Notas iniciais
Menção a violência sexual e abuso infantil.

Eu estava perto de casa quando me dei conta de que Derek simplesmente me deixou ir, isso doeu um pouco e eu estava surtando exageradamente. Engoli o nó na minha garganta e cutuquei Angus.

– Senhor? — ele não tirou os olhos da estrada.

– Me leve até Derek. — pedi.

– Ele me deu ordens para deixá-lo em casa.

– Foda-se as ordens dele, quero que me leve até o apartamento dele. — reclamei.

– Sim, senhor. — ele não disse mais nada.

– Desculpe. — pedi ao descer na frente do prédio de Derek.

– Não se preocupe com isso, senhor.

– Obrigado. — respirei fundo e entrei, precisei me registrar e ligaram para ele.

– Sua entrada foi liberada, senhor Stilinski. — o porteiro me levou até um elevador privado e me entregou uma chave de acesso.

– Obrigado. — esperei pacientemente o elevador me levar até a cobertura.

Derek estava vestindo uma calça de pijama escura de seda, caía bem abaixo da sua cintura e ele tinha um copo de bebida na mão. Respirei fundo antes de sair do elevador, ele teria todo o direito de me expulsar.

– Eu sinto muito. — dissemos juntos, eu ri.

– Você não vai me chutar para fora daqui. — soltei o ar aliviado e ele se aproximou com cautela.

– Por que eu faria isso? — ele deixou a bebida na mesa. — Te chamei para vir para cá, Stiles.

– Eu fugi, de novo. — o meu tom era envergonhado, eu me sentia assim.

– Eu te levei para um hotel cheio de lembranças de outras pessoas. Erro meu.

– Não, eu não deveria ter surtado. Mas Derek, existem coisas muito ruins em mim e eu não sei lidar com elas direito.

– Está tudo bem, Sti. — o encarei e ele estava sorrindo. — Todos temos problemas.

– Os meus são... complicados. — eu engoli em seco, não queria falar sobre isso.

– Você pode falar sobre eles quando se sentir confortável. — assenti. — Você quer alguma coisa para beber? Conhecer o lugar? — ele mudou de assunto.

– Um banho seria bom. — lembrei que tudo em mim ainda era bruto e pegajoso.

– Venha. — ele me puxou pela mão.

Seu apartamento era incrível, podia se ver toda a Manhattan da sua janela e era tudo claro, amplo, sofisticado. O gosto de Derek era perfeito e ele não parecia do tipo que economizava, mesmo que não parecesse um esbanjador. Não em seu apartamento pelo menos. Seu quarto era cinza, o que não me surpreendia. A cama era enorme e tudo parecia combinar com os tons escuros e sofisticados. Seu banheiro era amplo, tinha uma banheira triangular e um boxe. A pia era grande e o armário de toalhas acessível, ele pegou um roupão e pendurou em um dos ganchos.

– Você pode pegar algo meu para vestir se quiser. — ele beijou minha testa.

– Não vai ficar? — eu senti a distância ali, Derek estava se fechando de novo.

– Pensei em preparar alguma coisa para comer. — era uma desculpa.

– Eu não to com fome, mas posso te assistir comer. — dei de ombros e desabotoei a camisa.

– Vou encher a banheira. — ele caminhou pelo banheiro e eu terminei de tirar a roupa.

Tomei uma chuveirada antes de entrar na banheira, Derek estava atrás de mim massageando meus ombros, distribuindo beijo pela minha nuca. Era relaxante e íntimo, eu não esperava isso dele. Recostei em seu peito e brinquei com seus dedos na borda da banheira, ele esfregou de leve sua barba no meu ombro.

– Desculpe por mais cedo. — pedi novamente.

– Esqueça isso. — ele pareceu tenso.

– Quantas pessoas você já levou lá? — perguntei relaxado em seu peito.

– Isso é importante? — ele parecia irritado.

– Sim. — murmurei. — Mas você não tem que me responder. — me afastei um pouco e ele me puxou contra seu corpo.

– Cinco. — ele respondeu esgotado.

– Contando comigo? — hesitei.

– Não. — assenti e me virei para ele, a água transbordou.

– Eu vou parar de fugir. — prometi.

– Isso seria bom. — ele me puxou de volta para o meu lugar.

