Maldição dos Deuses

10 Janeiro * A Filha de Zeus


Acordei coberta apenas por minhas próprias lágrimas com Percy me reerguendo do chão e me encostando na cama. Eu parecia em transi. Estava a três dias no acampamento meio sangue e não me sentia diferente e muito menos divina. Nada mais fazia sentido agora que minha mãe estava em perigo, o chão desabou sob meus pés e parece realmente que estou caindo para o Tártaro. Não há outra explicação. Percy, preocupado com meu estado, me leva para falar com Quíron e com sr. D, Anabeth também estava lá para me ajudar. Eu contei sobre a mensagem de Iris e tive a esperança de que eles rissem de mim dizendo que na verdade, foi só um sonho. Se bem que sonhos nesse lugar também são levados muito a sério. A preocupação deixou Quiron pelo menos 10 anos mais velho.

—Todo ano... – murmurou

Ele pediu para que eu não me desesperasse, que eles fariam tudo para localizar e proteger minha mãe, mandariam uma equipe em uma missão, mas não podia garantir nada. Eu queria ir na missão, mas não tive tempo de pedir todos já me prenderam lá imediatamente, lá no acampamento eu podia treinar, segundo eles, e receber algum contato da minha mãe que sabia onde eu estava. Por hora, o mistério sobre minha descendência so tinha aumentado. Basicamente, eu estava intrigando a todos, era o centro das atenções e um desastre.

Não conseguia encontrar a espada certa para mim e estava quase desistindo da esgrima, talvez aquela não fosse minha habilidade. Eu não era tão ruim em arco e flecha, mas não era forte, nem boa em escalada, canoagem sim, mas eu estava me sentindo uma péssima aluna em todas as coisas do acampamento.

No meu quinto dia no acampamento eu já tinha feito vários amigos no chalé de Hermes. Miranda, Clara, Connor, Travis, Bruno, porém, naquele dia muitas coisas estranhas aconteceram. Logo pela manha percebemos que Chris Rodriguez não estava mais lá e vimos o seguinte bilhete deixado por ele ao lado da porta.

Connor, Travis e todos do chalé 11,

Saibam que vocês são os únicos desse acampamento de merda que importam para mim. O resto é um bando de metidos, panacas, principalmente os deuses. Cansei. Quem sabe o que eu vou fazer, devia vir comigo. É o melhor a se fazer. Não adianta tentar me procurar apenas sigam-no e vocês sabem de quem eu estou falando. Adeus, Chris Rodriguez.

Um murmúrio que não cessava tomou conta de todo chalé até que Connor gritou.

—Silêncio!!

—Não vamos comentar sobre esse bilhete com ninguém, apenas diremos que ele desapareceu. Ta bom? – sussurrou Connor para Travis.

Eu conseguira ler o bilhete e eles não pareciam querer compartilhar o ocorrido com o resto do chalé e nem com ninguém, eles sabiam coisas demais. Todos concordaram com a cabeça e mesmo preocupados tivemos que seguir com as tarefas normais.

—Para onde ele foi? – perguntei a Bruno

—Bem – ele olhava de um lado para o outro para ver se ninguém nos escutava. – Ele foi encontrar Luke e se aliar a ele.

Não eram só Travis e Connor que sabiam coisas demais, todo chalé 11 era bem informado, talvez fosse uma de suas habilidades quanto filhos de Hermes, roubar informações.

—Aquele cara que deixou o acampamento para seguir Cronos? – eu indaguei.

—Ele mesmo, as coisas só estão piorando cada vez mais.

—Imagino.

Eu e Bruno passamos todas as aulas juntos e enquanto caminhávamos perto da casa grande conversando no final do dia, nos sentamos nos campos lá perto e observamos as plantações de morangos, as cores ficavam lindas ao por do Sol.

—Você acha que eu algum dia serei reconhecida?

—É claro! Você logo será.

—Quanto tempo você demorou para ser reconhecido quando chegou aqui?

—Eu já tinha sido quando cheguei. Na verdade, estava sozinho em casa, e de repente algo me atacou, um monstro, mas na época eu não sabia o que era. Fiquei desesperado é claro, tinha 7 anos e num instinto eu peguei meu bastão de Baseball e acertei o monstro com minha força quase inexistente. Consegui sobreviver graças ao meu pai que de algum jeito me ajudou naquele momento, o holograma do Caduceu apareceu sobre minha cabeça e enfim, minha mãe me contou o que tinha acontecido.

