Manhattan
8 Oito
Notas iniciais
– O que estamos fazendo aqui? — Stiles perguntou quando entramos no restaurante de Erica.
– Você disse que queria conhecer meus amigos. — peguei sua mão e o guiei para uma mesa de fundo.
– Marcou um jantar com seus amigos e não me avisou? — ele me encarou indignado, eu ri.
– Scott também foi convidado, na verdade, ideia totalmente dele de esconder isso de você. — me defendi e sentamos.
– Odeio vocês. — ele sibilou e eu me inclinei em sua direção.
– Tem certeza que me odeia? — murmurei em seu ouvido e ele estremeceu.
– Cuidado senhor Hale, você pode ficar sem ter com o que brincar essa noite. — Stiles rebateu e eu apertei os olhos.
– Você quer mesmo brincar assim? — arqueei uma das sobrancelhas e ele sorriu.
– Eu sou bom com jogos. — ele se virou e encarou um de meus amigos se aproximando, nos levantamos.
– Stiles, esse é Vernon Boyd. — eles apertaram as mãos. — Ele é um dos meus melhores amigos, sem contar com o belo trabalho que faz como meu advogado. — Boyd riu e sentou.
– Hoje você está galante, Hale. Não acredite nele, — Vernon se curvou em direção ao meu namorado. — ele é um belo de um pau quando temos algum problema. — revirei os olhos e vi Stiles rindo.
– Verá quem é um pau quando sua carta de demissão chegar na segunda.
– Viu! Eu disse. — eles voltaram a gargalhar.
– Fico muito feliz de poder conhecer alguns amigos do Derek. — Stiles bebericou seu vinho quando Erica se aproximou.
*
Derek armou aquele encontro e eu me senti extremamente ansioso e desconfortável no início, mas Boyd era muito simpático mesmo que não muito falante e Erica era um doce. Quando ela sentou ao lado de Boyd entendi toda a admiração de Derek por ela.
– Teve uma vez, que Derek simplesmente me ligou de madrugada porque Erica estava bêbada em um cassino em Las Vegas e querendo tirar a roupa. Eu cheguei com ela prestes a se livrar da calcinha. — Erica riu e Derek parecia divertido.
– Você não tem noção do trabalho que deu colocá-la na cama, eu pensei que seríamos presos.
– Um bando de exagerados. — Erica deu de ombros, todos nós estávamos nos divertindo.
– Derek, Erica, Boyd... Stiles? — Isaac estava ali, plantado como um post com um blazer bonito que parecia perfeito em seu corpo.
– Isaac. — levantei e o abracei.
– Vocês se conhecem? — o tom de Derek não era amigável, ele estava com ciúmes.
– Ele e Scott estão tendo alguma coisa. — expliquei sem querer constranger Isaac.
– E falando no Scott... — Derek apontou para o meu melhor amigo acompanhado de Kira.
– Merda. — voltei ao meu lugar e virei toda a minha bebida.
– O que foi? — Derek murmurou vendo Isaac e Erica se provocarem.
– Kira está dormindo com meu melhor amigo, Scott nunca contou ao Isaac. — apertei a mão de Derek.
– Respire fundo. — ele pediu e Scott nos cumprimentou e apresentou Kira como uma amiga.
O jantar estava maravilhoso e Erica sabia como comandar um restaurante. Era magnífico de muitas maneiras e as sobremesas superaram até minhas expectativas por doces. Todos decidimos ir para o apartamento de Isaac beber um pouco mais, mesmo que Derek não achasse uma boa ideia pelo trabalho no dia seguinte. Eu ri todo o caminho sobre efeito de álcool e senti meu corpo aquecido pela sensação de pertencimento. Derek e Scott estavam se dando bem mesmo depois de tudo e mesmo que aquele acordo silencioso envolvesse meu namorado não dormir na minha cama mesmo sobre efeito de remédios, eu estava muito feliz com isso.
– Você parece pensativo. — Erica me empurrou com seu ombro.
– Derek parece relaxado, feliz. Ele não fica assim todo o tempo. — comentei bebendo um pouco de água.
– Ele é um homem e tanto. — tinha admiração na sua voz.
– Sim, ele é. — olhei uma parte de Manhattan pelas janelas e suspirei.
– Escute, — ela me fez encará-la. — Derek está apaixonado. Eu nunca vi meu amigo assim, tão radiante e feliz. Se existe qualquer insegurança dentro de você, expulse-a. Ele é seu e te olha como se pudesse arrancar sua roupa em qualquer lugar e mostrar a todos como ele adora você. — sorri envergonhado e fascinado, aquele olhar era tudo o que eu mais amava ver de manhã ou quando estávamos na cama.
