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3 Capitulo 3 - Eu nunca, alcool e outras drogas


Notas iniciais
Oi gente. espero que vocês gostem desse capitulo.

— Eu nunca nem mesmo ouvi falar. – Quinn respondeu e todos a encararam de boca aberta.

— Serio?

— Por que tá tão espantada, Rachel? – a loira brincou.

— Só... Uau. Eu jogo isso desde meus quinze anos.

— Muito nova pra beber, não acha? – um dos garotos do elenco provocou.

— Vai dizer que não bebia aos quinze?

— Você tem um ponto.

— É simples, Quinn. Todos têm um copo na nossa frente. Cada um vai falando uma coisa que nunca fez, sempre dizendo “eu nunca” e, quem já fez aquilo, bebe. Ganha quem ficar bêbado por ultimo.

— Acho que entendi.

— Certo. Eu primeiro. – Jane, outra das garotas do elenco, disse – Encham seus copos e vamos começar com isso.

— Não precisa falar de novo. – Blaine riu, enchendo os copos – Vai lá.

— Eu nunca... Fiz uma loucura de amor. – Blaine foi o único a beber – Serio Blaine?

— E me arrependo até hoje. Vamos em sentido horário. Jesse?

— Eu nunca colei na escola.

— Isso com certeza é mentira. – Rachel reclamou enquanto todos, com exceção de Jesse e Quinn, bebiam.

— Quem foram os desonestos que beberam? – Quinn riu.

— Todos, menos você e Jesse.

— Serio? Que isso, povo? Não sabiam estudar?

— Até de mais. – Blaine riu.

— Certo. Sou eu. Eu nunca dormi com um cara. – a maioria bebeu e quando Quinn não fez menção a pegar o copo, todos a encararam – Nunca dormiu com um cara, Quinn?

— Não. – a loira deu de ombros.

— Então você é lesbica.

— Talvez. – Quinn riu – Para ser bem realista, minha vida tanto amorosa quanto sexual nunca foi explorada.

— Você tá me dizendo que é virgem? – Rachel a encarou de boca aberta.

— É isso ai.

— Uma garota bonita e legal como você, aos vinte e um, ainda é virgem? – Sam falou – Alguém busca o anel, por que preciso pedir ela em casamento. – brincou arrancando risadas de vários ali.

— Tire o olho, Samuel, ou vamos brigar por ela. – Rachel disse, também rindo.

— Não briguem por mim. Eu vou chutar os dois, mesmo. – Quinn ria.

— Ok, senhorita Fabray. É sua vez. – Rachel disse.

— Essa vai ser fácil. – Quinn riu – Peguem seus copos, e bebam. Eu nunca namorei.

— Essa loira joga baixo. – Jane reclamou enquanto virava o copo.

— Desculpa, gente, mas eu estou meio perdida. Quem está aqui?

— Eu, você, Blaine, Harmony, Rachel, Sam, Matt, Noah, Jane e Elliott. – Jesse respondeu.

— Traduzindo: estou só com quem tem visibilidade na mídia. – Quinn riu.

— Tá bem. Agora eu quero saber: por que nunca namorou, Quinn? – Sam parecia realmente interessado.

— Não é fácil encontrar alguém que não se importe com o fato de eu ser cega, mas também saiba cuidar de mim, quando eu preciso. E ainda tem meu pai.

— Seu pai? – Rachel arqueou a sobrancelha.

— Bem, digamos que eu já tive alguns pretendentes, mas... Meu pai assusta todos.

— Sou a favor de uma dessas historias. – Jane pediu.

— Bom... Um dos melhores foi Joe. O garoto frequenta a mesma igreja que minha família. Ele sempre foi fofo comigo e, quando tínhamos por volta dos dezessete, Joe começou a dar sinais de que estava a fim de mim. Ele era um rapaz legal, estava acostumado a sair comigo e já tinha me defendido e ajudado na escola varias vezes. Não vi por que não dar uma chance. Mas... Nós nos beijamos e, no dia seguinte, ele apareceu no café, dizendo que queria conversar com meu pai.

— Louco. – Sam disse e Quinn riu.

— Eu não estava lá, mas Kitty contou que ele e Russel foram para o escritório. Não sei dizer exatamente o que eles falaram, mas Kitty ainda sabe reproduzir a conversa inteira. – falou fazendo os outros rirem – O garoto tinha dreads...

