Mais um verão
16 Um dia de viagem normal
Notas iniciais
PERCY
–Narrator-
DEPOIS DE DEIXAR O APARTAMENTO DA MÃE DE PERCY, ANNABETH E O FILHO DO DEUS DO MAR CONTINUARAM ANDANDO PELAS RUAS DE NOVA YORK, pensando no melhor jeito de chegar ao outro lado do país.
– Bom... Algum plano? — perguntou Percy.
– Hum, acho que sim. — respondeu Annabeth.
– Quanto dinheiro nós temos? — perguntou Percy.
– Na mochila que Quíron nos entregou há cem dólares, em minha mochila devem haver uns quarenta e sete dólares e cinquenta centavos... Você tem algum dinheiro? — perguntou Annabeth.
– Talvez uns sessenta dólares. — disse Percy.
– Então, temos no total, duzentos e sete dólares e cinquenta centavos. — falou a linda garota loira. — Talvez possamos comprar duas passagens áreas e...
– Não! — disse Percy com o tom de voz um pouco elevado. — Quer dizer... Eu acho melhor irmos a terra mesmo.
Desde que fora ameaçado por Zeus a evitar ao máximo voar (isso incluía viagens áreas), Percy não queria nem mesmo sonhar que estava voando.
– Além do mais, este dinheiro pode servir na viagem de volta dos semideuses... Digo, não sabemos quantos são. — completou Percy.
– É. Você tem razão. Mas precisamos encontrar um jeito... — Percy podia notar que Annabeth estava se esforçando ao máximo para pensar em algo que os levaria até o outro lado do país, quando Percy falou sem pensar.
– Que tal irmos de pégaso?
Isto surpreendeu Annabeth. Às vezes, a resposta correta poderia vir de qualquer pessoa, não dizendo que Percy não sabia das respostas, mas geralmente quem respondia tudo era Annabeth. Ela considerou a ideia, e viu que isto poderia dar certo, e também era a única opção para os dois semideuses.
– Percy! Esta é uma ótima ideia! — disse Annabeth, abraçando-o. Os olhos de Annabeth brilhavam. Percy assobiou e em poucos instantes, um ponto negro podia ser visto no céu de Nova York, e não era a poluição.
– Blackjack! — falou Percy, quando o pégaso desceu do céu e ficou ao seu lado. — Quanto tempo, amigão! Hum, talvez depois. Sim, depois, Blackjack... — Annabeth riu. Percy, como filho de Poseidon, tinha a habilidade de conversar com cavalos, e pégasos. E estava fazendo isto, neste momento.
– Mas onde está o outro? Digo, somos dois e ele é um. — falou Annabeth. Percy ficou alguns instantes parado, olhando para a cara do pégaso, quando finalmente falou.
– Blackjack falou que seus amigos não podem vir. — falou Percy, montando em seu pégaso. — Acho que você vai ter que vir comigo. — disse Percy, estendendo a mão para Annabeth.
Percy havia pegado a mochila que Quíron havia lhes dado, deixando Annabeth apenas com a mochila que ela havia preparado. Eles colocaram as mochilas nas costas. Minutos depois, eles já haviam sobrevoando Nova York, e agora estavam passando por Nova Jersey.
– Percy, você acha que ele vai conseguir nos levar até São Francisco? — perguntou Annabeth.
– Eu não sei. Se ele não conseguir chegar a São Francisco, pelo menos já estaremos mais próximos.
A tarde já estava caindo, Percy e Annabeth ainda estavam desfrutando do passeio completo pelos Estados Unidos, quando Blackjack começou a planar.
– O que aconteceu? Nós estamos caindo? — perguntou Annabeth, um pouco desesperada.
– Blackjack!? — perguntou Percy, assustado. Ele esperou um pouco e ouviu a explicação do pégaso — Ah Blackjack! Eu já te falei que nós só vamos comprar donuts quando chegarmos à São Francisco! — Annabeth sorriu.
– Vamos, continue alto! — ela falou.
Trinta minutos depois, o céu começou a escurecer. Eles passaram a tarde inteira viajando nas costas de um pégaso, mas nem ligaram pelo fato da noite estar caindo.
– Acho melhor descermos... Já está ficando noite... Blackjack precisa descansar, e nós precisamos comer algo. — falou Percy. — Você consegue ver alguma lanchonete daqui?
Poucos instantes depois, eles já estavam em terra firme. Haviam descido em uma rodovia, a poucos metros de uma loja de conveniência. A loja ainda estava aberta, o que era bom. O lugar estava bastante deserto, o que não era tão bom. Luzes estavam acesas em postes. Eram aproximadamente 21h, o que mostra que eles passaram a tarde inteira e boa parte da noite em cima de um pégaso, viajando para o outro lado do país.
