Manhattan
12 Doze
Notas iniciais
Derek não me esperou para irmos juntos ao escritório. Ele tinha reuniões e parecia estressado logo cedo. Quando fechei a porta para ele, o ouvi gritar com alguém no telefone e senti meu peito retorcer angustiado, com medo de que para Derek tenha sido demais me contar tudo.
– Ele já foi? — Scott perguntou jogado no sofá.
– Sim. E Isaac? — sentei ao seu lado e o vi ficar triste.
– Ele saiu depois que contei a ele que Kira está grávida. — senti como se alguém tivesse me dado um tapa na cara naquele momento.
– Kira está grávida? — ele encolheu os ombros. — Quando isso aconteceu? O bebê é seu? — eu tinha tantas perguntas.
– Não sei responder a todas as perguntas? Ela me contou tem uma semana e eu... eu gosto de Isaac e ele sabe que monogamia não é minha praia, ele concordou com isso, desde que não precisasse dividir seu tempo com ela. — o abracei.
– Sinto muito, Scott.
– Não sei o que fazer. Kira não quer o bebê e eu não tenho certeza se me importo. Isaac está decepcionado por isso tudo, mas diz que vai ficar do meu lado.
– Há algo que eu possa fazer?
– Criar uma máquina do tempo? Eu não quero interferir no que Kira decidir para o corpo e a vida dela, é um direito escolher se quer ser mãe ou não, mas é um pouco doloroso lembrando do meu pai. Eu não quero ser como ele. — mordisquei o lábio inferior e o puxei para um forte abraço.
– Você nunca será como seu pai, Scott. Nunca.
– Sinto muito. — ele fungou.
– Pelo quê? Por ser um bom namorado e apoiar Kira, por mais que doa? Por ser sincero com Isaac? Por pedir apoio do seu melhor amigo? — alisei os cabelos cumpridos dele e o vi se afastar.
– Eu sou um péssimo amigo, deveria ter apoiado mais você quando precisou. — ele secou o rosto e me encarou envergonhado.
– Sim, deveria. Mas já passou, tudo bem? Vamos seguir em frente e arrumar toda a bagunça que nossas vidas se tornaram. — ele assentiu.
Jackson tinha viajado. Lydia não aparecia no trabalho tinham dois dias. Evan não sabia onde Derek estava e eu não tinha nada para fazer. Quando Meredith ligou e falou que o tal show era daqui quatro semanas, pensei que talvez fosse uma boa ideia levar Derek, talvez até lá as coisas estivessem mais certas em nossas vidas. Eu poderia ter apenas desconsiderado o convite com educação, mas era difícil.
Como se a vida não fosse tão difícil, minha mãe me ligou e pediu para almoçar comigo, ao mesmo tempo em que duas empresas pediram orçamentos de contas e Derek surgiu em seu escritório me chamando para comer com ele. Meu dia precisava acabar.
– Não posso mãe. Eu estou trabalhando.
– Não tem hora de almoço no seu trabalho? Estão te explorando, Stiles? — revirei os olhos e respirei fundo.
– Tem sim, mas eu quero sair mais cedo. Então não posso almoçar com você.
– Você está fugindo de mim. — ela dramatizou.
– Mãe, não seja dramática. — bufei.
– Você nunca quer passar um tempo comigo, estou sempre correndo atrás de você.
– Mamãe, por favor, não seja estúpida. Eu tenho uma vida para administrar e muitos problemas, não me faça perder a paciência.
– Se fosse seu pai, você até sairia para pescar, mesmo odiando. — apertei o canto dos olhos e quis chorar. Derek apareceu e tirou o telefone das minhas mãos.
– Olá, Claudia! Sim, estou ótimo. Que tal um jantar amanhã no restaurante que você preferir? Ligue para o meu escritório e peça Evan para fazer as reservas. Prometo que farei Stiles se alimentar direito. Claro, Bobby é muito bem-vindo. Que nada. Até mais. — ele desligou e sentou na minha mesa, o observei com gratidão e muita adoração. Se eu pudesse, agarraria ele ali mesmo.
– Você é meu herói. — sorri e toquei seu joelho com carinho.
– Posso levar minha princesa em perigo para o meu escritório e viver feliz para sempre? — ele me zoou.
– Só se me carregar no colo. — brinquei e ele se inclinou. — Não ouse! — rimos e seguimos para o seu escritório.
Evan tinha tirado seu horário de almoço, assim como a recepcionista que me odiava. Entramos em sua sala e tinha comida de verdade, que eu não via há dias, nos esperando. Era como um sonho.
– Estou quase aceitando ser sua princesa por essa comida. — comentei enquanto ele tornava todo o escritório opaco e inacessível a olhares curiosos.
