Mais que amigos?
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Pov Annabeth
Já faz quase uma semana que não vejo Percy, apenas nos comunicamos através de mensagens no celular. Esse tempo para mim esta sendo bom e ruim ao mesmo tempo. Eu sinto muita falta de estar com ele, poder me aconchegar em seus braços e assistir a um filme. Relaxar de forma despretensiosa, jogar conversa fora e até das situações embaraçosas que passamos juntos. Essa era a parte ruim de toda essa situação. A parte boa era poder colocar minha vida no lugar e repensar nas coisas. Ainda estava difícil de acreditar que quase nos beijamos duas vezes. O mesmo Percy que namorou a Rachel e a Drew duas pessoas completamente opostas a mim.
A Rachel era toda zen, da natureza e ligada às artes. Era voltada para coisas místicas e bem, um dia foi para um retiro de ioga e voltou toda mudada. Disse que não podia se ligar mais a coisas mundanas. Percy ficou um pouco chateado no começo, mais eles não tinham uma ligação muito forte. Rachel passava mais tempo com seus inúmeros grupos sociais do que com ele. Ela era uma pessoa legal, mais não batia muito bem da cabeça seu pai até a colocou em uma terapia. Logo depois veio o meu grande problema, ele se envolveu com a Drew. Antes mesmo de eles terem algo ela já perturbava eu e Thalia. Eu era seu saco de pancadas literalmente. Para minha sorte ela não passou na faculdade e provavelmente vai vender balas no sinal. Percy sempre fora popular, mais nessa época seu ego estava inflado a ponto de estourar. Resumindo ele fazia qualquer coisa para aparecer e manter seu destaque. Ainda éramos amigos, porém essa foi época em que mais sofri calada até que conheci Luke que apesar de todos os seus defeitos me valorizava de alguma forma.
Em pouco tempo eles estavam juntos e o fato dela namorar o meu melhor amigo só abriu brecha para que toda essa tortura se elevasse em maior grau. Até que um dia eu dei um ultimato para Percy. Ou ele conversava com Drew ou eu ia me afastar por um tempo. Ele não reparava mais, Drew estava pouco a pouco matando o que tínhamos construído. Qualquer coisa era motivo para um ciúmes bobo por parte dela, chegou a um ponto que só dela me lançar um olhar mortal eu já recuava. Hoje sei que me acovardei muito, mais eu era muito insegura na época agora eu cresci e amadureci. Por isso boa parte de suas ameaças não me atingem mais. Quando ele está com Drew é como se o pouco esforço que ele faz para pensar seja eliminado. Ela é muito boa em manipular as pessoas. Lá bem no fundo ainda tenho medo que meu passado volte para me assombrar.
Por isso eu estou pedindo tempo e calma para ele. Eu tenho meus motivos para desconfiar de que o que ele está sentindo é só coisa do momento. Mais nas duas vezes em que estávamos bem próximos ele me tratou com zelo, carinho e soube respeitar meu espaço. Droga eu já não consigo raciocinar direito, tudo esta uma verdadeira confusão de sentimentos. Nós quase nos beijamos, mais sempre que tacamos no assunto é de forma indireta e oculta. Tudo como se fosse algo proibido. Pego uma foto que está ao lado da minha cama. Eu abraçada com o Percy na praia. Devíamos ter uns doze anos, talvez menos. E me recordo em como aquele tempo as coisas eram mais simples.
Uma lágrima involuntária começa a descer com toda essa nostalgia. Foi quando sinto alguém me abraçando por trás fazendo um carinho em meus cabelos. Aproveito esse gesto ao máximo, sabendo que os braços que me envolviam era do meu pai. Nesse momento eu carecia desse aconchego e sentir que estava em casa. Era característica dele ficar mexendo em meus cabelos, uma vez me disse que quando fazia isso com minha mãe seu coração se acalmava.
—-- Ei filha, o que te aflige? Ele fala tentando em vão secar algumas de minhas lágrimas.
Eu não sabia se estava à vontade para me abrir com o meu pai. Apesar de nossa relação ter se intensificado ainda mais com a morte da minha mãe, porém não sabia como seria sua reação.
—-- Eu estou confusa. Preciso tomar uma decisão que envolve sentimentos e você sabe o quão isso é difícil para mim.
—-- Igualzinha sua mãe. Ele faz uma pausa e torna a falar. --- Olho para você e é inevitável não se lembrar dela. Me desculpa. Ele falou cabisbaixo. Dessa vez foi minha hora iniciar um carinho, vejo que ele precisava assim como eu. O abraço com força me levantando para aproximar nossa altura e retribuindo o cafuné que ele havia me feito. Sinto ele se entregar ao momento e esboçar um sorriso leve.
