Mais ou Menos Amigos
5 Jogar Verde pra Colher Maduro - Parte 1
Notas iniciais
Chego por volta das 15h da tarde na casa do Henri pra a gente poder fazer o trabalho de Geografia. Ele mora em um apartamento que fica na avenida do mesmo bairro que o meu.
Toco a campainha e ele logo atende:
– E aí, Fê. Entra — ele está vestido com um short curto de tecido para homem e sem camisa. Ver ele daquele jeito me faz perder a cabeça e ataca-lo naquela hora. Beijar ele até me faltar ar. Levar ele pra cama ... Eu interrompo esses meus pensamentos porque sei que me fazem sofrer ainda mais.
Entro em sua casa e ele me leva até a segunda sala da casa. Um lugar não muito pequeno mas não muito grande e com uma mesa de jantar.
– Cadê o povo de sua casa?
– Meu irmão ta estudando e meus pais foram trabalhar.
– E isso é uma rotina?
– Aham. Passo a tarde toda sozinho em casa.
– E coisa boa que você não deve fazer aqui — quero nem imaginar o que ele deve fazer sozinho aqui. E se for o que eu imagino eu acho falta de educação dele não me chamar pra ajudar. Ele solta uma leve risadinha de que ficou sem graça.
– Então, o que vamos fazer? — pergunto a ele.
– Ta tudo escrito aqui, nessa folha. Agora, você sabe que minha letra é horrível, então, você que deverá escrever na cartolina — a diaba da professora nos colocou para fazer o trabalho em uma cartolina. Quem que em pleno século XXI faz trabalho em cartolina? Eu concordo com ele e começo fazendo o título do trabalho.
As vezes me da um esquecimento repentino e estranho e eu esqueço como que se faz certas letras, e eu esqueci como que se faz a letra "T".
– Véi, como que se faz uma letra "T" maiúscula?
– Sério que você esqueceu?
– Sim, eu esqueci, e ninguém é perfeito.
– É assim, seu burrão — ele chega por traz de mim e pega minha mão direita com a sua mão direita e começa a fazer a letra. Ele está, praticamente, me encochando. Qual o hétero que faz isso em outro rapaz? Mas aquela encochada deixa o meu dia muito mais feliz. E aquela mão forte. Aí, meu Deus.
– É assim, burrão.
Escrevo tudo o que tinha de escrever na cartolina e ele me faz um convite:
– Bora lanchar? Minha mãe deixou uns sanduíches prontos antes de ir pra o trabalho — concordo e vamos até a cozinha, onde tem uma pequena mesa. A mesa já está posta.
– Você e a Marcela já ficaram?
– Não, somos só amigos.
– Ela te colocou na Friendzone, né?
– Não, nós somos como irmãos, não consigo me imaginar ficando com ela.
– Ah ta, entendi. Vem cá, você e o Guilherme foram namorados por quanto tempo? — Oi? O que qui você perguntou? Como assim namorados? Meu Deus, eu não aguento mais ter que inventar coisas. Meu coração dispara e eu gelo todo.
– Hã? Namorados?
FLASHBACK
– Victor, por quanto tempo o Fernando e o Guilherme foram namorados?
– Como que você sabe disso?
– Ué, a Marcela me disse que eles se separaram esse dias.
– Ah ta. Eles ficaram por uns 4 meses e meio, por aí.
SAINDO DO FLASHBACK
– E você sabe como o Victor é boco. Então, eu joguei verde e colhi maduro — não sei o que falar depois disso. Eu fico em silêncio por alguns segundos.
– Então, Fernando, você não vai falar nada?
– E o que você quer que eu diga?
– Sei lá, confirme?
– Sim, fomos namorados. Pronto, satisfeito agora? — AAAAAHHHHHH QUE ÓDIO. Me levanto da mesa morrendo de raiva. Como que o Victor deixou isso escapar?
Passo o mais rápido possível pela sala de jantar, mas ele interrompe meus passos em outra sala. Me segura pelo braço direito:
– Ei, calma aí, só foi uma pergunta.
– Eu não sei se você lembra, mas você odeia o meu tipo de pessoa.
– Então porque você continua falando comigo ou sendo meu amigo?
– Por que eu gosto de você. Você é o amigo que eu mais gosto — na verdade, você é a pessoa que eu mais amei na vida.
– Fê, isso não vai atrapalhar em nada pelo o que eu sinto por você — ele me pega pelos meus dois cotovelos e me puxa para perto de si. Meu Deus, o que ele vai fazer? Ele me encara, fecha seus olhos e me da um leve selinho...
CONTINUA
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