– Você pode ter toda a comida que quiser sem ser minha princesa, Sti. — ele afrouxou a gravata e sentou no sofá, me inclinei e sentei em seu colo.
– Você não me quer em um vestido de manga bufante e calçando sapatinhos de cristal? — fiz beicinho.
– Com certeza não. — ele riu e se inclinou para capturar meus lábios.
– Nem se um espartilho e cinta liga vierem junto? — sorri entrebeijo.
– Você ficaria uma graça de lingerie, mas não está entre meus fetiches prediletos quando posso tê-lo completamente nu todo o tempo. — seus dedos cavaram minha pele através da blusa.
– Como agora? — remexi meu corpo em seu colo e ouvi sua respiração mudar.
– Você parece bastante vestido. — ele murmurou e eu levantei.
– Posso dar um jeito nisso. — dei dois passos para trás e afrouxei minha gravata, até desfazer o nó. — É isso que você quer? A sobremesa antes do prato principal? — ele fechou os olhos e lambeu os lábios, a mudança sutil no olhar, o fogo predominando cada pedacinho de Derek era mais do que estimulante.
A gravata foi para o chão e os sapatos em seguida, minhas meias se perderam pelo escritório logo e mesmo com todas as partes importantes vestidas, Derek estava duro e me encarando com fome, sedento por um aval silencioso que o permitisse me tocar. Mordisquei o lábio inferior e comecei a abrir a camisa, deixar botão por botão ser desabotoado, até que eu chegasse ao meu cinto e o abrisse lentamente. Derek suspirou alto, as mãos agarradas ao couro macio e branco do sofá enquanto eu deixava a camisa escorregar pelos ombros e ir para o chão com o resto das roupas.
A calça ainda tinha o zíper e o botão fechados. Meu corpo correspondia as reações deliciosas de Derek. Cada suspiro, aperto, cada pulsação elevada na veia do pescoço, eram suficientes para fazerem meu pau apertar e latejar dentro da calça que escorregou para o chão e com um passo a frente, se perdeu do meu corpo. Eu parei, vendo Derek levantar e caminhar calmo até mim, seu rosto parecia sereno, mas a excitação estava misturada a algo mais, um nervosismo atípico. Sorri e esperei seus dedos tocarem meu rosto, dedilharem meus ombros e braços, ele me surpreendeu com um abraço.
Não era o que eu esperava, não era nem perto do que nossos corpos cheios de desejos sexuais queriam, mas tinha muita coisa ali, um monte de sentimentos bagunçados e reprimidos. Todo o choro que nunca foi derramado e a dor que se escondeu por tempo demais. Aquele era o Derek sem raiva, mas com medo de rejeição. O mesmo Derek agradecido e amável, aquele que só precisava de alguém que acreditasse nele, que cuidasse dele, que o fizesse bem. Esperei ele me soltar e percebi que eu mesmo estava com os olhos tomados por água, assim como ele. Não era um momento de tristeza, não queríamos chorar, mas tínhamos coisas demais em nós mesmos para ignorar isso, para deixar passar. O sexo não era mais nossa ponte.
– Me diz que não estraguei tudo. — ele pediu com um riso histérico no final.
– Claro que não. — capturei seus lábios em um beijo calmo, amoroso.
– Meu desejo por você é enorme, mas o meu amor... — eu o calei com mais um beijo.
– Me deixa te amar, mostrar como eu sei o que você quer dizer. — pedi.
– Você sempre pode fazer o que quiser comigo, qualquer coisa. — ele não estava mais se punindo, desejando que eu tomasse iniciativas nocivas para ele, apenas confiávamos um no outro o bastante para não mais temer.
– Um dia, — eu tirei sua gravata e comecei a me livrar da sua blusa – eu realmente vou tocá-lo, mostrar como isso pode ser prazeroso e certo. — ele prendeu a respiração. — Nesse dia você vai querer, tanto quanto eu, se livrar do peso que Kate jogou em cima de você. — mencionar o nome dela o fez tremer, como se desnudá-lo não apenas de corpo, fosse demais. — Hoje, — puxei sua camiseta branca para fora do corpo e guiei meus dedos a sua calça. — eu só quero você comigo, me deixando te amar. — ele relaxou.
– Eu não vou te impedir, qualquer coisa que você quiser fazer comigo, eu não vou discordar. — me inclinei para beijá-lo.
– Eu não quero te usar, Der. — meu coração estava doendo, porque ele ainda se sentia assim? — Por que você está fazendo isso consigo mesmo? — perguntei abalado, eu sentia o sofrimento dele.