— Ele cortou o cabelo do garoto? – Jesse perguntou.

— Não. Mas ele ameaçou cortar se ele chegasse perto de mim de novo. E, literalmente, jogou o garoto para fora de lá pelo cabelo.

— Seu pai é meio louco. – Rachel riu.

— Ele é super protetor. Diz que ninguém nunca será bom o suficiente para mim e que ninguém nunca vai saber cuidar de mim como eu preciso. Que... Nenhuma pessoa nesse planeta vale meu tempo.

— Ele é exagerado.

— É sim. E eu quero continuar o jogo. Quem é o próximo?

— Sou eu. – Sam disse – Eu nunca dormi com alguém de uma equipe de produção.

Rachel, Jesse, Blaine e Noah viraram seus copos, os esvaziando mais uma vez.

— Nunca participei de um ménage. – Noah falou e Rachel, Jesse e Harmony tomaram a bebida – Não acredito! Você, com essa cara de santa, Harmony?

— Fazer o que? A curiosidade é instigante.

— Eu nunca... Dormi com alguém do elenco. – Blaine falou e Rachel e Harmony beberam.

— E lá vem ela me surpreendendo. – Noah disse e Harmony corou.

— Qual é? Foi só uma vez. – Harmony resmungou.

— Espera ai. Ela dormiu com quem? – Quinn perguntou.

— Rachel.

— Caramba! Você anda atrás de tudo o que tem saia? – Quinn disse rindo.

— É melhor tomar cuidado então, Elliott. – Blaine gargalhava.

— Eu diria que ela vai atrás de tudo que tem uma vagina. – Jesse falou.

— Ok, já chega de falar da minha vida sexual. Isso não interessa a ninguém aqui.

— Rachel, metade do mundo sabe da sua vida sexual.

— E isso significa que metade do mundo tem que começar a cuidar da vida deles. Vamos continuar com o jogo. Harmony, sua vez.

— Acho que essa vai ser difícil. Harmony tá se mostrando bem diferente do que eu pensei que fosse.

— Eu nunca tirei uma nota vermelha na escola.

— Se você não virar agora, Fabray, eu vou ter certeza que você está mentindo. – Sam falou enquanto ele, Matt, Noah e Jesse bebiam.

— Nunca. – Quinn riu.

— Eu já tirei tantas que vou tomar mais um. – Matt brincou, enchendo seu copo novamente, fazendo os outros rirem – Tudo bem. Eu nunca... Roubei.

— Ah! Pelo amor! Pensa em alguma coisa melhor. – Rachel reclamou.

— Vocês quem sabem. – o garoto deu de ombros – Eu nunca paguei por sexo.

— Acho que eu não vou beber nada. – Quinn riu enquanto Rachel e Noah bebiam.

— Elliott, feche essa rodada com uma boa, meu amigo. – Rachel brincou – Faça Quinn beber!

— Eu nunca fiz sexo em um carro.

— Isso vai fazer todo mundo, menos ela beber. – Harmony reclamou enquanto sentia a bebia descer queimando sua garganta. – Jane, sua vez de novo.

— Eu nunca fiz um estripe. – Jane falou e Rachel riu.

— Dessa vez eu não viro.

— Eu duvido que você não tenha feito. – Jesse arqueou a sobrancelha.

— Eu não faço estripe, meu caro. As garotas fazem para mim.

— Eu não quero ouvir isso. Serio. Cale a boca. – Quinn fez uma careta e Rachel riu.

— E você, Sam? Virou vai ter que contar essa história. – Elliott disse.

— Uou! Sam bebeu? – Quinn riu.

— Eu não fui sempre um ator, ok? Quando eu era mais novo, minha família passou dificuldade e eu comecei a trabalhar de estripe em um bar, sem meus pais saberem.

— Sinto muito por isso, cara. – Blaine disse.

— E eu queria ter ido a esse bar. – Harmony murmurou – Certo. Jesse faça essa loira beber!

— Pegue o copo, Quinn! – Jesse riu – Eu nunca pintei meu cabelo.

— Isso era o melhor que você tinha? – Sam perguntou, antes de beber.

— Aposto que Quinn não é loira natural.

