Manhattan
9 Nove
Sair para correr me fez muito bem, exceto pelos paparazzis insuportável clicando seus flashes mesmo de longe. Derek era uma figura pública e mesmo que eu sempre tenha buscado me esconder da mídia, minha mãe estava sempre nas revistas por causa de Bobby, eu precisava me acostumar. Treinar um pouco de Krav Magá foi uma boa ideia para desestressar, mas ruim para as minhas energias que chegaram quase no fim em casa.
Derek dormia ainda, não tranquilo. Ele estava em meio a um pesadelo, mas diferente dos outros, ele estava chorando agarrado ao meu travesseiro, encolhido como uma criança e murmurando o nome de Aaron Hale, seu pai. Senti meu coração doer e a garganta apertar ao vê-lo daquele jeito, me aproximei com cuidado e o acordei, murmurar seu nome ajudava, mas ele não voltou imediatamente, levou um tempo para ele piscar os olhos abertos e prestar atenção em mim, o embalando em meus braços.
– Eu sonhei com meu pai. — ele soluçou, seu rosto contra meu estômago, o corpo trêmulo.
– Está tudo bem agora. — alisei seus cabelos.
– Eu sempre lembro dele sorrindo. — ele murmurou fungando.
– Isso é bom. — sequei suas lágrimas e ele me apertou mais em seus braços.
– Ele nunca foi ruim para mim, sempre foi feliz estar ao seu lado. — eu queria fazer alguma coisa, mas Aaron tinha se matado, eu não podia mudar isso.
– Sinto muito. — continuei a aninhá-lo até que cochilasse em meio as lágrimas de novo.
Angus trouxe o smoking de Derek e quando ele acordou, eu já estava praticamente pronto. Ele parecia confuso e sonolento, esparramado na cama, sua calça perdida no pé da cama, o lençol emaranhado nas pernas. Era lindo de observar cada fio de cabelo fora do lugar, enquanto seus olhos verdes amendoados me encaravam perdidos.
– Você dormiu bastante. — comentei ajeitando minha camisa beterraba.
– O que você tem contra smooking preto e simples? — ele murmurou se desfazendo dos lençóis e revelando uma ereção.
– Não gostou? — fiz beicinho enquanto ele caminhava para o banheiro.
– Você sabe que sim. Mas um terno cinza xadrez chama bastante atenção. — ele lavou o rosto e escovou os dentes.
– Pensei que eu fosse seu novo acessório, senhor Hale. — minha voz estava baixa e sexy. — Achei que minha função fosse ser bonito ao seu lado. — murmurei em seu ouvido e o vi me encarar pelo espelho, os olhos quentes e intensos.
– Vou fodê-lo contra a pia se não parar de me provocar. — sorri e soltei o ar contra sua nuca.
– O que te faz pensar que eu quero isso? — minha mão correu sua coluna até a base.
– É uma das funções para o cargo de meu acessório. — ele piscou e lambeu os lábios com desejo.
– Nesse caso, eu ficaria extremamente feliz em atendê-lo, mas esse terno foi caro, garotão. — corri minha mão pela sua bunda, ele estremeceu e me encarou surpreso.
– O que está fazendo? — ele murmurou trêmulo, como se aquilo fosse estímulo demais.
– Tocando você, garotão. — depositei um beijo em sua nuca e corri meus lábios por seu dorso, até estar de joelhos, o rosto próximo a carne macia e redonda que escondia sua fenda. — Isso é ruim? — murmurei provocativo e ele estremeceu. — Gosta quando minha boca corre sua pele? — meus lábios estavam brincando com sua bunda, o contato doce contra os pelos macios e ralos. — Você gosta disso? — insisti e apertei suas coxas, o fazendo me dar acesso ao seu buraco, ele soluçou e eu me afastei.
Eu estava sentado no chão, o impacto do meu corpo contra o tapete e o susto de ouvir Derek chorar ainda me deixava bastante aéreo. Levei um minuto inteiro para levantar e ver que seu rosto baixo estava coberto por lágrimas grossas, enquanto seu corpo todo tremia em soluços e nervosismo. Puxei o ar com força, sem a menor ideia do que estava acontecendo e em dúvida se tocá-lo seria uma boa ideia.
– Derek. — o chamei e ele se encolheu, os dedos apertados contra a pia. — Garotão, por favor, olhe para mim. — pedi novamente mais perto.
– Não. — ele se afastou quando tentei tocá-lo. — Só... não. — ele murmurou entre lágrimas.
– Tudo bem, eu não vou tocá-lo ou machucá-lo. Pelo amor, eu nunca faria nada contra você. — meu peito doía de tão rápido que as batidas do coração estavam. — Me diga o que eu fiz de errado e eu prometo que nunca mais vou repetir. — supliquei.
