Mais ou Menos Amigos
6 Jogar Verde pra Colher Maduro - Parte 2
Notas iniciais
CONTINUAÇÃO
– Fê, isso não vai atrapalhar em nada pelo o que eu sinto por você — ele me pega pelos meus dois cotovelos e me puxa para perto de si. Meu Deus, o que ele vai fazer? Ele me encara, fecha seus olhos e me da um leve selinho...
Logo depois ele abre os seus olhos e , Fêdistancia um pouco seus lábios dos meus. Minha mente se esvazia e a dor no coração, simplesmente, desaparece. Não sei o que falar, não sei o que sentir ... eu não sei.
– Está bem, Fê? — ele me pergunta com uma voz macia e calma, e com um leve sorriso no rosto, como se estivesse se libertado de alguma maldição ou prisão.
– Eh ... — dou uma leve risada -não sei o que dizer. Como? Ou porque?
– Não sei. Eu, simplesmente, sinto. Não sei decifrar isso que está acontecendo.
– Nem eu — dou um abraço nele e não o solto, na verdade, não quero nunca mais solta-lo — você não tem ideia de como eu sofri nos últimos meses imaginando nós dois juntos, se amando mas sabendo que isso nunca iria acontecer. Eu cheguei a chorar por um dia inteiro por isso. Você não tem ideia do quanto eu sofri por você.
– Eu também sofri, e muito, por você. Mas minha dor foi maior porque além de te amar eu ainda não me aceitava. Na verdade eu ainda não me aceito — ele me solta e se senta no sofá a sua direita. Eu o acompanho e senta bem do seu lado.
– Você ainda não se aceita? Mas porque?
– Por medo. Medo de não ser aceito pela minha família, medo de não ser aceito pela sociedade, medo de não ser aceito pelos meus amigos ... medo de tudo. Eu não aguento ser julgado pelas pessoas, principalmente as mais próximas de mim.
– Então, porque você se abriu pra mim? Por que eu também sou?
– Não, eu não sou — com um tom de medo e raiva ele se levanta do sofá e fica de costas pra mim.
– Como não, Henri?
– Por que eu não quero ser, NÃO QUERO SER — ele começa a chorar. Isso me parte o coração e eu sinto que tenho que ajuda-lo. Dou um abraço nele por trás pra vê se ele se acalma.
– Calma, Henri. Eu vou te ajudar ...
– Ajudar como? A eu voltar a ser normal?
– Você é normal. Você sempre foi e sempre será normal. Você só tem um gosto diferente da maioria e isso não te faz ser pior ou melhor que ninguém.
– Mas eu não quero ser assim — ele continua chorando com a mão no rosto. Eu o solto e giro ele pra que eu possa ver ele de frente.
– Você é assim e sempre será assim. A felicidade que mais importa na vida é a própria. E eu te ajudarei a ser feliz — eu puxo ele pelos braços e lhe dou um beijo. Esse sensação de beija-lo, de abraça-lo, de te-lo perto de mim é tão estranha, tão mágica, tão diferente ... tão prazerosa. Ter tudo isso pra mim me faz ser egoísta, porque eu não quero dividir algo que eu imaginei que nunca teria e também eu não quero perder tudo isso.
Ele afasta seus lábios dos meus e pergunta — Você promete que me ajudará em todas as situações e que sempre ficará ao meu lado?
– Sim, eu prometo.
– E você promete que não vai contar isso a ninguém, nem para a Marcela? — o medo dele ser "descoberto" é tão visível em seus olhos. Eu preciso ajudar ele a ser quem ele realmente é. Não vou deixar ninguém impedir ele de ser feliz e de ser quem ele é.
– Prometo, também.
– Eu te amo, Fernando.
– Eu te amo, Henri.
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