– Obrigado. — Derek e Boyd pareciam entretidos com alguma conversa sobre basebol quando os interrompi.
Derek abraçou minha cintura e falou sobre jogadas que meu nível alcoólico não permitia mais acompanhar e Isaac parecia feliz com Scott, agora que Kira tinha deixado para descansar. Erica estava sentada no colo de Boyd e eles faziam uma dupla e tanto, quase explosiva, quase equilibrada. Eu já admirava os amigos de Derek, eu já os queria para mim. Eles eram incríveis.
– O que foi? — Derek perguntou quando Boyd foi ao banheiro e Erica começou a perturbar Scott e Isaac no videogame.
– Acho que podemos ir. — beijei sua testa e ele esfregou sua barba na minha mandíbula.
– Estou te chateando com o basebol? — ele murmurou e eu suspirei.
– Não, eu só me sinto um pouco tonto e bêbado. — eu ri baixinho e Derek sorriu.
– Tudo bem, vamos nos despedir. — ele ainda sorria quando entramos na limousine e eu me sentia nas nuvens com o balanço suave do automóvel. — Se sente bem? — ele perguntou me oferecendo água.
– Sim, só um pouco tonto. — seus dedos entrelaçaram nos meus. — Seus amigos são muito legais. — murmurei vendo a cidade passar rápido demais pelo vidro.
– Eles pensam o mesmo de você. — os lábios de Derek estavam no meu ombro.
– Vou acordar com uma maldita ressaca amanhã. — ele riu.
– Eu tenho uma coisinha para isso, esqueceu? — assenti e me aconcheguei em seus braços.
– Me acorde quando chegarmos. — ele não fez.
Acordei sentindo minha barriga retorcer e aquecer em excitação, sentia o calor molhado em volta do meu pau e podia ouvir meu próprio som ao gemer baixinho e me contorcer na cama. Abri os olhos lentamente, tentando afastar a névoa de confusão e para ver Derek entre as minhas pernas com meu pau enterrado em sua garganta. Era uma das melhores visões que eu poderia ter pela manhã, o sorriso nos meus lábios foi involuntário, assim como o gemido ao sentir seus dedos massageando minhas bolas.
– Desculpe por isso, você estava tão irresistível, pronto para mim. — engasguei mais um gemido ao sentir sua língua contornar meu períneo.
– Porra, nunca se desculpe, não por isso. — murmurei ofegante, meus dedos fincados nos lençóis, o sono dando lugar ao tesão absurdo que Derek me causava. — Derek! — gritei ao sentir sua língua correr por meu ânus. — Porra... — arfei sem nenhuma condição de me controlar e senti suas mãos afastarem mais ainda minhas pernas, me deixando completamente aberto e exposto para ele.
– Tão bonito. — a ponta da sua língua me provocou, eu tinha certeza de que estava choramingando por libertação. — Você é tão bom nisso. — sua barba começou a deixar rastros de queimadura pela minha bunda, eu não me importava.
– Estou tão perto. — murmurei com os olhos apertados, sem conseguir me controlar.
– Eu quero você tão mal. — ele voltou a lamber minha entrada, arranhar com sua barba até que eu estivesse feito. — Tão lindo. — ele voltou a me chupar. — Vamos lá, deixe-me sentir seu gosto. — ele contornou a glande com a língua, sugando, me fazendo liberar os últimos respingos que tinham dentro de mim.
– Você ainda vai me matar. — fiz beicinho quando ele descansou o rosto na minha coxa.
– Espero que valha a pena morrer assim, não tenho a menor intenção de parar. — acariciei seus cabelos escuros e sorri.
– Venha cá. — o chamei e ele deitou ao meu lado. — Eu quero montar você. — murmurei quando ele se acomodou ao meu lado.
– Isso parece bom, mas você vai chegar atrasado no trabalho. — ele sorriu e eu me inclinei para beijá-lo.
– Jackson não chega até as nove, hoje. — estiquei a mão até o lubrificante na cabeceira. — Sei o quanto você gosta de assistir. — eu estava de joelhos em seu colo.
– Eu tenho uma reunião em quarenta e cinco minutos. — ele parecia preocupado em quebrar o clima.
– Então precisamos ser rápidos. — pisquei e molhei dois dedos.
Jackson estava de bom humor naquela manhã e eu me sentia deliciosamente relaxado. Derek tinha uma reunião e depois outra, então mais seis seguintes até poder ceder cinco minutos do seu tempo a si mesmo, o que me daria um almoço livre para Lydia ou meu chefe. Como minha colega de trabalho não tinha vindo ainda, apostei em chamar Jackson e nem precisei. Ele tinha algo marcado com Danny e sua cunhada, o que me incluía de algum jeito.
