Mais do que se pode ver
2 Capitulo 2 -Rachel Berry e Quinn Fabray
Notas iniciais
— Bom dia. – Jesse cumprimentou Quinn na porta do quarto da loira, quando foi busca-la pela manha, para irem tomar café da manha e ir para o teatro.
— Bom dia. – Quinn disse.
— Parece cansada. Não dormiu bem?
— Não muito. – a loira suspirou.
— Se você quiser, pode ficar aqui e descansar.
— Não, tudo bem. Se eu fizer isso Kitty me mata.
Os dois desceram e sentaram junto com os outros.
Blaine ajudou Quinn a escolher seu pedido e o grupo comeu entre conversas e risadas.
— E então, Fabray? Está pronta para se apaixonar pelas nossas vozes? – Harmony brincou e Quinn riu.
— Olha, não vai rolar. Entretanto, estou disposta a tortura de ouvi-los cantar o dia inteiro.
— Hey! Você vai sair de lá mais fã que sua irmã. – Sam falou.
— Vocês não conhecem Kitty.
— Falando nela, a garota vai querer algumas fotos, não vai?
— Não se preocupem com isso. – Quinn sentiu seu celular vibrar e suspirou – Se importam se eu atender aqui mesmo?
— Não. Fique a vontade. – Jesse respondeu.
— Alô?
— Você já pegou meus autógrafos? – Kitty perguntou.
— Oi, Kitty. Eu estou bem, obrigada. E você? Não. Não peguei seus autógrafos.
— Sua irmã? – Harmony perguntou, sorrindo para os atores na mesa, que entenderam o recado. Quinn levantou o dedo, fazendo um sinal positivo.
— Você está com eles?
— Estou.
— Põe no viva voz, pra gente dar um oi. – Jesse disse baixinho, e Quinn sorriu.
— O que acha de falar com eles?
— Eu posso? – a garota gritou e Quinn riu, colocando o celular no viva voz.
— Kitty, dê um oi para o pessoal.
— Hey Kitty! – o grupo a cumprimentou.
— Ai. Meu. Deus. – a garota gritou – Ah! Caramba! Eu... Eu sou super fã de vocês!
— Sua irmã comentou que você gostaria de nos conhecer. – Blaine disse – E que você mandou ela para cá por que não podia vir.
— Foi... Eu... Eu realmente adoraria conhecer vocês!
— Prometo que vamos mandar fotos autografadas por Quinn.
— Eu... Hum, desculpe, mas, Rachel está ai?
— Ela ainda está dormindo. – Jesse respondeu.
— Ok. – a garota disse, sem desanimar – Q, Santana tá mandando um oi.
— O que a Santana tá fazendo ai?
— Ela tá ajudando a gente enquanto você tá ai.
— Hum... Bem, mande um oi para essa latina abusada.
— Já pegou alguém, Fabray? – a voz da latina soou ao longe e o grupo riu.
— Avise Santana que eu vou estrangular ela quando chegar ai.
— Recado dado. – Kitty riu.
— Vou desligar, Kitty. A gente se fala.
— Ok. Tchau.
Quinn desligou o telefone, o colocando novamente no bolso.
— Como é que você mexe nele? – Jane, uma das atrizes, perguntou.
— Ele é feito especialmente para deficientes visuais. É todo em braile. Quer dar uma olhada?
— Claro.
O celular da loira foi passado de mão em mão, e a maioria preferiu não se arriscar a mexer.
— Temos que ir. – Jesse disse, levantando.
— E Rachel? – Blaine perguntou.
— Terei uma boa conversa com ela mais tarde. Agora vamos que estão todos loucos para ver quem é a Fabray, que conseguiu entrar escondida ontem.
O grupo saiu dividido em alguns carros, e não demoraram para chegar ao teatro.
Jesse fez como havia prometido e mostrou todo o espaço para Quinn assim que chegaram.
A loira podia sentir a energia que corria por aquele espaço. Era como se todo o teatro gritasse por apresentações e aplausos.
Quinn ficou mais de três horas ouvindo os artistas cantarem, até resolver se arriscar a andar um pouco por ali.
Foi para trás do palco e, assim que sentiu que estava nos bastidores, guardou a bengala.
Mesmo ali, Quinn ainda ouvia a voz dos atores.