Nós jantamos uma sopa que ele fez, ao contrário de mim, Derek era capaz de cozinhar sem explodir alguma coisa e era uma comida deliciosa. Gastamos horas assistindo televisão, abraçados no sofá até eu me sentir entediado.

– O que foi? — ele perguntou quando desliguei a TV e sentei no seu colo.

– Estou entediado. — acariciei seu peito, gostava de como sua pele era quente, de como ele era firme e seus pelos arrepiavam com o meu toque.

– Você se entedia muito rápido. — ele parecia um pouco cansado.

– Tenho Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade, o que esperava? — fiz beicinho e ele mordeu. — Ai! — ele lambeu o lugar e eu o beijei.

– Você me surpreende, sempre. — ele comentou enquanto nos beijávamos, continuei a intensificar o movimento e senti meu pau responder àquilo.

– Eu não tenho nenhuma condição de fazer isso de novo hoje. — resmunguei sentindo sua mão correr a calça de seda que ele tinha me emprestado.

– Eu não tenho camisinha aqui. — ele rebateu. — Fique tranquilo. — ele completou e me puxou para deitar com ele.

Em algum momento a gente adormeceu. Acordei em um aperto sufocante de seu corpo, Derek estava se remexendo e gemendo, era torturante. Ele parecia sentir dor e sua ereção investia contra mim por cima da calça, tentei me afastar e ele me apertou com mais força, estava tendo um pesadelo.

– Isso dói! Sai de cima de mim! Não! — ele gritou e investiu com mais força, puxei o ar com força e o obriguei a me soltar, caí no chão.

– Merda. — sibilei com o impacto e o vi pegar sua própria ereção e apertar com força, tentando se machucar.

– Não, por favor... — ele soluçou, senti meu coração quebrar um pouco.

– Derek! — o chamei e ele continuou a chorar e se debater. — Derek! — gritei e ele sentou, ainda sonolento, chorando. — Hey, está acordado? — ele resmungou e apertou o pau com força, toquei sua mão e ele retraiu o toque. — Está tudo bem, acorde. — murmurei alisando seu cabelo, ele estava suado.

– Stiles. — ele piscou com a visão turva de lágrimas. — O que aconteceu? — ele perguntou me vendo de joelhos no chão.

– Você teve um pesadelo, eu acho. — ele fez uma careta e levantou correndo. — O que foi? — o segui, ele estava vomitando.

– Sai daqui. — ele pediu inclinado sobre a pia da cozinha.

– Está tudo bem, estou com você. — alisei seu rosto quando ele terminou.

– Eu sinto muito. — ele pediu e eu o puxei para o meu peito.

– Está tudo bem. — ele se acalmou. — Vamos para o banheiro, você precisa de um banho garotão. — ele não contestou.

*

Stiles entrou comigo e eu me sentia assustado. Meu corpo tremia e meu estômago doía, era terrível me sentir assim. Ele pegou uma esponja e esfregou minhas costas, era um toque gentil, calmante. Ele não fugiu de mim, isso foi bom. Suspirei aliviado ao sentir seu corpo contra o meu, em um abraço confortante e silencioso. Ficamos um bom tempo debaixo da água morna, até que eu estivesse limpo e calmo. Voltamos para cama dessa vez e Stiles me fez deitar e cobrir, alisando minha testa como se eu fosse uma criança, era bom.

– Durma um pouco, vou estar aqui pela manhã. — ele sussurrou deitando ao meu lado.

– Desculpa por tudo isso. — falei agarrando sua cintura.

– Você não tem culpa de ter tido um pesadelo, Der. — arfei.

– Eu não queria que você tivesse me visto assim. — eu estava com vergonha.

– Assim como? Vulnerável, com medo? — engoli em seco. — Olhe para mim. — ele alisou minha cabeça. — Eu não sei o que tem nesses pesadelos, você pode me contar depois, mas eu estou aqui e não vou a lugar nenhum. — me agarrei a ele e beijei seu peito.

– Obrigado. — tentei voltar a dormir.

Acordei com o cheiro do café, Stiles estava sentado lendo alguma coisa em seu tablet enquanto bebericava em uma caneca. Me espreguicei e lembrei da noite anterior, ele tinha me visto exatamente como sou, em uma das minhas piores formas. Meu estômago contraiu enjoado e ele me olhou por cima do tablet.

