Maldição dos Deuses
11 Janeiro * Uma Relação com os Mares
O chalé 3
Quíron convocou a Assembleia Geral do Acampamento para decidirem o que fazer comigo. Aparentemente eu era filha de Poseidon, mas ninguém vira o sinal.
—O sinal foi dado pelas águas, certamente.
—Nunca! Nem com o babaca do Percy algo assim aconteceu. –berrou Clarisse irritantemente.
—Ela não parece filha do velho Cracas. – Dionisio fungava meu pescoço.
—não vamos desafiar um aviso dos deuses.
—Eu sou igualmente um deus, se não se lembra, velhote.
—Sim, senhor. Ela será transferida para o chalé 3 enquanto averiguamos tudo.
E os olhares do acampamento recaíram sobre mim.
Logo quando eu me acostumara ao chalé 11 e as pessoas de lá me aceitavam como parte dele, fui arrancada de lá e jogada num outro. Maldito Poseidon!
A sorte foi que as pessoas de lá eram legais. Só moravam lá, Tyson e Percy. O ciclope e o filho de poseidon. O legitimo e adorado filho de Poseidon. No final daquela tarde, com o lindo por do sol laranja se pondo no horizonte distante que era o mar, entrei no chalé 3, suspirei, sabia que estar ali talvez fosse pior do que não ter parente. O cheiro de mar salgado era forte e delicioso como um aroma natural das conchas que formavam a parede. O local era menor do que parecia por fora. Duas camas beliches encostadas nas paredes laterais opostas, quatro armários finos de madeira desgastada em cada uma das extremidades dos dois beliches. No lado esquerdo, três puffs azuis esparramados no chão, uma TV tela plana pendurada precariamente na parede, uma pilha de vídeo games e fios com controles do Playstation 2 de Percy. Pendurado na parede um chifre estranho malhado e uma foto de Annabeth, Percy e um garoto com um gorro rastafári e cabelos cacheados que eu não conhecia e a outra de um meninho, Percy quando mais novo, lábios lanbusados de bolo azul, nos braços de uma mulher de cabelos castanhos ondulados e olhos gentis.
O lugar estava muito sujo, pacotes de salgadinhos por todos os lados, roupas sujas no chão O lado direito estava vazio, apenas o armário e mais nada. Deixei a pequena mochila no chão no canto direito e fui andando até o armário oposto estava aberto e todo bagunçado. Seria difícil conviver com aquilo.
Os meninos me receberam muito bem, estavam meio sem jeito porque agora teriam que dividir espaço com uma garota. Eles caíram no sono rapidamente e apesar de tentar, ao ver que agora eu tinha uma cama grande só para mim, só pude chorar e pensar em como o beliche estreito do chalé 11 era aconchegante e queria conversar com algum conhecido, mas aparentemente ninguém me conhecia.
O sonho
Parecia real ... Eu estava na praia que sempre ia com a minha mãe, aquela que eu tinha sonhado a algumas semanas com uma estranha batalha. Sentada na areia sentindo a brisa marítima quando de repente, uma voz soa atrás de mim>
—Posso sentar ao seu lado?
Virei-me assustada, de pé diante de mim estava um homem de meia idade, olhos verdes, cabelos pretos com um leve cacheado e alguns fios brancos, usava bermudas estampadas de praia e uma camiseta, sandálias e tinha um ótimo bronzeado de sol. Tinha rugas perto dos olhos o que dizia que ele sorria bastante. Um típico pescador comum, mas havia algo mais naqueles olhos verdes da cor do oceano. Algo naqueles olhos era aconchegante e havia poder também como se aquele homem fosse capaz de controlar qualquer coisa com o pensamento. Talvez eu estivesse errada, mas ele me parecia familiar de alguma maneira, mas eu tinha ao mesmo tempo certeza de que nunca vira aquele homem em todo minha vida.
—Claro – respondi inconscientemente
O homem se sentou e ficou observando o mar. Fiquei meio nervosa com aquilo, um homem estranho tão próximo a mim. Mas aquilo era um sonho o que poderia acontecer afinal? Olhei para o mar e então relaxei um pouco, o que sempre acontecia. A brisa e o barulho das ondas me acalmavam.
—O mar está lindo hoje, não? Quer dizer, eu adoro o mar todos os dias, mas hoje está especialmente lindo. – comentei.
O homem deu uma pequena gargalhada como se fosse uma piada pessoal.
—É mesmo. Você sabia que o mar só fica bonito para pessoas especiais?
—Não é verdade.
—Claro que é. Ele está assim agora porque você está perto, e o mar sempre te apreciou.
—Como você pode saber?
—Você é uma das pessoas mais intrigantes para mim.
-Ahn?
—É Gi, pense bem quem sou eu? Não temos muito tempo.
