O telefone iria tocar a qualquer momento. Eles estavam prontos para atender as exigências. Havia uma parte em cada um se perguntando se aquilo era certo, mas era de Penelope Garcia que estavam falando. A mulher que levou um tiro por ajudar famílias em luto, a mulher que se arriscou sendo caçada por bandidos da Deep Web sem grandes problemas de controle e que quase quis se demitir caso Reid fosse morto na cadeia alguns anos atrás.

A mulher que fora sequestrada pelo menos três vezes no passado e ainda conseguiu dar à luz a duas garotinhas lindas e ser agente de campo com todos os perigos que existem nessa profissão.

Era a garota que coloca brinquedos na frente do computador quando se sentia mal com as cenas de crimes mais horríveis.

Hotch já estava no quinto café. Ele geralmente não tomava, mas estava tão cansado de virara noite procurando pistas em bares e restaurantes que só a cafeína o mantinha alerta.

O telefone finalmente começou a tocar. Hotch hesitou, mas atendeu no segundo toque do telefone.

— Diretor Hotchner. – Falou Hotch ao atender o telefone.

— Porque o segundo toque? – Perguntou John.

— Eu hesitei. – Hotch estava sendo sincero ao dizer aquilo.

— E se eu a matasse? – Perguntou John. – Você não hesitaria em me matar, certo?

— É isso que quer? – Perguntou Hotch. – Morrer com uma bala na cabeça?

— Talvez seja sim. – Respondeu John. – Igual ao meu irmão. Aquilo destruiu nossa mãe.

— Seja como for ele morreu por uma causa. – Falou Hotch. – E você quer morrer igual a ele?

— Não quero dar esse desgosto para minha mãe. – Respondeu John. – Vamos combinar a troca de garantias.

— Garantias? – Perguntou Hotch.

— Sim. – Respondeu John. – Sua Penelope é a minha e esse dinheiro é a sua.

— O que propõe? – Perguntou Hotch.

— Praia. Areia, sol e protetor solar. – Falou John.

— Só nós dois? – Perguntou Hotch.

— Venha acompanhado. – Disse John. – Ela vai estar dormindo em uma van.

— Eu e Rossi? – Perguntou Hotch.

— Serve. – Respondeu John. – Praia Little Bay.

— Estaremos lá. – Respondeu Hotch.

John desligou o telefone. Hotch não acreditou naquilo. Ele só queria o dinheiro.

— 250 Mil não é exatamente uma grande fortuna. – Falou Rossi.

— Eu achei que ele iria matá-la por causa do seu irmão. – Falou Rossi.

— Se ele quisesse dinheiro porque não assaltar um banco? – Perguntou Hotch. – Porque ir atrás da pessoa que seu irmão quase matou duas vezes e mantê-la presa?

— Há algo mais por trás do que uma simples vingança pela morte do irmão. – Falou Hotch. – E a gente precisa descobrir.

Rossi olhou os arquivos sobre John.

— Há uma coisa me incomodando. – Falou Rossi. – Ele mencionou a mãe deles.

— Ele disse que não queria decepcionar a mãe. – Falou Hotch. – E se ela ou alguém da família estiver doente?

— Bem possível. – Respondeu Rossi. – Vou mandar JJ verificar a mãe.

Algumas horas se passaram e eles nem tinham idéia se iriam ao encontro sem algum tipo de vantagem.

— Alguma coisa da mãe? – Perguntou Hotch.

— JJ verificou a mãe e descobriu que ela esteve internada há uma semana. – Respondeu Rossi.

— O que ela tinha? – Perguntou Hotchner.

— Câncer. – Falou Rossi. – Faleceu há dois dias.

— Era terminal. – Falou Hotch.

— Sim. – Respondeu Rossi.

— Então ficou uma conta no hospital e ele precisa pagar. – Disse Hotch. – Ele sequestra uma agente federal para ganhar o dinheiro do resgate, mas a vingança pessoal de o governo ter matado o irmão mais velho e ter perdido a mãe de repente despertam um gatilho.

— Eu não teria eito esse perfil melhor. – Falou Rossi. – E onde o parceiro se encaixa?

— O parceiro na polícia está quebrado financeiramente então ele vende sua alma para o diabo. – Hotch pegou a ficha de James. – Uau. Dá uma olhada nisso.

Rossi pegou a ficha e leu.

— Ele recebeu um deposito de 50 mil na semana passada. – Disse Rossi.

— 50 Mil? – Pergunto Hotch. – É o que custa para sequestrar alguém hoje em dia?

Rossi não falou nada. A hora do encontro estava se aproximando.

— Talvez se falássemos com James a gente podia... – Falou Hotch.

— Disfarçados? – Perguntou Rossi.

— Tenho o disfarce perfeito. – Falou Hotch saindo de onde eles estavam.

Hotch foi até a sala dos oficiais e encontrou James.

