Mal Particular

4 Capítulo 4 - Conhecendo


Notas iniciais
Tá aí um novo capítulo ;D
A história tá um pouco sem graça ainda, mas tem que ser assim, se não não vai fazer muito sentido xD
Espero que gostem.
Boa leitura ;*

"Faz o que tu queres, pois todo homem é único e tem direito de viver como quiser"

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-Dara Mitchell!- acordei assustada com o grito da professora que eu sempre esqueço o nome. –Dormindo na aula novamente?


Odiava quando gritavam comigo.


-Desculpe...professora. Não dormi bem essa noite.- como eu odiava ser o centro das atenções, e ali estava, todos olhando para mim. Alguns riam e outros só me olhavam.


-Vá dar essa mesma desculpa ao diretor Greene, me aguarde lá.


Eu realmente tinha a suspeita de que essa mulher não gostava nada de mim.Levantei bruscamente e ao passar por ela murmurei “Inferno”. Deixando-a mais enraivecida ainda.


***


-Srta. Mitchell, olhe para mim.- levantei o olhar e vi Sr. Greene me olhando com pena –Sei que sua mãe fora presa na noite passada, eu sinto muito.


Minha vontade era de rir, ele não sente nada. Aquilo tudo era mais que artificial.


-Eu estava olhando em seu histórico escolar, suas notas são boas mas...- deu uma pausa e suspirou. –anda se drogando Dara?


Arregalei os olhos, meus olhos se encheram d’água.


-C-Como, Sr. Greene?


-Fui avisado pelo delegado Born que já foi pega várias vezes usando drogas. E é marcada com usuária.


Me senti totalmente humilhada. Odiava ser exposta desta forma, ele não era ninguém para me expor assim. Ele não imagina o que sofro ou o que sinto.

-Dara, Seu pai era um grande amigo meu e eu me sinto péssimo vendo a filha dele se acabando desse jeito.


Minha garganta torceu-se, me fazendo até sentir dor.


-Procurei ajuda e consegui com que tivesse um...


-Acha que preciso de Psicólogo, Sr. Greene?


Ele suspirou.


-Sim Dara. Mas...não é bem um Psicólogo. É realmente uma ajuda...vai fazê-la bem.


Solucei.


-Não precisa ficar nervosa Dara, é para o seu bem. E a noticia boa é que será amanha de manha, sua falta será justificada.


-Eu não preciso de uma pessoa que escute meus problemas, posso cuidar deles sozinha.- eu realmente não queria fazer isso.


-Não tem escolha Dara, ou você faz, ou você está suspensa das aulas até o ano que vem. Sendo forçada a ir para uma clinica de reabilitação.

***


Voltei para a sala, me sentindo no fundo do poço.


-Como foi a conversa com o diretor, mocinha?


Peguei minha mochila e saí da escola sem dar explicações. Sr. Greene liberou os portões para mim.


Corri para o meio da floresta, alguns galhos arranharam meu rosto e meus braços despidos. Tropecei em uma raiz de arvore e caí de peito. Me engatinhei e me encostei na arvore mais próxima, abracei minhas pernas e chorei.


-Onde está você quando eu mais preciso?- sussurrei entre soluços. –Onde você esteve este tempo todo?


Todo esse tempo sem ninguém para me ajudar ou me abraçar e dizer que tudo daria certo, eu não agüentava mais.


-ONDE ESTÁ VOCÊ?- gritei e desabei a chorar.


Engoli o choro. Para que aquilo tudo? Adiantaria de alguma coisa? Muito pelo contrário, isso apenas me destruiria mais. Se é que era possível.


-Você está morto.


Sussurrei e levantei ainda soluçando, fui para casa. Anne ainda dormia, acho que ela havia passado a noite anterior em claro. Merecia descansar.


Entrei em meu quarto, tirei minhas calças e minha camiseta que estavam sujas de terra. Coloquei-as para lavar e me deitei na cama. Eu estava cansada. Não era um cansaço normal, eu havia dormido bastante. Mas eu me sentia desanimada de tudo, exausta de todos.


