Hotch entrou um pouco na igreja. Ele se sentou em um dos bancos sujos de poeira e apoiou a cabeça entre as pernas. Ele só queria ver sua garota.

O celular dele começou a tocar. O medo de atender era grande, mas menor que o medo que ele sentia dela ser morta. O celular voltou a tocar.

— Diretor Hotchner. – Falou ao atender o celular.

— Eu sabia que vocês iriam tentar alguma gracinha. – John parecia realmente irritado. – Eu e James teremos uma conversinha sobre lealdade.

— Corta essa John. – Hotch não aguentava mais aquela situação. – Eu preciso ouvir a voz dela para saber que ela está viva. Ou que ela está bem.

— Você pode encarar um tempo longe dela? – John mudou de assunto.

— Não entendi. – Falou Hotch.

— Eu não preciso mais do dinheiro. – Falou o homem ao telefone. – Eu vou leva-la comigo.

— Você não ouse fazer isso. – Gritou Hotch.

— Quando eu desligar esse telefone eu a levarei para um país distante e talvez entre em contato daqui a um ano. – John estava estranho ao telefone.

Um dos agentes tentava rastrear.

— Porque mudar de idéia? – Perguntou Hotch.

— Porque eu simplesmente quero. – John desligou o telefone.

— Não. John. Por favor. – Hotch se desesperou. – Conseguiu essa maldita localização?

— 7 com a nona. – Falou o agente.

Hotch seguiu com a equipe para lá. Todas as casas foram revistadas. Nenhum sinal. Na última casa o que mais parecia ser um cativeiro havia uma mecha de cabelo loiro com um bilhete.

" desculpa não ficar para a festa das garotas, diretor Hotchner. Sua mulher também sente muito. Prometo cuidar bem dela. "

Hotch pegou a mecha loira e levou consigo. Ele não fazia idéia para onde ele a levou.

Um ano depois...

Durante um ano a equipe sofreu a falta de Penelope. Seguiram tantas pistas falsas durante esse tempo e tantas falsas confissões de traficantes dizendo que haviam matado a mulher do diretor do FBI que estavam descrentes em encontrá-la.

Apesar disso, eles nunca deixaram de procura-la.

Hotch se afastou por dois meses para cuidar das meninas que cada vez mais sentia a falta da mãe. Hotch passou a beber cada ve mais até chegar um ponto de ficar em uma clínica por uma semana e dar a volta por cima. No momento a falta de Penelope se tornava cada vez mais difícil. As meninas fizeram aniversário, mas nenhuma delas quis comemorar a data. Hotch se virava como poda com a ajuda da baba e do apoio de Jack, que sentia a falta de Penelope.

Morgan ficava sentado na porta do antigo escritório durante uma hora todo dia. Era o jeito dele de dizer que sentia a falta da amiga. Rossi estava escrevendo um romance novo, mas ele não tirava a amiga da cabeça. Reid escrevia todo dia para o antigo endereço de e-mail da amiga sobre como sentia a falta dela. Ele sabia que ela nunca as leria.

Aquela semana tinha sido oportunamente irritante. E eles desejavam o fim de semana para descansar.

Hotch voltou outra vez para uma casa vazia. As meninas tinham ido passar o fim de semana com Jéssica. Ele precisava ficar sozinho.

— Só um telefonema. – Pensou Hotch um segundo antes de servir um copo de uísque. Ele pegou o copo na mão, mas depois largou. – Pela Penelope hoje eu não vou beber. – Era o mantra que ele repetia todo dia desde que saiu da clínica. Parecia funcionar para ele.

Ele pegou refrigerante em vez de Álcool.

O celular de Hotch tocou. Já fazia um ano que ela havia desaparecido. Ele nem lembrava da promessa do sequestrador.

— Diretor Hotchner. – Atendeu visivelmente cansado.

— Não imagino como hoje está sendo difícil. – Falou o homem na outra linha.

— Quem está falando? – Perguntou Hotchner.

— É justo você não se lembrar de mim. Já faz um ano desde o último telefonema. – Falou John.

—John. – Falou Hotch ao reconhecer. – Seu desgraçado.

— Sua voz parece cansada. – Disse John. – Andou trabalhando muito?

— O suficiente. – Respondeu Hotch.

— Eu fiz uma promessa que iria te ligar depois de um ano. – Falou John. – Não acredito que se esqueceu.

— Estive muito ocupado procurando ela do lembrando de uma promessa estúpida.

— E justo. – Falou John. – É o melhor a se fazer.

— Onde ela está? – Perguntou Hotch.

— Achei que ficar um ano com ela seria uma coisa maravilhosa. – Começou John. – Mas no quarto mês ela já me cansou de tanto choro por sua causa. Então eu a coloquei num lugar onde eu tinha certeza que ela iria ser cuidada bem. – Respondeu John. – Aparentemente foi o único lugar que não a procuraram.

— Deixe de enrolação e fale logo. – Falou Hotch.

— Casa de repouso Lady Marcy. – Respondeu John. – Ela está lá a oito meses. Com um nome falso é claro.

— E vai deixar a gente pega-la? – Perguntou Hotch. – Sem uma luta, sem um pedido de resgate?

— Tentei esfaquear ela uma vez. – Falou John. – Apesar do corte ser profundo a garota tem mais fibra que muito agente.

— Porque fez isso? – Hotch estava arrasado com aquilo.

— Ela começou a chorar dizendo que queria estar presente no aniversário das filhas e eu peguei e fiz. – Disse John. – Foi quando eu a coloquei no Lady Marcy com o nome de Andriella.

— E eu e minha equipe podemos resgata-la? – Perguntou Hotch.

— A vontade. – Disse John. – Eu vou parar de gastar dinheiro com isso.

Assim que John desligou Hotch ligou para Rossi.

— Hotch. Eu preciso do fim de semana. – Respondeu Rossi.

— John Battle me ligou. – Disse Hotch.

— E? – Perguntou Rossi.

— Eu tenho a localização da Penelope. – Falou Hotchner.

— Estou a caminho. – Falou Rossi.

Rossi e Hotchner chegaram a clínica. Hotch nem acreditava que ele finalmente iria reencontrar sua garota.

A enfermeira os levou para o quarto onde ela estava. Hotch hesitou, deu um suspiro fundo e entrou. Ele a viu e logo pegou a mão dela que estava dormindo.

— Eu finalmente te encontrei. – Falou Hotch.

Penelope nem se mexeu. Hotch olhou para o médico que cuidava dela.

— Qual o problema dela? – Perguntou Hotch.

— Ela está assim há dez meses. – Respondeu o médico.

— Porque? – Perguntou Hotch.

— Ela levou uma facada no peito e um golpe atrás da cabeça. – Disse o médico. – Ela tanto pode acordar quanto partir.

O resto da equipe chegou minutos depois. Morgan foi para o lado de Penelope. Ele a viu aquele estado tão frágil.

— O que houve com ela? – Perguntou Morgan.

Hotch não falou nada.

— Ela está em coma. – Respondeu Rossi. – Dez Meses.

— Ela vai sair alguma hora? –Perguntou Morgan.

— Eles não sabem. – Respondeu Rossi.