Manchas no Natal
7 Capítulo 6

O que sucedeu o encontro com o Rissi foi uma série estranha de acontecimentos.
Seria muito otário se acreditasse que ela estava interessada em passar o natal com ele por pena de deixá-lo sozinho. Como enfiaria na cabeça daquele filho da puta que ela era minha?
Protegê-la era minha responsabilidade. Por que doeu tanto perceber que ele era mais certo pra esse papel do que eu?
— Nay, pode dormir no quarto de visitas. — A voz do Roberto me lembrava que a realidade era desconexa de muitos sentidos, mas todos pareciam me arrastar pra esse encontro. Coincidências em demasia para confiar no acaso. — La é mais confortável. — Ele a acompanhou até o pequeno cômodo enquanto o aguardei retornar, impaciente e sonolento, uma mistura irritante que resultava em cansaço e raiva.
Aceitar que ela vestisse suas roupas já era ruim, no entanto...
— Acho uma ideia excelente que se troque também, garanhão. — Quando o loiro retornou com o sorriso sarcástico e bateu no meu peito, largando uma de suas camisas, senti vergonha. Vergonha por me submeter a isso, mas seria por ela, o que eu não faria por ela? — Não quero que suje a casa toda com esse sangue nojento.
— Sempre diz o óbvio? — Não queria dar conversa ao Roberto, mas aquelas palavras escaparam, rebeldes.
— Só quando o idiota não percebe. — Recuou dois passos pra me encarar. Os olhos cinzentos como dias chuvosos me lembravam alguém. O jeito irritante de se portar me lembrava alguém.
—O único idiota que conheço foi o que criou o alarme dessa casa. — Provoquei em resposta. O alarme era complexo. Complexo pra caralho. Me tirou um valioso tempo, mas ele não precisava saber.
— Idiota é quem acredita que me ilude com palavras tão inconsequentes. Tô de olho em você. Não vou deixar que envolva ela nas suas... — Roberto encarou minha camisa manchada. — Tarefas.
Sabia que ele conhecia o meu eu que tanto escondia da Nay, e ele jamais disse a ela. Não conseguia imaginar o tipo de reação que ela teria diante da verdade. Me odiaria, provavelmente. Teria nojo, se afastaria sem qualquer consideração. Eu não permitira que isso acontecesse, no entanto, diante do Roberto, deixá-la não parecia tão insensato. Ela estaria bem... Com ele...?
O que posso fazer pra Nay entender que mataria por ela?
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