Mais que amigos?
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Pov. Annabeth:
À noite havia caído, Percy já estava em sua casa. Tinha sido um dia maravilhoso para esquecer os problemas, algo de puro relaxamento. Nesse momento eu estava sentada no sofá à espera do meu pai. Todos os sábado nos reuníamos para comer um pizza e lembrar um pouco de minha mãe. O que eu mais queria era que ele perdesse esse hábito. Era nítido o sofrimento do meu pai ao pegar fotos nossas ficar divagando sobre o passado. Eu não me sentia bem em ficar relembrando coisas sobre uma pessoa que eu tanto amei. Eu não entendia porque ele ainda tinha que continuar com essa espécie de tradição que ele mesmo tinha criado.
Eu não tinha coragem de contradizer o meu pai, mas essas noites sempre me faziam mal. Acabava por dormir chorando baixinho na esperança de ver minha mãe voltar, era uma espécie de ilusão ficar remoendo o passado. Por mais difícil que fosse meu pai tinha que seguir em frente e se possível arrumar outra pessoa na vida. Era óbvio que nenhuma outra mulher poderia ocupar o posto de mãe, afinal de contas era Athena que tinha me gerado e criado desde pequena. Porém o posto de mulher poderia sim ser reposto, meu pai não precisava esquecer Athena só tinha que tentar de novo ser feliz. Ele andava com mais medo, mais reservado do que nunca e a proteção extrema que ele demonstrava às vezes me incomodava. Ele andava com medo de que algo pudesse acontecer comigo e assim perdesse outra grande mulher em sua vida. Essa era a frase que ele mais proferia.
Era difícil o convencer a sair fazer algo diferente, eu estava ficando preocupada com o meu pai. Sempre enfurnado em casa debruçado em livros ou trabalhando para esquecer os problemas. Sem notar estava seguindo esse rumo também e isso não fazia nada bem. Eu tinha que tentar algo ou ele ia se tornar um ant-social completo. Olho para porta e vejo meu pai entrando em casa com uma caixa de pizza na mão. Em seguida vou correndo lhe ajudar. O tempo lá fora tinha esfriado e uma chuva caia sobre o céu, agora ele estava com uma blusa encharcada assim como seus cabelos.
—-- Espere pai, deixe que eu te ajude. Disse pegando sua blusa molhada e levando para lavanderia.
—-- Obrigado Filha. Ele fala secamente. O que me fez estranhar o fato. Ele sempre usava um tom amigável e sereno para falar comigo.
—-- Filha precisamos conversar. Ele fala apontando para que eu me sentasse em uma das cadeiras.
Seu rosto continha um semblante profundamente sério. Seu olhar estava severo, sendo profundamente inquisidores. Vejo-o passar uma das mãos sobre o cabelo para tirar o excesso de água. Aparentemente não se importava de ainda estar molhado e iniciar uma conversa que parecia ser longa. Seu rosto tenso, seu olhar de reprovação. Agora eu entendia tudo, ele só podia ter descoberto a verdade. Que eu me lembre, não tinha dado outro motivo para que ele desconfiasse de mim. Frederick fez menção a falar algo, mas desiste e logo em seguida da um murro na mesa gritando de raiva. Quando ele resolve me encarar vejo seu rosto coberto por lágrimas. Na verdade seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar.
Eu não sabia o que dizer, estava completamente encurralada. Meu pai devia estar com vontade de me dar uma surra, me expulsar de casa não sei. Tinham inúmeras possibilidades. A minha vontade era de voltar no tempo e poder mudar as coisas de errado que tinha feito. Não queria arrumar mais problemas para o meu lado, então de inicio optei por apenas ouvir o que ele tinha a dizer.
—-- Porque, porque filha... Logo após essa frase ouço um suspiro pesado.
Nesse momento eu me controlava para não chorar, eu sentia uma dor inexplicável no meu coração. Ver meu pai ali na minha frente prestes a dizer o quanto estava decepcionado comigo me doía muito. Era uma dor psicológica que não ia passar tão cedo.
—-- Porque você mentiu para seu pai? Hen? Achei que confiava em mim. O que mais você esconde do seu pai? Não vai me dizer que assim como seu amigo também anda cabulando aulas. Vai fala Annabeth Chase.
