Mais que amigos?
9 Capítulo 9
Notas iniciais
POV Annabeth
Já faziam três dias que eu estava dormindo na casa de Percy e isso tinha que acabar. Eu não podia dar mais trabalho para sua família e tinha de enfrentar o meu pai. O pior de tudo foi o clima tenso que se instalou entre nós depois do nosso quase beijo. Digamos que eu queria isso mais do que tudo, só que Percy tinha que ter certeza do que sentia. Qualquer atitude precipitada podia por em risco nossa amizade ou algum de nós sair machucado disso tudo. Eu sabia que as chances de acontecer comigo eram bem maiores, visto que sempre gostei dele de outra forma e tinha em tese conseguido reprimir esse sentimento. Sabia que tinha feito isso de forma superficial e que e nosso lapso tinha despertado coisas que eu preferia que estivessem guardadas.
Ele estava mudando isso era um fato, mais minha cabeça dizia que Percy estava confundindo as coisas e que tudo isso era passageiro. Afinal o que ele tinha visto em mim agora? Éramos amigos há tanto tempo. Agora estava trabalhando no bar e Thalia me fazia companhia, fazia muito tempo que não conversávamos.
--- Annie o que você tem? Está tão calada. Mal falou desde que cheguei.
--- A minha vida está de pernas para o ar. E não sei bem lidar com essas coisas. Falei respirando fundo.
--- Você sabe que pode contar comigo não é? Digamos que faz tempo que não temos uma conversa aberta. Não que eu esteja com ciúmes da sua amizade com meu primo, mais o papo entre mulheres é diferente. Bem tem o tal código de amizade entre vocês, então presumo que ele não saiba tanta coisa assim não é mesmo?
--- Isso tudo acabou. Resolvemos que não estava dando certo. Mais agora já não sei se foi uma boa escolha. Falo relembrando o primeiro dia em sua casa.
--- Como não Annie. Já estava em tempo. Sabe quando se tem dez anos pode até funcionar, mais não com adultos onde se tem um impulso e um extinto bem maior guiando as emoções. Já faz tempo que é visível uma grande tensão entre vocês.
--- Assim você coloca de uma forma meio grosseira. Não sei se chega a tanto.
--- Não me vai falar que dormiu na cama dele de novo e que tudo não passa algo inocente. Você pode até pensar assim, mais Percy é homem não é dessa forma que funciona a cabeça deles.
--- Você está querendo dizer que, toda vez que alguma situação constrangedora acontece entre nós ele está com segundas intenções?
--- Segundo minhas próprias experiências sim. Ele pode não fazer nada em respeito a você, mais só esta escondendo suas intenções.
--- Você tem uma mente muito fértil Thalia. Falei dando risada. Ela não tinha boas experiências amorosas e por isso sempre me dava conselhos depressivos.
Ela podia ter uma rixa idiota com seu primo e por isso sempre que podia dava um jeito de falar que ele era como os outros homens. Apesar do seu passado um pouco irresponsável, lá no fundo Percy não era assim eu o conhecia muito bem. Lógico que ele devia ter seus pensamentos afinal todos nós temos coisas secretas, mais ele nunca tinha feito nada que eu não queira. Thalia às vezes generalizava muito as coisas. Continuei secando uns copos na expectativa que ela mudasse de assunto.
--- Annie seja franca comigo. Vocês nunca tiveram nada um com o outro? Nunca passaram dos limites de uma amizade? Olha que eu sei bem quando você está mentindo. Ela fala com um sorriso zombeteiro.
--- Tecnicamente não, mais porque a pergunta? Falei desviando o olhar.
--- Curiosidade e porque você mencionou tecnicamente? Acho que ou se tem algo ou não se tem nada.
Nessa hora eu estava tensa e um tanto envergonhada. Thalia era minha melhor amiga eu devia contar isso a ela, só que sabia que ia ser motivo de piada. Ela ia ficar me torturando com essa informação.
--- Bem, digamos que quase nos beijamos duas vezes e na última batemos na trave só não avançamos mais porque ele desistiu.
Thalia agora tinha um sorriso malicioso e me olhava surpresa.
--- Nossa por essa eu não esperava. Como você está se sentindo em relação a isso? Chegaram a conversar depois? Ela me bombardeia com perguntas.
