Manhattan
6 Seis
Notas iniciais
Os próximos dias foram corridos. Derek e eu nos víamos todos os dias, almoço, jantar ou que fossem quinze minutinhos entre um intervalo e outro. Eu me sentia melhor com ele sabendo e me sentia mais leve ao ver que ele não se importava. Ainda assim, era muito difícil dormir e não lembrar do Matt de novo. Meu peito ardia todas as manhãs e madrugadas que eu revirava na cama depois de um pesadelo e tinha se tornado um hábito chorar um pouco a cada dia, enquanto ele se mantinha vivo novamente nas minhas lembranças. Quinta-feira chegou e meu expediente durou mais do que eu esperava, o carro do meu padrasto estava me esperando para a minah sessão conjunta com Deaton.
– Olá, Clancy. — sorri e ele abriu a porta para mim, Derek pigarreou atrás de mim.
– Stiles. — eu pedi um minuto ao Clancy e me afastei com Derek.
– Aconteceu alguma coisa? — ele parecia chateado.
– Estou te ligando há horas. — ele estava irritado, com certeza, muito puto.
– Esqueci meu celular em casa, tenho feito muito isso desde que minha mãe me rastreou.
– Você poderia ter me avisado. — ele bufou.
– Derek, não tenho tempo para isso agora. Minha mãe está me esperando para uma sessão de terapia, eu preciso lidar com ela nesse momento e não vai ser fácil. — remexi nos meus bolsos. — Tome. — entreguei minhas chaves para ele. — Tenho duas horas com ela e com sorte chego cedo e faminto em casa, não me deixe trancado do lado de fora. — me inclinei para beijá-lo. — Cuide-se, garotão. — ele me segurou.
– Não me deixe no escuro, Stiles. — seu tom era duro, assenti.
Deaton era um homem muito competente e sereno. Admirava sua capacidade de lidar com a minha mãe sem querer arrancar sua cabeça. Cheguei algum tempo antes dela e o encontrei calmo e empático como sempre. Cumprimentos à parte, eu sabia que seria uma sessão difícil e que minha vida estava bagunçada demais para eu ignorar qualquer reflexo disso no meu dia a dia.
– Eu contei para ele, não podia deixá-lo no escuro. — murmurei terminando de admitir meu relacionamento com Derek e todas as suas nuances.
– Você gosta dele, Stiles? — suspirei, tinha medo dessa pergunta mesmo que a resposta estivesse estampada na minha cara.
– Sim e isso me assusta. — Deaton abriu a boca para responder, mas minha mãe entrou chorando.
– Você contou para ele! Como pôde? — eu me assustei.
– Do que você está falando? — levantei e ela fungou.
– Contou ao Hale tudo o que aconteceu, deixou ele saber. — ela soluçou. — Eu me sinto tão mal agora, Stiles. Você não podia. — ela estava exagerando.
– É minha decisão escolher quem sabe da minha história. — rebati irritado. — Foi o meu corpo que Matt abusou, foi a mim que ele estuprou! — explodi e ela me olhou horrorizada.
– Como você joga isso na minha cara? Eu não sabia! Acha que se eu soubesse teria ignorado? Que eu concordaria com aquilo? — seu tom era magoado.
– Claro que não! Porra... como você sabe disso? — eu arfei e passei as mãos pelo cabelo, estava estressado demais.
– Hey, vamos nos acalmar. — Deaton pediu.
– Isso não era para ser desenterrado. Ele só foi lá falar com Finstock, querendo saber o que aconteceu e o que foi feito. Você não tinha o direito. — ela murmurou.
– Você não pode estar falando sério. — virei para ela. — Como eu não tenho direito de falar sobre o que aconteceu comigo? — Deaton apareceu entre nós dois.
– Vocês vão sentar e calar ou estarei chamando a segurança para mandar os dois para casa. — ela chorou mais alto e eu bufei sentando o mais longe possível.
– Ela está certa? — perguntei para Deaton.
– Não. — ele foi honesto. — Claudia, você não tem o direito de comandar a vida de Stiles, não pode dizer o que ele deve ou não falar ou fazer da vida dele. Eu entendo o quanto se sinta culpada, mas Stiles se tratou e superou. — não era totalmente verdade.
