Notas iniciais
Queria deixar meus agradecimentos aqui, novamente: Mandy, pelos comentários e por estar me dando esse "gás", não só em Manchas no Natal, mas em Manchas de Sangue também! Muito obrigada, Vampirinha ♥ Leitor de uma autora só, que desde minhas primeiras tentativas como escritora vem me acompanhando. Sabe que cê mora no meu coração ♥ . . . Este conto está na reta final. Agradeço a cada visualização que tive (que foram muitas) e fico feliz que você tenha chegado até aqui! . . Link da playlist: https://open.spotify.com/playlist/2KRMLxPjClmD8Lbodz92Vw?si=62161d3fd6a44e05

Horas depois a noite já cobria os céus. Debaixo do teto da casa dos Rissi nós montávamos a decoração de Natal. Não houve época em que gostei dessas arraigadas, porém, nesse ano, existia esperança no meu coração.

— Essas luzes são irritantes! — Nay resmungou enquanto tirava o pisca-pisca da caixa. A observei com lenidade sentada no tapete da sala, a maneira desastrosa com a qual manejava a decoração e o ar maldoso diante de tanta vida. A árvore-de-natal exagerada que o loiro convencido comprou contrastava perfeitamente com a malícia dela.

Ela se destacava, como se trouxesse o halloween pro natal.

A baixinha parece que tá perdendo a guerra. — Roberto murmurou próximo a mim, me fazendo olhá-lo de soslaio. Aquele imbecil tava sorrindo como nunca. E talvez eu também estivesse. — Minha imperatriz do mal, não precisa maltratar tanto o pisca-pisca.

O loiro passou por mim, carregando uma caixa cheia de outras irritantes e coloridas, em demasia, decorações. Largando a caixa no chão e se ajoelhou próximo a Nay, calmamente libertava os pequenos braços presos nas luzes, o sorriso que demonstrava traduzia não só o seu cuidado, mas o desejo irritante de estar próximo a ela.

E isso não me irritava de verdade.

Se me perguntassem em quem confiaria a segurança dela, além de mim, essa pessoa seria Roberto Rissi.

Roberto possuía uma peculiaridade quando o assunto era a Nay. Vê-los juntos me fazia feliz, só que não era definitivo. A felicidade era envelopada em receios, medos, remorsos e arrependimentos, como se eu não pertencesse a esse mundo em que estava.

E não pertencia.

Tive medo de destruir.

Destruir os dois.

Diante da data, aos pés deles, senti que jamais poderia me entregar por inteiro a ela. Não como Roberto fazia.

Em questão de minutos, aquele lugar vazio e sem sentido no qual o loiro morava ganhava, além de tons vivos, o nome de lar.

— Idiota! — Nay gritou. Suas mãos estavam presas junto as do Roberto, ambas atadas pelo pisca-pisca.

Poderia ter rido, mas...

O barulho que sucedeu me fez emergir de qualquer pensamento amargo. A árvore grande de natal que estava próxima a eles balançou e balançou e balançou. A visão da cena era cômica, desesperadora e...

— Abaixa! — Roberto cobriu a Nay com o próprio corpo, impedindo que o impacto a atingisse.

Não atingiria. Nenhum deles. Não.

Eu não deixaria.

Nada machucaria aqueles dois idiotas. E se não estar aqui fosse a condição... Por mim, estaria tudo bem.

Consegui jogar meu corpo à frente e impedir a árvore de cair, uma de suas folhas de plástico esbarrava nos fios loiros do Roberto, o qual se manteve a abraçar a Nay.

Aquilo doía.

Meu sangue escorria lentamente pelo braço. Em que momento havia me ferido? Por que senti, naquele ato, que estava disposto a me ferir por eles? Por quê?

Todas as decorações caíram sobre nós, quando a ergui novamente, vi Nay sorrindo. O Roberto estava sorrindo. Talvez eu estivesse sorrindo, de novo.

— Acho que o natal tentou nos matar. — Comentou ela. — Vamos cuidar disso aí. — Meneou a cabeça na direção do meu ferimento, seus olhos repletos de preocupação e culpa.

Os dois me olharam, felizes.

— É, herói, salvou o nosso natal. — Roberto me parabenizou com um “joinha”, tão irritante quanto seu sorriso petulante. — Pode dar só mais uma mãozinha aqui? É tentador ficar enrolado com ela, mas tá começando a me dar câimbra.

Existia alguma maneira de ficar? Meu coração se atrelou a cada segundo, por uma irritante fagulha pertenci a eles.