– A conta de Pleasure está pronta. O pré-teste chegou, acho melhor começar a pensar no lançamento. — comentei enquanto fechávamos arquivos da nova conta de televisões.
– Isso pode funcionar, marque uma reunião com Derek. Peça urgência e diga que precisamos de aprovação. — assenti e comecei a anotar novas coisas para a conta de um perfume alemão.
– Essa fragrância é horrível. — comentei enquanto montávamos uma estratégia. — Muito mau gosto na embalagem, cores... meu Deus! — bufei horrorizado. — Nada presta nesse projeto. — amassei os papeis e Jackson riu.
– Ainda bem que te contratei, Stilinski. Seu perfeccionismo me faz ganhar dinheiro. — revirei os olhos.
– Que bom que estou ajudando. — apertei os cantos dos meus olhos e bufei. — Preciso de um café.
– Eu pego, depois de fecharmos a patente, vamos encontrar Danny, ele odeia atrasos. — concordei e me foquei no projeto.
Danny e Meredith estavam gastando boa parte daquele almoço discutindo sobre coisas aleatórias, quando chegamos, Jackson começou a falar de trabalho e minha cabeça começou a latejar. Meredith era uma garota incrível e Danny parecia ter bons genes na família. Ambos divertidíssimos, enquanto Jackson mantinha o mau humor ao falar sobre o último natal ou a visita da sogra. Eu só podia rir.
– Então, Stiles. — encarei Meredith enquanto bebia meu chá gelado. — Gosta de rock alternativo? — arqueei as sobrancelhas.
– Eu escuto de tudo. — murmurei colocando uma batata na boca.
– Eu tenho diversas músicas maravilhosas no meu celular, depois eu posso te passar algumas.
– Claro! Derek também conhece um monte de bandas alternativas, você sabe, com a Hale Records. — ela parecia animada.
– Falando no Derek, como vocês estão? — Danny perguntou e recebeu um chute na canela de Jackson. — Ai! Estúpido. — ele fez beicinho.
– Estamos bem, muito melhores agora. — foi inevitável não lembrar da minha manhã.
– Do jeito que Derek é quente, imagino o quão bem isso deve ser. — Danny murmurou e recebeu outro chute. — Porra! — gargalhei.
– Não estamos falando da minha vida sexual. — tinha certeza que minhas bochechas pegavam fogo.
*
Eram quase seis quando consegui sair do escritório, tinha avisado Deaton que me atrasaria um pouco e me sentia enjoado por precisar encontrá-lo antes de ver Stiles. Meu dia tinha sido estressante e eu nem consegui dizer "oi" para o meu namorado e agora estava aqui, sentado em uma poltrona de couro caro, olhando para o terapeuta que acha que pode me ajudar e me sentindo exausto, irritado e perdido.
– Tudo bem, Derek? — Deaton perguntou servindo um pouco de água.
– Sim, quer dizer, não muito. — admiti, algo no olhar daquele homem me impedia de guardar tudo para mim.
– Fale sobre o que está te incomodando. — ele sentou e me observou. Algo no fato dele não anotar o que eu digo, me confortava, tirava o estigma de psicólogo charlatão.
– Meu dia começou maravilhoso, eu tinha Stiles na minha cama, passei a noite com alguns amigos, nós realmente nos divertimos.
– Mas? — suspirei.
– Eu não consegui dormir. Estar ao lado de Stiles, tê-lo tão perto me faz temer o que o sono pode fazer com a gente. — desviei o olhar.
– Você tem tomado seu remédio todas as noites? — era uma pergunta simples.
– Sim, ontem eu tomei também.
– E mesmo assim teve insônia. — não era uma pergunta.
– Tive.
– Talvez você devesse não dividir mais a cama com Stiles. Isso pode prejudicar seu sono e torná-lo agressivo em seu dia a dia, privação de sono nunca será uma boa coisa. — assenti.
– Essa coisa, eu não sei como lidar com ela. — bufei frustrado.
– Eu não posso te ajudar sem saber a causa, concordei em medicá-lo e com as informações que tenho, isso é tudo o que posso fazer. — assenti, sabia que era assim, sabia que se eu não quisesse falar sobre isso, precisaria conviver com aqueles pesadelos.
– Obrigado, Allan. — eu sentia que mesmo não acreditando em terapia, Deaton não era ruim.
– Vamos falar sobre o seu trabalho, então. — era bom mudar de assunto.
