Mal Particular
3 Capítulo - Irritações II
Notas iniciais
Espero que gostem.
"Abande o certo e o errado, decida por si mesmo. Deus nunca esteve do seu lado."
Traguei uma vez e logo em seguida me senti mais relaxada. Eu só fumava quando estava muito nervosa, triste, tensa e até mesmo quando eu estava muito feliz. O que era difícil.
Fiquei ali, em pé, durante um tempo. Eu pensava em como eu era infeliz, pois eu nunca estava feliz, alegre, animada ou algo do tipo. Tudo era “tanto faz”.
Um casal passou rindo e se abraçando. Acho que aquilo nunca aconteceria comigo, ninguém nunca iria me considerar do jeito que aqueles dois se consideravam. Sendo assim, eu nunca amaria alguém ou seria amada.
Triste. Mas isso não faz diferença, aliás, em todos os problemas e preocupações que eu tinha essa era a menos importante.
Olhei ao redor, a luz do poste que me iluminava apagou-se e eu me arrepiei. Eu sentiria medo, mas pelo contrário, me senti...segura, tranqüila. Era como se tudo em mim estivesse se acalmado.
Fui para o GG’s, logo que entrei encontrei Jean e Gus com a galera de sempre sentados em uma roda bebendo e se divertindo. Fui até lá e quando me viram arregalaram os olhos fingindo indignação.
-Dara!- Jean veio e me abraçou forte.-Me desculpe por não te dar os parabéns mais cedo. Mas é que você nem me deu tempo. Então. Parabéns, querida!
-Tudo bem, Jean.- eu ri de seu entusiasmo.
Todos me desejaram feliz aniversário, como eu odiava tudo isso.
Gus me chamou para fora, disse que queria conversar comigo. Mas primeiro pedi uma cerveja. Quando saímos, acendi outro cigarro.
-O que está acontecendo, Dara?- ele perguntou levantando uma sobrancelha.- Fumando?
-Oh! Bem...eu estou com vontade de fumar, sabe como é. As vezes dá vontade.
-Hmm...sei.- ele sorriu.
-Mas então...- traguei –O que queria conversar comigo?
-Bem...- veio e caminhou até ficar atrás de mim.-Eu estive pensando em certas coisas.- me abraçou por trás.
Me arrepiei.
-Gus?- perguntei com a voz rouca, ele riu em minha nuca. Me causando outro arrepio.
-Sim?
-O que tivemos a um tempo, acabou. Sabe disso.
Olhei para ele, que estava com uma cara de surpresa.
-O que aconteceu com você?
-Só não estou bem. Eu gostaria que você respeitasse uma vez.
-Certo, Dara.
Ele acariciou o meu rosto e me abraçou protetoramente. Ele devia imaginar o motivo por estar daquele jeito.
***
Gus me levou pra casa sem muita demora. Conversamos e ele até me conseguiu fazer rir, eu até que gostava dele. Bem, eu gostava muito dele. Mas gostava dele para conversar.
-Pronto, linda. Entregue em segurança.
Ri alto.
-Claro, Gus. Bom trabalho. Te vejo por aí, tchau.
Saí do carro e corri para a porta de casa, chuviscava levemente. Tentei abrir a porta, estava trancada. Estranho. Toquei a campainha pensando que minha mãe deveria te saído e minha irmã devia ter trancado, mas ninguém atendeu. Procurei nos bolsos de minha calça procurando as chaves, mas não encontrei. Havia deixado na bolsa que estava no meu quarto.
Bufei.
Bati na porta brutalmente.
-Eu não quero você aqui!- escutei a voz de minha mãe embargada por causa do álcool. Como ela conseguia ser tão repugnante?
-A casa não é só sua! Abra agora!- eu continuava batendo na porta.
-Não!
Bati o pé na porta com toda a minha força, fazendo-a abrir e bater no rosto de minha mãe que estava perto. Ela gritou, berrou, e pediu socorro.
Logo depois chegou a policia.
Por um momento pensei que estava ali na delegacia para ser interrogada, para ter de responder perguntas que realmente eram inúteis. Eu apenas estava tentando entrar na minha casa.
-Bem, Srta. Mitchell. Gostaríamos de fazer algumas perguntas.- delegado Born falava se sentando em minha frente. Quantas vezes eu vim parar aqui e só essa eu posso dizer verdadeiramente que sou inocente.
-Olha, Sr. Born. Dessa vez eu não fiz nada mesmo e...
-Claro, Dara. Eu sei disso- ele me interrompeu sorrindo. Levantei uma sobrancelha.
-Preciso perguntar o que fez você arrombar a sua casa.
-Oh! Claro. Bem...eu havia brigado com minha mãe mais cedo e então saí. Fiquei fora até agora e quando voltei, minha mãe não me deixava entrar.
