Mais ou Menos Amigos
3 Disconfiando da disconfiança
Notas iniciais
– Nandinhooooo — Henri chega por trás me abraçando e me chamando por um apelido que poucos me chamam. Ou ele quer alguma ajuda ou ele acha que eu estou com raiva dele pelo o que aconteceu.
– Oi Henri. O que manda?
– Nada não, só to gentil hoje.
– Tem certeza disso?
– Claro. Porque eu não teria? — dou uma risadinha do tipo "não quero continuar o assunto".
Marcela vem em nossa direção, um pouco nervosa.
– Olá, meninos. Nando, preciso falar com você.
– Aconteceu alguma coisa Mah?– ele aparentava estar MUITO nervosa.
– Não, nada de demais. Só preciso falar com você.
– Okay.
Damos até logo ao Henri e vamos à um lugar meio isolado do colégio.
– Fê, aquela história da nossa conversa ainda não saiu de minha cabeça. Você não acha que eu fiz aquilo de propósito, né?
– Olha, quando ele me mostrou eu fiquei bem desconfiado de você. Mas você me ajudou a desenrolar a mentira, então eu acreditei que você não fez de propósito.
– Oh Fê, obrigado. Você sabe que ele mexe em meu celular mas não é pra ver minhas conversas é só pra jogar. E também foi um vacilo meu de não ter apagado a conversa. Perdão, você sabe que eu não fiz de propósito.
– Calma Mah, eu sei disso. Foi um grande vacilo mas foi resolvido. Mas, eu fiquei com o pé atrás mesmo depois da desculpa. Não sei se ele REALMENTE acreditou na história.
– Será Fê? — a campainha toca e vamos pra sala.
Antes de chegar na sala Henri me da outro abraço e me chamando novamente de Nando. Ele me perguntou se eu poderia ajuda-lo em uma questão de matemática e depois ficou me encarando, com um sorriso no rosto e com alguma mensagem no rosto que eu não consegui identificar. O que será que é?
Durante a aula de português ele decide sentar ao meu lado. Ele se senta mas não pronuncia nada. E mesmo se falasse entraria por um ouvido e sairia pelo o outro, porque aquele perfume dele me deixava "bêbado". Aqueles lábios um pouco carnudos, aquele pequeno sorriso que ele solta quando alguém da turma faz uma piada, aquela pele morena e lisa dele e aquele jeito simpático de ser. Mas essa ótima admiração desaparece porque eu lembro que não terei chances. Esse sentimento me dói o coração, me machuca muito por dentro. Porque isso está acontecendo comigo?
Ainda na aula de português a professora nos passa uma atividade em dupla.
– Faz comigo, Fernando? — a prof.ª mal termina de anunciar a atividade e ele já me chama. Eu ainda não sei o que ele quer.
– Mas, eu sempre faço com a ... — Marcela me interrompe.
– Não tem problema, eu faço com outra pessoa, pode fazer com ele — gente, será que eles estão com algum plano?
Eu aceito o pedido e começamos a fazer a atividade. Ele começa a escrever e responder a folha que a prof.ª nos deu. Isso é meio estranho, mas eu admiro até sua letra. Meu Deus, eu estou perdido.
Eu fico admirando-o enquanto ele escreve. E eu aproveito e fico imaginando nós dois juntos, ou pelos ele sem esse preconceito. A voz do vice diretor interrompe meus pensamentos. Ele anuncia a chegada de um novo aluno, que veio de outro turno. Esse aluno entra na sala. Ele é conhecido ou melhor, mais que conhecido, ele é meu ex. Ele é o Guilherme.
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