Quem olhasse a loira andando por ali, diria que ela já conhecia aquele lugar como a própria mão.
Quinn percebeu a aproximação de alguém e o cheiro leve de álcool. Já imaginava de quem se tratava e esperou que ela se apresentasse sozinha.
Os pensamentos da loira foram cortados pelo susto quando aquele corpo meio embriagado trombou com ela.
— Você devia olhar por onde anda. – Rachel reclamou e Quinn suspirou. Ela definitivamente ia fazer a caveira dessa garota para a irmã.
— Talvez se você não estivesse tão bêbada pudesse se manter em pé sem esbarrar em ninguém. – Quinn respondeu.
— Talvez ajudasse se você tirasse esses óculos escuros da cara. Não é como se estivesse sol aqui dentro.
— Aposto que sua ressaca tem muito mais a ver com isso do que os meus óculos.
— Quem você acha que é? E dá pra olhar para mim enquanto eu falo?
— Sou Quinn Fabray, e desculpa se não consigo enxergar onde você está para te olhar, mas...
— Faz piada com o meu tamanho, e eu acabo com você.
— O que? – Quinn esticou a mão, com a intenção de tentar descobrir o tamanho da garota, mas Rachel deu um passo para trás.
— Pirou, foi?
— Hey, Quinn. – Blaine apareceu e Quinn suspirou aliviada.
— Hey, Blaine.
— Vejo que conheceu Rachel.
— Pois é.
— Rach, essa é a ganhadora do sorteio, Quinn.
— Hum... – Rachel a olhou de cima a baixo – É sempre um prazer conhecer uma fã.
Quinn engoliu a resposta bruta que lhe veio a mente e Rachel franziu a testa quando a garota não respondeu.
— O que estava fazendo aqui, Quinn?
— Vim caminhar um pouco. Vocês até que não cantam mal, mas a mesma musica cinco vezes seguidas é sacanagem. – disse fazendo Blaine rir.
— Bom, agora que Rachel chegou vamos ensaiar outras. Quer continuar andando por ai ou vai sentar?
— Acho que vou voltar.
— Quer ajuda?
— Eu cheguei aqui sozinha, tenho que dar um jeito de voltar. – Quinn sorriu.
— Tudo bem.
A loira voltou a caminhar com calma para a plateia e Rachel revirou os olhos.
— Qual é a dessa garota? Não fui com a cara dela.
— Quinn é uma ótima pessoa, Rachel.
— Não parecia enquanto insinuava que não conseguia me ver por que sou muito baixinha.
— Rachel, Quinn não te veria nem que você fosse do tamanho desse prédio.
— Por que não?
— Você só pode estar de brincadeira. – reclamou – Vamos logo antes que Jesse queira te matar mais do que ele já quer.
Blaine deixou a garota para trás com cara de quem não tinha entendido nada. E não tinha mesmo.
***
— Berry, eu quero falar com você. – Jesse disse enquanto o restante do elenco saia do palco em direção aos camarins.
A judia suspirou antes de se virar para o diretor.
— O que quer, St. James?
— Te dar um murro. Mas isso me levaria pra cadeia.
— Era pra ser engraçado?
— Olha só, Rachel, eu cansei disso, tá legal? Você saiu ontem à noite e de acordo com revistas e sites de fofoca, voltou pro hotel com duas garotas. O que me fez pensar, “uau, pelo menos eles não disseram que são prostitutas, dessa vez.”. E, serio, o jeito como você tem agido com os fãs também não é o melhor jeito possível. E você nem mesmo se deu o trabalho de se desculpar por não ter esperado Quinn ontem.
— Aquela loira tem é que se por no lugar dela.
— E você no seu! Você é uma figura publica Rachel. As pessoas falam e acabam não só com a sua imagem, mas com a da peça inteira. E, se isso continuar, você pode dar adeus a esse emprego. E eu tenho certeza que você vai ter muito trabalho para achar outro, por que eu vou garantir que isso aconteça espalhando a falta de consideração que você tem tanto pelas oportunidades que te são oferecidas, quanto pelos seus colegas de elenco e com os fãs.
— Quer mesmo perder sua melhor artista?
— Artistas como você, Berry, a gente encontra aos montes. E com um caráter muito melhor. – Rachel respirou fundo e Jesse passou a mão pelos cabelos – É sua ultima chance, Rachel. Na próxima, você tá fora.
