Mais ou Menos Amigos
7 Um Pequeno Passo e Um Grande Futuro
Notas iniciais
– Bom dia — meio cabisbaixo o Henri me cumprimenta. Ele aparenta estar nervoso e um pouco diferente do que ele é no seu dia-a-dia.
– Bom dia, Henri. Tudo bem?
– Tudo, tudo sim.
– Você está estranho. E eu acho que até sei o porque desse "estranhismo".
– Ah, sabe?
– Sei sim — ele me puxa pelo braço e me leva correndo até o meu "esconderijo" no colégio.
Ele me empurra contra a parede, me segura pelos meus braços e olha fixamente para mim — Você poderia me mostrar o que é?
– Não sei. Talvez não, talvez sim ...
– Eu posso tentar descobrir? — Respondo que sim com a cabeça e ele me da um leve beijo. Meu Deus, isso parece ser um sonho, mas não é.
De repente um garoto estranho, e, pelo o que aparenta, é novato no colégio. O terror e o pânico na cara do Henri é mais visível que o poder da Beyoncé no mundo.
– Uau. Eu não sabia que rolava dessas coisas aqui. E eu acho que estou começando a gostar daqui — ele tem a mesma altura que o Henri, então, ele é um pouco mais alto que eu. Ele é moreno também, cabelo curto e um pouco cacheado. Tem um rosto e um jeito bem simpático — Gente, sua cara de pânico é mais visível que os Grammy que a Beyoncé tem — ele diz isso olhando para o Henri. Meu Deus, ele faz o mesmo tipo de piadinha que eu.
Ele se aproxima de nós dois, me segura pelo queixo e me da um leve selinho. Depois, ele repete o mesmo processo com o Henri. A ousadia dele é tão grande que o Henri não consegue nem reagir, somente respirar — Você, não se preocupe que eu não espalharei nada sobre vocês dois, tá?
– Okay — finalmente o Henri faz alguma coisa. E parece que ele está mais calmo.
– Ah, desculpa. Esqueci de me apresentar: eu sou o Enzo e sou novo no colégio.
– Prazer, Enzo. Me chamo Fernando e ele Henri — estendo minha mão pra cumprimenta-lo e ele também. Ele repete o mesmo ato com o Henri e ele responde com o cumprimento.
Para não fazer a linha do mal educado eu me ofereço pra mostrar o colégio a ele e digo pra o Henri ir na frente, pra não gerar desconfianças sobre alguma coisa. Henri parte na frente e fica só eu e o Enzo juntos.
– Eu já falei que vocês são um belo casal? Ele negro e você branco, os dois lutando contra o preconceito racial e sexual. Casal séc. XXI.
– Okay, okay. Vamos com calma. Não precisa exagerar muito — lhe puxo pelo braço e vamos até os corredores do colégio.
Lhe mostro os lugares e para que serve cada canto enquanto a gente se apresenta um para o outro. Ele parece ser bastante extrovertido e alegre. Só parece, porque atrás de uma máscara pode ter um monstro ou um depressivo.
– Vocês estão juntos desde quando?
– Desde ontem. Descobrimos um novo lado dele — dou uma leve risadinha — Depois eu te conto a história.
– Okay — paramos em frente a turma que ele irá ficar.
– Eu gostei de você, Fernando. Você é bem simpático ... e bonitinho. Não estou dando em cima de você, por favor.
Dou uma risadinha — Okay. Você também é bem simpático — o sinal toca e nos despedimos.
Eu e Henri nos encontramos na sala. Ele ainda parece estar nervoso com algo, e parece que esse nervosismo será difícil de tirar dele.
– E aí, como foi?
– Foi legal. Ele é simpático.
– Hum, que bom — não sei porque, mas eu senti um leve e gostoso ciúmes vindo do Henri. Esse já é um grande passo.
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