Eu ia dar mais explicações, mas ele voltou a me interromper.
-E eu posso saber o motivo da briga?
-Bem...- não gostava de conversar esses tipos de coisas com alguém estranho, eu não conversava sobre isso nem com Jeane.
-Já entendi, Srta. Mitchell. Você está liberada. Mas devo lhe informar que sua mãe passará a noite aqui, ela me deve algumas respostas.
-Oh! Claro, sem problemas.- sorri e saí rapidamente da delegacia.
Alívio.
*****
Sexta feira, 13 de 1724.
Londres.
Não podia enxergar nada além do vermelho, não sabia onde estava ou como fora parar ali. Ele sentia cada parte de seu corpo sendo queimada. Cada pedaço de sua alma, de seu espírito, estava em chamas. Seus gritos eram agonizantes e ensurdecedores. Seu passado culpado passava por seus olhos, os queimando de modo horrível.
Mas algo era diferente, era como se ele visse tudo aquilo que temia. Seu desespero era palpável.
-Socorro!!- ele gritou mais uma vez.
-Querido, acalmasse.- a voz era rouca e tentadora, era mansa mas ao mesmo tempo ameaçadora.
Ele chorou, berrou, gritou por socorro novamente.
-Ninguém pode ouvi-lo, criança.- riu o dono da voz. –Você está no inferno.
O desespero aumentou.
***
-Dara?- escutei o choramingo de minha irmã ao entrar em casa.
-Anne, não se preocupe. Sou eu.- acendi a luz e ela veio correndo me abraçar. Só eu posso imaginar o sofrimento dessa pequena garota de 9 anos.
-Onde está mamãe?
-Ela está...na casa do Tio Martin. Ela e eu não estamos muito bem uma com a outra, então ela achou melhor ir pra lá- menti.
-Hmm.
-O que acha de um chocolate quente? Eu trouxe algumas coisas do mercado.
Ela sorriu feliz. Como era bom ser inocente, sem ter preocupações ou deveres.
Entre tudo de infelicidade que acontecia comigo, apenas ela me fazia ter vontade de estar sorrindo.
Após colocá-la na cama desci para lavar a louça. Se não fosse eu a arrumar aquela casa, ela apodreceria.
Subi as escadas e fui dar uma olhada em Anne. Deitei ao seu lado e adormeci.
***
-Anjo, vou ter de ir viajar hoje. Cuide de sua irmã por mim, certo?
Meu pai sorria pra mim, depositando um beijo em minha testa.
-Tudo bem, pai. Não vou deixar nada acontecer com Anne.
-Boa garota. Por isso papai te ama tanto.
Então saiu pela porta da frente. Logo após isso, era como se o tempo congelasse, eu me sentia totalmente vulnerável.
***
Acordei suando frio. Eu me lembrara daquele dia, pois no mesmo minha mãe havia chegado tarde em casa, bêbada. Me trancou dentro do banheiro e bateu um minha irmã até sangrar.
Ela tinha 5 anos.
Lágrimas desceram sem eu ao menos perceber. Só eu sabia o que era ter ódio pela mãe, a mulher que havia me dado a vida e que hoje, eu sentia nojo e repulsa, medo e rancor. Eu me sentia a pior das pessoas por me sentir assim, mas não posso controlar o que sinto.
Eram 6 e meia da manhã quando levantei para tomar um banho, eu acordara pior que ontem. Estava com uma dor de cabeça terrível, minha garganta estava seca e meus olhos estavam inchados. Eu estava ótima para um belo dia de aula.
Preparei o café da manha de Anne e deixei dentro do microondas, ela já se acostumara em se “virar” sozinha. Pelo menos nisso.
Coloquei meu óculos escuro, minha mochila, um maço de cigarros e fui pra escola.
No caminho vi meu Tio conversando com uma bela mulher. Ela tinha cabelos longos e negros, ondulados de forma perfeita, seu corpo era magro e esbelto. Ela era muito bonito.
-Oi, Martin.- sorri falsamente para o meu tio, ele sabia que eu não gostava dele. Só não sabia que eu me lembrava que ele havia tentado me molestar logo após a morte de meu pai.
-Oi, garota. Essa é a Srta. Belly, Belly Johnson.
Sorri para a moça que me olhou estranho. Parecia...surpresa.
-Sou Dara Mitchell.- estendi minha mão, então ela sorriu amarelo. Estranho...
-Bem...vou indo. Prazer em conhecê-la Belly. Tchau Martin.
-Diga a sua mãe que passarei lá amanha, precisamos conversar.
Fingi não dar ouvidos e continuei meu caminho a escola, ainda pensando na moça que havia acabado de conhecer. No modo como olhava para mim.
Notas finais
Comentem se for possível.
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