– Mas... — ele a interrompeu.
– Não tem nenhum "mas", Claudia. Ele cresceu e aprendeu a se virar. É um homem adulto e independente. Não queira toler seu filho e acabar perdendo-o. — ela engoliu o choro. — Stiles, você precisa dizer a sua mãe como se sente com o que acabou de acontecer e o motivo de contar a Derek. — engoli em seco e hesitei.
– Eu gosto dele, mesmo e tem um monte de paparazzi atrás da gente. Eu só não queria que ele descobrisse pelas pessoas erradas. — minha mãe enxugou as lágrimas. — Eu odeio que você me rastreie e diga o que eu tenho que fazer. Foi difícil admitir o quanto de sujeira tem no meu passado para o único cara que quis realmente tentar algo comigo. Você nunca vai entender a sensação, não tente me fazer culpado por tentar ser feliz. — ela fez uma careta dolorida e eu me levantei. — Desculpe Deaton, mas eu não consigo mais. — peguei minha pasta e saí.
Clancy quis me deixar em casa, mas eu peguei um táxi. Esperava que Derek estivesse lá em casa, mas algo dentro de mim desejava que ele não fosse também. Eu me sentia emocionalmente esgotado e de uma forma ruim, insensível. Estava escuro, Scott passaria a noite fotografando em uma campanha nova e eu só queria sentir alguma coisa que não fosse nojo de mim mesmo. Engoli em seco ao ver que a porta estava aberta, ouvi o barulho de uma música tocando baixinho e segui para o meu quarto. Derek estava com o notebook no colo, trabalhando em cima da minha cama com um pouco de música ao fundo. Era uma imagem adorável que me deixava com o coração doendo.
– Você chegou, um pouco cedo eu diria. — ele fechou o notebook cortando o som e se levantou. — Está tudo bem? — aquilo foi o suficiente para eu desabar. — Não chore, meu bem. — ele me abraçou e eu não o afastei, nem retribuí. — Por favor, eu não aguento você chorando. Dói. — ele murmurou enquanto beijava minha testa. — Conte o que está acontecendo. — ele pediu nos sentando na cama, eu me encolhi e abracei meus joelhos.
– Você falou com Bobby. — minha voz saiu frágil.
– Sim, eu queria saber o quão sigiloso eram os arquivos. Isso está te chateando? — ele franziu o cenho.
– Não, você fez o melhor para você. — murmurei indiferente.
– Não fiz isso para me proteger, fiz porque você ficaria arrasado se isso vazasse. — ele alisou minha bochecha.
– Briguei com a minha mãe. — admiti.
– Por minha culpa. — não era uma pergunta.
– Por culpa dela. — o encarei.
– Stiles, eu não quis causar problemas.
– Tudo bem, ela é assim. — dei de ombros.
– Você quer comer? — ele perguntou tentando desviar o foco.
– Não, preciso dormir um pouco. — Derek beijou minha bochecha.
– Vamos tomar um banho. — ele me fez levantar.
– Isso soa bem para mim. — abracei sua cintura.
Derek estava aguentando minhas crises, mesmo que eu me sentisse completamente sem chão. Estávamos comendo depois de algumas horas rolando na cama, trocando carinhos e seu celular começou a tocar, a foto daquela mulher estava ali, dançando ao toque baixo e padrão do aparelho. Engoli em seco e o vi ignorar a chamada, o nome gritando na tela me fez suspirar.
– Ela é sua ex? — perguntei me sentindo estúpido por recorrer ao ciúmes.
– Quem? — ele perguntou rolando os dedos pela curva do meu quadril.
– Malia. — Derek riu.
– Ela é uma amiga.
– Uma amiga? — me virei para ele, o encarando.
– Sim, desde a faculdade. — suspirei.
– Ela não é muito simpática. — lembrei do que ela dissera no dia da festa.
– Você a conhece? — ele parecia surpreso.
– Ela disse que como seu novo brinquedo, não deveria ter esperanças. Que assim que você enfiasse seu pau em mim, tudo estava acabado. — Derek retesou a coluna.
