Mal-Entendidos Ainda Acontecem
2 Capítulo 2
Notas iniciais
"Yuuri? Você Ok? Desculpa Papa idiota."
"Está tudo bem, Yuri. Agora, eu estou muito preocupado com você. Você quer que eu te ajude?"
"Eu quero."
"Ótimo. Só não pode contar para ninguém, ok?"
"Ok."
Tchau."
Tchau."
...
Yuuri desliga o telefone, e abre um contato escrito Irregulares, já digitando uma mensagem.
Eu (Agora a pouco)
Tenho um trabalho para vocês. Quero todas as informações sobre Victor Nikiforov e sua esposa. Filho deles me contratou.
...
"Peço desculpas por incomodá-la quando a senhora deve estar tão ocupada, diretora Baranoskaya." Yuuri Katsuki diz, se sentando de frente para sua antiga diretora.
"É compreensível, Yuuri, já que estamos falando sobre Yuri Nikiforov." Lília sorri, observando Minako se aproximar com três xícaras de chá para eles. "Muito obrigada, Minako."
"Yuri é uma criança solitária e acredito que a separação dos pais seja algo estressante para ele." Minako diz, se sentando ao lado do ex-aluno."Ele não tem amigos, e ontem me surpreendeu quando ele ligou para você.
"Eu o conheci dias atrás, quando estavamos no tribunal, os pais dele estavam tendo uma audiência. Eu juro que não sabia que ele era filho de Victor Nikiforov quando eu o ajudei." Yuuri diz, tomando um pouco de chá. "Quando levei ele para o Onsen, percebi certos detalhes que me ainda me deixa preocupado. Yuri é muito leve para alguém da idade dele. Eu pude ver os ossos e marcar vermelhas quando o ajudei a tomar banho. Quando Mari nos serviu o jantar, ele... Ele só ficou olhando para o prato. Como se fosse a primeira vez que via algo tão apetitoso. Quando perguntei por que ele não come, sabem o que ele disse?"
Elas negam com a cabeça, surpresas com o que escutam. Yuuri morde o lábio.
"Ele disse: 'posso mesmo comer?', como se ele precisasse de permissão para fazer algo tão básico." Ele responde, as assustando. "Entendem agora porque eu quero que realize o quanto antes um exame médico nos alunos?"
"Muito bem." A diretora diz, o fazendo sorrir. "Minako, anuncie que este sábado teremos exame médico e depois, teremos uma palestra sobre bullying com o senhor Katsuki aqui."
Yuuri pisca diversas vezes para ela, surpreso, antes de começar a rir.
"Nada mais justo." Ele diz, checando a agenda e rabiscando algo. "Pretendo chegar antes do almoço, se não for problema. Assim poderemos analisar outros casos além dele."
"Muito bem." Lília diz, finalizando o chá e olhando para o ex-aluno com preocupação. "Você é um rapaz muito especial, Yuuri Katsuki. Desejo tudo de bom para você."
"Eu é que agradeço do fundo do meu coração por tudo que a senhora, Minako-sensei, Celestino-sensei, Yakov-sensei e muitos outros fizeram por mim durante toda a minha vida. Eu não seria quem eu sou hoje se não fosse por vocês." Yuuri diz, finalizando seu chá e guardando suas coisas na mochila. "Me liguem caso algo aconteça."
"Mas é claro." Minako diz, recolhendo as xícaras e se afastando deles.
Yuuri se despede das duas e se retira da sala, se preparando para sair da escola. Mas antes... Ele ergue o celular e digita uma outra mensagem para o contato chamado Irregulares.
Eu (Agora a pouco)
Tempo limite: Este sábado. Estarei na escola para dar uma palestra. Me encontrem atrás do ginásio depois.
...
Ele olha em volta, notando alguns alunos, espalhados pelo corredor, erguerem os próprios aparelhos e afirmarem com a cabeça. Com um sorriso no rosto, ele se afasta, saindo da escola.
~x~
Sábado
Quando os alunos se aproximam do ginásio para uma palestra sobre bullying, eles pensam ser um daqueles adultos de terno e gravata que veio falar de coisas que todo o mundo já sabe, eles não esperavam ver um jovem de calça jeans, tennis, camiseta do Harry Potter, sentado no palco e agitando as pernas. Quase todo mundo ficou em choque, exceto um certo menino louro, que de repente grita.
"YUURI!!!"
Os alunos e professores se assustam ao ver Yuri Plisetsky correndo na direção do estranho, que desce do palco e o abraça. O rapaz, com um microfone na mão, o ergue na boca e diz.