Jesse saiu do palco, deixando a Berry sozinha.
Rachel andou por ele, executando alguns passos de dança leves, tentando relaxar.
Depois de alguns minutos, parou no centro do palco, encarando o lugar que seria ocupado por milhares de pessoas em alguns dias.
Ela tinha lutado para estar onde estava. Tinha batalhado para conseguir seu papel.
Foi humilhada na escola, fez papeis pequenos, sem importância, e foi humilhada por atores principais.
Agora que ela tinha o que queria, por que não podia aproveitar? Por que não erguer a cabeça e mostrar que estava no topo? Mostrar que tinha conseguido.
Era só o que ela queria fazer.
Ela só precisava provar para os seus antigos colegas de escola que ela tinha conseguido. Que eles estavam errados. Era só o que ela estava fazendo. Realizando seus sonhos, enquanto eles não estavam nem perto dos deles.
Ela só estava aproveitando o que tinha.
Não queria perder o papel. Sabia que não estava sendo a melhor pessoa do mundo, mas ela era completamente profissional, e sua vida pessoal não deveria interferir no seu trabalho.
E daí que ela era uma figura publica? Ela ainda tinha uma vida.
Rachel sentou no meio do palco, deixando algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto.
Às vezes, ela queria voltar a ter quinze anos, e correr para o colo dos pais sempre que estava confusa e não sabia o que fazer. Se ela ao menos pudesse voar para Lima por alguns dias...
***
Quinn estava sentindo falta da rotina no café, das conversas com as senhoras que faziam seu clube do livro lá todas as segundas e especialmente dos Donuts que sua mãe fazia.
Pensar na comida da sua mãe acabou fazendo garota descobrir que estava com fome.
Quinn seguiu para próximo ao relógio – que Jesse havia conseguido com o hotel após a garota dizer que não gostava de ficar perdida no tempo – e apertou um botão. O mesmo lhe informou que já era quatro e meia da tarde.
A garota pegou a bengala e seguiu pela porta.
Quinn foi para o grande salão onde era servido o café da tarde. Um dos garçons a levou ate uma mesa desocupada e ela logo fez o pedido.
Rachel estava entrando no saguão do hotel depois de pensar no que fazer.
Tinha ligado para os pais antes de sair do teatro e, depois de uma boa bronca, chegou à conclusão de que Jesse estava certo. Sua imagem estava realmente ficando suja.
Resolveu comer algo antes do jantar, afinal, ainda teria que dar um pouco de atenção a garota do sorteio.
Pediu por uma mesa vazia e revirou os olhos quando ouviu um “desculpe, mas não temos mesas vazias. A senhora poderia esperar por alguns minutos?”, mas, diferente do que estava acostumada, se limitou a agradecer o rapaz e dizer que ia procurar por algum conhecido no local.
Avistou a garota com quem tinha esbarrado mais cedo sentada sozinha e respirou fundo, andando até ela.
Parou a alguns passos de onde a loira estava sentada, reparando na bengala apoiada na mesa ao lado dela.
Franziu a testa e foi até a garota, dando a volta na mesa e parando de frente para ela.
— Hum... Lucy, certo? – perguntou meio incerta, e viu a garota dar um pequeno pulo na cadeira – Desculpe, não queria te assustar.
— O que quer?
— Eu... Posso sentar?
— Tá. – a loira deu de ombros e Rachel sentou, procurando pelas palavras certas para começar aquela conversa.
— Eu... Quero me desculpar por hoje mais cedo. Eu... Não percebi que você é cega e... Não estava exatamente no meu melhor momento.
— Tudo bem.
— É. – Rachel deu um sorriso de lado – O pessoal te recebeu bem ontem? Eu tive que resolver algumas coisas...
— Fui muito bem recebida, obrigada, mas não venha mentir para mim, Berry. Estou no quarto ao lado do seu e graças a você e sejam lá quem eram aquelas duas, quase não dormi essa noite.
Rachel piscou algumas vezes e corou, abaixando a cabeça.
— Desculpe. Eu estava bêbada e...
— Só se controle da próxima vez.
— Não acho que terá uma próxima vez tão cedo. – falou fazendo Quinn arquear a sobrancelha.
— Vai tentar fazer celibato? – a loira brincou.
