Notas iniciais
~ Esta fic é a continuação de A Símple Misunderstanding
~ American Bar Association é tipo a OAB aqui no Brasil.

Yuuri Katsuki é o mais jovem integrante da American Bar Association (BAR). Aos 22 anos, é Juris Doctor em direito (com honrarias, pela Havard, após ingressar como bolsista) e mestre em Psicologia (pela Universidade de Houston-Victoria) e desde que ingressou, lida com casos envolvendo diretamente com crianças e adolescentes com sucesso. Mas, é claro que alguém tão inteligente e tão jovem sofre com bullying em pleno tribunal de justiça.

"Aqui não é lugar de crianças." Ele escuta e sorri.

"E nem de idiotas!" Ele grita, dando risada da cara do homem que o havia criticado.

Yuuri Katsuki é diferente não só por ser um advogado jovem. Ele age como um jovem. Gosta de jogos, de música, trabalha de calça jeans, camiseta de desenhos animados e tênis e costuma andar com uma mochila cheia de bichinhos de pelúcia de diversos animais.

Muitos respeitam o rapaz por lidar com crianças e adolescentes. Principalmente os que são violentos, mal-educados e doentes mentais. E surpreendentemente, ele continua mantendo contato com elas, seja por telefone, por e-mail e até pessoalmente.

~x~

Um dia, após um julgamento envolvendo um casal que quer se divorciar e seus dois filhos e que ele atuou como intermediário entre os advogados do marido e da mulher (ambos ficaram chocados ao verem um rapaz tão novo usando calça jeans e camiseta de anime se sentando entre eles e pedindo ordem), ele anda pelos corredores do Tribunal quando percebe um menino de longos cabelos louros, na altura do ombro, sentado em uma das cadeiras, brincando com um PSVita. Ele observa alguns adultos tentando conversar com ele, mas balança a cabeça.

"Tsk." Ele faz, voltando a andar. "Bando de idiotas."

Ele se senta no banco, um pouco afastado do menino, pegando o próprio PSVita. Ele se anima quando vê o menino jogando Dragon's Crow e abre o seu, notando que a maioria dos adultsos, que trabalham ali e o reconhecem, se afastam deles.

"Dragão estúpido." O menino xinga.

"Quer ajuda para vencer ele?" Yuuri pergunta, fazendo o menino olhar para ele com a testa franzida.

Mas ele se surpreende ao ver o mesmo aparelho e o mesmo jogo nas mãos do mais velho. Yuuri pega seu aparelho de celular e habilita a wi-fi dele.

"Cheque a Wi-fi do seu PSVita por 'Katsuki' e ponha como senha 'katsudon', tudo minúsculo." Yuuri diz, acessando a wi-fi dele e conectando a rede. "Você me convida e a gente joga online."

O menino faz isso, e logo os dois se juntam à aventura. Com a ajuda de Yuuri, o menino finalmente mata o Dragão e ganha o troféu.

"Valeu." Ele diz, com um pequeno sorriso no rosto.

"Sem problemas." Yuuri diz, abrindo a mochila e deixando à mostra os diversos bichinhos de pelúcia.

"Posso ver?" O menino pergunta, com os olhos presos na mochila.

"Claro." Yuuri diz, retirando de um em um e o amostrando, até retirar um gatinho branco e o menino exclamar.

"Gatinho!"

Yuuri estende o gato para ele, que o olha com surpresa.

"Você quer?" Yuuri pergunta, sorrindo. "Eu te dou."

"Papa disse que não posso aceitar presentes de estranho." O menino diz, fazendo Yuuri dar risada.

"É verdade!" Ele diz, retirando a identidade e amostrando para ele. "Meu nome é Yuuri."

"Meu nome também é Yuri!" O menino diz, surpreso ao ver a identidade.

"Que legal!" Yuuri exclama, surpreso também. "Seu Papa está aqui também?"