O local era cheio de árvores, o que fazia parecer que a loja de conveniência estava no meio de uma floresta. Annabeth decidiu ir à loja, para comprar alguma coisa para eles comerem. Percy explorou mais o lugar. Do outro lado da rodovia, havia um posto de combustível. Aparentemente, estava fechado, pois o movimento no lugar à noite era quase zero. Quase zero pois Percy viu um caminhão passando pela rodovia, então o lugar tinha algum movimento. Ele pulou uma fita amarela que cercava o posto de combustível, e examinou o lugar. Algumas lojas próximas ao posto, onde a loja de conveniências deveria estar, estavam fechadas. Ele andou um pouco mais, indo até uma árvore, que ficava entre quatro postes de luz. A árvore era enorme, Percy pensou que ela poderia ter mais de cem anos de existência. Ele estava tão encantado com a árvore, com o aroma das flores da árvore, viu até alguns frutos quase maduros nos galhos da árvore, que não percebeu que Annabeth se aproximava com algumas sacolas da loja de conveniência.
– Oi, Cabeça de Alga. — disse a garota.
Percy pulou tão alto que quase bateu a cabeça em um dos galhos da árvore. Annabeth sorriu.
– Nossa! Que susto! — ele disse virando para a namorada, também sorrindo.
Eles sentaram ao redor da árvore, Annabeth tirou uma toalha de sua mochila, e estendeu no chão, para pôr a sacolas. Ela havia comprado dois cheeseburger's, duas porções de fritas, e duas latinhas de Coca-Cola. Percy pegou seu cheeseburger, mordeu e fez um rosto feliz, como se dissesse que havia gostado. Ela entregou uma latinha de Coca-Cola à ele, junto de um canudinho azul. Ao ver o canudo, Percy se lembrou de sua mãe. Talvez ela estivesse dormindo junto com Paul à uma hora dessas (já que eles haviam se casado).
– Você sabe que horas são? — perguntou Annabeth, após comer um pedaço de seu cheeseburger.
– Nove? — respondeu Percy, fazendo uma pergunta.
– Nove e quinze. — falou Annabeth.
– Hm, não é tão tarde. — falou Percy, tomando um pouco de refrigerante.
Percy havia deixado Contracorrente fora do bolso, ao seu lado, para o caso de algum monstro o surpreender. Mas nada aconteceu. Eles terminaram de comer, e Annabeth sentou-se ao lado de Percy, olhando a rodovia.
– Esse lugar... Me lembra um pouco Montauk. — disse Percy.
Annabeth não falou nada. Apenas assentiu. Ela sabia que Montauk foi um dos últimos lugares onde Percy e Sally haviam ido, antes de Percy descobrir que era um semideus. Enquanto estava em Montauk, ele estava tranquilo, pois ele não tinha nenhum problema, além de ter de procurar um novo colégio para estudar... Mas pelo menos ele não tinha a preocupação que um semideus tem. Agora, sentada junto de Percy, Annabeth se perguntou se Percy tinha saudades de ser apenas um pré-adolescente, sem batalhas que podem tirar sua vida. Ela se perguntou se ele se arrependia de ter chegado ao Acampamento Meio-Sangue. Se perguntou se ele havia se arrependido de ter a conhecido.
– Percy... — falou Annabeth.
– Oi?
– Você... Você preferia não ter ido à Montauk naquele dia que descobriu que era um semideus? Você acha que era melhor não ter descoberto que era um semideus? — perguntou Annabeth.
– Por que você tá perguntando isso? Se eu não tivesse ido à Montauk, se eu não tivesse descoberto que era um semideus... Eu não teria conhecido você. — disse Percy.
– Sim... Você acha que era melhor não ter me conhecido? — perguntou Annabeth, fitando o chão. Sua voz era calma. Ela não estava acusando Percy, apenas perguntando, tranquilamente.
– Annabeth... Isto tudo aconteceu por que tinha que acontecer. Eu te conheci por que tinha que conhecer... Se eu não tivesse te conhecido, hoje você não seria minha namorada. E eu quero que você seja. Mas por que você tá perguntando isso? — falou Percy, e perguntou.
– Não é nada... — ela disse.
– Eu fiz algo que você não gostou? O que foi? Me diz! — Percy insistiu, olhando nos olhos da linda garota.
– Você não fez nada de errado, Cabeça de Alga! Eu só perguntei isto por que queria ter certeza de que você realmente gosta de mim. — disse Annabeth.
– Então você acha que eu não gosto de você?
– Não é isso! Eu só acho que não te mereço...
– Nunca mais fale isso. Você me merece, do mesmo jeito que eu te mereço. Fomos feitos um para o outro Annabeth. Eu nunca vou me separar de você! Eu te amo! — falou Percy, se aproximando de Annabeth, e dando um beijo na testa da loira.
– Eu também te amo. — disse Annabeth.
A medida que o tempo passava, ficava mais frio. Eram 22h, e Annabeth sentia muito frio. Percy tirou seu casaco, colocando-o ao redor de Annabeth.
– Mas e você? Não está com frio? — perguntou Annabeth.
– Eu só quero que você fique bem. Não se importe comigo. — disse Percy, abraçando Annabeth.
– Eu quero dormir aqui, com você. — disse Annabeth.
E assim aconteceu. Annabeth e Percy adormeceram naquele abraço, um aquecendo o outro. Como na noite anterior, Percy não teve pesadelos. Isto o assustou um pouco, pois frequentemente ele tinha esses sonhos ruins, mas estava agradecido por começar a não tê-los. Ele sonhou com Annabeth. Eles estavam sentados com os pés dentro da água de um lago, Percy não se lembrou de ter estado nesse lugar antes, mas se sentia bem em estar junto com Annabeth.
E então, Percy acordou.
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