– Por que eu só estou sabendo disso agora? — ele sentou e eu bufei.
– Eu estava puto com você, mas a gente se entendeu e... — hesitei.
– E?
– Eu vi você. Na limousine, você se abriu. Eu sei que você não assumiu nenhum relacionamento longo com outro cara, que houve especulações com Chris, mas você nunca confirmou. Não estamos nem há um mês juntos e você já colocou nossa cara em uma revista. Isso tem que significar mais do que uma caçada para você. — Derek se inclinou e me beijou.
– Eu sinto muito por causar esse estresse com a sua mãe. — ele soltou. — Você significa muito para mim, muito mais do que uma caçada. Isso que Malia falou, eu não sou muito bom em relacionamentos, mas eu nunca desrespeitei ninguém, homem ou mulher, eu nunca faria isso. — sua expressão se fechou um pouco.
– Eu sei que não. Vamos para cama, garotão. — eu o beijei.
*
Tinha um cheiro ruim, eu não gostava do gosto também. Eu podia sentir minha língua áspera e meu coração batendo apertado. Tentei me soltar e senti meu corpo todo doer. Eu estava imóvel, não tinha tanta força para lutar contra aquilo e então começou a queimar e doer e eu queria gritar, mas não podia.
"Você precisa disso, não vê como é bom? Vai te fazer melhor", a voz continuou a perturbar e os dedos cavavam a pele, marcando, violando. Sentia aquilo me sufocar e eu não queria gostar, mas sempre acaba assim, eu gostava de algum jeito, mesmo que fosse ruim. Eu chorei e tentei me soltar, não fez efeito nenhum.
*
– Derek! — eu gritei sentindo seu pau se arrastar pela minha coxa e seu peso contra o meu corpo, me prendendo. — Porra, me solta! — tentei me mexer e ele agarrou meu pescoço, investindo com mais força.
O pânico que me invadiu trazendo as lembranças de Matt quase me fez esquecer que aquele era Derek e ele estava sofrendo. Ele chorava e se debatia, sua mão pressionava minha garganta sem realmente me sufocar, ele parecia doente, com dor. Tentei mais uma vez me mexer e ele agarrou meus pulsos, me prendendo na cama, empurrando sua ereção com violência contra o meu membro flácido. Puxei o ar com força e mesmo que meu peito ardesse em pânico, eu tinha que fazer alguma coisa.
– Caralho, Derek sai de cima de mim! — gritei e tentei erguer minhas pernas, ele choramingou e meu coração se partiu mais um pouquinho. — Derek! — eu gritei mais uma vez e vi Scott entrar no quarto, empurrando ele para fora da cama com força, fazendo nós dois cairmos no chão.
– Filho da puta! Eu vou chamar a polícia. — Scott estava com o celular na mão.
– Não! — levantei e vi que Derek estava enrolado no chão, chorando e tremendo como um cão assustado. — Ele ta sonhando. — eu esfreguei minha garganta dolorida pelos gritos e o sufocamento.
– Ele tentou te estuprar, Stiles! Não importa o quanto você goste desse cara, ele é perigoso. — Scott estava irritado e infelizmente, certo.
– Está tudo bem. — me virei para Derek e ele ainda tremia. — Hey, baby. — o chamei com cautela, ele não despertou o suficiente ainda. — Garotão. — meu tom saiu mais firme e eu me aproximei, ele piscou confuso. — Isso, acorde. — mantive distância, Scott me encarou indignado.
– Vou estar na sala, grite se precisar. — ele desistiu e saiu.
– Obrigado. — murmurei antes dele fechar a porta.
– Stiles? — Derek sibilou rouco, seu rosto manchado por lágrimas e seu corpo tremendo levemente.
– Você teve um pesadelo. — eu podia sentir meus pulsos e pescoço latejarem. — Está tudo bem agora. — não consegui me aproximar mais dele, eu não consegui desassociar aquilo.
– Eu te machuquei? — ele esfregou os olhos e me encarou por alguns segundos, eu não respondi.
– Está tudo bem. — menti.
– Deixe-me ver. — ele pediu com um tom ferido.
– Não foi nada. — continuei tentando me convencer disso.