– Eu não consegui. Desde que contei... eu não consegui mais sentir a raiva que me fazia querer fodê-lo de qualquer jeito, em qualquer lugar. Eu não consegui sentir mais nada sexual, porque eu me sinto inútil, fraco e sujo. — engoli em seco e o beijei.
– Eu não quero isso se você não quiser. — disse ao quebrar o beijo e me afastar. — Eu não sou a Kate. Isso não é para o meu prazer e sim pelo nosso. Meu Deus... eu te amo tanto. Nunca faria isso. — eu estava sentado no sofá.
– Não foi o que eu quis dizer. — ele sentou do meu lado e me encarou. — Estou com medo de não ser suficiente, de não conseguir me concentrar só em você. — eu entendia bem o que ele queria dizer.
– Você sabe que não vou julgar. Se você não quer, tudo bem. Se você quer, mas está com medo de falhar, vamos fazer isso. — ele pensou em me interromper. — Eu nunca zombaria de você ou ficaria com raiva. Isso é tão normal. — sorri e alisei seu rosto.
– Sinto muito. — ele me puxou para deitar com ele no sofá. — Queria que fosse mais fácil. — depositei beijos em seu pescoço e alisei sua barba.
– Eu gosto que você não sinta mais raiva. Não sei se a ideia de transar com você seria tão boa se eu soubesse o que te movia antes. — admiti.
– Por mais raiva que eu sentisse, te tocar nunca foi um ato de raiva. Eu fiz amor com você tantas vezes. Nunca foi raiva o que tivemos, sempre te amei. — o beijei.
– Eu sei. — me aconcheguei em seu peito. — Eu sei.
*
Eu me sentia inútil e vazio. Stiles não tinha nada para se agarrar e mesmo assim preferia a minha bagunça ao próprio espaço. Gradualmente percebi o quanto ele gostava de estar por perto, mesmo depois de descobrir tudo. Naquela noite em especial, ele lia um livro de suspense no pé da poltrona, enquanto eu trabalhava em meu laptop logo acima.
– Você poderia estar no sofá lendo, é mais confortável. — comentei enviando mais um e-mail.
– Estou confortável. — ele me olhou rapidamente antes de voltar para o livro.
– Você não parece confortável no chão duro. — insisti.
– Você quer ficar sozinho? — ele marcou a página do livro e o fechou.
– Não. Por quê? — franzi o cenho e o observei me encarar.
– Pare de me expulsar então. — ele se encostou na minha perna e voltou a ler.
Levou quatro horas para eu decidir ir para cama e Stiles conseguiu terminar todo o livro nesse espaço curto de tempo. Ele levantou e se alongou todo enquanto guardava meu computador. O abracei pelas costas e beijei sua nuca ao vê-lo resmungar de cansaço.
– Está com fome? — perguntei sentindo seu corpo se escorar no meu.
– Não, você está? — apoiei meu queixo em seu ombro.
– Não de comida. — mordisquei sua bochecha e ele riu.
– Quer ir para cama, garotão? — ele colocou minhas mãos espalmadas no V de meus quadris, onde a minha calça emprestada ficava bem larga e caída.
– Sim, parece uma boa ideia. — esfreguei meu queixo no ombro dele, Stiles gemeu.
– Senti sua falta. — ele murmurou quando tropeçamos na pilastra da sala e nos beijamos.
– Sinto muito por ter ficado tanto tempo ausente. — ele me calou com sua boca.
– Eu não quero ouvir desculpas, só me foda. O único som que eu quero ouvir são os nossos gemidos. — ele mordiscou minha orelha e eu gemi.
– Talvez eu queira fazer você gritar. — o puxei para cima, atando suas pernas na minha cintura e andando mais rápido até a cama.
– Não estou reclamando. — ele me beijou novamente.
Era doce como Stiles me olhava e fazia questão de murmurar o quanto me adorava e me achava incrível. Parecia besteira, mas eu podia entender agora como uma relação por mais carnal que fosse, deveria funcionar. O ódio que eu sentia do sexo, o nojo de mim mesmo... isso não era tudo o que existia quando Stiles quem me tocava, sequer conseguia me sentir mal com os sons prazerosos que saíam da minha boca quando ele arranhava minhas costas e beliscava minha pele com seus dentes.
O amor que nos envolvia era gostoso de sentir e o prazer que saía de nossos poros e pulmões, nossos lábios se tocando, nossas mãos explorando um ao outro com carícias calmas, despreocupadas. Era muito mais do que eu esperava ter um dia e por mais que Kate quisesse me destruir para a vida e me iludir que sexo era tudo o que eu precisava para lidar com os problemas, agora eu podia ver. Stiles claramente tinha me mostrado de que outras formas eu poderia lidar com todo o meu trauma, insegurança e dor.