—-- Pai eu sei que eu errei, mais não coloca o Percy nisso. Ele só estava tentando me ajudar.
—-- Os dois mentindo para mim. Olha filha você também mentiu para Sally, uma boa pessoa que está sempre tentando te ajudar. Eu conversei com ela e agora tudo está esclarecido.
—-- Sei também que tipo de pessoas frequentam o seu trabalho. Contaram-me até os eventos mais sórdidos. Filha não vai me dizer que recebe para estar na pista de dança?
Nessa hora meu rosto estava completamente corado, não sabia que essa possibilidade tinha passado pela cabeça do meu pai. E o fato de terem contado para ele que fui acedida no trabalho deixava tudo ainda mais constrangedor. Eu achei que só Percy sabia disso, porém Sally não era boba e não ia se deixar enganar tão fácil. Só não esperava que ela contasse algo desse tipo para meu pai.
—-- Ou melhor, nem responde essa prefiro não saber. Isso é repugnante, imaginar que minha filha pode estar se rebaixando a esse nível. Pensar o quão exposta você fica nesse trabalho. Francamente Annabeth, você uma pessoa tão inteligente se prestando a isso. Estão batendo em você por um acaso? Aliás, me contaram sobre o tem ocorrido nos últimos dias com um certo freguês. Desculpe-me a indiscrição, mais preciso saber se sobre isso.
Ele pergunta examinando meu corpo à procura de hematomas. Se bem conhecia meu pai era capaz dele pedir para que eu fosse ao médico para ter certeza de que nada tinha ocorrido. Ou ele mesmo ia querer examinar, porém eu era um pouco grande para esse tipo de coisa. Eu queria muito dar explicações para ele, mas as palavras não saiam da minha boca. Eu estava envergonhada de mais. Eu sentia uma culpa grande por dar essa decepção para ele ainda mais nesse dia em que ele tirava para se lembrar de minha mãe.
—-- Pai, na verdade eu nem sei o que te dizer. Nunca foi minha intenção mentir para você. Eu tive de fazer desse jeito, você não aceitaria.
Falo agora não escondendo as lágrimas. Era bem raro eu chorar na frente de meu pai, mas eu não aguentava mais segurar toda essa emoção dentro de mim.
—-- Filha acho que você não entendi a gravidade da situação. O lugar onde você se meteu. Além de ser um ambiente sórdido, cheio de drogas e bebidas é constantemente alvo de assaltos e violência contra mulheres. Agora você entende minha preocupação, além do fato de você ter mentido?
Meu pai tinha razão o lugar era repleto de coisas ruins. O que tinha me acontecido era apenas uma amostra do que poderia vir no futuro. Na verdade já fazia um tempo que eu era assediada por esse cliente, mas eu não tinha coragem de comentar esse fato com ninguém. Até eu desabafar com Thalia que por sua vez falou com Percy e virou toda essa bola de neve.
—-- Agora está explicado do porque em outro dia você aparecer quase despida para tomar café. Ele fala incrédulo.
—-- Pai eu posso ter mentido, posso ter quebrado sua confiança e não ser a pessoa integra que você imaginava. Só que eu jamais me rebaixaria a tanto, você me conhece. Eu nunca fiz nada do que você está pensando.
—-- E o SR. Dionísio? Hum.. Não me vai dizer que é normal um bêbado com quase cinquenta anos ficar dando em cima de você. Prefiro nem cogitar o que ele deve pensar ou ter feito com você. Foi ele que te induziu a beber? Você não falou nada para acobertar um bêbado safado foi? Filha essa cara deveria ser preso. Eu não acredito que deixei minha filha nas mãos de um maníaco.
—-- Pai se me permitir eu não gostaria de falar sobre isso. É um assunto delicado para mim, nem com o Percy eu conversei direito. Esse assunto ainda me deixa um tanto encabulada. Digo corando violentamente, além de desviar o olhar para o chão.