—-- Filha você vale ouro. Eu me sinto mal por ter ficado tanto tempo sem falar com você.
—-- Tudo bem pai. Eu admito que fui inconsequente.
—-- Mais então, você pode se abrir para seu pai? Não gosto de ver minha garotinha chorando ou sofrendo. Quem o que está te deixando assim? Ele fala em um tom preocupado.
—-- Bem eu estou tendo problemas com o Percy. Aconteceram coisas que colocaram em dúvida o que eu sinto por ele. Nós demos um tempo, acho que está sendo propício para ambas as partes. Eu estou confusa e com receio do que possa acontecer. Falo temendo sua reação.
—-- Filha uma hora isso ai acontecer. Vocês praticamente cresceram juntos, é normal que uma hora um desejo despertasse. Principalmente para os homens é bem mais difícil controlar os hormônios. Até que vocês resistiram bastante tempo.
—-- O meu medo é de que se der algo errado, nossa relação se enfraqueça. Eu prezo muito essa amizade sem ela não teria suportado o que aconteceu com a mãe e tudo mais.
—-- Filha sei que ainda não superou tudo isso e que ainda dói como uma ferida aberta e por isso você tem seus medos. O caso é que só tem uma forma de você saber se tudo isso vai dar certo e é tentando. Ele pode não ser perfeito e ninguém é, mais talvez você deva dar uma chance a ele e principalmente ao seu coração. Não se feche igual ao seu pai você é muito nova para isso. Pense bem nessa conversa. Ele falou me dando um beijo na testa para depois sair.
Droga meu coração doía de mais. E ver meu pai se abrir comigo me fez lembrar o quão delicado esse assunto era entre nós e que só o tempo podia amenizar essa dor. Ele tinha razão eu devia dar uma chance a isso tudo, tinha que me arriscar. Olho para meu celular e vejo que recebo uma mensagem de Luke dizendo que precisa muito falar comigo. Eu estranhei o fato já que faz muito tempo que não nos falamos. Respondi dizendo que ele podia vir em casa. Preferi não pensar muito no que estava acontecendo fui tomar um banho para estar ao menos apresentável. Coloquei uma roupa simples e desci as escadas. Assisto um pouco de TV sem conseguir tirar todos esses pensamentos de minha mente até que ouço o som da campainha.
—-- Pode entrar. Eu gritei da sala.
Olho em direção a porta e vejo um Luke modificado. Ele parecia mais leve e descontraído. Seu cabelo estava maior e pelo jeito ele não tinha perdido totalmente essa sua obsessão pela própria beleza. Respiro fundo ainda receosa do que ele quer comigo. Tínhamos terminado numa boa, mais aquela intimidade toda foi diminuindo com o tempo.
--- O que está acontecendo? Quase não nos falamos mais.
--- Pois é. Acho que em grande parte por culpa minha. Eu estou numa fase de um tratamento. Meu objetivo é pedir desculpa a todas as pessoas que machuquei ou desrespeitei todo esse tempo e seu nome está na lista.
--- Fico feliz que esteja mudando isso não era saudável. Falo o encarando timidamente.
Eu realmente estou surpresa com toda essa mudança dele, ter coragem e atitude de assumir os erros não é fácil.
--- Eu peço desculpa por tudo que te fiz, do fundo do meu coração nunca foi minha intenção te magoar. Eu ficava te exibindo como um troféu e brinquei com os seus sentimentos. Vou entender se você não quiser me perdoar. Eu só preciso livrar minha consciência dos meus erros e a forma como tratei nossa relação foi um deles. Minha terapeuta está me ajudando a me tornar uma pessoa melhor. Ele fala tudo isso sentado ao meu lado no sofá.
Realmente fui pega de surpresa e estou completamente desprevenida, não sei bem como lidar com essa situação. Luke nunca tinha se aberto assim para mim, exposto o que sentia. Eu via em seus olhos que ele estava arrependido.
—-- Eu...eu nem sei o que te dizer. Falei demonstrando um certo nervosismo.
—-- Eu só quero que me escute. Você me perdoa? Ele fala passando uma de suas mãos por minhas bochechas, que esquentam instantemente com o ato. Ficamos assim por alguns segundos, por algum motivo eu estava travada. Só que agora não conseguia disfarçar o desconforto o seu ato e o corto retirando de leve suas mãos de mim.
—-- Eu até te perdoo, mais não dá mais para ser tudo igual ao que era antes.