— Segura a inveja, Jesse. Eu sou loira naturalmente. Se você não é... – Quinn brincou.

— E quem te garante que eu não sou loiro?

Quinn se inclinou para perto de Rachel, como se fosse sussurrar algo para a judia, mas falou para todos ouvirem.

— Ele é loiro?

— Não.

— Rachel me garante. – respondeu se afastando da garota, fazendo os outros rirem.

— Rachel não é a pessoa mais honesta desse mundo.

— Confio nela. – Quinn sorriu e Rachel segurou a mão da loira, a levando até os lábios e dando um beijo de leve.

— Obrigada, loirinha.

Blaine revirou os olhos e suspirou.

— Berry, é a sua vez. – falou em um tom não muito amigável, que fez Rachel franzir a testa.

— Ok, eu poderia fazer duas mil perguntas agora, mas, como a minha intenção é fazer certa loira sentada ao meu lado beber... Eu nunca... Tropecei em algum animal de estimação.

— Não foi dessa vez, Berry. – Quinn riu e Rachel revirou os olhos.

— Alguém faz ela beber, por favor? – reclamou.

— É minha vez, certo? – Quinn sorriu.

— Vai lá.

— Eu nunca fiquei bêbada.

— Eu juro que a gente vai te fazer beber alguma coisa. – Jesse resmungou e todos viraram a bebida juntos, enquanto Quinn ria.

Ficaram ali por mais algumas horas, descobrindo um pouco mais uns sobre os outros – descobrindo os podres uns dos outros, para ser mais especifico – enquanto todos tentavam fazer Quinn beber.

Tudo o que a loira fazia era rir da frustação deles a cada tentativa falha.

— Já chega. Eu desisto de fazer essa garota beber. – Sam disse, já com a língua meio embolada. Efeito do excesso de bebida – Dane-se você, Fabray.

— Fala logo o que nunca fez, Sam. – Quinn, que era a única completamente sóbria ali, pediu.

— Eu nunca li cinquenta tons de cinza.

Quinn esticou a sua mão, e Rachel a ajudou a pegar o copo.

Assim que a loira bebeu, todos – com exceção de Harmony, que, de tanto beber, já tinha desmaiado no sofá – pareceram ficar um pouco mais sóbrios e a encararam.

— Eu não posso ver, mas posso sentir esse olhar de vocês. – reclamou entregando o copo a Rachel, que o colocou novamente sobre a mesinha no centro da sala, onde os copos, já cheios, estavam.

— A gente tá há pelo menos três horas tentando te fazer beber e, quando desistimos, você bebe? – Sam reclamou.

— Que mal lhe pergunte, como você leu? – Rachel quis saber.

— Uma tia comprou ele para mim. Em braile. Ela disse que eu precisava me divertir um pouco. Só não sei como ela esperava que o livro ajudasse, mas...

— Eu até imagino como ele poderia te ajudar. – naquele momento, Quinn agradeceu por não poder ver o rosto de Rachel.

— Só pela malicia na sua voz, te aconselho a parar de imaginar seja lá o que você estiver imaginando.

— Tá bem, sou eu. – Noah falou – Eu nunca usei drogas.

Rachel respirou fundo, antes de esticar o braço e pegar um copo, fazendo todos a encararem.

Assim que ela bebeu, a sala ficou completamente silenciosa.

— Quem bebeu? – Quinn murmurou.

— Eu não acredito nisso, Berry. – Blaine disse – Eu não acredito que você entrou nessa.

— Foram poucas vezes, ok? Eu não sou viciada. Só... Uso de vez em quando, para relaxar.

— É assim que começa, Barbra. – Jesse falou.

— Tudo bem, acho que já deu por hoje. – Quinn disse, levantando – Não acho que seja tão cedo, e vocês tem ensaio amanha.

— Vamos ficar no hotel, amanha. Ninguém aqui vai estar em condições de ensaiar. E eu tenho certeza que o resto do pessoal também não. Devem estar bebendo mais na rua do que a gente aqui.

— Ótimo. Assim vocês descansam.

— Temos um assunto para resolver aqui.

— Hoje não, Jesse. – Quinn pediu – Vocês estão todos bêbados. Vão falar e fazer coisas que não devem. Rachel, meu quarto é ao lado do seu, então você me ajuda a chegar no andar.

