenalina para gastar.
Eu devo ter cochilado no sofá, pois acordei com os gritos desesperados de Derek. Corri para o quarto e o encontrei gritando de dor, seu corpo coberto de suor e seu pau inchado e latejando contra a palma da sua mão, ele se masturbava violentamente e chorava. Dessa vez não tinham lamentos, pedidos para parar, ele apenas estava sofrendo. Meu coração estava sangrando por ele, eu queria poder mudar o que quer que tenha feito Derek sofrer tanto assim.
– Derek. — o chamei e ele continuou a chorar, seu peito subia e descia em soluços violentos. — Derek! — eu não me aproximei, tinha me informado o suficiente para saber que isso poderia me machucar. — Derek! — gritei e ele se agitou, acordando assustado.
– Merda. — ele murmurou baixinho, esfregando o rosto e tentando se cobrir.
– Eu posso me aproximar? — perguntei sem saber se ele realmente estava consciente.
– Melhor não. — ele levantou e foi para o banheiro.
– Vai vomitar? — eu o segui.
– Não. — ele ligou a água e esperou esquentar.
– Você está bem? — era estúpido, mas eu não tinha ideia do que fazer.
– Não. — ele entrou na água e se deixou lavar pelo maior tempo que conseguisse.
– Sobre o que era o sonho? — entrei com ele, mesmo que tivesse tomado banho há menos de três horas.
– Não lembro. — ele retraiu ao meu toque momentaneamente e eu suspirei.
– Derek, isso não é totalmente verdade. — ele me encarou ferido e eu peguei uma esponja.
– Eu não lembro. — ele sibilou irritado.
– Um dia, — joguei um pouco de sabonete líquido em seus ombros. — você vai se abrir. — sua respiração encurtou com meu toque. — Eu não quero pressioná-lo. — alisei todo o contorno de sua tatuagem com carinho. — Não precisa se esconder. — cheguei a base da sua coluna e percebi que ele estava chorando. — Shh... — o abracei e ele encostou a testa no azulejo. — Vai ficar tudo bem, — ele soluçou e eu o apertei mais em meus braços. — estou aqui. Já passou. — ele se acalmou lentamente.
Eu terminei de tirar cada rastro de suor e lágrimas de Derek, ele parecia exausto quando deitou vestindo a calça de um de seus pijamas. Ele parecia igualmente envergonhado e triste. Eu queria poder fazr qualquer coisa, mas sabia que não podia. Não sem ele querer minha ajuda.
– Você vai embora? — seu tom magoado me empertigou.
– Eu deveria ir? — alisei sua testa e senti sua pele fria.
– Eu prefiro que não, mas você pode. Se quiser. — sorri e subi na cama, entrando debaixo das cobertas e o abraçando pelas costas.
– Nesse caso, vou ficar. — ele assentiu e ficou um longo tempo em silêncio, olhando para a fresta da cortina.
– Você não fica com medo? — sua voz saiu baixinha, frágil.
– Do quê? — perguntei acariciando seus cabelos escuros na base da nuca.
– De mim, do que você sabe que eu sou capaz de fazer. — ele estremeceu.
– Não. — ele se virou e me encarou. — Nunca. — eu fui o mais honesto que pude. — Tente dormir. — falei depois que ele não teve nenhuma reação. — Precisamos descansar. — ele soltou o ar com força.
– Preciso ir para o quarto de hóspedes. — ele tentou levantar e eu o abracei.
– Fique, você já tomou seu remédio e logo vai estar em um sono pesado e tranquilo. — ele hesitou.
– Não posso te perder, Stiles. Você... olha, se eu te machucar, se isso acontecer e você não puder me perdoar... — calei sua boca com a minha.
– Não existe isso. Eu não vou a lugar nenhum. — beijei sua boca até que ele se acalmasse.
*
Stiles tinha partido quando eu acordei, o desespero tomou conta de mim por um tempo antes de eu encontrar o bilhete falando sobre sua reunião. eu tinha dormido demais e me sentia sufocado com as lembranças da noite anterior. Eu nunca entenderia como Stiles continuava comigo depois de tudo o que eu fiz ele passar, depois de me ver daquele jeito.
– Bom dia, garotão. — sua voz parecia animada no telefone.
– Que número é esse? — perguntei ainda na cama, esparramado e cansado.
– Meu novo telefone, um que ninguém possa rastrear. — bocejei.
– Clonado? — ele riu.
– Eu não divido meus segredos com ninguém, ok? — dei risada.
– Sua reunião acabou? — ele estalou a língua.
– Há duas horas e eu tenho uma tarde inteira de folga pelas horas extras de ontem.
– O que vai fazer?
– Estou caminhando até o galpão onde você treina MMA. — sentei na cama.
– O que vai fazer ai?
– Pensei em treinarmos juntos. Eu meio que pensei em ver você suar a camisa um pouco, mas isso seria bem impróprio. — ele riu cínico.