—-- Eu entendo e nem quero isso para mim. As coisas mudaram eu cresci e evolui. Quero cultivar apenas coisas boas agora. Não podemos tentar de novo? Ou melhor, começar do zero. Você é muito importante na minha vida.
—-- Luke eu achei que esse assunto estava encerrado. Falei sendo o mais sincera possível.
—-- Acho que não me expressei direito. Eu estou me referindo e nossa amizade que se perdeu com o tempo.
De certa forma um alívio passou pela minha cabeça. Eu não sabia que rumo essa conversa ia tomar, mais queria acabar logo com isso.
—-- Isso só o tempo dirá Luke. É melhor não forçarmos nada.
—-- Eu também queria te pedir uma ajuda. Estou afim de tentar amolecer o coração de pedra da Thalia. Acha que tenho alguma chance?
—-- Talvez sim. Ela já passou por algumas decepções amorosas, então você vai ter que ir aos poucos. Nada que a sutileza não resolva.
—-- Obrigado por tudo, mesmo. Ele falou se aproximando mais de mim dando abraço apertado. De início eu fiquei imóvel, mais depois que entendi suas intenções retribui da mesma forma.
—-- Annabeth, posso te pedir só mais uma coisa?
—-- Diga Luke. Vou ver o que posso fazer.
—-- Sei que é pedir demais, porém eu gostaria lhe pedir um beijo para fechar esse ciclo.
—-- Luke acho melhor não. Falei corando de leve.
Não tive tempo nem de pensar, quando dei por mim Luke retira uma das mexas do meu cabelo colocando atrás da orelha olhando diretamente para os meus lábios. Assim ele inicia o beijo algo que começa simples até ele resolver aprofundar e colocar uma de suas mãos em minha cintura. Eu permanecia imóvel sem retribuir em nada. Estava mais do que claro para mim que era um beijo forçado. Eu tentava em vão fazer ele me soltar empurrando seu peito no sentido contrário do meu corpo. Alguns flashs dos meus melhores momentos com o Percy invadem minha mente eu sinto como se o tivesse traindo mesmo que não tivéssemos nada. Eu não era esse tipo de pessoa e era claro que não queria nada disso e Luke sabia disso. Porque ele queria uma despedida? Agora eu já enlouquecia de vez. Assim que estávamos a ponto de nos soltar vejo Percy entrar pela porta a presenciar uma cena que jamais quis que tivesse acontecido. E me sentia tão suja e envergonhada que mal consegui olhar para cara dele.
Quando tudo acaba vejo um olhar triste de Luke, pois Thália vinha logo atrás dele. Ambos não estavam nada bem. Até que Percy pigarreia e começa a falar.
—-- Atrapalhamos alguma coisa?
Nesse momento estou completamente travada e com a cabeça baixa. Eu sabia que Thália também era interessada em Luke o que só aumentou minha tensão. O único que conseguiu se expressar fora Luke.
—-- Não, está tudo bem entre nós e o que vocês viram não foi nada de mais. Eu só estava encerrando uma coisa inacabada.
—-- Não foi o que pareceu. Percy fala novamente. Vejo em seus olhos uma tristeza que jamais quis que ele sentisse. Logo agora que estava tão perto de assumir o que sentia.
—-- Percy vamos dar um tempo para eles. Thalia fala de forma grosseira indo embora.
Eu já não aguentava mais tanta pressão e desabei a chorar. Mais não sem antes gritar com o Luke.
—-- Onde você estava com a cabeça? Me beijar a força. Eu duvido muito que você goste de Thalia dessa forma, ela só vai se distanciar mais de você.
—-- Me desculpe estou em fase de tratamento e tive uma recaída.
—-- Essa sua recaída pode me custar uma amizade de anos. Falei quase a ponto de tacar um vaso em sua cabeça.
—-- Mantenha calma Annie. Vamos dar um jeito.
—-- Não me chama desse jeito. Vai embora Luke, eu estou muito magoada com você. Acreditei mesmo que estava mudando.
—-- E eu estou, você não sabe como é difícil me controlar.
—-- Tudo bem Luke, talvez eu tenha pego pesado. Mais preciso ficar sozinha.
E é com essa cena lastimável que esse dia termina. Sabendo que Percy pode nunca mais me perdoar ou passar a ignorar minha existência. Respiro fundo atendendo a porta já que tinha alguém batendo. Quando abro dou de cara com Percy. Não imaginei que ele voltaria tão rápido. Ele tinha um olhar triste, mais compreensivo.
—-- Precisamos conversar. E pode ser uma longa conversa.
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