Então raciocinei. Nunca fui muito rápida para pensar, mas eu precisava. Aqueles olhos iguais ao oceano, aquele estanho homem... Ele tinha vivido muitos éons, por isso parecia tão poderoso, podia controlar muita coisa, era Poseidon
—Poseidon?
O homem apenas sorriu e voltou-se novamente para o oceano, observando o horizonte de modo calmo e sereno. Fiquei sem falas, o que ele estava fazendo no meu sonho, depois de todos os anos, ele era mesmo meu pai?
—O que você quer agora? Acha que tem o direito de invadir meus sonhos, você nem me conhece.
Voltou os olhos para mim com muita melancolia, sem pensar que não era culpa dele que os monstros existiam. Comecei a sentir pena dele, mas não podia demonstrar isso.
—Quero ajudar.
—Então você é meu pai verdadeiro?
—É bem mais complicado que isso. Você é bem espirituosa,-sorriu – Não posso te responder isso, temos pouco tempo. Bem, — disse com ar cansado – não espero que você goste de mim.
—Já entendi.
Será que eu estava sendo dura demais com ele?
—Tudo bem. Tenho algumas coisas para falar para você e a manhã se aproxima rápido.
Não disse nada então ele continuou.
—Zeus e Hades estão te procurando e quero que você tome os possíveis cuidados para se proteger. Eles ainda não sabem quem é você, e nem você deve saber mais do que já sabe, percebi que estava muito perdida e te ajudei no lago. Eles já estão buscando, eu sinto. Hades tem seus truques que tenho que admitir, são melhores que os de Zeus. Você é muito especial e não tem ideia do tamanho do seu poder. Será uma arma mortal no futuro
—Não preciso do seu reconhecimento. – odiei o jeito que me objetificou.
Ele me olhou com um brilho renovado nos olhos e um sorriso.
—Um dia você entenderá tudo
—O que?
—Esqueça. Você será muito importante para os olimpianos, Giovanna Halles.
—O que você quer dizer? Aquela profecia se refere a mim?
—Nem eu sei disso. Provavelmente não. Não essa.
Fiquei refletindo sobre as suas palavras sem entende-las.
—Tenho que parar de perder tempo. Tenho um presente para você...
—Sabe que não pode me comprar com um presente.
—Claro que sei. Você é igual a sua mãe. Ela é muito poderosa.
Ele enfiou uma das mãos no bolso e depois de vasculhar tirou de lá um anel. Era lindo , mas não parecia a mim algo útil, talvez para Marcela fosse o melhor presente de todos os tempos. Não ia me ajudar no quesito proteção. Ele era prateado e fino, tinha pedras coloridas, pequenas esmeraldas verdes como os olhos de Poseidon brilhavam ali, assim como uma pedra azul que se eu não me enganavase chamava safira. Elas se alternavam, em um verde e uma azul.
—No que isso vai me ajudar a ...
—Coloque no dedo, de preferência na mão esquerda.
—Porque?
—Apenas coloque.
Coloquei sem questionar mais. Ficava lindo.
—Perfeito para o seu dedo. Bem agora tire e pressione os lados do anel.
Obedeci. Pressionei as bordas do anel com o polegar e o indicador e em uma fração de segundos, o anel não estava mais na minha mão em seu lugar estava uma espada.
—É feita de ouro branco, só existe no fundo do mar. Na verdade, a reserva acabou essa é a ultima arma.
Um metro de ouro branco marinho, uma lâmina de dois gumes, totalmente equilibrada, como se tivesse sido feita especialmente para mim. O cabo tinha um tridente desenhado o couro preto o envolvia e as mesmas jóias do anel, safiras e esmeraldas incrustadas ali, na parte que a mão não segurava, o que não machucaria minha mão, era linda.
—É linda. É para mim?
—Sim, eu constumo chamá-la de Safilianty, por causa das Safiras. Mas seu nome original é Lautripiceruis, que significa Morte-Certa.
—Nome complicado hein,?
—Por isso Safilianty ou Safility fica bem melhor. – Poseidon sorriu – ainda mais que tenho certeza que você não vai querer usar o nome morte Certa.
—É.
—Bem como eu disse, ela é uma lâmina feita de ouro branco marinho, tão letal quanto bronze celestial. Acho que da para proteção não é mesmo? Quando quiser que volte a ser um anel basta pressionar esta pedra de Safira no centro e imaginar um anel. O mais interessante é que se você perde-la ou ela cair, voltará para o seu dedo, em forma de anel.
-Ahn... Obrigada Poseidon. Não sei o que dizer, eu...
—Não precisa agradecer, ela está destinada a ser sua há séculos. Tenho que ir. E você tem que acordar. Que os deuses te abençoem, se é que eu posso dizer isso. Adeus. – completou ele rindo
Caminhou em direção ao mar, quando a água chegou aos seus joelhos, ele sumiu, se desfez em água e foi embora, levado pelas ondas, se é que tudo aquilo não era ele prórprio.
Fale com o autor