Mais do que se pode ver
1 Capítulo 1 - A melhor irmã do mundo e o pior exemplo dele.
Notas iniciais
— Um expresso e um croissant na mesa três. – Quinn disse, colocando apenas a cabeça para dentro da cozinha.
— Pode deixar! – Judy respondeu, já começando a fazer o café.
O movimento no café dos Fabray aquele dia não era dos melhores.
Quinn caminhou com calma até uma das mesas e sentou ao lado da irmã.
— Sabe, você deveria parar de ficar lendo sobre essas coisas de teatro musical, e focar em trabalhar. Faça isso em casa.
— Sabe, eu ainda me pergunto como você sempre sabe o que eu estou fazendo.
— Eu te conheço, Kitty.
— Eu sei. – a mais nova sorriu – Agora, fica quietinha que vão anunciar o ganhador a qualquer minuto.
— Ganhador?
— É. A Broadway está reencenando RENT e, como o Teatro Dolby está estreando depois da reforma, a peça tá vindo para cá, para uma espécie de comemoração. Vão reencenar RENT com o pessoal da Broadway, Chicago com profissionais de L.A., Mamma Mia com atores off Broadway e estão cogitando a possibilidade de fazer Família Addams com amadores daqui.
— E o que isso tem a ver com algum ganhador?
— Estão sorteando uma semana os atores de RENT. Mesmo hotel, ir para o teatro, ver os ensaios, os bastidores. Conhecer todos os atores. E o melhor! Rachel Berry faz Maureen, o que significa, conhecer minha diva. – os olhos da garota brilhavam.
— E você se inscreveu.
— Eu não posso ir. Tinha que ser maior.
— Sinto muito.
— Vai começar. Quer ouvir também? Quer saber? Vou ligar na TV.
A Fabray mais nova correu para ligar a TV e Quinn riu.
— Kitty, você nem pode ser sorteada.
— E agora, o momento que todos estavam esperando. – a voz da apresentadora soou pelo estabelecimento e Quinn percebeu o nervosismo de Kitty, que voltava a sentar ao seu lado, antes mesmo de a apresentadora continuar – Senhoras e senhores, ela, que é o sucesso do momento, e todos a querem em suas produções, senhorita Rachel Berry! – Quinn sentia Kitty inquieta e franziu a testa.
— Ela está linda. Você precisava ver, Quinn.
— Realmente, todos me querem, mas poucos têm uma produção que valha a pena. – a voz da morena chegou ao ouvido de loira.
— Acho que não quero ver. Como você pode gostar de alguém assim?
— Mas é a verdade. Todos querem trabalhar com ela.
— Vamos logo com isso. Tenho mais o que fazer.
Quinn sentiu Kitty segurar a mão dela, e a loira franziu a testa.
— Por que você está com os dedos cruzados?
— E a vencedora é... – a apresentadora fez suspense – Lucy Quinn Fabray! – automaticamente, Kitty começou a pular e gritar pelo restaurante – Senhorita Fabray, nosso carro ira busca-la em duas horas.
Todos os fregueses encaravam a Fabray mais nova fazendo sua comemoração, quando Quinn finalmente conseguiu entender o que tinha acontecido.
— Como eu ganhei se não me inscrevi? – Quinn disse e, instantaneamente, Kitty se calou – Eu não acredito nisso, Kitty! Eu não vou. Você fez isso pelas minhas costas. – Quinn levantou e respirou fundo – Afinal, quando você me inscreveu?
— Foram duas ou três vezes. Por dia. O mês todo. – a mais nova murmurou, na esperança da irmã não ouvir.
— Eu não vou.
— Mas, Quinn, eu não tenho idade e... Você pode ir e conhecer todos eles, pegar autógrafos, tirar fotos... Faz isso por mim? – Quinn podia imaginar exatamente a cara que sua irmã estava fazendo.
— Não vou.
— Mamãe... – Kitty resmungou e Judy, que havia saído da cozinha quando a casula começou a gritar, riu.
— Você tem razão, Quinn. Kitty foi errada em fazer isso. Mas, meu anjo, você poderia sair um pouco mais.
— Isso não é “sair um pouco mais”. Além disso, vocês vão precisar de mim aqui.
— Quinn, querida, você já tem vinte e um anos e não viveu nada. Você precisa sair e conhecer pessoas diferentes.
— Eu estou bem aqui. Não quero sair nem conhecer ninguém.