– Bom dia, garotão. — ele sorriu e caminhou até a cama, saí num pulo e fui para o banheiro. — Você está bem? Quer alguma coisa? — ele falou atrás da porta que eu tinha fechado, não tinha muito no meu estômago para vomitar.

– Eu to bem. — murmurei enquanto lavava a boca e o rosto.

– Derek. — ele ainda estava atrás da porta. — Fale comigo. — ele pediu e eu hesitei em sair.

– Não tenho o que dizer. — ele me encarou por um momento.

– Tudo bem. Eu preciso trabalhar, ainda tenho que passar em casa e me trocar. — ele voltou para suas coisas. — Te vejo por ai. — ele saiu rapidamente sem me dar a chance de me despedir.

*

Derek não queria falar sobre os demônios dele e eu não falaria dos meus, era justo. Troquei de roupa e me apressei em ir para o trabalho, seria mais um dia comum, esperava que com bem menos agitação. Lydia estava me esperando com um café, estranhei.

– Derek Hale está ai. — ela murmurou e eu encarei a sala de Jackson, Derek estava sozinho conversando seriamente com meu chefe.

– Problemas? — perguntei e a ruiva continuou impassível.

– Eu não sei, eles estão assim desde que chegaram há meia hora. — assenti.

– Tudo bem, obrigado Lydia. — ela deu de ombros.

– Reservei uma mesa no Perbolas no almoço.

– Você vai pagar? — brinquei.

– Sem chance. — ela mexeu no cabelo e foi para sua mesa.

Me acomodei e atendi alguns telefonemas, depois agendei três reuniões. Uma hora depois Derek saiu da sala de Jackson, eles estavam apertando as mãos quando seu olhar encontrou o meu.

– Posso roubar Stiles um minuto? — ele pediu e eu franzi o cenho.

– Claro. — Jackson voltou para sua sala.

– Jackson, temos uma reunião em quinze. — avisei antes dele fechar a porta.

– Estarei te esperando. — assenti e segui Derek.

– Tudo bem? — perguntei preocupado, ele parecia arrasado. — Ok. — murmurei sentindo seu corpo contra o meu em um abraço inesperado e apertado. — O que foi isso? — retribuí o gesto, Derek parecia confuso e necessitado.

– Nós estamos bem? — ele sussurrou.

– Me diz você. — pedi alisando sua nuca, ele suspirou.

– Preciso de você, Stiles. — ele sibilou. — Nunca me senti assim antes e você... — ele engoliu em seco.

– O que foi? — perguntei o abraçando mais apertado.

– Você vai se cansar de mim, dos meus erros. Eu não sou bom para você. — ele me esmagou contra a parede.

– Hey, olhe para mim. — ele obedeceu. — Deixe que eu decido o que é bom para mim, ok? — ele arfou e assentiu. — Isso é por causa dos pesadelos? — ele desviou o olhar.

– Aquele sou eu, Stiles. Aquela sujeira toda, sou eu. — engoli o nó que se formou na minha garganta e o puxei para perto.

– Você é lindo, Derek. Não tem sujeira nenhuma. — ele tentou se afastar. — Não fuja. — pedi e ele cedeu em meus braços. — Eu preciso ir para essa reunião, podemos nos ver depois do expediente? Conversar sobre isso? — ele assentiu.

– Sinto muito por essa cena. — ele se recompôs.

– Tudo bem, nos vemos mais tarde. — beijei sua testa, ele me deu um beijo rápido e chamou o elevador.

Eu estava confuso com a reação do Derek, ele estava estranho desde o pesadelo. Tentei trabalhar até a hora do almoço, quando Lydia me arrastou para o Perbolas querendo saber de cada coisa que eu e Derek fizemos desde que nos conhecemos. Eu desconversei, adorava a Lydia mas não queria falar do Derek para ela, me sentia traindo meu próprio segredo, era o que queria que fôssemos, algo bom só para nós dois. Voltamos uma hora depois e eu fui direto para a próxima reunião.

– Escritório do Jack...

– Por que não me disse que Derek está apaixonado por você? — a voz da minha mãe me interrompeu totalmente.

– O quê? Quem disse isso? — perguntei confuso.