— Eu disse “não tão cedo”, não “nunca mais”. – Rachel riu – Não. Só acho que está na hora de dar um jeito na minha vida.
— Uau. Mudança brusca de opinião pra quem estava com duas ontem.
— É. Saiu nas revistas e, quando eu liguei para falar com os meus pais mais cedo, um deles ameaçou vir até aqui arrancar o que eu tenho no meio das pernas fora se eu não tomar jeito. – a judia franziu a testa e Quinn riu.
— Pensei que você era uma garota.
— Sou uma garota da cintura para cima. Da cintura para baixo deu defeito e sai um garoto. – disse fazendo Quinn rir novamente, e franziu a testa – Sabe, uma fã que não sabe desses boatos é meio que novidade pra mim.
— Não sou sua fã.
— Essa doeu. – a judia falou, colocando a mão no peito e arrancando outra risada de Quinn – Então, senhorita “gosto da peça, não de você”, vou te pedir para que não espalhe isso por ai, tudo bem? Apesar de rolar vários boatos sobre isso, eu nunca falei sobre o assunto e pretendo continuar assim pelo maior tempo possível.
— Bom, eu posso manter segredo sobre isso.
— Obrigada.
— Mas eu não tenho certeza que as garotas da noite passada vão fazer o mesmo.
A morena jogou a cabeça para trás, respirando fundo e passou a mão pelo rosto.
— Sabe, nunca me passou pela cabeça que alguma das garotas com quem eu dormi pudessem abrir a boca. – falou – Mas é uma possibilidade muito grande.
— Deveria pensar mais nas suas ações, Rachel.
— Vou começar a fazê-lo, Lucy.
— Por favor, não me chame de Lucy. Me chame de Quinn. Não gosto do meu primeiro nome.
— Tudo bem. – Rachel sorriu – Se divertiu no teatro hoje?
— Aprendi algumas letras de musica, isso eu posso te garantir. – riu – Mas ainda não sei por que minha irmã é tão viciada nisso.
— Você não é fã?
— Não. Minha irmã mais nova é. Ela não tinha idade o suficiente para se inscrever, então me mandou no lugar dela.
— Então não gosta de musicais?
— Digamos que não é uma arte que eu aprecie muito.
— Só veio pela sua irmã?
— Só.
— Você deve gostar muito dela.
— Eu amo aquela baixinha abusada. Ela é sua fã. Tudo bem que pretendo garantir que isso acabe assim que voltar para casa, mas, por enquanto, ela é uma grande fã sua.
— Uau. Sou tão ruim assim?
— Digamos que você não é o melhor exemplo do mundo para alguém como Kitty.
— Senhorita, seu pedido. – um garçom apareceu colocando uma xicara de café e um pedaço de torta na frente da loira.
— Obrigada.
— Gostariam de mais alguma coisa?
— Me traz um suco de laranja e um sanduiche caseiro.
— Sim, senhora. – o rapaz se afastou e Rachel voltou seu olhar para Quinn.
— E como é “alguém como Kitty”?
— Uma garota de dezessete anos que precisa terminar a escola e ir para uma boa faculdade, para se formar e ter boas oportunidades na vida.
— Bom, eu sou formada em artes cênicas. Talvez não seja um exemplo tão ruim assim. – Rachel respondeu observando a garota tatear a mesa – Precisa de ajuda?
— Você poderia me mostra onde ele deixou as coisas?
— Claro. Aqui. – Rachel pegou a mão da loira, a movimentando sobre a mesa – O garfo está aqui. A torta está logo aqui do lado. E esse é o café.
— Obrigada. – a loira sorriu – E, bom, o fato te ter ido à faculdade não te torna um bom exemplo. – disse antes de colocar um pedaço de torta na boca.
— Talvez eu só precise de ajuda para mudar um pouco.
— Me diga Rachel, você sempre foi assim?
— De acordo com Blaine, não.
— Vocês se conhecem há muito tempo?
— Fizemos o colegial e a faculdade juntos.
— Isso é legal. Manter o contato depois de tanto tempo.
— Não sou tão velha assim, loirinha.
— Eu suspeito que não. – Quinn sorriu.
— E você? Também tem amigos do colegial?
— Só Santana. Alias, sempre fomos só as duas.
— Você enfrentou muito preconceito por causa da visão?