— Quinn, você não pode passar a sua vida inteira aqui, servindo mesas.
— Posso sim.
— Hey! Eu vi o resultado na TV. – Santana disse, entrando no café – Não sabia que gostava da Broadway, Quinn.
— Não gosto. – Quinn respondeu e suspirou – E eu não vou.
— Q, por favor. – Kitty pediu – Faz isso por mim.
— Não.
— Você tem noção de quantas pessoas matariam para estar no seu lugar?
— Bom, elas podem ficar com ele. Por que eu. Não. Vou.
— Faça isso pela sua irmã, Dorinha. Quem sabe você já não encontra um cara gato por lá e desencalha?
— A ultima coisa que eu preciso saber em uma pessoa, Santana, é da beleza.
— É claro, você não vai ver a pessoa mesmo.
— Além disso, eu já disse que não vou.
— Por favor, Quinn. – Quinn podia apostar que Kitty estava quase chorando e suspirou – Vai lá. Pela sua irmã mais nova.
Quinn suspirou, balançando a cabeça negativamente, e saindo do café em direção á sua casa – que ficava em cima do estabelecimento.
***
— Com licença. – um homem alto, de terno e óculos escuros parou no balcão e Kitty suspirou, se virando para ele.
— Pois não?
— Vim buscar a senhorita Fabray.
— Oh! Você deve ser do pessoal do sorteio.
— Sim, senhorita. Você é Lucy Fabray? Temos que ir.
— Hum... Não sou eu. Sou irmã dela.
— A senhorita poderia chama-la, por gentileza?
— Olha, eu acho que Quinn... Não vai.
— Como é?
— Acontece que...
— Kitty. – Quinn chamou, entrando no café e a mais nova suspirou.
— Ela é a Quinn. – disse – Quinn, o rapaz do sorteio já veio te buscar.
— Ok. Estou pronta.
— Sério? – Kitty sorriu.
— Sim, Kitty. Eu vou fazer isso.
— Obrigada, Quinn! – Kitty abraçou a irmã e Quinn suspirou.
— Você vai ficar me devendo uma, baixinha. – resmungou e se afastou da menor – Chama a mamãe pra mim?
— Claro. Mamãe! – Kitty gritou e Quinn deu um tapa no braço da mais nova.
— Se fosse para gritar, eu mesma gritava.
— E não gritou por quê?
— O que foi? – Judy apareceu na porta da cozinha e Quinn suspirou.
— Estou indo.
— Pra onde?
— Ela vai, mamãe! Vai conhecer os atores e... Oh, Quinn, por favor, pegue um autografo de todos para mim! E tire fotos com eles e... Será que você consegue convencer eles a vir me conhecer?
— Senhorita, precisamos ir. – o homem falou e Quinn balançou a cabeça.
— Certo. Mãe, minhas coisas estão na porta de casa, você pode pega-las e me ajudar a ir para o carro, por favor?
— Claro, filha. – Judy disse, indo até Quinn.
Alguns minutos depois, o carro saia de frente da casa, com uma Quinn nada animada dentro.
— Então, você está fazendo isso pela sua irmã? – o motorista puxou assunto.
— Pois é.
— Sabe, muita gente queria estar no seu lugar.
— Bom, eu talvez até gostaria de estar aqui. Mas não é como se eu pudesse ver o trabalho deles.
— Mas você ainda pode ouvir. E, acredite, eles cantam muito bem.
***
— Eu vou sair. – Rachel disse, passando pelo grupo que esperava por Quinn no hotel.
— Barbra, você tem que ficar e recepcionar a ganhadora com a gente. – o diretor da peça, Jesse, falou.
— Dane-se ela! Depois eu invento uma desculpa, dou um autografo, bato uma foto e ela vai esquecer que eu não estava aqui.
— Rachel.
— Olha só, nós só vamos ensaiar amanha, então, me deixa curtir um pouco.
— Rach. – Blaine puxou a garota para um canto e suspirou – Não faz isso.
— Fazer o que?
— Eu sei que você já conseguiu toda fama que queria, mas você só está começando. Não trate as pessoas assim. Você está deixando a fama te subir a cabeça.
— Blaine, eu só vou dar uma volta.
— Você volta hoje?
— Eu não sei.
— Então não é só uma volta.
— Olha só, Anderson, se eu fosse você, ia dar uma volta e tentar encontrar alguém, também.
— Você não era assim na escola, Rachel.