"Ele tá ali dentro com Mama." O menino diz, apontando para uma das portas que dá para uma sala de corte.

"Entendo." Yuuri diz, desligando o PSVita e a Wi-fi do celular. "Sabe, eu estou sozinho aqui e ninguém quer ser meu amigo. Todo mundo é adulto e não ligam para mim." Yuuri diz, vendo o garoto afirmar com a cabeça.

"Sem amigos." Ele diz, e então olha para o mais velho. "Eu e você, amigos?"

"Sério? Eu adoraria ser seu amigo!" Yuuri se anima, pegando o celular, o destravando e estendendo para ele. "Você tem um celular, não tem? Ponha seu número, ai a gente pode se comunicar sempre que quiser."

O menino hesita por um tempo, mas estende a mão e pega o aparelho, digitando o número e salvando.

"Agora que somos amigos, você pode ficar com o gatinho. Mas você precisa de um nome para ele." Yuuri fala, entregando o bichinho para ele e pegando o celular de volta, ligando para o menino, que pega o celular do bolso.

"É você?" Ele pergunta, vendo o mais velho afirmar com a cabeça. "Ok."

Ele salva o número, fazendo Yuuri soltar um longo suspiro. Depois, o menino ergue o gatinho na altura dos olhos.

"Potya." Ele finalmente diz. "De Puma, Tiger e Scorpion."

Yuuri sorri, tentando conter com muita força a gargalhada que quase escapa dele.

"Olá, Potya! Proteja seu novo dono, Ok?" Yuuri fala, apalpando a cabeça do gatinho.

"Yuri, vamos indo." Uma mulher diz, e o menino guarda tudo na mochilinha dele, acenando para Yuuri, se despedindo.

Yuuri acena também, franzindo a testa ao ver o modo como a mulher agarra o braço do menino. Ele guarda suas coisas na mochila e se levanta, percebendo vendo um homem alto de cabelos prateados passar por ele, o assustando.

É ele? Ele está de volta?

~x~

Dois dias depois, de tarde, o telefone de Yuuri toca e ele se surpreende ao ver que é de Yuri, o menino que ele conheceu no tribunal. Ele atende, animado, mas desfaz o sorriso quando escuta o menino chorando.

"Alô?" Ele diz, preocupado. "Yuri?"

"Yuuri?" Ele escuta, entre soluços. "Me ajuda."

"Onde você está?" Ele pergunta, se afastando de seus amigos e pegando as chaves de sua moto.

"Na escola. Mama não veio me pegar e ninguém consegue falar nem com ela nem com Papa." O menino diz, soluçando.

"Tem algum professor aí que eu possa falar?" Yuuri pergunta, retirando o capacete da rede e o colocando no banco.

"Alô, aqui é Minako Okukawa." Ele escuta e congela.

"Minako-sensei?"

"Eh?"

"Aqui é Yuuri Katsuki." Ele diz, surpreso.

"Yuuri Katsuki? Ai meu deus! À quanto tempo!" Ela diz, aparentemente também surpresa.

"Podemos falar depois, Sensei. Estarei aí logo, logo." Yuuri desliga o telefone e o guarda no bolso da jaqueta.

Ele sobe na moto e coloca o capacete, a ligando e partindo rumo à sua antiga escola.

...

Quando ele chega, percebe o menino deprimido, segurando Potya nos braços, ao lado de sua antiga professora, Okukawa Minako. O menino se assusta ao ver a moto parar na frente deles e arregala os olhos quando vê quem está pilotando.

"Yuuri! Legal!" Ele grita, fazendo Yuuri dar risadas.

"Obrigado." Ele diz, e então olha para a professora. "À quanto tempo, Minako-Sensei."

"Yuuri Katsuki. Quem diria?" Ela fala, me abraçando.

"Professora, você conhece Yuuri?" Yuri pergunta, e ela sorri.

"É claro que conheço. Ele foi aluno nosso há 8 anos atrás." Ela diz, e o menino se surpreende.