– O caralho. — Scott entrou com um copo de água. — Fique longe dele. — ele exigiu para Derek e entregou a água para mim.
– Scott. — eu o repreendi.
– Ele tentou te forçar! — Scott rosnou irritado.
– Scott! — eu gritei.
– Foda-se. — Derek murmurou chorando.
– Sai. — exigi e o olhar do meu amigo era ferido. — Por favor. — pedi e ele meneou com a cabeça, a decepção era clara. Ele saiu.
– Não chegue perto de mim. — Derek se arrastou pelo carpete, se encolhendo em um canto.
– Cale a boca. — explodi, estava cansado, frustrado, ferido e furioso.
– Stiles, não. — ele soluçou.
– Foda-se. — sibilei, estava chorando também. — Eu estou com medo de você agora e provavelmente terei hematomas na minha garganta pela manhã, mas eu quero ficar com você. Não fuja de mim. — eu me arrastei até ele.
– Stiles. — seu peito subia e descia em lágrimas e desespero.
– Shh... — me arrastei até ele e o abracei até estarmos deitados no tapete. — Eu quero você, foi só um sonho ruim. — eu precisava me convencer disso, me livrar do medo.
– Não me deixe. — ele pediu e eu o beijei.
Achei que conseguiria, naquele momento eu achei que era o que eu precisava. Senti o meu estômago retorcer e o toque de suas mãos na minha coxa me fez lembrar do toque de Matthew, eu me afastei.
– Eu não... — minha voz morreu, junto com qualquer confiança de Derek. — Sinto muito. — ele chorou.
– Não. — ele levantou e começou a arrumar suas coisas.
– Não vá. — pedi.
– Não posso mais dormir com você, não posso te machucar. — ele tinha um tom destruído, de partir o coração.
– Você não vai. — o abracei.
– Stiles...
– Está tudo bem. — agarrei seu rosto e o beijei. — Preciso de um tempo, mas não longe de você. — ele cedeu.
Acordei sentindo o chão embaixo das minhas costas, era desconfortável e Derek dormia exausto do meu lado, com o braço sobre minha barriga. Respirei fundo e vi o horário no despertador, ainda tinha duas horas antes de precisar levantar. Me remexi e o abracei, acarinhando seu cabelo enquanto o observava dormir tranquilo. Me perguntava quanto ele tinha sofrido para ficar assim, torturado em seus sonos, com problemas tão sérios de confiança. Vi seus olhos piscarem lentamente e ele tentar se retrair, assustado que tivesse me ferido de novo.
– Está tudo bem, você cochilou. — o tranquilizei.
– Eu sinto muito. — ele murmurou chateado.
– Estou aqui. — garanti e beijei sua testa.
Derek acordou antes de mim e fugiu. Tenho certeza que essa era a palavra correta. Tomei um banho e tentei de alguma forma esconder as marcas de dedos no meu pescoço, maquiagem ajudou mas elas ainda doíam o suficiente para eu lembrar da dor emocional que era ver Derek sofrendo. Scott não estava falando comigo, eu não estava falando com a minha mãe e tudo parecia comum numa sexta-feira da minha vida.
– Bom dia, Stiles. — Jackson me cumprimentou e eu meneei a cabeça. — Pronto para uma reunião da Pleasure? — eu tinha esquecido.
– Seria bom se eu pudesse ficar de fora, não quero estragar tudo. — eu vi o pessoal da empresa de Derek entrar na sala, mas não tinha nenhum sinal dele.
– Está tudo bem? — Jackson parecia ligeiramente preocupado.
– Não realmente, mas não se preocupe.
– Resolva os assuntos externos para mim, é melhor deixar isso adiantado para não precisarmos surtar no final de semana.
– Claro, boa reunião. — ele seguiu e eu me instalei na minha mesa, Lydia não tinha chegado o que era estranho e eu me sentia completamente vazio.
Era hora do almoço quando pensei em ir até o andar de Derek, mas um garoto de recados me entregou um envelope lacrado antes disso. Assinei e o deixei partir, algo me dizia que eu não gostaria do que estava ali dentro, que doeria minha alma.
"Obrigado por tudo."
D.