— E olha como me tratavam e como tratam agora.
— Você sempre quis mais do que podia ter, Rachel, mas agora você está passando dos limites.
— Não vem com essa, Blaine. Você sempre quis o mesmo que eu.
— E nós conseguimos! Caramba! Estamos fazendo RENT. Temos fãs e o reconhecimento da mídia. Mas você está colocando tudo isso a perder agindo assim.
— E você continua sendo um perdedor de Lima, não é?
— Não, Berry. Eu sou o mesmo Blaine que você conheceu. Você... Não é mais a Rachel.
— Foda-se.
Rachel saiu do hotel sem olhar para trás.
Ignorou os repórteres e apenas acenou para alguns fãs.
Assim que entrou no taxi, retirou os óculos de sol que usava por causa dos flashes.
Ouviu alguém batendo na janela do carro e revirou os olhos ao ver Jesse.
— Eu vou estar no ensaio amanha, St. James.
— Você está a apenas um passo de perder seu papel, Berry.
— Se fizer isso, o único a perder será você. – disse e virou para o motorista – Me leve a algum café aqui perto. – disse e voltou a olhar para Jesse – Se eu fosse você, não me esperava acordado.
O motorista saiu, e Jesse se controlou, por causa dos paparazzis, para não xingar a atriz.
***
— Chegamos. – o motorista, Jake, disse – Vou abrir a porta pra você.
— Não precisa, Jake.
— Precisa sim. É o meu trabalho. – o rapaz respondeu descendo do veiculo.
Jake abriu a porta e ajudou a loira a descer.
Quinn pegou a bengala que carregava consigo sempre que ia para algum lugar que não conhecia e a abriu.
— Obrigada, Jake. Eu me viro daqui.
— Tem certeza? Eu vou entrar também, de todo jeito.
— Se você vai entrar... – a loira sorriu, arrumando novamente a bengala, a prendendo no pulso e deixou que Jake passasse seu braço pelo dele.
Os dois entraram no hotel sem problemas e Quinn franziu a testa.
— Eu pensei que isso aqui ia estar cheio de paparazzis.
— E está. Nós entramos pelos fundos.
— Oh!
Jake a guiou até o elenco e Jesse.
— Lucy Quinn Fabray, – o rapaz disse, chamando a atenção dos artistas – te apresento o elenco de RENT.
— Lucy? – Jesse se aproximou da garota sorrindo e estendeu a mão para ela – Sou Jesse, diretor da peça.
— Ele esta te estendendo a mão. – Jake murmurou para a loira e Quinn esticou a mão, procurando pela de Jesse, que franziu a esta.
— Quinn Fabray. Por favor, não me chame de Lucy. Apenas Quinn.
— Claro. Quinn, esses são, Blaine... – apontou o garoto e Quinn deu uma risada leve, o interrompendo.
— Desculpe, Jesse, mas, eu gostaria que cada um se apresentasse. Você sabe, eu só vou conseguir identifica-los pela voz, então...
— Oh! Claro. – Jesse arregalou os olhos, finalmente entendendo por que a garota não o cumprimentou assim que ele estendeu a mão – Desculpe, eu não percebi.
— Tudo bem. As pessoas só costumam perceber quando eu estou com a bengala.
Cada integrante da peça se apresentou, enquanto Quinn sorria para todos.
O grupo conversou por alguns minutos e, logo em seguida, Quinn passou o braço pelo de Jesse e o rapaz foi lhe apresentar o hotel. De acordo com ele, faria a mesma coisa no dia seguinte, quando fossem ao teatro.
Não demorou muito para a loira se acostumar ao lugar.
— Então, você é fã de musicais em geral, de RENT, ou algum ator especifico? – Jesse perguntou quando estavam voltando para o quarto da loira, estranhando o fato de ela não ter perguntado de Rachel.
— Minha irmã é fã, na verdade. Eu não vi muito sentido nisso, mas, como ela não tem idade o suficiente para competir, me inscreveu sem que eu soubesse.
— Ela quer uns autógrafos, certo?
— O que ela quer mesmo é que eu convença vocês a irem lá em casa. Mas não vou nem tentar. Ela que se contente com os autógrafos. – disse fazendo Jesse rir.
— Bom, seu quarto. – o rapaz disse – Quer que eu abra a porta?
— Não. Pode deixar. – Quinn respondeu tateando a porta em busca da fechadura com uma mão, e pegando a chave, que Jesse havia lhe entregado depois que todos se apresentaram, no bolso com a outra.