— Tá bem. – Rachel levantou.

Quinn esticou a mão para Jesse, que a segurou.

A loira suspirou, o abraçando.

— Deixa que eu converso com ela primeiro, ok?

— Tá bem.

Quinn se afastou do diretor e se aproximou de Rachel, que enlaçou seu braço ao da loira.

O elevador não demorou para deixar as duas no seu andar, e Rachel esperou Quinn abrir a porta para se despedir.

— Então...

— Entra. – a loira mandou e Rachel engoliu em seco – Ou melhor. Vai até o seu quarto e pega uma roupa para você dormir. Vou te esperar aqui na porta.

— Quinn...

— Vai, Rachel. Eu quero conversar com você.

A judia revirou os olhos e foi em direção ao seu quarto. Até pensou em discutir e bater o pé, dizendo que não. Mas a verdade é que a judia queria mesmo mudar. E queria a ajuda da loira para aquilo.

Rachel pegou uma roupa qualquer e voltou para o corredor, vendo Quinn parada na porta ao lado, parecendo tensa.

— Quinn? – Rachel chamou e a loira relaxou consideravelmente.

— Entra.

As duas entraram e Rachel trancou a porta, deixando a chave na fechadura.

— Então...

— Toma um banho. Frio. Quando você sair do chuveiro eu vou para o meu banho enquanto você toma um remédio para dor de cabeça e espera o café que eu vou pedir para você. Quando eu sair do banho, conversamos.

— Olha só, Fabray, não é assim que as coisas funcionam. – Rachel se irritou.

— Bom, você também pode voltar para o seu quarto, aproveitar sua ressaca amanha, e continuar se drogando até virar uma viciada sem futuro e morrer de overdose.

— Você é dramática.

— E você é uma filhinha de papai nariz em pé. Acho que aquela historia de mudar e ser um bom exemplo era tudo papinho para me levar pra cama, não é?

— O que? Você pirou, foi?

— Depois do que eu ouvi ontem a noite, já era de se esperar.

— Mas... – Rachel suspirou – Ok, eu vou...

— Vai sair daqui.

— O que?

— Fora do meu quarto, Rachel.

— Mas Quinn...

— Eu não sou idiota, Berry. Sai daqui. Eu não vou pra cama com você.

— Eu não quero te levar pra cama! Eu só... Você não pode chegar mandando em mim desse jeito! Acha que eu preciso de papinho pra levar alguém para cama? Não, Quinn. Basta eu encontrar alguma garota que goste um pouco de musicais ou alguma fã, e eu posso levar pra cama falando só “oi”.

— Além de tudo, ainda tem um ego enorme.

— Eu não quero você assim, Quinn. Eu quero mudar. Quero mesmo voltar a ser... Seja lá o que eu era antes. Eu quero ter certeza que não vou perder meu emprego e que não estou decepcionando meus pais. – Rachel jogou suas roupas em cima da cama da loira e respirou fundo – Eu nem mesmo estou bêbada agora, de tão acostumado que meu corpo tá com o álcool. Eu não me drogo com frequência, mas eu realmente sinto que a realidade não é um lugar para mim, às vezes.

— Corta o papo furado.

— Se eu quisesse você, Quinn, eu não teria sentado com você naquele restaurante e depois subido para o quarto do Jesse. Eu teria arranjado uma desculpa para te trazer direto para cá. Eu só... – Rachel respirou fundo e Quinn esticou a mão em direção à judia.

Quase que automaticamente Rachel segurou a mão da loira.

— Não. – Quinn murmurou e Rachel soltou a mão da garota, sentindo-a subir lentamente por seu braço, até seu rosto.

Quinn sentiu a lagrima solitária que escorreu pelo rosto da judia e a puxou para si, a abraçando.

— Você pode começar fazendo o que eu falei e dormindo um pouco. Depois pense no que está fazendo da sua vida e no que quer para ela. Mas, por favor, pare de se drogar. E pare de beber também.

— Por que você se importa? – Rachel perguntou em um sussurro – Só nos conhecemos hoje. Por que você se importa tanto?

— Você não se importaria comigo, se fosse eu no seu lugar?

— Eu te faria voltar a enxergar só para olhar para mim enquanto eu matava qualquer um que tentasse te vender qualquer tipo de droga.

