Mais ou Menos Amigos
4 Amor passado, Amor novo
Notas iniciais
O Guilherme é um ex que não tenho nada contra. Um cara gente boa. Logo depois de ele ser apresentado a turma a professora pedi pra que ele senti ao meu lado. O Henri o encara de uma forma estranha.
– Oi, Fernando. Tudo bem?
– Oi, Gui. Tudo sim, e com você?
– To bem — ele me pareceu meio sério. Será que está acontecendo algo com ele?
Na hora do intervalo ele me chama pra conversar um pouco, colocar nossa vida em dia. Saber como cada um de nós estamos. Fomos para um lugar mais reservado.
– Então, como ou porque você veio parar aqui?
– Eu vim pra cá por causa de você.
– Hã? Como assim? — meu Deus, não me fale que ele quer voltar.
Ele solta uma risadinha de leve e responde — Sim, por causa de você — ele nem me da chance de replica e me da um leve selinho. Eu o afasto com um leve empurrão e o repreendo.
– Que isso, Guilherme?
– Eu ainda te amo, Fernando.
– Você acha o que, que é só chegar assim que eu já estou em teus braços? — isso aqui não é bagunça não, viado.
– Fê, você não está entendendo. Eu te amo, e muito. Logo depois que separamos eu simplesmente vi minha vida escurecer.
– E eu com isso, meu querido? Você já viu eu reler algum capítulo? Não, né? Então, acho melhor tu desencanar dessa aí porque eu não quero.
– Você não sente nada por mim, Fê? Mas a gente se amou tanto.
– Você falou certo, SE amou, do passado. Eu não vou negar que eu também fiquei triste depois de nossa separação, mas eu superei e você tem que fazer o mesmo.
– Mas eu não quero.
– Você não tem que querer, você tem que fazer. Olha só, não quero mais conversar sobre isso e espero que você entenda. Podemos até ficar amigos ou algo do tipo mas nada de voltarmos — dou um tapinha de leve em seu ombro esquerdo e saio.
Gente, logo agora ele quer voltar? Não tem condições. E outra coisa me preocupa muito: se ele descobrir que eu gosto do Henri minha vida vai virar um inferno e o Henri pode até descobrir isso.
Enquanto eu caminho pelo pátio em direção ao primeiro andar do prédio o Henri vem em minha direção, todo alegre. Eu ainda não sei o que ele quer de mim.
– E aí, Fê. Tudo bem, cara? E aquele aluno novo, tu conhece?
– Sim, conheço. Ele é um vizinho meu.
– Ah, ta. Então, quando que vamos fazer aquele trabalho de geografia? Não esqueça que temos que entregar depois de amanhã.
– Eu sei, Henri. Pode ser em sua casa? A minha ta bem bagunçada, por causa de uma reforma que está tendo lá.
– Okay, pode ser. Você ta indo pra onde?
– Eu vou pra sala, por...
– Vamos, eu também vou — ele nem espera eu terminar e já responde. Ele está muito estranho.
Vamos até a sala e ele me solta a seguinte pergunta:
– Por que eu quase nunca te vejo namorando ou ficando com alguma menina? — meu Deus, o que eu respondo?
– Sei lá, ninguém nunca se interessou por mim e não vejo nada de demais em só ficar com a menina — que desculpinha mais esfarrapada.
– Ah, ta — o corredor está vazio.
– Olha só como meu tanquinho ta um pouco definido — ele termina a frase e levante sua camisa até o peito. Só olhando aquela barriga um pouco definida e bem moreninha me deixa todo molhado. Eu estou desconfiando que ele esteja me testando. Não tem condições.
Eu olho e acabo soltando um leve sorrisinho — Ta mesmo. Olha, os gominhos estão quase definidos — enquanto falo isso eu dou uma leve apalpada em seu abdómen. E é claro que eu não iria sair dessa perdendo.
A cada hora que eu fico perto dele me da uma dor no coração porque eu não posso abraça-lo, puxar ele pra mim e não largar nunca mais. Beixar aqueles lábios carnudos. Ser possuído por aquela pessoa. Só essa minha leve queda por héteros já abalam minhas estruturas e um hétero com essas qualidades faz meu prédio cair. Mas o desejo não é nada comparado com o amor que estou sentindo por ele. E a dor de não poder pelo menos contar isso a ele é maior que tudo isso junto.
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