"Oh..."

"Então, não conseguiram entrar em contato com os pais dele?" Yuuri pergunta para ela, que solta um longo suspiro.

"Não." Ela responde. "A mãe, apesar de ter a custódia dele, tem costume de desaparecer, mas deixamos de ter contato com o pai desde ontem."

"Yuri, você pode me mostrar o telefone de sua Mama?" Yuuri pergunta para o menino, que pega o celular, mexe nele e amostra um número.

Ele liga, e franze a testa quando cai na caixa postal.

"Agora, de seu Papa." Ele diz e o menino repete o movimento, mostrando outro número, que também não completa. "Tsk."

"Yuuri?" O menino pergunta, apavorado.

"Yuri, o que acha de passear de moto comigo?" Pergunto, o fazendo arregalar os olhos. "Eu prometo que você está seguro comigo."

"Para onde vamos?" O menino pergunta, curioso.

"Vamos passar o resto do dia nos divertindo." Yuuri abre um largo sorriso. "Vamos ir no cinema, brincar e comer. Depois, te levarei para a casa."

"Eu não quero ir para casa."

"Eh?" Yuuri pergunta, surpreso.

"Eu não quero ir para casa." Yuri repete. "Não quero ficar sozinho."

"E na minha casa?" Yuuri pergunta, surpeendendo o menino.

"A casa de Yuuri é super legal!" A professora diz, animada. "Eu e diversos professores vão lá para jantar e relaxar."

"Por que?" O menino pergunta, confuso.

"Minha casa é um Onsen. Tipo uma pousada, mas sem quartos para os hóspedes. Temos um restaurante e banhos termais."

"Posso ir?" Ele pergunta, surpreso.

"Eu acho... Que não faria mal algum" Yuuri comenta, sorrindo para ele.

~x~

Mas não foi bem assim que a situação se resolveu. No dia seguinte, Victor Nikiforov reaparece na vida de Yuuri após este finalmente entrar em contato com ele e informar sobre Yuri. Aparentemente, um mal-entendido acontece, pois em instantes, Victor surge, dá um soco em Yuuri e leva o filho, que está esperneando nos braços dele, para fora. Ele e Mari, que acabara de acordar, se entreolham.

"Yuuri? Pode me explicar por que diabos Victor Nikiforov deu um soco em você?" Ela pergunta, e Yuuri solta um suspiro.

"Eu não me importo com isso. Foi só um soco e ele me pegou de surpresa." Ele responde, se levantando. "Nee-chan, eu estou bem."

~x~

"Papa idiota." Yuri diz, abraçando Potya. "Papa machucou Yuuri. Yuuri é amigo. Yuuri me deu Potya."

"Yuuri?" Victor pergunta, surpreso. "Quando você fez amizade com ele?"

"Yuuri é amigo." Yuri o ignora. "Mama não foi me buscar ontem e nem ela nem Papa idiota atenderam. Eu liguei para Yuuri. Yuuri ficou comigo. Yuuri não me abandonou."

"Yuri." Victor o toca no rosto e o faz olhar para ele. "Quando você fez amizade com esse tal de Yuuri."

"Naquele lugar. Que você e Mama me deixaram sozinho no corredor." O menino pega o celular e mexe, ligando para alguém. "Yuuri? Você Ok? Desculpa Papa idiota."

Victor se assusta ao ver seu filho pedindo desculpas.

"Eu quero. Ok. Tchau." Yuri diz, desligando o celular.

"Você quer o quê?" Victor pergunta, agora curioso.

"Nada." Yuri apenas diz, voltando a ignorar ele.

Notas finais
~Preview do próximo capítulo ~

“Boa tarde, senhor Nikiforov. Meu nome é Yuuri Katsuki e serei o advogado de seu filho no seu processo de divórcio.”

“Senhor Katsuki. Muito obrigado por estar aqui.” Ele diz, o cumprimentando com um aperto de mão.