Mais um verão
27 A procura por Percy
ANNABETH
–Narrator-
DEPOIS QUE SAÍRAM DO HOTEL, Annabeth estava se perguntando: em que lugar o Percy pode ter ido? Pois bem, ele era um garoto de Nova York, e essa era uma das primeiras vezes que ele visitara São Francisco. Annabeth sabia que ele não conhecia a cidade, e ele só podia estar em um lugar naquela praia.
– Onde vamos procurar primeiro? – perguntou Sophia.
– Uh, que tal andarmos um pouco pela praia? – sugeriu Andrew. Annabeth assentiu.
– Não temos muitas opções... – disse Annabeth. – Andrew, você poderia seguir a estrada enquanto eu e Sophia procuramos pela praia?
– Claro que sim. – respondeu Andrew.
– Se perceber que está muito distante do hotel, você volta e nos espera na entrada. – disse Sophia. Andrew assentiu.
– Sorte na busca, garotas. – ele falou. Elas assentiram.
Poucos minutos depois, Annabeth e Sophia andavam pela praia, gritando o nome de Percy, tentando encontrá-lo, mas sem nenhum sucesso.
– Não há mais onde procurar. – disse Sophia. Annabeth estava séria, como se não quisesse aceitar que seu namorado tivesse desaparecido.
– No mar. – a garota loira falou.
– Ahn, o que disse? – perguntou Sophia.
– Percy está no mar. – falou Annabeth, virando o rosto em direção ao mar.
– Mas... Se ele estiver mesmo no mar, como vamos encontrá-lo?
– Eu... Não sei. – Annabeth falou, balançando a cabeça, negativamente. Logo em seguida, sentou-se sobre a areia. Sophia sentou ao seu lado.
As pernas de Annabeth doíam de tanto andar, e seus olhos estavam vermelhos. Nesse momento, parecia que seu corpo não conseguia mais produzir lágrimas, e por esse motivo, ela parou de chorar.
– Eu sei que tudo isso está sendo muito difícil para você, Annabeth. Mas acredite em mim. Vamos encontrar o Percy e vocês vão ficar bem. – disse Sophia, olhando nos olhos cinza-tempestade da bela garota loira.
– Você... Está certa. – disse Annabeth. – Obrigada por tudo, Sophia. Não sei o que faria sem os seus conselhos.
– Tudo bem. Agora vamos continuar procurando pelo Percy. – disse Sophia, forçando um sorriso. Annabeth assentiu, e as duas garotas levantaram da areia e continuaram andando.
Andaram mais alguns metros, até que Annabeth avistou algo e correu em direção ao mar. Sophia apressou-se, acompanhando Annabeth na mesma velocidade. De repente, a garota abaixou-se e Sophia conseguiu alcançá-la.
Annabeth segurava algo que estava caído na areia. Parecia um colar, com alguns objetos desenhados pendurados nele.
– Annabeth... O que é isso? – Sophia perguntou.
– É... O colar de contas do Percy... – falava Annabeth, entre soluços. – Todos os semideuses do Acampamento Meio-Sangue têm um desses. O número de contas de argila é equivalente aos anos de frequência de um semideus no Acampamento.
– Hum, deixe-me adivinhar... Percy tem quatro contas, então ele já tem quatro anos de Acampamento? – perguntou Sophia. Annabeth assentiu, enxugando as lágrimas.
– Acalme-se, Annabeth. Ele está bem. Deve ter deixado isso cair, mas não deve ter acontecido nada grave. – falava Sophia, consolando a garota loira.
– Sim... – disse Annabeth, levantando-se. – Vamos continuar.
*****
–Narrator-
Um pouco mais longe dali, Andrew procurava por Percy, andando por algumas ruas paralelas ao hotel. Tudo que ele havia conseguido avistar até agora foram algumas pessoas, caminhando pela cidade. Nenhum sinal de Percy.
– Ah, Percy... Onde será que você se meteu? – pensava Andrew.
Andrew andou por mais alguns instantes, até decidir que estava longe o bastante do hotel: era hora de voltar. Percorreu todo o caminho de volta ao hotel em que eles estavam hospedados, e sentou-se em um dos bancos da entrada esperando por Annabeth e Sophia.
– Será que elas vão demorar? – ele se perguntava.
Ele olhou para todos os lados, até para o céu.
– Pai... Eu não sei quem você é, mas, por favor... Me ajude. Ajude meus amigos. Me diga onde o Percy está. Sei que você pode não estar ouvindo, mas não custa nada tentar, não é mesmo? Faça esse favor, pelo menos esta vez... Desde criança, nunca precisei de algo seu. Estou precisando agora. Conto com o senhor.
E então Andrew ouviu uma voz em sua mente, parecia a mesma que disse a ele aonde ir com Sophia para encontrar Percy e Annabeth pela primeira vez, mais cedo.