– Você precisa sair. — seu tom era duro, ele ainda não estava olhando para mim ou para o espelho.
– Derek. — adverti.
– Por favor, me deixe sozinho. — ele amoleceu um pouco.
– Não antes de saber que você está bem. — insisti.
– Eu não posso lidar com isso agora. — ele se virou para mim e seus olhos pareciam profundamente tristes, feridos. — Não gosto disso, ok? Não faço troca de papeis, não gosto que me toquem. É esse o problema. — ele explodiu irritado. — Pode sair agora? — engoli em seco.
– Quem fez isso com você? — meu tom saiu baixinho, ele olhou nos meus olhos e entendeu.
– Stiles, não. — ele murmurou abalado.
– Tudo bem. — saí, ele precisava de um tempo.
O caminho para o evento foi silencioso e tenso. Eu não queria pressionar Derek e poderia apostar que ele estava transbordando em mau humor. Ele saltou do carro assim que chegamos e colocou sua mão na base da minha coluna, me guiando aos fitógrafos e vestindo sua máscara de figurão bilionário. Engoli em seco e sorri, fiz o máximo para parecer estar bem, para não arrastá-lo para longe e gritar para que ele conversasse comigo ou sequer permitisse que eu me desculpasse corretamente. Eu entendia o lado de Derek, eu desconfiava do que o fazia ter ódio, guardar toda aquela fúria que refletia em seus pesadelos, mas eu queria ajudar e não poderia sendo afastado, jogado para escanteio.
– Querido! — uma mulher morena e sorridente abraçou Derek com bastante entusiasmo e eu me vi deixado de lado por alguns minutos enquanto ele conversava animado, feliz com aquela mulher. — Não vai me apresentar seu amigo? — ela me encarou dos pés a cabeça, medindo com arrogância cada milímetro de mim.
– Stiles, essa é Jennifer Blake. — o nome foi um soco no estômago.
– Prazer em conhecê-lo. — ela sorriu e se inclinou para me beijar, retribuí em choque.
– Com licença. — pedi e fui até o banheiro, eu precisava de um minuto.
*
Eu não encontrava Stiles em lugar algum, era quase hora do jantar e eu tinha coisas importantes para tratar, precisava encontrá-lo. Fui até o banheiro e o encontrei sentado em uma das cabines, a cabeça entre os joelhos, o ar medido de dentro para fora, controlando um ataque de pânico. Respirei fundo, tinha meus próprios problemas para lidar naquele momento, mas a forma como eu me comportava afetava diretamente o cara com quem eu queria dormir e acordar todos os dias, eu precisava dar um jeito nisso.
– Sti. — agachei na sua frente e coloquei seu rosto entre as mãos. — Tudo bem? — ele fez que não.
– Sinto muito por hoje mais cedo. — ele murmurou com os lábios trêmulos.
– Está tudo bem, eu... — engoli o nó que se formou na minha garganta e o encarei. — exagerei um pouco. — admiti, mesmo que não me sentisse dessa forma.
– Eu não penso assim, nós nunca conversamos sobre isso e eu só assumi que não teria problema. Sinto muito. — ele puxou o ar e eu colei minha testa na dele.
– Eu não estou pronto para falar sobre isso, mas hoje mais cedo eu surtei. Sei que você nunca me machucaria, nossa... eu nunca quis fazer você pensar o contrário. — seu olhar era esperançoso.
– Você não tem que me dizer, eu vou respeitar seus limites sempre. — ele acariciou minha bochecha.
– Eu sei que sim. — me inclinei para beijá-lo. — Vamos sair daqui, temos um jantar importante pela frente. — Stiles assentiu e nós nos recompomos para voltar a festa.
Jennifer sentou ao meu lado e contou sobre sua viagem ao Tibete, comentou sobre como estavam as coisas me Paris e como sua casa na Itália tinha ficado depois da reforma. Ela tinha se casado com um gilonário bélgico e isso tinha rendido alguns mimos, mas eu conseguia ver o quanto ela se esforçava para manter contato físico comigo e perguntar coisas estúpidas ao Stiles.
Fui para uma reunião meia hora depois do jantar, Stiles disse que ficaria bem no salão e ele parecia entretido em uma conversa com Malva, uma publicitária argentina muito inteligente. Achei ótimo que Stiles estivesse menos estressado, isso de alguma forma me acalmava também. Voltei da minha reunião e não o encontrei, segundo Stanton, ele estava sentado no jardim com Malva e dois outros responsáveis pelas contas da Triskle Enterprise.
– Derek, você ainda está aqui! — Jennifer pegou meu braço e me entregou um de seus drinques. — Vamos dançar? — pisquei atordoado e quando me dei conta estávamos grudados em meio ao salão. — Você sempre foi tão bom nisso. — ela colou seu rosto no meu peito. — Lembra quando valssamos no casamento de Peter? — sorri sem graça e assenti, ainda procurando Stiles pelo local. — Você me fez rodopiar, — ela tocou meu rosto com sua luva. — então me beijou. — eu finalmente encontrei Stiles e seus lábios uniram-se aos meus.