— Ei. – Disse Hotch. – Eu estava pensando em irmos tomar alguma coisa no bar.

— Não posso sair senhor. – Respondeu James.

— Bem. Eu preciso de algo forte o suficiente para me distrair. – Disse Hotch. – Você poderia me acompanhar como segurança.

James ficou surpreso com aquela oferta.

— Eu pago seu serviço. – Disse Hotch. – Com esse maluco que pegou a Penelope a solta temos que tomar cuidado.

— Tenho que falar com meu superior. – Falou James.

— Eu peço ao agente Rossi falar com ele. – Disse Hotch praticamente arrastando James.

— E porque eu? – Perguntou James.

— Você faz um ótimo serviço em campo. – Respondeu Hotch obviamente mentindo.

— Obrigado senhor. – Respondeu James.

— Vamos. – Hotch E James saíram e foram até um clube perto da sede da polícia.

Eles chegaram ao bar. Hotch pediu uma cerveja sem álcool afinal estava trabalhando.

— Você quer uma? – Perguntou Hotch. – Sem álcool, é claro.

— Eu não posso. – Respondeu James. – Posso ser demitido e.... – James parou.

— Qual é? – Disse Hotch passando um copo de cerveja. – Por minha conta.

— Vou ter que contar para o meu chefe. – Falou James aceitando.

— Eu conto. – Disse Hotch.

— Porque me chamou para esse lugar? – Perguntou James.

— Ouça James. – Hotch se virou para James que estava olhando assustado. – Eu sei o que você fez.

— Eles te contaram que eu aceitei propina? –Perguntou James. – Foi só uma vez.

— E porque aceitou ajudar John a sequestrar a Penelope? – Hotch foi direto na pergunta.

James olhou para baixo.

— Ele... Ele ameaçou minha família. – Respondeu James.

— Eu tenho sua ficha James. – Falou Hotch. – Você não tem família.

— Eu me casei há quatro anos, mas nunca reportei. – Falou James.

— E porque não? – Perguntou Hotch.

— Sabe o que eles fariam com um policial homossexual? – James ficou nervoso de repente.

Hotch percebeu o que estava acontecendo, mas continuou seu plano.

— Adotaram crianças? – Perguntou Hotch. – Não que eu tenha algo contra é só que você mencionou uma família.

James se sentou no balcão próximo a Hotch.

— Ele era um homem casado com uma mulher. E ele ficou viúvo. As crianças precisavam de atenção e ele de alguém para ajudar a pagar as despesas. Não dormimos propriamente juntos, somos casados sim, mas só para ele não perder a guarda das crianças. – Respondeu James. – Ele perdeu os pais muito jovem, filho único. Os tios o odiavam e se mudaram para o mais longe que conseguiram.

— E porquê? – Perguntou Hotch.

— Algo sobre ele ter matado os pais. – Disse James. – Ele fez o pai se virar enquanto estava dirigindo por causa de uma bola de futebol que ele não ganhou e ele estava fazendo birra.

Hotch achou suspeita aquela conversa, mas embarcou na história.

— E daí você um dia pensou: "Bem. Vou ajudar esse cara porque ele precisa de ajuda com crianças." – Falou Hotch.

— No começo eu não queria aceitar, mas ele me pagou alguns milhares e me entregou para a corregedoria com uma ligação anônima. – Falou James.

— Sei. – Falou Hotch.

— Vai contar ao meu comandante? – Perguntou James.

— É o procedimento. – Respondeu Hotch. – A menos que me conte para onde ele a levou.

— Uma igreja no centro. – Respondeu James. – Está fechada há alguns anos depois de uma tempestade.

— Se eu não a encontrar eu vou contar. – Respondeu Hotch.

James e Hotch se levantaram. Hotch pegou o celular e ligou para Rossi.

— Tenho um endereço. – Falou Hotch.

— Estaremos lá. – Disse Rossi.

— Uma igreja abandonada no centro de San Diego. – Respondeu Hotch.

— Porque diabos ele a levaria para lá? – Perguntou Rossi.

— Porque ele fez tudo isso? – Respondeu Hotch com outra pergunta.

— Porque ele e um maldito sequestrador. – Respondeu Rossi.

Hotch esperou o resto da equipe chegar.

— Viu algo? – Perguntou Rossi.

— Nada. – Respondeu Hotch. – Esperei que chegassem aqui.

— Ah. – Falou Rossi.

Emily, Reid e JJ foram para um lado e Morgan, Hotch e Rossi pelo outro.

— Entrem. – Gritou Rossi. – FBI. Levante suas mãos agora onde quer que você esteja.

Os agentes entraram e uma luz acendeu sozinha.

Quando todas estavam acessas grandes palavras com sangue estavam na parede da igreja.

"A ira de Deus irá cair sobre vocês. "

— Cara legal. – Falou Rossi com ironia.

Hotch não falou nada. Ela não estava lá. E talvez nunca estivesse.