--- Não sei, eu estou um pouco confusa. Para falar a verdade, por mais que eu deseje isso há tanto tempo, foi nobre da parte dele não avançar mais. Eu não ando muito bem e as coisas só pioraram depois que eu briguei com o meu pai. Não estou segura com as coisas da minha vida e ele soube respeitar isso, mesmo que tenha desistido de tudo no ultimo segundo.
--- Mais e ai como ficou a situação depois do ocorrido? Thalia se mantinha atenta como se fosse o último capitulo de uma novela. Não tive como conter uma risada.
--- Nas duas vezes chegamos à conclusão de que as coisas tem que fluir naturalmente sem pressão de nenhuma das partes. De fato foi assim que ocorreu em ambas às situações, mais acho que ainda não estamos prontos para isso. Caso algo aconteça vai modificar a forma como nos relacionamos e vemos um ao outro.
--- Resumindo a tensão entre você só aumentou?
--- Digamos que ele disse que não podemos ficar sós novamente ou ele não vai conseguir se controlar.
--- Então é tensão nível 10. Se tá ferrada. Thalia fala dando risada.
--- Acho que vai ser bom esse tempo que estamos dando. Vai esfriar um pouco as coisas. Quem sabe diminuir um pouco essa apreensão toda.
--- Mudando de assunto, quando você vai largar essa espelunca?
--- Eu já pedi demissão, mais tenho que cumprir aviso prévio. Sei lá, vou pesquisar na internet outro emprego. Talvez role um estágio. Depois de tudo isso eu não consigo trabalhar bem. Eu tenho que admitir que estou com medo, meu pai tem razão tudo isso é muito perigoso. E tenho que mudar e reconquistar sua confiança coisa que não vai ser fácil.
--- O papo está bom, mais eu tenho que ir embora. Tenho que acordar cedo amanhã. Ela fala me abraçando.
--- Boa noite Thália. Obrigado pela conversa estava precisando.
Meu expediente estava se encaminhando para o fim eu já estava bem cansada e com os olhos pesando. Retiro meu óculos e esfrego os olhos na tentativa em vão de espantar o sono. Quando me ajusto novamente vejo que Percy se aproxima do balcão. Já passa das duas da manhã e eu não entendo o que ele faz aqui há essa hora.
--- Você ainda está servindo bebidas?
--- O horário está apertado, mais se você não prolongar muito ainda deve dar para tomar um copo.
--- O que você me indica?
--- Pelo horário um chá, mais já que está numa boate que tal uma bebida cítrica?
--- Beleza. Ele fala dando uma leve risada.
Enquanto preparo sua bebida reparo em quão formal está sendo essa conversa. Thalia estava certa a tensão entre nós era eminente e excessiva. Acho que nós dois estão com medo de voltar a ter aquela conversa.
--- Annie, qual é não podemos ficar assim nesse silencio constrangedor. Você está dormindo na minha casa, mais mal nos falamos.
--- Então, eu resolvi que minha estadia chega ao fim. Não só por isso, mais tenho de enfrentar o meu pai.
--- Entendo, mais gostaria de saber se está chateada comigo?
--- De forma alguma Percy, acho que tudo isso é uma forma natural de reagir às coisas. Esse tempo vai ajudar a esfriar as coisas sabe. E eu vou respeitar a sua decisão de não ficarmos sós, pelo mesmo por um tempo.
--- Eu só não quero deixar de te ver por causa de uma decisão minha.
--- Não exagera Percy, é só um tempo. Não sabemos o quanto vai durar, pode ser apenas algumas horas. O que eu sei é ambos precisamos de um tempo só para processar tudo a ajustar as coisas.
--- Eu tenho uma notícia que pode te animar sabia. Ele fala com um brilho nos olhos.
--- Então fala logo poxa. Já estava ansiosa.
--- Minha mãe disse que abriu uma vaga na loja de doces e convidou você para trabalhar lá. É menos tempo e paga quase a mesma coisa. Se você sair daqui é claro, mais não é uma maravilha?
--- Que notícia incrível Percy é tudo o que eu mais quero. Vou parar de usar essa roupa minúscula e ter um emprego descente.
--- Eu que o diga. Percy fala me analisando de cima a baixo, o que me deixou um pouco constrangida.