– Às vezes você está na direção correta, mas em sentido equivocado. Às vezes você está no sentido correto, mas não chega à seu destino por desistir de continuar.
– Nossa. – Andrew falou irônico. – Ajudou muito, sabe.
Andrew tentou se concentrar. A ajuda que ele recebeu não parecia muito óbvia no começo, mas quando as engrenagens começaram a girar, ele parecia ter uma ideia.
– É isso! Se não foi na minha direção, deve ser na delas! – falou Andrew, levantando do banco e entrando no hotel. Ele subiu as escadas rapidamente, e chegou ao quarto que eles haviam alugado. Pegou as mochilas de Percy e Annabeth, e fechou a porta do quarto. Deixou o hotel, correndo em direção ao local onde as meninas haviam ido.
Depois de percorrer alguns metros, Andrew avistou Annabeth e Sophia, voltando pelo mesmo caminho.
– E aí? Encontraram? – perguntou, aproximando-se das garotas.
Sophia balançou a cabeça negando. Annabeth segurava uma espécie de colar em suas mãos, coladas aos seus seios.
– O que é isso? – o garoto perguntou.
– É o colar de contas de Percy. – explicou Annabeth, enxugando as lágrimas que insistiam em rolar por seu rosto rosado.
– Todo semideus que frequenta o Acampamento Meio-Sangue tem um desses. – falou Sophia. – Mas... E você? Encontrou alguma pista de onde o Percy possa estar?
– Mais ou menos. De onde vocês decidiram voltar? – perguntou Andrew, olhando para a direção de onde elas vieram.
– Depois daquele coqueiro caído, mas... Por quê? – perguntou Annabeth.
– Eu pedi ajuda ao meu pai... – explicou, e olhou em seguida para Sophia. — E ouvi aquela mesma voz que nós ouvimos mais cedo, dizendo para encontrar Percy e Annabeth na praia.
– E o que a voz disse? – Annabeth perguntou. Parecia que uma nova chama estivesse sendo acesa no local da anterior, reanimando Annabeth, e incentivando-a a continuar a busca.
– Às vezes você está na direção correta, mas em sentido equivocado. Às vezes você está no sentido correto, mas não chega à seu destino por desistir de continuar. – falou o garoto — O sentido correto só pode ser o de vocês, já que na estrada não há nenhum sinal de Percy.
– Isso quer dizer que não devemos parar, e seguir na mesma direção que estávamos seguindo antes de decidir voltar ao hotel. – deduziu Sophia.
– Sim... Mas como vamos saber a que direção essa voz estava se referindo? – perguntou Andrew, confuso.
– Se não era no sentido em que você procurou... Só pode ser na mesma direção em que encontramos o colar de contas de Percy. – disse Annabeth, olhando para Sophia.
– Então devemos voltar lá, e seguir na mesma direção, até achá-lo! – falou Sophia.
– Sim, mas... – Annabeth olhou distante. – Vocês querem mesmo fazer isso? Podem voltar ao hotel, eu continuo daqui sozinha.
– Nunca, Annabeth. – disse Sophia.
– Vamos te ajudar a encontrar Percy, e iremos todos juntos para o acampamento. – disse Andrew, entregando a mochila de Annabeth. Ela pegou a mochila e colocou nas costas.
Uma lágrima rolou pelo rosto de Annabeth, e essa não era como as outras, tristes. Não, essa era uma lágrima de alegria. Annabeth sabia que conhecera Andrew e Sophia há pouco tempo, mas já eram grandes amigos, e estavam ajudando a procurar Percy.
– Obrigado. Obrigado mesmo. – disse a garota loira.
Andrew e Sophia sorriram.
– Vamos. – disse Andrew. – Ainda temos que encontrar Percy. — Annabeth assentiu.
Eles andaram naquela mesma direção por minutos. Chegaram a um lugar distante, parecia deserto, longe da estrada e do hotel.
– Você sabe onde estamos? – perguntou Andrew.
– Não faço ideia. – respondeu Annabeth.
Pararam e sentaram-se em baixo de uma árvore. Já estava tarde. Muito tarde. E num piscar de olhos, adormeceram.
Annabeth sonhou com um navio atracado perto de uma praia. Sobre a areia, estava Percy, caído e inconsciente. Ela tentava gritar, mas no sonho não emitia som algum. Ela ficou alguns minutos observando, quando ouviu uma voz.
– Siga em frente... Está quase lá...
E então acordou, com Sophia gritando seu nome.
– Annabeth! Annabeth!
– O que aconteceu? Nós dormimos aqui? – perguntou Annabeth, sentando-se sobre a areia.
– Sim, passamos a noite aqui mesmo, mas não é sobre isso que quero falar! Vem comigo! Andrew avistou um navio ao sul! – Annabeth assentiu, levantou-se e correu na mesma direção que Sophia estava correndo.
– Navio? Será que... – ela pensava, quando se aproximou do navio e viu um garoto deitado sobre a areia — Percy!
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