Olhei para ele, o reflexo do sol em sua pele morena, seus olhos pequenos e escuros encarando os campos de morangos e uma ruguinha se formava entre sobrancelhas, de preocupação. Ele até podia ser considerado bonito, mas as meninas do acampamento pensavam diferente. Algo sinistro aconteceu. Um bolo de campistas se reuniu em torno da árvore de Thalia, onde o Veloino de Ouro reluzia ao por do sol. Eu eBruno subimos correndo até lá e vimos no momento que uma menina pálida, com olhos maquiados pretos, mexas azuis flourescentes sobre os cabelos negros e a roupa de rock suja de terra, começou a tossir. Ninguem se atrevia a tocar nela.

Quem seria? Pensei. Percy chegou correndo e logo foi ajudar a menina, que abriu os olhos azuis cobalto eletrizantes.

—Morrendo...morrendo.

—Não,- Percy disse – está tudo bem. Você está segura aqui conosco.

Ela respirou fundo e observou a todos.

—Quem é você? Percy perguntou.

Ela olhou como se quem ela era não era mistério para ninguém e de forma arrogante disse:

—Eu sou Thaia. Filha de Zeus.

...

A semana seguinte não foi nada fácil. Com Thalia no acampamento tudo era diferente. Ela era o centro das atenções exatamente porque era filha de Zeus. É claro que não era culpa dela, mas aquilo me deixava mal principalmente porque ela era arrogante e nos tratava como criados. Imaginava como Percy estaria se sentindo.

Eu tentava ignorar a presença dela, o que não era possível quando ela me dava ordens, ou quando eu estava com Annabeth, que agora só pensava em Thalia. Eu amava passar meu tempo com Annabeth, ela parecia saber de tudo. Estudávamos história, matemática, a própria mitologia, mas como ela estava ocupada demais, não tinha mais tempo para uma novata. Com isso, passei a assistir cada vez mais aulas extras, fora às obrigatórias com o chalé 11, como aulas de história de monstros, que tinha uma audiência bem pequena. Até comecei a jogar vôlei com alguns sátiros, eles são muito bons.

Por falar em chalé 11, as coisas andavam bem estranhas desde o sumiço de Chris Rodriguez, o chalé andava mais queito e Travis e Connor não faziam tantas brincadeiras quanto antes. Um dia encontrei Percy Jackson treinando sozinho na arena. Estava indo guardar algo e ele parou para conversar comigo. Percy era um garoto meio desligado, mas muito simpático, ou tinha mesmo é criado carisma por mim. Perguntou-me se eu já tinha encontrado minha arma e eu respondi que não e durante os próximos dias ele me ajudou com isso, dizendo que para ele também tinha sido bem difícil.

—Percy, você se sente mal com Thalia por perto?

Seu rosto fechou.

—Gi, não é bem assim, eu não conheço ela, possivelmente só estou com medo de perder meus amigos para ela, porque ela veio antes de mim para algumas pessoas.

—Você fala de Annabeth?

—Sim, mas... Sabe, ela provavelmente deve ser uma Clarisse, isso não te da nos nervos?

Eu ri.

—Acho que vai ser bem pior que isso.

No final da tarde de quinta feira na penúltima semana de férias eu estava na aula de canoagem e Thalia, infelizmente estava na minha canoa, assim como Will Solace e Bruno.Thalia começou a me chingar dizendo que eu ia fazê-la perder a corrida, porque era muito incompetente e coisas do gênero. Disse que meu parente divino tinha vergonha de mim e por isso não me assumia como filha. Em uma explosão de raiva, eu nao soube o que eu fiz. Virei a canoa, e nós quatro afundamos no logo. Chegamos a margem e Thalia começou a berrar comigo. Uma nuvem negra com raios começou a se formar sobre sua cabeça. Ela explodiu um raio em mim e isso me deixou frita e mais furiosa ainda.

Minha raiva fazia o sangue borbulhar nas orelhas e eu sentia minhas bochechas com febre. Bruno pedia para que eu me acalmasse, mas em vão, é claro. Vi Quiron vindo a golopes da Casa Grande, porém nem isso me conteve. Ele falaria para Thalia não fazer aquilo novamente, mas ela nem escutaria e Quiron, o professor que eu já me apegava tanto não teria nada o que fazer, afinal não poderia punir a filha de Zeus ou seria punido. Me sentindo tão impotente fiz uma coisa incorpreensivel. Manipulei a água, como isso era possível?

Vi Michael, Bruno, que parecia feliz, Annabeth com o queixo caído e Percy totalmente pálido. Todos do acampamento pareciam esperar algo de mim. Algo que não aconteceu, um sinal, um pequeno sinal de meu parentesco.