--- Enfim eu nem sei como te agradecer. Falei o abraçando para em seguida dar um beijo em sua bochecha que sem querer acaba saindo perto de mais da sua boca. Por alguns segundos me peguei fitando seus lábios e inevitavelmente pensando na noite em sua casa. Coro violentamente e abaixo minha cabeça. Nessa hora quero me esconder atrás do balcão.
Percy por sua vez dava um sorriso arteiro, como quem sabe que está metido em uma encrenca. Ele mantém uma de suas mãos em meu braço esquerdo e com a outra levanta meu queixo e torna a falar.
--- Ei não precisa se envergonhar. É normal ter esse tipo de desejo. Ferrou, ele tinha entendido meu gesto. Agora ele acariciava minhas bochechas de leve. Eu já estava cansada de tudo isso e me encontrava no meu limite. A única coisa que faço é aproveitar essa caricia. Fecho os olhos de vagar e respiro fundo pegando forças para terminar a conversa da melhor forma possível.
--- Eu é que peço desculpas, por tudo. Você deve estar se torturando muito esses dias e eu só estou dificultando as coisas.
--- Ei tudo bem, cada tem seu tempo. Ele fala olhando fundo em meus olhos.
--- Eu só quero que saiba que admiro muito o que tem feito. Por não ter apressado as coisas eu preciso desse tempo e acho que você também. Vai ser mais saudável assim.
--- Vamos eu te levo para casa.
--- Acho melhor não Percy e eu também estou de carro não tem necessidade.
--- Até mais então. Se cuida. Ele fala beijando minha testa. Vejo ele sair e um grande aperto se faz em meu peito. Eu sei que parte disso é culpa minha e isso só me deixa mais nervosa.
Estaciono o carro em frente à minha casa temendo ver meu pai acordado. Por sorte ele devia estar dormindo, subo as presas em meu quarto me jogando na cama. Desabo a chorar e acabo por dormir da mesma forma que cheguei.
A claridade invade minha janela me lembrando que já é hora de acordar. Ouço uma voz de longe me chamar. É meu pai e para meu desespero tinha dormido mais uma vez com o uniforme do trabalho. Não dava tempo de me trocar, então tento em vão arrumar o que eu estava vestindo. Primeiro tento descer um pouco a saia para ver se ela ganhava comprimento e para completar o visual tentei ajeitar a camisa justa que estava vestindo, com seus botões estufando no peito. Tudo isso fora em vão, maldita hora em que não estava de pijamas ou com qualquer outra roupa. Com certeza ia rolar interrogatório.
---- Filha você está ai? Ele fala abrindo a porta do meu quarto devagar.
--- Sim, pai.
--- Você ficou tanto tempo fora. Ele fala me abraçando, mais logo que vê como estou vestida se afasta sentando na cama. --- Acho que precisamos conversar.
---- Eu concordo. Você não me deserdou né?
--- Jamais faria isso filha. Tudo que eu falei foi verdade, mais a raiva era coisa do momento. Você é minha princesa, jamais ia te expulsar de casa. Eu ainda estou muito magoado com você, mais acho que podemos ter uma conversa franca e resolver algumas coisas.
--- Pai eu pedi para sair do trabalho e Percy me arrumou outro na loja de doces da sua mãe. É menos tempo e vai ser de dia.
--- Fico feliz que tenha arrumado coisa melhor. Promete que nunca mais vai mentir para seu pai? Ele fala com uma cara de bravo.
---- Sim pai. Eu assumo o meu erro.
--- Agora vem aqui filhota no colo do seu pai. Me senti muito sozinho nesses últimos dias.
--- Poxa pai eu te amo tanto. Falei me aconchegando mais ao seu lado. Ele ia fazendo cafuné em meus cabelos até que eu adormeci novamente. Tinha que admitir sentia falta dessa cumplicidade que tenho com ele e sei que nós precisamos um do outro. Ainda sonolenta sinto ele beijar minha bochecha e sair do meu quarto. Diferente do beijo de Percy eu sinto algo protetor e paternal vindo dele. Quando isso acontecia com meu amigo, sentimentos nada puros vinham em minha mente. E foi pensando nisso que cai num sono profundo e pela primeira vez em tempos faltei a faculdade.
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