Make Up
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Domingo de manhã…
Sabe quando o seu cérebro resolve te sacanear e você acaba acordando cedo em um dia que voce podia dormir até tarde? E pra piorar: você quer dormir mas não consegue de maneira nenhuma?
Bom, a festa foi muito… tensa. Bom, eu nunca escondi o fato de ser bissexual, mas eu não sinto tanta atração por garotos assim como eu sinto por garotas. Prosseguindo, como se deu o desenrolar denunciaram e quando a policia chegou todos saíram correndo. Eu não consegui me despeda festa: Algum ser humano (cofcofMegcofcof) estava fumando maconha no quintal, os vizinhos dir do Frank, porque a mala da Meg me puxou e saimos correndo pelos fundos. Pelo menos ela me deixou em casa depois de tudo isso.
Foi estranho o que eu senti com o Frank naquela hora. Eu ja sabia que esse sentimento de prazer nos braços de outra pessoa era possivel, mas nunca conseguiria descrever o que acontece durante isso tudo.
Na verdade, eu só conseguia sentir algo por uma pessoa: Julie Parker.
Eu não consigo entender. Eu conheço ela desde a setima serie. Bem… conheço de vista, eu nunca falei com ela, a Annie é mais proxima dela mas nunca fomos apresentados. Mas acho melhor esquecer ela. Ja estou ferrado o suficiente.
Hora de dormir… Relaxar… E… Meu telefone toca. Filho da P…
— Alo?
— Nat, tava dormindo?
— Não Annie, eu tava babando de olho fechado por hobbie.
— Ta bom senhor mal educado. Eu só ia te convidar pra vir em um pique nique a tarde no parque.
— É mais uma daquelas saidas onde voce me convida eu pago tudo?
— Na verdade não, mas se quiser marcar eu aceito.
— … Quem vai? (Pra me tirar da cama, só se jesus vier fazer reprise da santa ceia comigo)
— Eu, voce, o Jason, a Misha e a Julie.
Dei um pulo da cama e fiquei sentado.
— A Julie?
— Ficou feliz né?
A Annie era a unica que sabia que eu gostava da julie. Deixei escapar em uma das nossas conversas mas jurava que ela tinha esquecido.
— Ta bom, eu vou.
— Ah e o Frank vai tambem.
Aquele aperto no coração e no cu. Esse encontro podia acabar em merda.
— Eu não sei se vou mais.
— Por que não?
Rapido, vem uma desculpa.
— Dois casais e eu e a Julie? Parece meio obvio.
— Voce não gosta dela?
— Sim mas…
— Então vem de uma vez. Te encontro as 11 na frente da gordelicia.
— Ok…
E ela desliga o telefone. Eram onze e meia.
Depois da bela corrida pra tomar banho, se vestir, pentear e comprar alguma coisa no mercado fui pra frente da padaria encontrar Annie. Eu comprei uma torta Floresta Negra. Se levarem coisas duvidosas fico só no meu bolo.
Ja eram Onze e quarenta, e nada da Annie, eis que quando eu ja estava por ir comer alguma coisa (sim eu sou muito impaciente) ouço alguns sussurros vindo da minha direita.
— Ai meu deus é ele…
— Para com essa frescura.
Era Annie e a Julie. A Julie… Caralho era a Julie vindo. Já havia treinado para essa situação: respirar fundo e…
— Oi Nat— Falou Annie agarrada no braço da Julie.
—… Oi…
E foda-se a respiração. Ela era a unica pessoa que conseguia me colocar em desespero e alegria ao mesmo tempo com apenas uma palavra. E com uma bela tentativa de sorrir sem demonstrar panico:
— Oi Annie, O-o-o-o-ooooi Julie
E as duas começam a rir da minha cara. Perfeito.
— Que fofo… – Falou Julie.
— Não alegue antes de conhecer direito.
—Vou lembrar disso antes de te comprar bolo de novo. –Falei olhando para Annie.
— Pensando bem, até que voce é fofo até demais Nat.
— Foi o que eu pensei.
E de lá partimos para o piquenique. Jason e Misha já estavam lá nos esperando com uma cesta e a toalha. Jason é capitão do time de futebol: Alto, pele morena, e olhos claros. Ao contrario da maioria era um dos poucos atletas legais daquela escola, que ao invés de bater em algum indefeso, ou bebendo e fumando, estava ajudando outros a estudar nos grupos de estudo da escola, ou ajudando nos clubes. Misha era a aluna de intercambio da Angola. Negra, tranças longas, olhos castanhos e sempre de vestido. Ela era do clube de natação, sempre saudavel, e natureba. Tomara que não tenha trazido aquelas comidas estranhas de vegano.