—-- Quer saber, essa conversa acaba por aqui. Eu não quero continuar discutindo, quanto mais converso com você ou com Sally descubro coisas que preferia não ouvir. Só sei que não quero falar com você por um tempo, preciso pensar colocar as ideias no lugar. Eu to nervoso e de cabeça quente posso fazer algo que depois eu me arrependa. Se pelo menos sua mãe estivesse aqui ela saberia como lidar com essa situação. Eu estou muito triste e decepcionado com você Annabeth, eu não esperava que você fosse mentir para seu pai. Logo agora que só temos um ao outro.
Ele fala a frase final elevando o tom de voz. Respiro fundo e começo a falar.
—-- Pai eu sei que você não acredita mais em mim, mas a única coisa que eu tenho são só minhas sinceras desculpas.
—-- Desculpas é isso que você tem? Eu devia era te dar um corretivo isso sim, deveria ter pensado nas consequências. Nesse momento meu pai agarrava meus braços com força fincando suas unhas sobre minha pele.
—-- Pai você está me machucando. Digo não conseguindo controlar minhas lágrimas que agora escorriam pelo meu rosto.
—-- Desculpe-me eu não deveria usar da forma física. É melhor eu ir, como falei estou um pouco alterado. Ele disse batendo a porta de casa, rumando sem destino por ai.
Fico por alguns segundos ainda sentada olhando fixamente para o chão. Tinha sido uma conversa longa, cansativa e dolorosa. Tudo isso tinha afetado de mais o meu emocional. Falar sobre os meu erros, saber o quão decepcionado ele estava e no final até minha mãe apareceu na história. Como eu queria que ela estivesse ali para me ajudar. Eu sentia falta dos seus abraços e de seus conselhos, Athena era uma mulher muito inteligente tanto no profissional quanto na vida. Eu me espelhava muito nela, queria poder ter um pouco da sua habilidade de lidar com as pessoas, porém nesse ponto éramos distintas. Eu tinha o lado racional mais aguçado que o emocional, a não ser em momentos de muito estresse como esse que estava passando.
Pov. Percy:
Depois que eu sai da casa de Annie fui correndo falar com o meu pai sobre a possibilidade ter aulas particulares com Annie. Ele aceitou desde que eu ainda sim me matriculasse em um cursinho, não tinha recuperado sua total confiança, mais ele já via em mim uma expectativa de melhora. Minha mãe está tentando acalmar meu pai e quando eu preciso me da apoio e me ajuda a organizar meus horários. Agora eu já não precisava mais dormir na casinha do cachorro, porém as idas a praia ainda estavam vetadas. Assim que eu termino de lanchar vejo Frederick sair como um canhão rumo a sua casa. Parecia apressado e não estava com uma cara nada boa. Depois de alguns segundo me toco pensando no poderia ser, ou seja, a Annabeth está frita.
Toda minha família se encontrava na mesa de jantar incluindo meu irmão caçula o Tayson. Espero todos terminarem de jantar e me disponho a ajudar minha mãe com a louça, a fim de obter informações sobre a possível conversa que ela tivera com Frederick. Com os pratos na mão indo em direção à cozinha ouço minha mãe falar.
—-- Filho o que deu em você para me ajudar hoje? Ela pergunta com tom de espanto.
—-- Se não for muita intromissão eu gostaria de saber como foi sua conversa com o pai da Annie?
—-- Bem que eu desconfiei que não fosse uma ajuda reciproca.
—-- Desculpa eu prometo terminar tudo. Só que eu preciso saber o que houve.
—-- Bem filho a situação dela é bem delicada eu diria. Eu tentei amenizar as noticias para ele, porém o choque foi um pouco grande e não sei o que pode acontecer.
—-- Falando nela acabo de receber uma mensagem dela. Estou indo me encontrar com ela, parece que Annabeth esta indo para um bar perto de sua casa. Isso não é nada bom.
—-- Tudo bem filho, cuide bem dela e diga que eu mandei lembranças.
Peguei as chaves do carro do meu pai e sai o mais rápido que consegui. Assim que saio do carro adentrando no bar, percebo ter chegado tarde mais. Na mesa onde Annie se encontra jazia três garrafas de bebidas alcoólicas vazias. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados, seus óculos molhados de tanto de que ela devia ter chorado. Sento-me em sua frente para iniciar umas das conversas mais complicas que teria com ela.