— Quer que eu te ajude a conhecer o quarto? – o rapaz perguntou quando ela destrancou a porta.
— Se não for incomodar.
— De jeito nenhum.
Jesse a mostrou o quarto e o banheiro, e foi para o seu quarto logo em seguida, prometendo passar para busca-la para ir para o teatro na manha seguinte.
***
Já estava à noite quando Quinn escutou uma leve batida na porta do quarto onde ficaria hospedada aquela semana.
— Pode entrar. – a loira disse
— Oi. – o garoto falou – Jesse pediu para eu te acompanhar ate o salão, para jantarmos.
— Claro. Você é o Blaine, certo? – Quinn disse se levantando da cama e seguindo em direção à porta.
— Sim. Deixa eu te ajudar – o garoto se aproximou da loira e entrelaçou seus braços – Podemos?
— Claro
Eles seguiram em silencio ate o grande salão e foram os primeiros a chegar.
Blaine puxou a cadeira para Quinn e se certificou de que ela estava confortável.
— Meio que chegamos primeiro que todos. – ele disse e ambos riram.
— Não tem problema.
Cerca de dois minutos se passaram até todos já estarem presentes, sentados em volta da mesa, envolvidos em uma única conversa.
— Então, Quinn, como se sente estando entre grandes astros da Broadway? – Jesse brincou.
— Bem, eu estou normal. Apesar de tudo é legal conversar com vocês. –a loira disse.
— Esperava um “Estou pirando” – Blaine disse com uma voz fina que fez todos rirem.
— Digamos que eu não sou uma fã de teatro musical. – naquele momento parecia que todos estavam pasmos – Minha irmã, por outro lado, é. Mas como ela não tinha idade pra competir, ela me inscreveu.
— E você, como uma boa irmã, veio. – uma voz que Quinn não reconheceu afirmou.
— Sim. Segundo minha mãe, eu tenho que sair mais.
— E... Você nasceu ou ficou cega? – Harmony perguntou.
— Eu fiquei cega, mas não me lembro de nada antes. Era muito nova quando aconteceu então meio que não me faz falta.
— Você trabalha Quinn? – Sam Evans, outro dos garotos do elenco, perguntou.
— Sim. Sou garçonete no café da minha família. – a loira respondeu
— Me desculpa a pergunta, mas como? – Jesse perguntou um pouco indignado.
— Não tem problema. Eu fui criada lá. Sei onde esta cada cadeira. É um dos poucos lugares que eu não uso minha bengala. – Quinn respondeu – Será que alguém pode me dizer onde esta a Rachel? – ela perguntou meio acanhada.
— Como sabe que ela não esta aqui? – Blaine perguntou.
— Por que eu não ouvi presunção na voz de nenhum de vocês. – todos riram da resposta. – Kitty é super fã dela. Digamos que se eu levar ela pra conhecer minha irmã, eu serei a santa Fabray pra sempre.
— Ela teve que ir resolver alguns problemas, mas amanhã você vai conhecer ela. – Jesse disse e Quinn sentiu que era uma pequena mentira.
Aquele jantar serviu para mostrar a todos uma outra realidade.
Blaine esperava que aquilo ajudasse Rachel a cair na real. A vida da loira poderia ser um exemplo para muitos.
***
Rachel entrou na boate sem pegar fila, como já era acostumada a fazer, e foi direto para o bar.
Tinha andado toda L.A. aquela tarde, e já estava cansada de bancar a garota boazinha.
Precisava de álcool, garotas, e, por que não?, um pouco de maconha também. Aquilo com certeza a ajudaria a relaxar.
Sentou no primeiro banco vazio que viu e chamou o bar man.
— O que você tiver de mais forte. – pediu.
— Você é Rachel Berry, não é?
— Não, panaca. Sou a irmã gemia dela. Só faz o drink e cala sua boca, vai.
O bar man fechou a cara, mas fez o que judia mandou.
Entregou o copo para Rachel, que o virou de uma vez só.
— Outro. – falou e passou a olhar em volta.
Algumas pessoas olhavam para ela, outras nem a haviam notado.
Procurou por entre o mar de gente e sorriu ao ver uma garota morena, mais ou menos do seu tamanho, sentada sozinha em uma mesa.
O bar man lhe entregou a outra bebida e Rachel o encarou.