— E por que eu não me importaria com você?

— Eu não costumo me importar com as pessoas assim. – Rachel disse – Fala serio. Eu só me importo realmente com meus pais e Blaine. E eu ainda tenho vontade de estrangular Blaine, às vezes.

As duas continuaram abraçadas por alguns minutos, até Quinn se afastar um pouco de Rachel.

— Vá tomar seu banho, por que aquele copo de seja lá o que a gente bebeu já esta fazendo efeito e eu estou ficando com sono.

— E foi só um copo. – Rachel riu, ajudando Quinn a sentar e indo para o banho.

Quando a judia desocupou o banheiro, Quinn tomou seu banho, sem presa.

Voltou para o quarto alguns minutos depois e Rachel pulou da cama para ajuda-la.

— Não precisava se incomodar. Já estou acostuma com o quarto. – Quinn riu.

— Faço questão.

Quinn se acomodou na cama e falou para Rachel fazer o mesmo, mas a judia pode perceber a incerteza na voz da loira.

Mesmo com um pouco de receio, Rachel deitou ao lado da loira, e sorriu para ela.

— Eu acho que vou para o meu quarto.

— Claro. Só... Rachel, por favor, me promete que não vai mais fumar.

Rachel levantou, deu a volta na cama e se inclinou para dar um beijo na testa da loira.

— Eu te prometo, Quinn.

A loira sorriu e Rachel saiu do quarto.

Antes de se permitir dormir, Quinn ainda levantou para trancar a porta.

***

— Bom dia. – Rachel disse entrelaçando seu braço ao de Quinn.

— Que susto! – a garota reclamou, se afastando um pouco antes de suspirar e voltar para perto da judia – Quer me matar do coração?

— Não uma pessoa como você. – Rachel ria – Onde você acha que ia sozinha?

— Tomar meu café da manha. E ia com a bengala. Pensei que vocês fossem todos dormir até tarde.

— Eu duvido. Esse povo mesmo de ressaca madruga. – Rachel sorriu – Além disso, certa loira cuidou de mim ontem à noite, e aquele remédio e o café que ela acabou não me dando, mas eu dei um jeito de arranjar, ajudaram a não acordar tão mal hoje.

— Desculpe. Fiquei tão irritada ontem que acabei esquecendo.

— Tudo bem. Me ajudou do mesmo jeito.

As duas desceram e Rachel sorriu assim que entraram no restaurante do hotel.

— Eu disse que eles estariam aqui. A maioria de óculos escuros, mas estão aqui.

— Hey! Bom dia Quinn. Rachel. – Noah cumprimentou.

— Bom dia, gente. – Rachel ajudou Quinn a sentar e sentou do lado dela, fazendo todos os outros a encararem por alguns segundos, já que a judia sempre evitava tomar café no mesmo horário que eles e, quando acontecia, costumava sentar sozinha ou com as garotas com quem havia passado a noite.

— Bom dia. – Rachel sorriu.

— E ai, como foi à noite de vocês ontem? – Quinn não reconheceu a voz, mas sabia que era alguém que fazia algum personagem secundário no elenco.

— Muito boa. – Jesse respondeu.

— Descobrimos que Quinn é quase uma santa. – Elliott falou.

— Falando em ontem à noite, cadê Harmony? – Sam perguntou.

— Ainda jogada no sofá do meu apartamento, dormindo. – Jesse respondeu fazendo os outros rirem.

— Tudo bem, e a noite de vocês, como foi? – Rachel perguntou.

— Foi... Boa. – a mesma pessoa que tinha perguntado sobre a noite dos outros gaguejou. Desde quando Rachel ao menos fingia se importar?

— Bom, eu não sei vocês, mas eu não estou no clima pra ensaiar hoje. – Jesse falou – Então, deixamos pra amanha. Acredito que todo mundo aqui já tenha se habituado ao palco, certo?

— É bem parecido com o que estamos acostumados. – Blaine falou.

— Ótimo. Ensaiamos amanha e temos a apresentação na sexta à noite. Sábado e domingo ao menos um de nós tem que ir assistir às outras peças e na segunda à tarde voltamos para Nova York.

— Certo. Quando é que a gente tira um tempo pra conhecer a cidade? – Noah reclamou – Eu não peguei nem uma londrina ainda.