– Tem uma foto enorme de vocês dois se agarrando na rua, Stiles e trocando beijos em um restaurante. — arqueei a sobrancelha e googlei o nome de Derek.

– Puta que pariu. — xinguei vendo a matéria de capa, falando sobre como Derek Hale tinha resolvido reavivar um antigo desejo por homens e que eu era seu novo e mais importante acessório. — Preciso ir. — olhei o relógio, eram 16:30 ainda.

– Temos que conversar, filho.

– Mãe, preciso ir. — desliguei.

Jackson terminou sua ligação e eu terminei de guardar minhas coisas. Estava irritado com a reportagem e preocupado com Derek. Precisava ir para o Krav Maga hoje e dormir em casa, Scott também precisava de mim. Droga, minha vida se tornou uma bagunça em uma semana.

– Preciso sair mais cedo. — comentei ao entregar a ele mais um café. — Reservei uma mesa no Hunt para você e Danny. — ele sorriu.

– Tudo bem, obrigado Stiles. — sorri e me retirei, ou quase. — Stiles, eu sei que não tenho nada a ver com a sua vida, mas toma cuidado com o Hale. — engoli em seco.

– Ok. — peguei minha pasta e subi para o andar de Derek.

Caitlin estava no telefone quando cheguei e seu assistente não parecia estar por ali, passei direto por ela vendo sua carranca e sorri. Marco e Derek estavam discutindo alguma coisa e eu esperei sentado e paciente até que eles terminassem, quando o garoto saiu esperei mais alguns segundos e entrei.

– Não estou preocupado com isso, quero o projeto segunda na minha mesa. — ele estava no telefone, parecia irritado. — Merda nenhuma, vocês tiveram prazo suficiente. — ele rosnou, sentei e esperei ele terminar. — Não quero saber! — ele gritou. — Escute, eu tenho coisas muito mais importantes nesse momento para resolver, Stanton. Quero a merda do relatório na minha mesa pela manhã, não vou mais discutir isso. — ele desligou com raiva.

– Oi. — murmurei vendo-o me encarar surpreso e passar a mão pelo cabelo bem arrumado.

– Stiles, que surpresa. — ele sorriu e apertou um botão no controle remoto em sua mesa, tornando a sala opaca e protegida dos olhos curiosos. — Venha cá. — ele me chamou e eu fui, senti seus lábios nos meus e então sua insistência em me fazer sentar em seu colo.

– Você está trabalhando. — levantei e sente na cadeira a sua frente.

– Você precisa de alguma coisa? — ele pareceu se empertigar.

– Sim. — coloquei o tablete na matéria para ele. — Entender que caralho ser seu acessório significa. — Derek riu.

– Meu bem, a mídia é tendenciosa. Você não deveria procurar meu nome o tempo todo nela.

– Esse é o meu nome, Derek. — eu estava começando a me irritar com o sorrisinho cínico na cara dele. — Você armou isso, não foi?

– Eu só queria que todos soubessem que você é meu. — revirei os olhos.

– Que merda, Derek! Não tem nem uma semana que estamos juntos. — guardei meu tablet e me levantei. — Você não faz ideia de como é ruim ter sua imagem associada ao meu nome. — Derek cruzou os braços.

– O que você quer dizer com isso? — puxei o ar com força.

– Eu já disse, Derek. — ele arqueou as sobrancelhas e me viu andar de um lado ao outro, nervoso. — Merda, eu falei que tinha muita sujeira envolvida no meu passado, eu avisei. — o encarei irritado. — Agora você vai se arruinar por minha culpa, sofrer mais do que seu nome já sofreu. — ele se levantou e me agarrou pelos ombros.

– Do que você está falando? — dei dois passos para trás, se eu queria ficar com ele, se ele estava disposto a me mostrar ao mundo assim, Derek merecia saber.

– Preciso ir para casa. — tentei me afastar e ele manteve o aperto firme.

– Não, você vai me explicar isso antes de ir.

– Eu vou, mas agora preciso ir para casa. — insisti o encarando, o fogo estar lá queimando seus olhos verdes.

– Pare de fugir. — ele pediu.

– Não vou fugir, só me dê essa noite. — pedi

– Eu preciso de você, Stiles. Falei sério quando disse que queria mais do que trepar. — larguei minha pasta e o abracei.