– Eu não vou lutar com você.
– Não precisa, se eu assistir e durar mais que dez minutos sem vir em minhas calças já é muito. — gargalhei.
– Chego em vinte. — murmurei controlando minha respiração.
– Ótimo.
Comi qualquer porcaria antes de ir para o treino, isso era completamente errado mas Stiles tinha conseguido me deixar tão excitado quanto ele. O galpão não ficava longe, dava para ir andando se eu quisesse, mas eu não podia. Angus me deixou lá e Stiles estava absolutamente incrível em seus shorts pugilista e as mãos enfaixadas treinando alguns socos com Ennis.
– Hey, Derek! Seu garoto é bom. — ele elogiou e Stiles revirou os olhos.
– Anda garotão, quero ver Ennis apanhar. — ele piscou e meu treinador o levou para o chão.
– Ennis, pega leve com ele. Vou cobrar por qualquer dano. — adverti e comecei a tirar minha calça de moletom e a enrolar meus punhos.
– Ele não é mais tão bom assim. — Ennis brincou e Stiles conseguiu se esquivar de um golpe, mudando de posição e ficando por cima.
– Acho que você não tem noção do quão bom eu posso ser. — Stiles colocou seu entebraço no pescoço de Ennis e o manteve lá até que o lutador tocasse o octógono pedindo uma trégua.
Stiles levantou e pulou no octógono. Ele parecia muito divertido e animado com aquilo. Sorri e entrei o vendo agradecer Ennis e então se virar para mim com um sorriso nada inocente.
– Sua vez, garotão. — ele piscou e se posicionar.
– Não vou lutar com você. — eu ainda tentei manter o tom divertido, mas eu não queria machucá-lo.
– Qual é! — ele bufou ainda divertido. — Não vou quebrar e você sempre pode lamber minhas feridas ou que quer que você queira. — Ennis parecia divertido com aquilo.
– Stiles. — adverti.
– Por favor? — arqueei as sobrancelhas e olhei para o meu treinador que deu de ombros.
– Não. — respondi e ele fechou a cara, para meio minuto depois sorrir malicioso e se aproximar.
– E se eu te der alguma coisa em troca? — arqueei uma sobrancelha confuso. — Algo que me envolva nu. — Stiles não tinha a menor vergonha de estar se insinuando na frente de Ennis.
– Você está me provocando? — olhei na direção de Ennis que parecia entretido com seu celular, tentando disfarçar sua própria existência.
– Se isso significa que vamos lutar, sim. — ele deu de ombros.
– O que eu quiser? — apertei os olhos e o ouvi estalar a língua.
– Sim, qualquer coisa. — ele mordiscou o lábio inferior.
– Depois não diz que a culpa é minha. — me posicionei.
– Vamos lá, garotão. Acabe comigo. — Ennis deu sinal para começarmos.
Eu pensei em deixar Stiles ganhar, mas ele era resistente e lutava com gana. Ele queria me vencer e eu pensei que dificultar um pouco as coisas seria bom. Terminamos exaustos e Ennis nos deixou depois da primeira meia hora. Stiles e eu estávamos encharcados de suor quando o empurrei contra o chão e o beijei.
– Isso parece interessante, mas estou imundo. — Stiles reclamou, mesmo que seu corpo arrepiasse e estremecesse a cada toque meu.
– Você disse que gostava quando eu chegava da academia assim. — rebati mordendo seu pescoço.
– Eu amo, é sexy e pegajoso. Algo em ter muita testosterona envolvida me deixa de pau duro. — sorri e mordisquei seu lábio.
– Não pense que isso é diferente para mim. — investi contra o seu quadril, mostrando o quanto ele me deixava louco.
– Isso é seguro? — ele riu, eu estava tentando tirar seu short.
– Isso pertence a mim, ninguém entra sem minha permissão. — ele rolou ficando por cima, com tudo o que tinha acontecido a ele, aprendi a nunca prendê-lo sob meu corpo.
– Então nós podemos transar no seu octógono, sujos e suados, como animais? — ele se inclinou e beliscou um dos meus mamilos.
– Podemos fazer qualquer coisa. — mordi o lábio infelior ao senti-lo moer contra minha ereção.
– Você é meu. — Stiles gemeu contra meu ouvido e eu estremeci. — Tão meu. — ele murmurou antes de se livrar de seu short e o meu.
Era desesperador o ritmo com o qual ele se esfregava e mantinha nossos paus juntos. Eu estava gemendo e tentando não fazer contusões em suas coxas. Ele gemia e jogava a cabeça para trás antes de se inclinar e me beijar até perder o fôlego. Não demorou muito para ele gozar e me dar mais alguns puxões para que eu pudesse vir também.
– Você me deixa sem fôlego. — Stiles deitou ao meu lado.
– Você me faz quebrar todas as minhas regras. — o encarei de rabo de olho.
– Elas estão ai para serem quebradas. — ele riu.
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