— Um pouco. E você? Quero dizer, por causa da sua condição. Isso tem um nome?
— Se chama intersexualidade. Eu sempre escondi o máximo que pude. Mas você pode descobrir sobre mim em qualquer site por ai. Quero saber de você.
— Hum... Sabe, não é como se eu pudesse ler os sites por ai.
— Oh! Desculpe. Eu...
— Tudo bem. – Quinn riu – O que quer saber sobre mim?
— Me diga tudo. Você... Nasceu cega?
— Não. Mas perdi a visão quando era muito pequena. Não me lembro de como era enxergar, então, é como se eu tivesse nascido assim.
— Como aconteceu?
— Bem, eu não me lembro do que aconteceu. Mas minha mãe fala que foi um acidente de carro. Eu tinha dois para três anos e tinha saído de carro com meu pai. No meio do caminho eu disse alguma coisa e meu pai se distraiu por alguns segundos. Foi tempo suficiente para nosso carro ser atingido por um caminhão que transportava algum elemento químico. Acredito que na hora da colisão eu fui jogada pra fora do carro e respingou no meu rosto.
— E seu pai?
— Se sente culpado até hoje. Ele estava de cinto, mas eu estava solta no banco. É difícil fazer ele entender que não foi culpado.
— Eu sinto muito sobre isso.
— Estou acostumada. – Quinn sorriu – O que mais quer saber?
— Me fale sobre seus pais e sua irmã.
— Bem, nós temos um café e a família toda trabalha nele. São a melhor família que eu poderia pedir.
— E sua irmã?
— Ela é quatro anos mais nova. Kitty é uma boa garota. Sonha em um dia estar nos palcos. – Quinn sorriu – Ela diz que quer ganhar seu primeiro Tony no máximo aos vinte e cinco. Eu nunca sei o que ela quer dizer com isso.
— Tony é um prêmio. – Rachel riu – Só os melhores do teatro musical ganham ele. É uma premiação anual.
— Você tem algum?
— Ainda não.
— Então você não deve ser tão boa assim.
— Hey! Eu sou nova no ramo. Estou começando a ter reconhecimento há pouco tempo.
— Bom, eu ouço sobre você há muito tempo.
— Serio? – Rachel sorriu – Sabe, to começando a querer conhecer sua irmã. Ela deve ser, tipo, minha fã numero um.
— Por ai. Ela é louca pra te conhecer.
— Senhorita. – o garçom voltou com o pedido de Rachel – Desculpe a demora.
— Tudo bem. – o rapaz se afastou e Rachel voltou a olhar para Quinn, sorrindo – Você disse que o café é da sua família. Você também trabalha? – perguntou tomando um gole do suco.
— Sim.
— Bom, talvez eu deva ir lá tomar um café da tarde qualquer dia desses. – Rachel disse.
— Claro. Mas tenho certeza que Kitty não vai te deixar comer. – Quinn disse sorrindo.
— Talvez você possa me salvar. – brincou – Que tal ir comigo?
— Não, quero ver você lidar com a minha irmãzinha sozinha. E acho que você já sabe mais do que devia de mim. Sua vez.
— O que quer saber?
— Se Blaine diz que você não era assim antes, me diz como você era.
— Eu não acho que eu tenha mudado muito. Eu só... Sempre fui a estranha perdedora de Lima. Agora tenho minha fama, e adoro poder esfregar ela na cara de quem me jogava raspadinha todo dia.
— Aposto que isso é uma mudança e tanto. – a loira arqueou a sobrancelha – Você não é assim, não é mesmo?
— Eu sou o que eu sou.
— Não é não. Dá pra ouvir no jeito que você fala Rachel. Nem você gosta do que você se tornou.
A judia franziu a testa. Ela estava brava consigo mesma, naquele momento. Mas não era como se ela se envergonhasse do que fazia.
— Rachel? – Quinn chamou e a judia suspirou.
— Estou aqui. – disse – Você acha que eu sou tão ruim assim?
— A pergunta é: você acha que está tão ruim? – a loira sorriu – Me fale sobre sua família.
— Bom, tenho dois pais e não trocaria nenhum deles por uma mãe. Sou filha única, nascida em Lima.
— Você foi adotada?
— Inseminação artificial.
— E seus pais não sabem quem foi à barriga de aluguel?