– Você está bem? — ele perguntou quando saímos do banho e eu parei na frente da janela do meu quarto, com a toalha pendendo na cintura e o olhar distante.
– Sim. Só pensando. — sorri e o deixei abraçar minha cintura, seu corpo envolvido em um grande roupão branco.
– No que está pensando? — ele beijou minha omoplata.
– Em Kate. Ela me fez sentir raiva por tanto tempo, nojo de mim mesmo. — seu aperto aumentou ao meu redor, era reconfortante. — Foi bom sentir que pode ser diferente. Você me mostrou isso. — ele sorriu e me fez virar e encará-lo.
– Eu fiz muito sexo com pessoas aleatórias. — ele admitiu. — Eu senti por isso depois, porque me ensinaram que sexo era ruim e que eu nunca seria amado. — quis confortá-lo também, mas sabia que pena não era algo que fazia bem a Stiles. — Eu busquei sentir qualquer coisa chupando um monte de caras e tentando fazer sentido enquanto os montava sem nem olhar para cara deles direito. Eu me droguei, me entupi de LSD. Foi uma fase ruim que meu pai, inconsciente da verdade nunca entendeu. Eu melhorei quando Scott tentou se matar. — engoli em seco. — O que eu quero dizer, é que se Scott não tivesse tentado suicídio e ambos tivessem ido para a reabilitação, eu poderia não estar aqui, porque Matt me transformou em uma pessoa oca. — eu o abracei.
– Eu nunca deveria tê-lo pressionado no início. — murmurei culpado.
– Você não sabia, assim como eu nunca imaginaria que Kate teria feito de você um cara frio, que odiava tanto a si mesmo que só fodia garotas para provar que podia. — me encolhi incomodado com a verdade. — Essas mulheres tinham sentimentos por você, a maioria ainda tem, Der. — suspirei.
– Jennifer. Eu nunca sequer dormi ao lado dela, nós transamos algumas vezes na faculdade, eu sempre a levava para aquele hotel e então ela me propôs o noivado e achando que bastava, aceitei. — ele franziu o cenho.
– Ela propôs? — eu ri, parecia impossível alguém me propor um compromisso.
– Sim. — revirei os olhos e ele me mandou língua. — Ela queria chamar minha atenção e eu nunca me importei o suficiente. Quando ela terminou comigo achando que eu iria atrás dela e eu não fui, ela ficou obcecada. Nós brigamos e eu tentei feri-la ficando com outras mulheres, aparecendo com modelos que eu sequer beijei. Ela acabou casando com Sartoni e nós nos entendemos, mesmo que não sejamos amigos, eu a respeito.- Stiles caminhou até a cama e sentou ajeitando o roupão.
– Malia acredita que ela ganhou na loteria, que o teve e o dispensou e você quem ainda rasteja por ela. Ela imita tudo o que pode da Jennifer. Ela até faz questão de me desprezar da mesma forma. — sorri e sentei ao seu lado.
– Eu gosto de ter Malia como amiga, ela é especial por ter feito parte da minha vida nos primeiros anos em que tentei reconstruir as Indústrias Hale, mas eu nunca quis nada com ela. Sempre soube separar amizade de sexo e até você, nunca quis nada sério com ninguém. — ele se inclinou e me beijou.
– Acredito em você, mas ainda não gosto dela. Seus outros amigos são incríveis, mas ela? Insuportável. — gargalhei e o fiz deitar na cama.
– Scott me odeia também. — acariciei seu peito descoberto, trilhando os dedos pelo caminho ralo de pelos.
– Ele não te odeia, mas ele sabe como meu comportamento autodestrutivo funciona. Ele tem medo que eu volte a me drogar ou sair por ai criando coragem líquida para foder com todos que estiverem disponíveis. Ele teme pela minha segurança por saber que você pode a qualquer momento me violentar enquanto dorme. É uma coisa fraternal. Como um bom irmão ele só quer me cuidar, como eu faço com ele. — encarei Stiles por alguns momentos e suspirei.
– Não consigo te imaginar dormindo com todos os caras disponíveis. — murmurei fazendo cafuné nele.
– Eu também tenho um passado repleto de paus, Derek. Não pinte uma imagem puritana de mim. — ri e me inclinei para beijá-lo.
– Sou extremamente egoísta, vamos combinar que enquanto nenhum deles surge eu estou bem com isso.
– Sou possessivo o suficiente para dizer que se em algum momento Jennifer o tocar nem que seja no braço, estamos acabados. — ele ameaçou.
– Não vamos pensar nela. — o beijei.
– Eu ainda estou sensível. — ele murmurou, mesmo que seu pau estivesse interessado.
– Shh! Aproveite. — belisquei seu ombro com meus dentes.
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