Nunca tentei me matar, mas isso não quer dizer que eu nunca imaginara em como deveria ser bom me ver livre de tudo isso. Mas sempre pensei em Anne, e eu não era a única pessoa com problemas no mundo. Suicídio é para os fracos egoístas, que só pensam em si mesmos, que só sentem pena de si mesmos. Não serei mais uma desse tipo.


***


Acordei com Anne me cutucando.


-Mamãe chegou- ela sussurrou no meu ouvido.


-Onde ela está?


-No banheiro. Entrou lá faz meia hora e não saiu até agora, acho que está chorando.


Dei de ombros. O que quer que seja, ela mereceu.


-Que horas são?- perguntei ainda sonolenta.


-Meio dia.


-Você tem que ir pra escola, vá tomar banho no banheiro lá de baixo.


-Tudo bem- disse tristonha, ri.


-Não demore.


Fiz um sanduiche para Anne, já que não dava tempo para o almoço e a levei na escola de carro. Aquele ferro velho que eu gostava tanto. Só a levei de carro porque estávamos atrasadas, eu não tinha muito dinheiro pára combustível. Estava sempre economizando.


Ao voltar, procurei minha mãe por todos os cantos a casa e não a encontrei. Estranho.Dei uma arrumada na casa enquanto ela não voltava. Me sentia melhor, não muito melhor, mas estava mais calma.Estava até preparando um lanche, meu apetite voltara.

Meu celular tocou e atendi.


-Dara!- era Jeane.


-Que?- disse sem animo.


-Fiquei sabendo do acontecido com sua mãe, eu sinto muito.


Suspirei.


-Venha aqui para casa, podemos beber alguma coisa.- senti que ela sorria.


-Me desculpe Jean, mas não vai dar. Tenho muitas coisas pra fazer, e além disso, minha mãe sumiu. Tenho que buscar Anne na escola.


-Hmm...tudo bem então. Melhoras pra você, gata.- desligou.


Jeane era uma mulher de 22 anos e com um cérebro de 14. Isso me irritava as vezes.


A campainha tocou e eu até pude imaginar quem era. Meu querido Tio Martin.


-Pode entrar!- gritei da cozinha. Costumava trancar a porta sempre, mas já que eu a arrombei...


-Onde está sua mãe?- Tio Martin olhava para os lados, curioso.


-Sumiu.- dei de ombros e ri.
-Como pode rir em uma situação dessa?- irritou-se.


-Oh...- franzi o cenho, sendo sarcástica. – Me desculpe.


-Voltarei aqui mais tarde. Cuide-se garota.


E assim, foi embora.


O dia passou calmo, busquei Anne na escola. Fiz janta, jantamos e coloquei minha irmã para dormi. Minha mãe nem dera sinal de vida, isso já estava começando a me preocupar.


Dormi até bem, sem sonhos. Acordei com o telefone tocando, era Sr. Greene.


-Sim?- atendi grogue.


-Dara, me desculpe ligar em plena 6 horas da manha. Mas só liguei para avisar que a consulta será as 8 horas.


Senti meu estomago embrulhar. Ele me passou o endereço.Até pensei em não ir, mas eu não tinha escolha.


Tomei meu banho, fiz café da manha, comi e fui para a “Doutora” de carro.

Era muito longe.Ao chegar no lugar endereçado, não acreditei. Era um casarão no meio do nada, ele era enorme. De madeira, cheio de arvores em volta, todas as luzes estavam acesas. A casa era bem intimidadora.

Saí do meu carro meio receiosa, não sabia como chegar lá.Tomei coragem e fui caminhando devagar até a porta. Mas que porta, ela era grande feita de madeira escurecida com detalhes rusticos, era linda.

Toquei a campainha que resoou por toda a casa, parecia um cena de filme.


Ela abriu a porta. A moça que conversava com meu tio na manha passada. Belly, Belly Johnson.


-Oh, me desculpe. Acho que me enganei de casa.- já ia me retirando.


-Espere.- ela deu um passo e me pegou pelo braço. -O que você procura?


Sua voz era calma e aveludada, era como se ela cantasse. Enquanto a minha voz era rouca e grogue pelo mal humor.


-Bem...meu diretor me encaminhou para uma psicologa.