– Mas que porra! — me afastei e vi Stiles me encarar por alguns segundos antes de virar e correr. — Merda! — bufei e a empurrei quando ela tentou me tocar novamente, precisava achar Stiles. — Angus, leve Stiles para onde ele quiser, em segurança. — ordenei no telefone ao vê-lo correndo para a saída.
*
Eles estavam dançando e se beijando, eu estava há poucos metros dali e eles estavam se pegando. Meu coração doía, meu corpo parecia exausto, eu queria fugir. Pela primeira vez, enfrentei minha vontade de partir e fiquei, entrei na limousine e mandei Angus me levar para o apartamento de Derek, eu não conseguia conter a raiva ou as lágrimas, mas eu conseguia conter aquela força estúpida que me fazia querer me esconder. Não era minha culpa.
– Stiles! Angus disse que deixou você aqui, por favor, eu posso explicar. — Derek tinha o paletó nos braços, a gravata desfeita e meia camisa aberta.
– Você não confia em mim. Diz que eu fujo sempre que as coisas ficam feias e então joga toda a culpa em cima de mim. Esse foi seu jeito de me punir? De dizer que eu não deveria tomar o controle? Que ninguém mexe com o intocável Derek Hale? — ele deu dois passos para trás. — Deixa eu te contar um segredo Derek, não lido bem com punições, não gosto de infidelidade e não vou admitir que me faça passar vergonha na frente das pessoas. — meu tom era baixo, tranquilo.
– Stiles, eu não beijei a Jennifer! — ele tentou.
– Não? Vai negar que foram noivos também? Vai negar que ela é apaixonada por você? Qual sua desculpa agora, Derek? Porra! — explodi e ele se aproximou, me afastei.
– Stiles, eu estava te procurando e ela me puxou para dançar, queria saber onde você estava quando ela me beijou. — engoli em seco e ri.
– Que ótima maneira de procurar alguém. — cruzei os braços.
– Por favor, você precisa confiar em mim. Eu nunca iria puni-lo. Você não fez nada de errado. Por favor, me perdoe. — soltei o ar com força e o deixei se aproximar.
– Eu preciso de um tempo. — soltei quando sua testa estava colada na minha. — Nós precisamos, na verdade. — era duro, mas eu sentia isso.
– Não. Eu preciso de você. — talvez ele estivesse certo.
– Não é o que vai nos fazer bem nesse momento. Precisamos de um tempo separados. Você precisa trabalhar sua confiança em mim e eu preciso digerir tudo isso.
– Você não confia em mim também. — ele acusou e se afastou.
– Confio o suficiente para ouvi-lo, estar aqui esperando que tudo não passasse de um pesadelo. Eu preciso de um tempo, ok? Depois nos falamos. — peguei meu blazer para sair.
– Stiles. — o olhar ferido e desolado me atingiu.
– Sinto muito. — murmurei e parti.
Meu pai atendeu o telefone na madrugada e se alarmou ao ouvir meu choro desesperado no outro lado da linha. Eu não deveria ligar para estação, mas eu precisava falar com alguém e Scott não seria uma boa ideia, ele nem gostava do Derek. Respirei fundo, tentando de alguma forma me acalmar e dar um tempo para explicar ao meu pai o que acontecia.
– Stiles, que merda aconteceu? Pelo amor, preciso saber que você não está machucado. — ele se desesperou.
– Derek e eu terminamos. — eu tinha contado na semana anterior que estava namorando. — Ele beijou outra. — eu voltei a soluçar.
– Hey, está tudo bem. Respire fundo, garoto. — ele tentou me consolar. — Eu sei como é levar um pé na bunda. — eu ri, era trágico como tínhamos uma péssima vida amorosa.
– Eu terminei com ele. — funguei, tentando de algum jeito me sentir melhor. — Pedi um tempo. — esfreguei meus olhos e esperei meu pai falar.
– Acabou mesmo? Você tinha me dito que Derek era um cara legal. Eu não deveria confiar no seu julgamento, mas Stiles, ele realmente parecia fazer você feliz. — senti meus ohlos cheios de água novamente.
– Isso não ajudou. — solucei.
– Sinto muito, garoto. Eu quero ajudar, mas não sei o que aconteceu realmente.
– Nem eu. Desculpe ligar de madrugada, pai.
– Tudo bem, sempre que precisar. Você vai ficar bem?
– Sim, preciso descansar apenas. — meu pai suspirou.
– Me mande uma mensagem pela manhã, me diga como se sente.
– Pode deixar.
– Eu te amo, garoto.
– Eu também, pai. — desligamos.
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