— Sabem. Eu... Cheguei a conhecer ela. Digamos que não foi uma experiência muito boa.
— Sinto muito.
— Não. Foi melhor. Eu provavelmente não estaria aqui, agora, se tivesse um bom relacionamento com Shelby. – a judia deu de ombros – Tem algo mais que a senhorita gostaria de saber? – brincou.
— Não sei. Tem algo que você gostaria de contar?
— Acho que não. – Rachel sorriu, comendo o ultimo pedaço do seu sanduiche – E você, tem algo que gostaria de me dizer?
— Não. Acho que não.
— Você tem alguma coisa para fazer hoje?
— Rachel, meus compromissos dessa semana são, basicamente, os mesmos que o seus. – Quinn riu.
— Então isso é um não. – Rachel sorriu – O que acha de irmos até a cafeteria da sua família? Eu realmente fiquei com vontade de conhecer sua irmã.
— Não tem problema sairmos daqui?
— Eu acho que não. Já sai ontem o dia inteiro. – Rachel deu de ombros.
— E eu tenho certeza que Jesse ficou muito bravo. Alias, o que ele queria com você no teatro?
— Me dar uma bronca. Como sempre. – Rachel tentou brincar, mas sua voz acabou falhando e ela suspirou.
— Talvez você devesse tomar jeito.
— Eu vou. – Rachel encarou a garota por alguns segundos e chegou à conclusão de que não tinha nada a perder se abrindo com ela – Não deixei só Jesse irritado. Decepcionei meus pais, discuti com Blaine ontem e... Você tem razão. Meus fãs precisam de um exemplo melhor.
— Então quais são os planos, agora?
— Eu não sei. Ainda não faço a menor ideia.
— Hey! Vocês tão ai! – Harmony disse, parando ao lado das duas – Eu tava procurando vocês. O pessoal vai todo mundo se reunir no quarto do Jesse pra conversar, beber e jogar alguma coisa. Por que vocês não sobem também?
— Por mim tudo bem. – Rachel sorriu, surpreendendo Harmony que, na verdade, procurava apenas por Quinn, já que Rachel nunca participava dessas “festinhas” do grupo. Para ser realista, a judia evitava até mesmo falar com a maior parte deles – O que acha, Quinn?
— Pode ser legal. – a loira sorriu.
— Subimos daqui a pouco, Harmony.
— Tudo bem. Vamos esperar vocês. – Harmony se afastou das duas e Rachel sorriu para a garota a sua frente.
— Quer passar no seu quarto antes de ir para lá?
— Não. Você vai passar no seu?
— Não. Podemos pedir pra colocar as coisas na conta do quarto e ir direto para lá.
— Certo.
Rachel chamou o garçom e, pouco tempo depois, levantou, sorrindo para a loira.
— Posso te ajudar?
— Claro. – Quinn sorriu, pegou a bengala e levantou.
Rachel correu até a loira, entrelaçando os seus braços e andando com a ela até o elevador calmamente.
Assim que entraram, Rachel soltou Quinn, apertou o botão do andar e parou ao lado da loira.
— Qual é o andar? – Quinn perguntou.
— Cobertura. – Rachel riu – Jesse é sacana. Quer sempre o melhor. Mas você vai adorar o quarto. Eu subi lá no dia que chegamos e, acredite, tem uma vista linda da cidade.
— Não é como se eu pudesse apreciar. – Quinn deu um sorriso de lado.
— Oh! Desculpe eu... É que você é tão... Normal que eu esqueço.
— Eu sou normal, Rachel. – Quinn franziu a testa.
— Não foi o que eu quis dizer! É só que... É fácil esquecer que você não enxerga.
— Tudo bem. Sabe, eu prefiro isso a aquelas pessoas que tomam cuidado com qualquer coisa que falam.
— Bom, de todo jeito, eu vou tentar me lembrar.
O elevador parou e Rachel pegou a mão de Quinn, a guiando até onde o restante do elenco as esperava.
— E ai, povo, qual o cronograma? – Rachel brincou, sentando Quinn em um dos espaços vagos de um dos sofás e sentando no braço do mesmo, para ficar ao lado dela.
— Vamos juntar tudo de uma vez. – Blaine sorriu para a judia, estranhando ela estar ali – Alguma de vocês duas nunca brincou de “eu nunca”?
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