Meu peito comprimiu e eu senti tudo ao meu redor perder qualquer tipo de sentido. Levantei e fui até o andar dele, mas ele não estava lá. Sua casa também estava vazia ou ele somente me ignorou quando eu falei com o porteiro. Angus não estava em qualquer lugar e ele tinha me deixado, me dado um pé na bunda através de um bilhetinho. A porra de um bilhetinho maldito. Terminei meu trabalho e fui para a academia, precisava gastar energia. Correr me faria bem, mesmo que eu odiasse meu estado de espírito naquele momento.
– Hoje você está com tudo. — Aiden comentou quando eu o coloquei pela terceira vez no chão.
– Ótimo. — meu humor estava uma merda.
– Só esqueceu que eu sou melhor. — ele me jogou no chão e me imobilizou. Eu não tinha como negar que senti o pânico, eu odiava aquilo e minha cabeça esqueceu totalmente que aquilo era um treinamento, que não era real a forma como ele estava tentando me ferir.
– Me deixe sair. — eu pedi sentindo a bile subir e Aiden me soltou, ajudando a levantar. Corri para a primeira lata de lixo disponível e vomitei.
– Tudo bem? — Ethan se aproximou.
– Sinto muito, preciso ir.
Scott estava em casa com uma garota oriental, eles estava se pegando no sofá e aquilo me enjoou. Nunca tive problemas com isso, mas hoje não era um bom dia. Ele me cumprimentou e a garota riu, montando ele como se ninguém mais os tivesse assistindo. Arfei e me tranquei em meu quarto, Scott estava com raiva de mim e eu de também.
– Não! Não! Sai daqui! De novo não! Por favor... — eu gritei, chorei e tentei me desfazer do aperto na minha nuca.
– Fique quieto. Seja uma boa putinha. — meus olhos ardiam e eu queria chorar, me debater, fazer alguma coisa.
– De novo não... mãe! Mãe! — ele enfiou mais um de seus brinquedos em mim. — Isso dói! Pare! Por favor! — eu chorei e ele empurrou meu rosto no chão, me fazendo ficar cada vez mais preso e a sua mercê, eu não tinha o que fazer.
– Hey, Stiles! — senti meu corpo ser sacudido e quis me defender, mas ainda podia sentir as mão de Matthew em mim, abri os olhos e vi Derek ali.
– Eu vou vomitar. — avisei.
– Eu te levo. — ele me guiou firme até o banheiro e me deu estabilidade ajoelhado ao meu lado no vaso sanitário, fomos para a pia quando eu terminei. — Você sonhou com Matt? — ele perguntou quando eu cuspi a pasta de dentes.
– Teve outro pesadelo, cara? — Scott franziu o cenho ao ver Derek ali.
– Eu estou bem. — menti.
– Eu posso ver. — ele continuou nos olhando.
– Derek pode cuidar de mim. — arrisquei.
– Ok. — ele saiu contrariado.
– Você não precisa ficar. — me afastei dele e sentei no vaso sanitário.
– Stiles. — ele murmurou e se agachou na minha frente.
– Eu não sei porque você fugiu e nem o que veio fazer aqui, Derek. Mas eu não gosto disso, de ser dispensado e acessado quando achar útil. — meu estômago ainda estava instável e eu me sentia sujo.
– Eu fiquei com medo, eu... — ele sentou no chão. — Stiles, eu quase te estuprei. Eu quase destruí a sua vida e a minha. Eu não posso fazer isso.
– Você precisa de ajuda, não de culpa. — ele tentou me tocar e eu retraí.
– Eu procurei o doutor Deaton, ele disse que vai me ajudar a descobrir o que eu tenho.
– Isso é bom. — ele se ajoelhou e tentou me tocar mais uma vez. — Eu to me sentindo imundo.
– Vou encher a banheira. — ele se levantou, fiquei apenas esperando.
Eu cochilei enquanto ele lavava minha cabeça e murmurava coisas positivas sobre mim. Eu não quis falar sobre o que eu sonhei, não quis saber sobre o que ele sonhava. Ele estava ali e não tinha me dado um pé na bunda, ele não tinha desistido de mim e eu não estava pronto para desistir de qualquer coisa, de nós.
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