– Eu não vou embora, Derek. Só quero pensar em como contar. Tem coisas em mim que se quebraram faz tempo, eu preciso contar antes que elas quebrem você também. — ele beijou o topo da minha cabeça.

– Eu não vou desistir de você. — eu não tinha tanta certeza.

No caminho de casa recebi uma mensagem da minha mãe avisando que nossa sessão conjunta com o doutor Deaton seria na quinta-feira, às seis. Mandei um ok e desliguei o celular. Tinha aceitado que Angus me levasse até a academia de Krav Maga e treinei pra valer, sem contar com a hora que gastei na esteira. Eu precisava tirar todas as energias do meu corpo, exaurir o meu sistema antes de encarar aquilo, era... importante.

– Eu vi a reportagem e a sua mensagem de voz. — Scott tinha uma garrafa de conhaque nas mãos e dois copos.

– Eu preciso comer. — comentei pensando no quão bêbado eu poderia ficar de barriga vazia.

– Tem certeza? — Scott estava certo.

– Derek vai me deixar. — murmurei deitado no tapete.

– Ele seria um imbecil se fizesse isso, Stiles. — Scott alisou meu cabelo enquanto eu gastava minha ladainha explicando meu plano.

– Preciso contar a ele, mas e se ele me odiar?

– Você não pode pautar sua vida no que aconteceu com Matthew.

– Eu sei. — murmurei e voltei a beber. — Ele vai me odiar. — voltei a resmungar.

Eu acordei me sentindo mau. Meu estômago doía e minha cabeça latejava, saí da cama e me arrumei para trabalhar, o dia se arrastaria e eu teria que contar tudo para o Derek depois do expediente, seria difícil. Conversei com Lydia na hora do almoço sobre coisas banais, Jackson fechou três contas e abriu um novo projeto. Terminamos nossas alterações para a Pleasure e me certifiquei de entregar quando acabasse o expediente. No fim, eu tinha falado com Scott no banheiro em meio a um surto que ele levou dez minutos para me ajudar a acalmar, minha mãe ligou novamente para falar das fotos que apareciam cada hora em um lugar diferente e então meu expediente acabou.

– Jackson pediu para eu entregar o projeto final da Pleasure. — entreguei para Derek assim que eu entrei.

– Você está bem? Parece que vai desmaiar. — ele levantou e me fez sentar no sofá.

– Não. — admiti.

– Stiles, olhe para mim. — eu fiz, mesmo que terminar e fugir fosse mais fácil. — Vou te levar para casa, a minha casa. — assenti.

Eu mantive o silêncio por todo o caminho, Derek me manteve perto. Nunca me senti bem com outro cara, desde que tudo aconteceu eu nunca estive realmente feliz ou satisfeito, nunca me senti parte de uma relação. Derek me fazia sentir livre e amado, mesmo que não fosse real, mesmo que não funcionasse. Agora, acabaria.

– Vou pedir nosso jantar, você pode tomar um banho se quiser. Pode pegar minhas roupas. — assenti e caminhei para o seu quarto.

Eu levei meu tempo, não estava com pressa e não queria contar nada para o Derek, mas era preciso. Saí e vesti uma de suas calças de pijama e seu moletom da NYU, respirei fundo antes de voltar para a sala e encontrá-lo com a mesa posta e o jantar pronto para comermos.

– Eu vou tomar banho rapidinho, é o tempo do frango ficar pronto. — assenti e deitei no sofá.

O jantar foi silencioso. Eu não queria falar coisa alguma e Derek respeitou isso, mas ao mesmo tempo segurou a minha mão durante toda a refeição e depois gastou duas horas da nossa noite assistindo Arquivo X. Eu estava sonolento quando sentei, me afastando dele e resolvendo que se não começasse a falar, perderia a coragem.

– Precisamos conversar. — disse abraçando meus joelhos no lado oposto do sofá.

– Você quer terminar? — ele soltou me encarando cautelosamente.

– Deus! Não. — baixei o tom de voz e desviei o olhar.

– O que foi? — ele me fez encará-lo e me beijou.

– Aconteceram coisas no meu passado, Derek. Eu não sou orgulhoso delas e com a mídia em cima da gente, isso pode vazar e você vai se prejudicar por minha causa. — ele soltou o ar com força e serviu duas taças de vinho, eu engoli todo o líquido da minha enquanto ele segurou a taça e esperou.