—-- Eu vim o mais rápido que pude, mais pelo visto cheguei atrasado. Falo apontando para as garrafas.
—-- Sem essa Percy, eu cansei de ser responsável e todas essas coisas. Tudo isso não me serviu para nada. Ela fala cuspindo as palavras.
Essas qualidades que ela estava negando agora era justamente o mais me fazia sentir orgulho dela. Por ela ser diferente de mim e sempre tentar colocar juízo em minha cabeça causava algumas situações bem engraçadas entre nós. Na verdade eu gostava da Annabeth madura, responsável e fiel aos seus amigos. E depois que sua mãe morrera ela andava tendo um fraco por bebidas, mesmo que tudo isso lhe fizesse mal. Em momentos de grande tensão ela pegava alguma bebida do trabalho. Eu tinha que ajuda-la para que isso não se tornasse um hábito, podia lhe fazer muito mal.
—-- Você não acha que está exagerando? Falo tentando amenizar a situação.
—-- Não sei Percy. Eu não estou muito bem. É como se eu não pudesse voltar para casa. Sinto que se eu voltar meu pai nunca mais vai querer me ver. Por pouco não rolou alguma agressão, ele estava bem alterado.
—-- Talvez isso explique os vermelhos em seus braços. Disse os levantando para analisar melhor. Annie solta um suspiro pesado me olhando timidamente.
—-- Ele acha que eu faço algo além de servir bebidas, você acredita nisso? Ele jogou na minha cara que não confio nele e que eu estou me vendendo.
—-- Bem é normal ele pensar isso. Afinal é o que mais se encontra nesse tipo de trabalho.
—-- Você está de que lado? Ela fala se alterando, dava para ver o efeito que bebida já fazia em seu sangue.
—-- Eu estou tentando ser imparcial.
—-- Me desculpe eu não queria ser grossa com você. Está sendo estranho não conseguir controlar minhas ações.
—-- É normal ficar mais impulsiva, também tem o fato de andar bebendo.
—-- Isso não vem ao caso é coisa minha.
—-- Acho que alguém se esqueceu de que não tem mais código de amizade. Então isso é problema meu também. Chega de beber, você sabe que é fraca para bebidas. Eu sinto seu hálito daqui e estou vendo que seus reflexos já estão alterados.
—-- Agora você está exagerando.
—-- Talvez esteja mais eu só quero o melhor para você.
Digo colocando minha mão sobre a sua. Já estava na hora de quebrar essa barreira que pairava sobre nós. Eu precisava indicar que estava com ela não importando o que acontecesse. Olho diretamente para seus olhos vendo apenas um pequeno ponto cinza através das lentes grossas que deixavam seus olhos miúdos. Era difícil decifrar o como eles estavam agora. Retiro o óculos com cuidado de sua face com a intenção de limpa-los. Annie usava um grau bem elevado por isso devia estar vendo apenas um borrão a sua frente. Ela comprimia os olhos com o intuito de quem sabe ver alguma coisa, mais não rolava. Era até engraçado olhar ela forçando a vista para tentar enxergar algo. Coloco o óculos contra luz e vejo quão riscado ele se encontra, além de uma trinca que se formava na parte lateral. A armação do óculos mal consegui suportar o peso das lentes grossas parecia que a qualquer momento ia se quebrar. Passo um pedaço de guardanapo sobre as lentes e torno a devolver para ela.
—-- E ai deu uma melhorada?
—-- Sim, muito obrigado. Ele já está bem velho, mais não tenho outra opção.
Esse era um dos itens em uma lista de presente para Annie um óculos ou lentes novas. Era horrível ver seu sofrimento dela com esse óculos caindo aos pedaços.
—-- Podemos ir embora? Você pode se abrigar lá em casa.
—-- Eu não posso ir, sua mãe também deve estar bem chateada comigo, por ter mentido sobre você.
—-- Que isso Annie, minha mãe te adora e até perguntou sobre você hoje mais cedo.
—-- Se não for incomodo, eu não tenho para onde ir.
Assim rumos para minha casa. Eu tinha colocar minha mãe Annie para conversarem eu sentia que essa conversa era necessária. Entramos no carro e fomos em direção a minha casa.
Fale com o autor