— O que aquela garota está bebendo? – perguntou apontando para a morena discretamente.
— O ultimo foi um Stars & stripes.
— Me da dois. – falou virando o copo.
O rapaz preparou os drinks, e entregou para a judia, que jogou duas notas de cem dólares sobre o balcão e saiu andando em direção à garota.
— Aceita um drink? – ofereceu, e a garota arqueou a sobrancelha, a encarando, enquanto a judia sentava ao seu lado.
— Como sabe o que estou bebendo?
— Perguntei para o bar man o que estava bebendo a garota mais bonita aqui essa noite, e ele me disse.
— Sabe, tem varias pessoas bebendo isso por aqui, Rachel. Então, não foi uma boa cantada.
— Então, você me conhece.
— Você está em cartazes por toda essa cidade.
— Bom, então você tem uma vantagem sobre mim. Posso perguntar seu nome?
— Sou Ashley. – a garota respondeu pegando o copo que Rachel havia deixado em cima da mesa para ela.
— Então, Ashley, está aqui sozinha?
— Com uma amiga.
— Hum... E... Você, por acaso, não tem nenhum namorado, não é?
— Por que não diz logo o que quer?
— Por que é falta de educação chegar em uma garota dizendo que quer ela de todas as formas fisicamente possíveis. – murmurou no ouvido da garota – Além de acabar com as suas, no caso, minhas, chances.
— Hey, Ash. – uma garota se aproximou das duas e Rachel a olhou de cima a baixo. Tão bonita quanto a amiga – Atrapalho?
— Nem um pouco. – Rachel deu um sorriso de lado.
— Então, Rachel Berry está mesmo na cidade. – a garota sorriu – Sou Camille.
— Lindo nome. Combina com você.
Rachel dedicou seus próximos quarenta minutos a pagar bebidas para as garotas e provoca-las.
Em algum momento nesse meio tempo, as garotas a puxaram para a pista de dança, e a judia se viu dançando entre as duas.
Parou por alguns minutos somente para pedir outra bebida para as três, enquanto observava as duas conversarem enquanto dançavam.
Voltou para perto das duas, que pegaram seus copos sorrindo e olharam uma para a outra.
Viraram as bebidas em um gole só e Ashley se aproximou de Rachel, para sussurrar no ouvido da judia.
— Sabe, eu e Camille estávamos pensando... Aqueles boatos sobre você ser intersexual, são verdadeiros?
Rachel sorriu de forma maliciosa para as garotas e respondeu, com a voz rouca.
— Por que não vamos para o hotel, e lá vocês descobrem?
***
Quinn estava há algum tempo deitada, tentando dormir.
Sua cabeça rodava entre querer voltar para sua casa e sua rotina, e tentar descobrir como tinha ido parar naquele hotel, de uma hora para outra. Kitty ia lhe pagar por aquilo.
De repente, a loira ouviu alguns passos apresados pelo corredor, e algumas risadinhas irritantes.
— Calma ai, garotas. Infelizmente, não podemos fazer isso aqui. – Quinn respirou fundo ao reconhecer a voz de Rachel.
Uma porta foi batida com certa urgência, e, segundos depois, Quinn sabia que teria uma noite longa.
Os gemidos chegaram aos ouvidos da loira, tanto quanto todo tipo de coisa que ela não queria ouvir e o barulho da cama batendo contra a parede.
Quinn puxou o travesseiro para cima da cabeça, para tentar abafar o barulho, mas não conseguiu.
As garotas gritavam para Rachel ir mais rápido enquanto a judia as chamava de nomes não muito agradáveis e Quinn queria jogar uma bomba no quarto ao lado e matar as três, para acabar com aquele barulho.
Alguns minutos depois, Quinn respirou fundo quando um silêncio se fez presente, porém, ele durou menos que o barulho.
Uma musica irritante começou a tocar, e Rachel começou a falar algumas coisas que Quinn agradeceu aos céus por não estar entendendo.
Uma das garotas respondeu algo e Quinn ouviu o barulho de um tapa, seguido por mais algumas palavras e, logo em seguida, gemidos.
Quando o barulho finalmente cessou, Quinn já estava prestes a invadir o quarto do lado e esfaquear as três para conseguir dormir.
Aquela garota, definitivamente, não era um bom exemplo para sua irmã. E Quinn faria a caveira dela para Kitty.
Isso se não acabasse a transformando em uma caveira naquela semana.
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