– Nada vai me fazer desistir disso. — ele bebericou seu vinho.

– Minha mãe tinha quinze anos quando conheceu meu pai, eles tinham uma química incrível e acabaram me fazendo na adolescência. Minha mãe era uma debutante de dezesseis anos quando eu nasci e meu pai era pobre. Nunca faltou nada na casa dele, mas era pouco para o tipo de casamento que minha mãe sonhava. Ela levou dois anos para encontrar Adrian Harris, um milionário dez anos mais velho que se interessou por ela. Meu pai ficou comigo um tempo e então quando ela se mudou para São Francisco, me levou. Ele tinha um filho seis anos mais velho que eu. Matt era... — engoli em seco. — ele não gostava de mim, culpava o pai pela morte da mãe e me viu como uma ameaça. Adrian não estava interessado na minha mãe, ela tinha livre acesso a fortuna enquanto criasse Matt, que me odiava. — Derek me puxou para debaixo do seu braço, me mantendo próximo o tanto quanto pôde.

– O que aconteceu? — ele perguntou bebendo um pouco mais.

– Eu tinha dez anos quando ele me estuprou pela primeira vez. — ouvi a taça de vinho estilhaçar nas mãos de Derek e o líquido manchar sua calça. — Meu Deus! Você se cortou? — ele levantou e jogou o vidro no lixo, colocando uma dose de conhaque para si mesmo e voltando, sua calça estava manchada com o vinho mas ele não pareceu se importar.

– Você contou para alguém? — sua voz era baixa, indecifrável. Ele continuou de pé ao lado da televisão.

– Não, ele me ameaçava. Dizia que mataria minha mãe e para provar que não estava brincando ele quebrou o pescoço da minha gata e deixou ela na minha cama. — estremeci e vi Derek virar a dose da bebida de uma única vez. — Algumas vezes as coisas ficaram tão ruins que eu pensei em contar assim mesmo, mas ele me impediu. — eu me encolhi, me sentia vulnerável.

– Ninguém percebeu? Porra, sua mãe não percebeu? — ele murmurou sem fôlego.

– Os empregados sabiam e nunca falaram nada, tinham medo do Matt, eu não quis arriscar minha mãe. Fiquei com medo. — Derek sentou ao meu lado e me puxou para perto dele.

– Eu não quis dizer que foi sua culpa, você era uma criança. — seu peito subia e descia ofegante. — Como você saiu dessa? — eu me afastei novamente.

– Ele gostava de... — levantei e caminhei pela sala.

– Stiles? — Derek me chamou e eu continuei de costas para ele.

– Ele gostava de enfiar coisas em mim e uma vez isso me machucou pra valer, minha mãe me viu sangrando de noite e me levou para o hospital preocupada, eu contei a verdade quando ela perguntou. O conselho tutelar foi avisado, houve um processo mas... está tudo lacrado, Finstock deu um jeito em tudo.

– Quantos anos você tinha? — ele perguntou com a voz firme.

– Catorze. — respondi e me virei para ele, tudo o que eu não queria estava ali. — Os médicos encontraram as cicatrizes anais, os hematomas no meu corpo...

– Meu Deus! Pare. — ele implorou.

– Eu fui para casa do meu pai depois, mas eu implorei que minha mãe não contasse nada.

– Stiles, eu não sei o que dizer. — o silêncio perdurou por vários momentos, até que eu me senti mau. Derek estava com pena de mim, seu olhar era assustadoramente doloroso. Eu me sentia triste com isso, porque a pena era tudo o que eu não queria dele. Não dele, não quando ele era a única pessoa que me fez sentir alguma coisa, a única pessoa que me fez sentir amado.

– Eu só não quero que você se prejudique. Se continuarmos a sair juntos, aparecer na mídia vou acabar causando constrangimento para você. — ele levantou e se aproximou de mim.

– Que porra você está falando, Stiles? Você foi vítima, como eu poderia te culpar? Como eu poderia ter vergonha de você? — me afastei, o olhar de Derek não tinha nada além de pena.

– Você não consegue olhar para mim. — murmurei sentindo a raiva subir lentamente pelo meu sistema. — Está com pena de mim.

– Eu não tenho sangue de barata, Stiles! — ele explodiu. — Você me conta uma coisa dessas e espera que eu reaja como? — ele hesitou em se aproximar.

