Quatro meses depois...

Os últimos meses foram estranhos para Hotchner e sua agora numerosa família. Grace se dava muito bem com as irmãs e o meio irmão. Hotch esperava que ao final daquele mês Penelope finalmente acordasse.

Como de costume no último ano, o médico passava todo dia, três vezes por dia. Ele dava esperanças para Hotchner com algumas novas informações sobre o estado de saúde de Penelope.

Já havia chegado o aniversário de Penelope outra vez. Hotch passou o dia todo com ela e com as crianças. Era mais um dia no hospital.

Hotch voltou para casa depois da meia noite e colocou todos na cama.

A pasta de investigação sobre John estava sobre a mesa do jantar e a cada dia novas informações, pistas e avistamentos eram adicionadas a ela com uma esperança de descobrir o paradeiro dele. Embora nem todas dessem um resultado, ele tinha certeza que iria acha-lo.

Ele foi para a cama. Outra vez sem sua Garota ao lado, embora Grace dormisse com ele já que a garota estava tendo pesadelos.

Hotch adormeceu por volta da uma e meia da manhã. Ele acordou cedo naquele dia. Algo estava errado. Ele correu para o hospital e conseguiu respirar quando viu que estava tudo igual.

Como de costume ele se sentou ao lado dela e tirou (ou tentou) dormir um pouco. Ele acordou com o barulho de Penelope tentando se mexer.

— Ei. – Hotch deu um pulo da cadeira. – Você acordou.

Hotch se apressou em chamar o médico.

— E como se sente? – Perguntou o médico.

Penelope pegou um lápis e um papel.

— Onde eu estou? – Ela escreveu no papel.

— Você estava em coma. – Respondeu o médico.

— Coma? – Ela escreveu.

— Sim. – Respondeu o médico. – Uma facada E uma pancada na cabeça.

— Quanto tempo? – Ela escreveu.

— Um ano E quatro meses. – Respondeu o médico. – Sua filha está bem.

Garcia olhou assustada.

— Onde ela está? – Escreveu.

— Ela está comigo. – Respondeu Hotch. – Eu estou cuidando dela.

— Eu ia te contar. – Escreveu ela.

— Eu sei que ia. – Respondeu Hotch. – Ela é linda como você.

— Onde ela está? – Penelope escreveu.

— Ela está em casa, com a Aurora e Alice. – Disse Hotch. – Ela ficará tão feliz em ver você.

— Bem. – Disse o médico. – Ela provavelmente se lembra de tudo e isso é bom. Talvez seja difícil ela se lembrar do tempo do sequestro, mas ela definitivamente se lembra de estar grávida e se lembra de todo mundo.

— E os movimentos? – Perguntou Hotch.

— Isso ainda temos que avaliar. – Respondeu o médico. – Vamos substituir o tubo traqueotômico por um tipo óculos e ver se ela consegue falar.

O médico substituiu o tubo por um de nariz e deixou o quarto. Hotch se sentou ao lado de Penelope e ficou alguns minutos em silêncio.

— Você ficou um ano desaparecida. – Falou Hotch. – E estava grávida.

— Eu não queria sumir daquele jeito. – Respondeu Penelope.

— Eu não estou te julgando. – Respondeu Hotch. – Você ao menos ia me contar que estava esperando um bebê?

— Eu descobri naquele dia. – Respondeu Penelope. – Eu ia lhe contar quando voltaria para o hotel.

— E o vinho? – Perguntou Hotch.

— Não era bem um vinho. – Falou Penelope. – Era um tipo sem álcool.

— Do que você se lembra do lugar onde estava? – Perguntou Hotch mais aliviado.

— Quase nada. – Respondeu Penelope. – Quando eu não estava sedada eu estava presa no banheiro da casa. Foram dois meses eu acho assim. E eu quis enfrentar ele e ele me bateu com algo e eu apaguei.

— Eu fico tão feliz que esteja bem e que consiga falar. – Falou Hotch.

— Onde ela está? – Perguntou Penelope.

— JJ a está trazendo para nós. – Respondeu Hotch. – É uma garota linda. Assim como a mãe dela.

Penelope tentou se levantar, mas algo a impediu.

— Qual o problema? – Hotch perguntou.

— Eu não sei. – Respondeu Penelope.

Hotch chamou o médico. Ele verificou Penelope.

— Parece que a pancada na cabeça afetou uma parte das funções de mobilidade dela. – Falou o médico.

— E ela vai voltar a andar? – Perguntou Hotch.

— Bem.... Quando o inchaço finalmente diminuir ela tanto pode voltar a andar quanto ficar sem conseguir andar. – Respondeu o médico. – Vamos fazer um exame completo nessa área e determinar o quanto foi afetada.

Hotch se sentou na poltrona ao lado. Penelope parecia chateada com tudo aquilo.

— Vamos dar um jeito. – Respondeu Hotch. – Vamos dar um jeito.

— Eu não quero ficar numa cadeira de rodas. – Falou Penelope. – Não que eu tenha qualquer problema com isso, mas eu preciso andar.

Hotch chegou mais perto e pegou a mão Penelope.

— Nós vamos passar por isso juntos. – Falou Hotchner. – Juntos. Eu, você, Aurora, Alice, Grace e Jack. Como uma família deve ser.

— E se for permanente? – Perguntou Garcia. – E se eu não puder andar outra vez?

— Eu nunca vou te abandonar. – Disse Hotch.

O médico entrou no quarto com uma expressão até feliz.

— Você vai voltar a andar daqui há alguns meses. – Falou o médico. – Essa falta de mobilidade que você tem é em decorrência do inchaço causado por essa agressão. E também pelo tempo em você ficou em coma.

Hotch abraçou Penelope.

— Nós vamos batalhar juntos. – Disse Hotch.

Uma garotinha loira entrou no colo de JJ. Hotch se apressou em pegar a pequena e levar para Penelope.

— Pen. Essa é a Grace. – Disse Hotch. – É nossa filha.

Penelope pegou Grace para um abraço e a menina pulou para o lado dela e a abraçou.

Hotch saiu por alguns minutos. JJ precisava falar com ele.

— Então... – Disse JJ. – Rossi E Morgan prenderam John.

— Quando? – Perguntou Hotch.

— Ontem à noite. – Respondeu JJ. – Ele vai ser julgado depois de amanhã.

— E porque tão rápido? – Perguntou Hotch.

— Os arquivos reunidos durante todo esse tempo ajudaram a localizar e prender. – Respondeu JJ. – E eles já tem material suficiente para condena-lo por tudo isso.

— Ele ficou uma no e quatro meses com ela porque deixou ser preso agora? – Perguntou Hotch.

— Ele se declarou culpado no momento da prisão. – JJ desviou o assunto.

— Jennifer. – Hotch chamou a agente. – Vai me contar porque ele se deixou ser preso ou não?

— Ele tentou sequestrar outra garota. – Respondeu JJ. – E ela está morta.

— Como? – Perguntou Hotch.

— Ele cortou o pescoço dela. – Respondeu JJ.

Hotch olhou para Penelope com a filha.

— Acha que ela vai ficar bem? – Perguntou JJ.

— Eu vou apoia-la de todos os jeitos. – Respondeu Hotch.

Hotch foi para o lado de Penelope e Grace.

— Vamos ter que recuperar o tempo perdido. – Disse Hotch.

— E nós vamos. – Respondeu Penelope.

Hotch deu um abraço em Penelope e Grace ao mesmo tempo. Eles seriam felizes outra vez.