Stiles estava no telefone com Claudia quando entrei em seu apartamento. Scott parecia esperar por algo na cozinha, enquanto meu namorado discutia com a mãe no telefone. Falei com ambos antes de ir para o quarto e então para o banheiro, precisava de um banho, comida e cama. Talvez, eu precisasse dormir no sofá ou ir para minha casa, mas agora eu só queria um banho e talvez gastar um pouco de tempo com Stiles.
– Hey, garotão. — Stiles pegou um roupão e me fez vestir ao me ver sair do boxe. — Está tudo bem? Você parece cansado. — sentei na beirada da banheira e ele pegou uma toalha para enxugar meu cabelo.
– Estou exausto. — admiti contornando seus quadris em um abraço.
– Temos peixe. — ele murmurou carinhoso, me deixando cada vez mais sonolento ao mexer na minha cabeça.
– Não sei se consigo comer, mesmo com fome. — ele sorriu e se inclinou para me beijar.
– Vamos lá, vestir uma daquelas calças confortáveis e comer um pouco, depois podemos ir para a cama. — engoli em seco, precisava contar a Stiles que dormir com ele me deixava estressado, com medo.
– Precisamos conversar. — murmurei enquanto ele me ajudava a vestir.
– O que houve? — ele ficou tenso, soltei o ar com força e tentei me manter alerta o suficiente.
– O clonazepam não está me fazendo dormir tão pesado quanto eu deveria. Eu conversei com Deaton e ele me aconselhou a dormir em outro lugar. Não na mesma cama ou no mesmo quarto, apenas em outro lugar. — Stiles franziu o cenho e então engoliu em seco, eu podia ver a decepção tomando o brilho dos seus olhos aos poucos e então aquele sorriso bobo de sempre em seus lábios.
– Isso é para o seu bem, certo? Você precisa descansar e é extremamente compreensível. Queremos ficar seguros. — ele se inclinou e me beijou. — Estou com você para qualquer coisa, garotão. — sorri, mesmo que me sentisse triste por perder o calor dele todas as noites.
– Sinto muito. — murmurei enquanto caminhávamos para a cozinha.
– Não tem motivo. Está tudo bem, na verdade. Eu amo dormir com você, mas eu preciso saber que você está bem. Se isso o faz melhor, tudo bem. — sorri, podia ver todo o cuidado de Stiles por mim nesses momentos.
Comemos, assistimos televisão, ele me fez tomar meu remédio e então me aconchegou no sofá, até que eu adormecesse. Eu dormir muito mais pesado do que imaginava e só me dei conta de que era outro dia, quando ouvi a campainha tocar desesperadamente. Levantei ainda grogue de sono e pelo remédio e olhei quem era, Claudia.
– Quem é? — Stiles veio de cueca e camisa até a sala e eu estava apenas com uma calça de pijama.
– Sua mãe. — sibilei e Stiles revirou os olhos. Abri a porta e ela entrou em disparada, até travar ao me ver ali.
– Uau! — ela arfou e Stiles limpou a garganta.
– Mãe, são seis da manhã. O que aconteceu? — eu queria voltar a dormir, não participar de uma reunião de família.
– Atacaram uma das empresas de Bobby. Estou tão nervosa. — ela tremia e eu só pensava em como me livrar dela.
– Derek, você pode ir deitar se quiser. — Stiles ofereceu.
– Não, tudo bem. Vou só lavar o rosto. — ele assentiu e Claudia sentou no sofá começando a se desmanchar em desespero.
Bobby veio buscá-la antes do almoço, eu tinha ajudado a resolver seu problema e eles insistiram para sairmos para comer, eu ainda precisava dormir e não tinha humor nenhum para sair, Stiles felizmente os dispensou. Eu estava na cama de Stiles, cochilando quando senti o desespero tomar minha garganta e um par de mão me agarrando, acordei desesperado e percebi que estava começando um pesadelo.
– Você estava tendo um pesadelo? — Stiles apertou minha nuca com carinho.
– Começando. — me inclinei ao toque, eu precisava tanto dele. — Estou cansado e tem aquele evento hoje. Acho que vou para casa. — murmurei chateado.
– Eu vou correr, talvez você deva só dormir um pouco. Scott está trabalhando, é seguro. — assenti.
– Desculpe. — Stiles me puxou para a cama e me abraçou.
– Pare de se desculpar, minha mãe foi a única a interromper nosso sono com seus problemas. — ele beijou minha bochecha e eu relaxei em seus braços.
– Você pode ficar até eu pegar no sono? Ontem foi bom assim. — ele sorriu e alisou minha testa.
– Tudo o que você precisar, garotão. — não levou muito tempo até eu dormir.
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