Para minha surpresa foi mais agradavel do que eu pensei. Ficamos conversando sobre coisas aleatórias e falando mal de outras pessoas, e fiquei já sabendo de alguns podres que eu nunca iria imaginar. Por curiosidade acabei perguntando sobre o Frank, mas ele não havia nada demais, apenas o que eu já sabia. Porém a minha mente idiota insistiu.
— Mas isso é estranho. Como alguem do time de futebol nunca fez nada de destaque vergonhoso na vida?
— O que quis dizer com isso Nathan?— Falou Jason me encarando.
— Nada… Mas vai dizer que nunca fez nada como um ritual de passagem pro time?
— Na verdade todos nós fazemos o ritual, mas o que acontece no time, fica no time.
— Entendo…
— A unica coisa notavel que ele fez ultimamente foi ficar com uma garota linda na festa do Adrian ontem.
— Como assim?— perguntou Annie e Misha ao mesmo tempo.
Ele sacou o celular e mostrou minha foto com a Meg.
— Essa garota tava na festa. Todos os garotos queriam ficar com ela, mas o Stevenson foi mais rapido.
—Todos incluindo voce?— Falou Misha encarando Jason.
— Obvio que eu não queria. Até agora ninguem sabe da onde ela veio. A unica coisa que se sabe é que o nome dela é Natasha.
— Nathalie— Corrigi.
— Conhece ela?
Fudeu…
— Sim, minha prima.
Jason olhou a foto e a comparava comigo revesando o olhar.
— É, voces são parecidos… até demais.
— Querendo insinuar algo?
— Nada… Mas se voce estivesse de peruca até ia querer te pegar
Misha acertou aquela (linda e estrategicamente colocada) cotovelada na barriga de Jason.
— Brincadeira amor.
— er… Nathan?
Olhei para Julie ficando um pouco corado.
— Diga
Eu havia conhecido ela melhor. Já não ficava mais desesperado (não tanto) perto dela, mas ainda ficava um pouco nervoso.
— Vem comigo comprar um sorvete?
— Claro.— Me levantei — Alguem vai querer tambem?
— Não.
— Não.
— Não.
E eu fui com a Julie comprar o bendito sorvete. Fomos conversando coisas como "da onde conhece a Annie?", "Está gostando do dia?", porem meu nervosismo me fez dar respostas curtas e acompanhadas de um silencio breve, mas eu me redimia puxando assunto com ela. Conversa vai, conversa vem, eis que me deparo com uma bela surpresa: todo mundo sumiu. Porque será que eu já esperava por essa?
— Então.. O que fazemos agora?
— Não sei...— Olhava em volta — Mesmo que fossemos atras deles, acho que não os encontrariamos.
— Mas... Precisamos mesmo ir atras deles?
***********************
Passavam das sete e nós ainda estavamos juntos. Demoramos um pouco pra quebrar a barreira da vergonha, mas a superamos e conseguimos conversar normalmente e aproveitar a companhia um do outro. Nós passamos no parque de diversão naquela tarde, o passeio classico: roda gigante, doces, só não rolou o bicho de pelucia por icompetencia minha. Ainda passamos no cinema; eu crente que ela iria querer ver aqueles filmes chatos de comédia romantica ou coisa assim, mas fui surpreendido pelo pedido de assistir o flmes de zumbis que estava em cartaz. Ao entrar na sala eu sou surpeendido de novo: eu esperava uma garota mais meiga, das que se assustam e grudam no braço, mas muito pelo contrario: era uma rizada atras da outra. Certo que era ridiculo a forma que as pessoas morriam no filme, mas a cada morte por dilaceração, explosão ou sendo devorado, ela ria com certo desdém que todos nós temos ao ver algum personagem idiota morrer de uma forma mais idiota ainda. Eu estava gostando cada vez mais dela.
Depois dessa sessão de cinema fomos para a minha casa jantar. Ela disse que não seria problema, já que ela não tinha horaro pra voltar, e qualquer coisa ela chamava um taxi. Chegando no saguão da onde eu morava, o senhor Marcus (para variar fumando), nos encarou:
— Senhor Nathan, essa garota é inofensiva?
—Sim, Marcus, não vai precisar usar a barra de ferro dessa vez.
Ele suspirou de alivio.
— Menos mal...— Ele se levantou e chamou o elevador para nós — Seja bem vindo senhorita
Ela soltou um "obrigado" e nós entramos no elevador. As portas se fecharam e ela me pergunta:
— Eu tenho cara de ser perigosa a ponto de usar uma barra de ferro?
— Sinceramente... Depois do que ele passou, eu não duvidaria de nada.
— E o que aconteceu com ele?— Ela perguntava enquanto sorria.
— Vai por mim... não queira saber.
Nós entramos no apartamento. Ela se sentou no sofá e eu me sentei ao lado dela ligando a tv.
— O que faremos agora?— Perguntou ela, colocando uma almofada em seu colo.
— Que tal pizza e algum filme no Netflix?