"Por favor, se aproximem e se sentem no chão." Ele diz, agitando os cabelos do menino, que dá risada. "Como devem saber, está é uma palestra sobre bullying. Mas eu não quero que seja uma palestra. Quero que seja um conversa entre todos nós."
"Quem é você?" Alguém pergunta, e o homem sorri.
"Meu nome e Yuuri Katsuki." Ele diz, olhando em volta, para os alunos ali presentes. "Sou um advogado do estado que trabalha com crianças e adolescentes."
"Mentira, você tem cara de adolescente." Ele escuta, e dá risada.
"Eu não sou. Bem, eu sou jovem para ser um advogado, mas qual é o problema? Eu terminei a escola aos 15 anos." Ele diz, fazendo os alunos, até Yuri, se surpreenderem. "Não é verdade, professora Minako?"
"Verdade." A professora que se aproxima, recebe o microfone dele. "Esse rapaz aqui é um ex-aluno nosso, que se transferiu depois de estudar em uma escola pública por causa de bullying."
Ela devolve o microfone para ele, que agradece.
"Verdade. Eu sofri bullying por 4 anos. Chegou ao ponto de eu ser levado para o hospital diversas vezes no último ano, quando meus agressores se tornaram muito violentos. Mas antes, deixe-me contar um pouco sobre o meu passado."
Ele abaixa o microfone e respira fundo, sendo observado atentamente pelos alunos. Ele olha novamente para eles, girando o rosto até que se assusta ao ver Yuri se levantar e se sentar no colo dele, surpreendendo não só ele como todos ali presentes. Dando risada, Yuuri Katsuki o abraça e ergue o microfone.
"Eu perdi meus pais aos 12 anos de idade." Ele começa, surpreendendo os alunos. "Eramos uma família de 4 pessoas, que veio do Japão para cá para tentar melhorar nossas vidas. Após a morte deles, eu e minha irmã mais velha lutamos para manter os negócios da família, que é um restaurante japonês e fontes térmicas. Eu tenho um problema no meu metabolismo que me faz com que a digestão dos alimentos que eu como ser mais lenta que o normal, então eu costumava ser uma criança obesa. Por causa disso, comecei a receber pelos meus colegas meus primeiros apelidos: Porco, Bunda Gorda, Baleia, nomes que jogam na minha cara o que eu já sabia. Eles riam de mim. Que eu era uma criança acima do meu peso, que eu era diferente. Muitas e muitas noites eu dormia junto com minha irmã, por causa de pesadelos."
Ele abaixa o microfone, respirando fundo. Ele nota Yuri o olhar, preocupado e dá um sorriso para ele.
"E então, o bullying atingiu minhas coisas. Meus livros e cadernos apareciam rasgados, riscados, no lixo ou incinerados. Minha mochila surgia as vezes no banheiro, dentro de privadas sujas de mijo. Meus lápis surgiam quebrados, meus uniformes e sapatos sujos de lama e tinta. Eu chorei muito, porque minha irmã fez enormes sacrifícios para comprar tudo para mim. Ela trabalhava dois empregos e ainda ia para a escola. Eu não podia... Eu não podia pedir mais dela. Desde cedo, passei a ajudar a manter o restaurante. Todo o dia tínhamos um prato diferente e ela os preparava depois que voltava para a escola. Eu servia os clientes e recebia o dinheiro deles. Minako e Celestino e até a diretora Baranoskaya são clientes nossos. " Ele para de falar, olhando em volta. "E então, passaram a me agredir 'acidentalmente'. Brincavam de me empurrar de um lado para outro, de mergulhar minha cabeça na privada, de de me humilhar na frente de todo mundo abaixando as minhas calças. Gente, não é fácil. A situação começou a passar dos limites quando me empurraram do alto de uma escada. Começaram a me bater, me chutar, puxar meus cabelos... Isso não é brincadeira. Isso é tortura."
Ele observa alunos se entreolhando, murmurando coisas incompreensíveis.
"No fim, acabei me transferindo para essa escola, e meu caso foi a julgamento, onde dei uma lição de moral para todos ali presentes. Querem que eu repita?"Ele pergunta, recebendo diversos 'sim' dos alunos. “Mesmo que o bullying seja errado, ele só é errado porque o agressor não tem um adulto do lado para dizer que o que ele é errado. E isso é algo que pode acontecer com o filho de qualquer um. E não adianta usar violência, pois a criança pode entender que ela também pode usar de violência fora de casa. Nesse tipo de caso, todos são culpados pela irresponsabilidade de lidar com a criança agressora e a criança vítima, mesmo que a criança agressora seja forçada a pagar pelos seus erros e a criança vítima viver traumatizada pelo resto da vida. Abram seus olhos e escutem o meu aviso antes que seja tarde demais.”