– Eu não preciso da sua pena! — gritei de volta.

– E o que você quer, porra!? — ele berrou.

– Você! Eu quero o Derek que disse que queria me comer assim que botou os olhos em mim! — ele arfou. — Odeio esse seu olhar, como se eu estivesse sangrando na sua frente.

– Stiles... — seu tom era torturado, como se ele estivesse com dor.

– Olhe para mim, Derek. — desamarrei o laço da calça e fiquei nu. — Esse corpo é o mesmo que você usou naquele hotel, na limousine, eu sou o mesmo Stiles que te chupou no seu escritório.

– Ele te machucou, Stiles e eu podia ter estragado tudo com o jeito que te abordei, eu... — ele deu dois passos para trás.

– Eu não quero sua pena, caralho! Eu quero o cara que queria me foder, que precisava de mim! — gritei, as lágrimas escorriam desde que eu explodi.

– Eu não estou com pena de você porra! Isso aqui é tesão suficiente para você? É precisar o suficiente de você, porra!? — ele gritou de volta e tirou sua calça, seu pau estava duro e ele estava chorando, como eu. Eu fui até ele, até estarmos colados, nos beijando.

– Preciso de você. — murmurei.

Derek lambeu minhas lágrimas e me beijou, seu pau esfregando no meu, meu tesão começando a aparecer, a dor de lembrar de Matt tão viva na memória me impedindo de me entregar. Eu senti seu dedo na minha entrada, resvalando e provocando e gemi. Ele não deixou a minha boca, não permitiu que eu fizesse qualquer coisa, só continuou lá, me adorando do jeito dele. Lambendo meu corpo, me tocando com seus dedos, me deixando pronto para o seu pau que não demorou muito para estar dentro de mim, duro, quente, com força.

– Preciso disso, mais forte. — gemi e ele obedeceu, seu olhar estava preso ao meu, ele continuava chorando assim como eu.

– Stiles. — ele afundou seu nariz no meu pescoço. — Você precisa... — ele perdeu as palavras ao sentir eu me apertar em volta do seu pau. — porra. — ele gemeu.

– Eu não quero. — solucei.

– Stiles. — ele tentou se afastar.

– Não, por favor, não pare. — agarrei sua bunda e o forcei a meter mais forte.

– Vamos lá, meu bem. — ele tocou meu pau e o masturbou.

– Não. — me neguei mais uma vez, eu não queria que acabasse.

– Sim, você precisa disso. Me deixe cuidar de você. — ele pediu e eu cedi, o choro dando lugar ao desespero pelo orgasmo. — Isso, venha para mim. — ele mordeu meu ombro de leve e eu gozei. Ele levou um tempo para seguir meu exemplo, com estocadas precisas, fortes, profundas e eu o senti dentro de mim, se desmanchar, me aquecer, me encher.

Derek saiu de dentro de mim e me colocou deitado em seu peito, eu respirei e senti o pânico me abandonar aos poucos. Me sentia pegajoso e cheirávamos a sexo, mas ele estava ali comigo e não tinha corrido ou querido que eu fosse embora. Ele estava ali para mim, o mesmo Derek. Só que agora ele sabia a verdade.

– Nós não usamos camisinha. — comentei sem mover um músculo.

– Eu estou limpo e você também. — não era uma pergunta.

– Como você pode ter certeza? — ele bufou.

– Eu confio em você, Stiles.

– Você não vai me mandar embora, certo? — ele riu.

– Stiles acabamos de transar no meu sofá, você não vai a lugar nenhum que não seja a minha cama. — beijei seu peito, gostava do cheiro de Derek após sexo, gostava de tudo nele.

– Talvez seja melhor o banheiro primeiro. — mordisquei seu mamilo e ele estremeceu.

– O que aconteceu com Matt? — ele perguntou me fazendo tensionar os músculos.

– Eu não sei, Adrian pagou uma indenização de cinco milhões pelos danos e Matt sumiu depois disso. Está tudo lacrado e eu nunca quis saber ou mexer naquele dinheiro. — me encolhi, Derek me abraçou.

– É bom esse filho da puta nunca cruzar seu caminho de novo. — engoli em seco e o abracei.

– Vamos mudar de assunto. — pedi.