Mangle's Revenge
6 Afinal, morto
Notas iniciais
Era a terceira noite de Jeremy Fitzgerald trabalhando na pizzaria. Era o seu último dia para tomar uma decisão: ou nos consertava, ou morria.
Resolvi esperar por algumas horas antes de aparecer no Escritório. Fiquei na Kids Cove, rígida, parada. Os eventuais flashlights da câmera me cegavam instantaneamente antes de sumirem, mostrando que Jeremy usava o sistema de câmeras para vasculhar outras partes da pizzaria.
Num certo momento, decidi que estava cansada de esperar. Subi ao teto e saí explorando o restaurante. Os animatronics Toy estavam espalhados pelo local, mas não me viram porque eu usava as sombras para me esconder, esgueirando-me cuidadosamente.
Entrei pelo duto direito, espremendo minhas peças de metal na passagem estreita a fim de chegar ao outro lado. Mas quando minha cabeça saiu de lá, o que vi sentado à frente da mesa era Freddy. Pelo menos era a cabeça dele. Eu sabia que havia algo errado naquilo, mas meus scanners faciais não indicavam que era uma pessoa, e eu não arriscaria ferir outro animatronic, ainda mais sendo um Old.
Confusa, chamei por seu nome, mas ele pareceu não ouvir. Resolvi sair dali: talvez Jeremy tivesse ido para uma outra parte da pizzaria. Fiquei vagando pelo local, procurando Foxy para relatar o estranho acontecimento.
Encontrei-o na Game Area.
–Mangle? Pensei que estivesse no Escritório, por que não está lá?
–Foxy, aconteceu algo muito estranho — contei- Eu estava entrando no Escritório pelos dutos, mas quando eu cheguei lá, quem estava sentado à mesa era Freddy. Onde está Jeremy?
–Patife! — exclamou Foxy, praticamente cuspindo ódio. — Ele está usando uma máscara, Mangle. Isso confunde seu sistema de reconhecimento facial e faz com que você e os Toys não o ataquem. Foi para isso que ele entrou no Parts & Services. Eu vi ele pegando algo lá um dia desses, mas não pude distinguir o que era.
–O que vamos fazer então?
–Bonnie, Chica e Freddy estão nos ajudando a tentar matá-lo. Golden Freddy parece satisfeito em ficar quieto e jogado no Parts & Services, pelo menos por enquanto. Não entendo isso, pensei que ele odiasse humanos tanto quanto nós.
–E talvez ele até odeie — opinei -, mas talvez odeie a carnificina ainda mais do que os odeia.
Nesse momento bateu o sino das seis.
–Rápido, Mangle, antes que alguém nos veja. — Corri para o Kids Cove enquanto ele se dirigiu ao Parts & Services.
Quando Jeremy ia para a saída, ele passou por mim. Lancei a ele um olhar sanguinário, e mesmo que ele não tivesse notado, eu ficava satisfeita apenas em ter demonstrado meu ódio.
Aproveite bem seu dia, humano, pensei, porque esse será seu último.
–x-
Naquela noite, eu não estava para brincadeira. Decidi que mataria o guarda o mais rápido possível.
Eu sabia que os Toys também queriam matar Jeremy. Foxy havia me contado. Mas essa era a minha vez de me divertir. Mesmo os Olds, que eu considerava minha família, eu não deixaria que chegassem ao Escritório antes de mim. A festa é minha hoje.
Não esperei que o vigia se acomodasse na cadeira antes de atacar.
Você realmente não irá me ajudar.
Escalei a parede, deixando grandes arranhões e fazendo barulho. Eu queria que ele soubesse que eu estava a caminho. Queria que ele tentasse se proteger. Isso tornava a brincadeira mais divertida.
Eu sei que você poderia me consertar. Mas também sei que não vai fazer isso. Vocês humanos não se importam comigo. Eu não sou ninguém.
Fixei-me no teto, de cabeça para baixo, e segui meu caminho. Eu ia chegar lá antes dos outros. Hoje quem vai brincar sou eu.
Mas quando eu estiver arrancando sua carne dos ossos, colocando mãos, pés e órgãos nos lugares errados, como um brinquedo de montar, quem não vai ser ninguém será você.
Cheguei ao duto, percebendo que ele não me notara. Estava entretido rebobinando a caixa de música de Puppet. Fazendo o mínimo de barulho possível, subi ao teto e esperei que abaixasse o monitor. Quando ele o fez, empalideceu. Eu o encarava diretamente, com os dentes arreganhados. Ele havia feito uma péssima escolha em não nos consertar.
Depois de um segundo, ele se tocou e vestiu a máscara, mas agora não adiantava mais. Continuei lá, observando-o agoniado, sabendo que se levantasse o monitor para rebobinar a caixa de música, eu o mataria assim que o abaixasse, mas se ele não levantasse, Puppet viria e o mataria.
Era apenas uma hora da manhã. Era o fim da linha para ele. Jeremy suspirou amedrontado e levantou o monitor. Ficou o máximo de tempo possível checando as câmeras, adiando o momento de sua morte. Surpreendi-me quando ele começou a falar.
–Sei que você quer me matar, Mangle. — como ele sabia meu nome? — Eu não sei por que quer me matar, até porque você não sabe a minha história, mas eu mereço a morte que vocês querem me dar. Eu já fiz muita coisa ruim nesta vida. Eu já assassinei, feri pessoas, roubei.. Sou um fugitivo. Já cheguei a ser preso, mas escapei. Mudei meu nome, minha aparência e venho fugindo desde então. A verdade é que eu vim para morrer e estava ciente disso. — Sua voz estava embargada. — Vá, Mangle. Mate-me, eu imploro. Prefiro morrer a continuar vivendo com esta culpa que sinto, e prefiro morrer nas mãos de vocês a morrer na mão da polícia. Vocês foram parte da minha infância. Você e Foxy eram meus preferidos.
Eu já chorava silenciosamente, as lágrimas corriam pelo meu rosto e caíam no chão formando pequenas poças. Já não tinha a certeza, a vontade assassina de matá-lo.
–Me mate... por favor. Se não fizer isso, serei obrigado a destruir todos os outros animatronics.
Isso eu não suportaria. Com pesar e culpa, preparei-me para dar o bote. Ele finalmente abaixou o monitor e pude ver que seu rosto estava inteiramente banhado em lágrimas. Ele me encorajou novamente. Antes de balançar-me para frente a fim de morder sua cabeça, sussurrei um breve pedido.
–Me perdoe, Jeremy. Me perdoe por matá-lo.
Ele apenas sorriu.
Finalmente, avancei como uma cobra e mordi o crânio em cheio. Só pude ouvir Jeremy balbuciando um breve "obrigado" antes de cair para trás com a cadeira junto. Seu crânio estava quebrado e grande parte do cérebro estava exposto. Em meio ao banho de sangue, o fraco sorriso do guarda se destacava. Jeremy havia morrido em minhas mãos, mas isso não me fez feliz ou satisfeita como achei que faria.
Extremamente culpada, desabei no chão ao lado do corpo morto, chorando descontroladamente.
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