Ela sorriu. Seus lábios eram vermelhos pelo batom e eram cheios, sua pele era branca como neve, seus olhos eram grandes em um tom verde intimidador. Seus cabelos estavam presos em um coque com fios soltos.Aquele sorriso me reconfortou um pouco.


-Sou eu querida, sua Conselheira.


Levantei uma sobrancelha.


-Sério?- ri um pouco, meio sem graça. Eu me sentia uma criança perto dela.


-Claro. Venha, entre.


Entrei e me senti deslocada. A casa era enorme, móveis rusticos e antigos, porém bem conservados. o cheiro era agradavel, um cheiro floral.


-Sente-se, buscarei um whyskey para nós.


Estranhei. Whyskey? O diretor não tinha me encaminhado pra cá para largar meus "vicios"?Estou começando a achar que vou gostar dela.


***


-Então, Dara...- Belly falava dando um gole de sua bebida, sorrindo de modo convidativo. -O que tem a me contar?


Respirei. Eu nunca me sentiria a vontade para contar nada de mim, pois só eu, apenas eu, saberia o que realmente aquilo significava, o que aquilo afetava em minha vida e em meu psicologico.


-Nada.


Ela riu, um riso gostoso e agradavel.


-Querida, eu imagino o que deve estar passando.Apenas imagino pois nunca vou saber ao certo.


Me arrepiei, era como se ela tivesse lido minha mente. Olhei pra ela surpresa.


-Imaginei que estivesse pensando isso, eu pensava assim quando tentavam me ajudar.- então ela bebeu todo seu copo de whyskey.


Franzi o cenho, tentando entender o que ela havia tentado dizer com aquilo. Essa psicologa não era normal.


-Sra. Johnson, tenho uma pergunta.


-Por favor, Dara. Apenas Belly.


-Oh.- sorri. — Belly, você é o que?


-Em que sentido querida?


-Psicologa, psiquiatra, uma mulher que cuida de deficientes mentais...?


Ela riu.


-Bem...eu sou um pouco de tudo. Ajudo você a entender certas coisas e a superá-las. sou uma...conselheira. Prefiro usar esse termo, se encaixa melhor.


-Ah.


Um silencio descofortável prolongou, iria domorar até que eu me acostumasse.


-Sei que está sendo dificil, Dara. Pode voltar aqui amanha se quiser, não direi a Greene sobre isso. Fiquei tranquila.


Fiquei em silencio por um momento, pensando.Me levantei, me sentindo melhor ao saber que não seria obrigada a nada.


-Obrigada, Belly. Obrigada mesmo.


Ela me levou até a porta e então fui para casa, pensando em o que fazer em relação aquilo.


***


Acordei 6 horas, tomei um banho, fiz café para Anne. peguei as chaves do carro e fui para a casa de Belly.Eu havia pensado bem essa noite e de certo modo, mesmo eu não tendo "consultas" com ela, gostaria dela como amiga. Bem...em quatro anos, eu não me sinto tão a vontade com alguem como me senti com ela. Apenas com Anne, mas Anne era uma exeção.


Estacionei meu carroum pouco longe da casa, queri andar um pouco, observar o "mato". Fui até a porta e quando fui tocar a campainha, um homem abriu a porta. Engoli seco ao vê-lo.

-Olá...- aquela voz fez com que os pelos de minha nunca se levantassem. Com certeza, eu deveria correr, gritar por socorro. Mas eu não conseguia me mexer.


-A-a Sra. Johnson.


Só consegui falar isso. Ele sorriu, de modo assustador.Seu rosto estava pintado de branco com detalhes pretos. Aquilo dava muito medo, principalemtene com ele me olhando daquele jeito. Era como se ele quisesse ler minha mente. Seus olhos eram negros e vazios e, por um momento, me senti vazia.


-Entre, por favor...- gesticulou para que eu entrasse. Eu não conseguia falar nada, muito menos me mexer. -Antes que pegue um resfriado.


Foi então que percebi que o céu estava escuro e começara a chover, era muito estranho, pois quando saí do carro estava ensolarado.


Eu entrei. Não sei porque, mas o fiz.

Notas finais
E aí? Gostaram?
Comentem *.*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.