— Hm.. Pode ser.
Pizza e Netflix. Dupla infalivel.
Pedimos a pizza e esperamos uma hora até chegar. Haviamos escolhido um filme de terror que parecia ser bom (porque por favor, atualmente não existe terror mais), porém para a nossa surpresa, assim que a pizza chega falta luz. Mas era impossivel ficar de mal humor perto dessa garota: Levei alguns cobertores e travesseiros para a sacada, acendemos velas e ficamos comendo a pizza sob o céu estrelado a cima e a cidade escurecida a frente.
Ficamos conversando sobre nós mesmos noite a dentro, e descobri coisas a respeito sobre ela que eu nem imaginava. Descobri que ela não queria ser lider de torcida, mas por pressão da irmã dela, que ja se formou, e seguiu o caminho das lideres por "tradição familiar"; Tambem soube que ela era fã de artic monkeys como eu e ja tinha ido em um show deles; e que ainda era fã de filmes de terror gore. Eu definitivamente estava gamando nela.
Estavamos olhando para a lua cheia, deitados um do lado do outro e ela se pronuncia:
— Nathan... Tem uma coisa que eu quero te dizer.
— Diga.
— Sabe.. eu sempre notei voce na escola.
— Eu tambem notei voce. Tipo, todo mundo nota voce.
— Não dessa maneira. Eu noto voce desde a oitava serie.
Eu me viro para ela.
— Eu noto voce desde a sétima.— Ela ficou corada de leve. Eu sorri e voltei a olhar para o céu. – Ganhei.
— Olha... Eu já tinha a intenção de falar com voce no fundamental, mas quando eu notei voce já estava quase no fim e fiquei com medo de falar com voce. Agora nesse ano eu vi que voce era amigo da Annie e me aproximei dela.
Opa... Desviei o olhar para ela
— Eu pedi para ela para.. "conseguir um encontro"— Ela faz o movimento de aspas com os dedos — Mas ela disse que era dificil e tudo mais, mas eu insisti um pouco e ela inventou o pique nique de hoje com a Misha e com o Jason para disfarçar melhor.
Tico e teco batendo.... Demorei um pouco mas finalmente entendi.
— Então voce sabia desde o inicio que ele iam sumir.
— Exatamente— Ela sorriu — Eu queria ter uma chance de trocar pelo menos duas palavras com o garoto que eu me apaixonei no fundamental.
Meu coração acelerou um pouco... Eu me perdi na respiração olhando para os olhos azuis dela, que ganhavam um toque de violeta na noite.
— .... – Eu suspirava, mas nada saia da minha boca.
— Nathan...— Ela colocou a mão sobre a minha e se aproximo de mim. – Eu gosto de voce. Muito. Eu não digo que te amo por que é profundo demais, mas eu sinto que eu gosto de voce mais do que o normal.
Ok... Agora que eu não tive reação mesmo. Sabe quando a gente tem uma situação formulada na cabeça com dialogo pronto, só esperando pra que isso aconteça? Esquece, eu esperei esse dia muito tempo e quando aconteceu, nada (repito: NADA) do que eu planejei falar, saiu como eu planejei falar. Mas eu tinha que falar algo.
— Sabe... Eu tambem gosto de voce – Ela ficou mais vermelha – Sempre quis saber mais sobre voce, mas nunca conseguia chegar perto. Pensei até em fazer aquelas coisas idiotas de deixar cartinha, mas parecia muito infantil e...
Fui interrompido por um beijo repentino. Não sei se era a noite, a brisa leve ou se era ela, mas o beijo parecia mais longo. Era a mesma sensação que eu tive com o Frank (Pera ai, por que raios eu to pensando nele? Volta pra Julie). Enquanto ela movia sua lingua com suavidade, a abracei e puxei para mim, ficando em baixo da mesma coberta. Porém, ela para por alguns instantes.
— Voce é o garoto que eu sempre sonhei mas nunca tive coragem de ir atras. Me arrependo de não ir atras antes.
— Eu tambem me arrependo de não ter tentado antes, mas... o medo era grande. Só não era maior do que eu sentia por voce.
Ela passou a mão pela minha barriga, por debaixo da camisa.
— Bem... hoje tenho a chance de mostrar o quanto eu gostava de voce.
Voltamos a nos beijar sob as estrelas. Era um calor que tomava mais que meu corpo. Uma sensação de alivio e vida ao mesmo tempo. Eu queria ficar parado e ao mesmo tempo gastar toda minha energia, uma antísese de meus sentimentos era o que me domava. Palavras e gestos eram pouco para definir o que eu sentia e o que ela me passava em baixo daquela coberta. Mas as poucas palavras que poderiam chegar perto foram ditas por ela em poucos minutos após o inicio do nosso "pequeno ato de paixão" em baixo daquela coberta.
— Nathan....
— Sim?
—... Te amo...
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