Ele sorri, vendo o efeito que as palavras dele está fazendo com os corações dessas crianças e adolescentes.
"Se alguém aqui quiser conversar comigo em particular, fiquen livres para pegar meu telefone e meu e-mail com a professora Minako. Se possível, tentem ligar de noite, pois é quando estou livre e não precisa ser sobre bullying." Ele diz, se levantando do chão. "Eu espero que minha experiência de vida sirva de lição para cada um de vocês. Desejo um bom dia para todos vocês."
Yuuri ergue Yuri, o abraçando com força. O menino chora, segurando com força a camiseta do mais velho. Cena que diversos outros alunos presenciam.
...
"Aqui, Yuuri-san." Yuuri recebe envelopes brancos de alunos.
Ele abre e confere os conteúdos, afirmando com a cabeça.
"Bom trabalho, meus Irregulares. Katsudon para todos mais tarde, como prometido." Ele diz, sorrindo quando os alunos comemoram entre si.
~x~
Quando seu advogado ligou afirmando que um novo julgamento foi marcado para semana que vem, Victor se encontra preocupado. Ele teme pela saúde se seu filho, mas mesmo tentando, ele não consegue fazer com que a guarda de Yuri seja dele, mas Suzan insiste em lutar pelo garoto. E estranhamente... Ele se vê relembrando constantemente o homem asiático que Yuri diz seu novo amigo. Yuuri.
~x~
Dia do julgamento
Quando Victor e o advogado, Yakov Feltsman, entram na sala onde o julgamento tem sido realizado, ele percebe que apenas o juíz e o redator já se encontravam presentes. Ambos se sentam, conversando entre si, até que a porta se abre. Victor, acreditando que é Susan, sua ex-esposa, ele não se importa em olhar para ver quem chegou.
"Boa tarde, Juíz Sanders, Doutor Feltsman." Uma voz familiar diz, e Victor gira o rosto, vendo o rapaz asiático de calça jeans, camiseta com um gato gordo e jaqueta.
"Katsuki?" Yakov pergunta, surpreso.
"Senhor Katsuki e seu cliente irá se juntar a nós nesse julgamento." O Juiz, Willam Sanders, revela para os presentes, cumprimentando o recém-chegado.
"Cliente?" Victor pergunta, surpreso. "Você é advogado?"
"Sim, eu sou. Boa tarde, Senhor Nikiforov. Meu nome é Yuuri Katsuki e representarei o seu filho no seu julgamento de divórcio."
"Senhor Katsuki, muito obrigado por estar aqui." Victor diz, o comprimentando com um aperto de mão.
Espera um minuto. Se ele é um advogado, significa que eu soquei alguém importante?
Quando Suzan McClould em seu advogado chega, se assustam também com a presença do asiático.
"Por que está aqui, Katsuki?" Kevin Jones, o advogado, pergunta para o rapaz.
"Estou aqui representando uma terceira parte no atual processo de divórcio entre Senhor Nikiforov e a Senhora McCloud." Ele abre um sorriso, e Victor nota que ele não cumprimenta nenhum dos dois.
"Vai bancar a babá novamente, eh?" O advogado pergunta, fazendo sua cliente o olhar com a sobrancelha erguida.
Victor, Yakov, o juíz e o escrivão decidem prestar a atenção nos dois, surpresos com o que escutam.
"Talvez deveria, se for para esquecer do próprio fillho e sair para namorar até o dia seguinte." Yuuri Katsuki diz, e Victor percebe tanto Suzan quando o advogado ficarem pálidos.
Então foi isso o que aconteceu? E como ele sabe disso?
"Quem é você para fazer acusações desse tipo? Gente como você deveria estar na escola estudando." Ela diz, e Yuuri olha para ela, sorrindo.
"Meu nome é Yuuri Katsuki. Sou advogado que trabalha para o estado de Nova York e meu trabalho é focado em auxiliar crianças e adolescentes. Eu posso ser jovem sim para trabalhar aqui, mas tenho o maior prazer de estar a disposição de quem realmente precisa." Yuuri responde, a surpreendendo.
"Ele realmente não mudou." Yakov comenta, dando risadas.
"Você o conhece, Yakov?" Victor pergunta, recebendo um olhar de surpresa de seu advogado.
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