— Londrinas são de Londres, Puckerman. Los Angeles são angelinas.

— São gatas e eu não vou embora sem ter pegado alguma do mesmo jeito.

— Cuidado com o que vai fazer, Noah. E se quiserem sair, saiam hoje. – Jesse disse.

O grupo continuou conversando enquanto tomavam o café da manha e permaneceram ali por alguns minutos a mais.

Quando todos começaram a levantar, Jesse respirou fundo e virou para Rachel.

— Rachel, temos que conversar.

— Claro. Eu quero falar com você também.

— Ótimo. Me encontra no meu quarto em dez minutos? – pediu levantando.

— Ok. – assim que Jesse se afastou, sobraram apenas Quinn, Sam e Rachel a mesa.

— Você vai para o quarto ou vai sair? – Rachel perguntou para Quinn.

— Vou para o quarto.

— Quer ajuda?

— Não. Eu consigo subir. – Quinn disse – E você, vá falar com o Jesse, mas vê se não vai brigar, ok? Ele ainda é seu chefe.

— Eu sei. – Rachel deu um beijo no rosto de Quinn e levantou – Tchau, Sam.

— Até.

Rachel se afastou e Quinn suspirou.

— E aí? – Sam deu um sorriso malicioso – Alguém finalmente conseguiu fazer Rachel sossegar?

— Não que eu saiba.

— Não se faça de inocente, Quinn.

— E você deixe de ser bobo, Sam. – Quinn riu.

***

Rachel entrou no quarto de Jesse ao mesmo tempo em que Harmony saia.

— Você vai precisar de muito remédio pra dor de cabeça. – a judia brincou.

— Isso se ela não explodir antes que eu tome algum. – Harmony resmungou fazendo Rachel rir.

A porta do elevador fechou com Harmony nele e Rachel respirou fundo antes de se virar para encontra Jesse a encarando.

— Jesse.

— Senta. – o rapaz pediu e Rachel caminhou até o sofá lentamente, sentando de frente para o diretor.

— Eu queria falar com você sobre...

— Se não for sobre dar um tempo na peça pra ir para uma clinica de reabilitação – Jesse a interrompeu – eu não quero ouvir.

— Eu não preciso de uma clinica de reabilitação. – Rachel suspirou – Eu só fumei umas quatro ou cinco vezes. E com um grande espaço de tempo entre uma vez ou outra.

— Rachel...

— Eu não vou fazer de novo, Jesse. Não vou estragar a reputação da sua peça. Pode ficar tranquilo.

— Não é só a peça, Rachel. É a sua vida. Eu me importo com você.

— Eu não vou voltar a me drogar.

— E quem me garante?

— Eu te garanto.

— E como eu vou confiar em você, Rachel?

— Ou você confia em mim, ou vai ter que contratar um guarda-costas para me seguir o dia inteiro, por que, acredite em mim, se você tentar me internar a força, ou algo assim, qualquer medico concordaria que eu não estou viciada.

— Como você pode ter tanta certeza disso?

— Quer tentar?

— Tudo bem. – Jesse suspirou, contrariado – O que você queria falar comigo?

— Eu... Queria pedir uma semana de folga. A próxima, quem sabe?

— Você querendo folga? Tem certeza que não fumou hoje de manha?

— Muito engraçado você, St. James.

— Por que quer a folga?

— Eu pensei em voltar para Lima. Visitar meus pais e aproveitar para esfriar um pouco a cabeça.

— Tá bem. Vou ligar para sua substituta e avisar que ela vai ficar com as sessões da semana que vem.

— Obrigada. – Rachel sorriu – Você... Quer falar sobre mais alguma coisa?

— Não. É só isso. Você vai sair hoje?

— Talvez à tarde. Mas volto hoje. Pode ficar tranquilo. – Jesse arqueou a sobrancelha e Rachel riu – E volto sem nenhuma garota que conhecer na rua.

— Agora melhorou. – Jesse sorriu – Você sabe que eu só quero o seu bem, certo?

A judia sorriu para Jesse e levantou, saindo do quarto e deixando para trás um diretor não tão convencido de que ela estava sendo verdadeira.

Notas finais
Comentem, nos contem o que vocês acharam do capitulo. E FELIZ PASCOA para vocês. Ate semana que vem.