Mais do que se pode ver
9 Capitulo 9 - O pior sogro que Rachel Berry poderia ter
Notas iniciais
— Bom dia. – Quinn disse abrindo a porta para Rachel.
— Bom dia. – a judia deu um selinho na loira, que sorriu e abriu espaço para que ela entrasse – Dormiu bem?
— Muito bem, e você?
— Também.
Rachel puxou a loira pela cintura e sorriu antes de beija-la.
— Agora sim posso realmente dizer que o dia vai ser bom. – brincou se afastando da loira pouco depois e Quinn riu – Tá pronta?
— To. Só preciso pegar minha bolsa.
— Deixa comigo.
Rachel foi até a cama da loira, pegando a bolsa que estava ali em cima, e entregou para ela, segurando sua mão logo em seguida.
As duas estavam esperando pelo elevador quando uma porta abriu no fim do corredor.
— Hey, garotas. – Jane sorriu se aproximando das duas – Descendo pra tomar café?
— Não. Bom, sim e não. – Rachel riu – Vamos tomar café com os meus pais.
— As duas? – Jane arqueou a sobrancelha – Alias, espera ai, o que seus pais fazem aqui?
— Vieram me matar por que eu talvez tenha um filho. – Rachel brincou.
— Ok, voltemos pra primeira pergunta: as duas?
— Sim, estamos indo pro café. – Quinn respondeu.
— Ah, claro. E então, Rachel, alguma novidade sobre seu possível filho?
— Tirei sangue pro teste ontem. Agora é só esperar o resultado. – o elevador abriu, as três entraram e Rachel apertou o botão para o térreo – Onde vocês se enfiaram ontem? Não vi ninguém o dia todo.
— Fomos passear por ai. Saímos logo depois do café. Tentamos falar com vocês duas, mas não conseguimos.
— Se divertiram? – Quinn perguntou.
— Foi legal. Conhecemos bastantes lugares bonitos.
— E vocês já tem planos pra hoje? – Rachel perguntou.
— Jesse ficou de ver algum lugar para irmos. E vocês?
— Nada depois do café. – Rachel disse.
— Idem.
As portas do elevador abriram e as três saíram.
— Vamos cumprimentar o pessoal, Rach? Ainda temos tempo, certo?
— Claro.
Rachel entrelaçou o braço no da loira e as duas, junto com Jane, caminharam até a mesa onde o pessoal da peça tomava café.
— Bom dia gente. – Jane disse sentando.
— Bom dia. – o grupo respondeu praticamente em coro.
— Hey, olha só quem apareceu. Onde vocês duas estavam ontem? – Jesse perguntou assim que viu Rachel e Quinn.
— Passei o dia todo no quarto. – Quinn respondeu – Só sai a noite. Alias, bom dia. – sorriu.
— Eu também. – Rachel falou.
— E pra onde foram? – Sam perguntou.
— Fomos jantar. – Rachel sorriu.
— Não vão sentar? – Elliott perguntou.
— Não, nós estamos de saída. – Quinn disse.
— E não vão nem comer? – Matt perguntou.
— Estamos indo tomar café da manhã na cafetaria dos Fabray com os meus pais.
— Seus pais estão aqui? – Blaine perguntou.
— O que eles vieram fazer aqui? – Puck perguntou.
— De modo geral, não ficaram muito felizes em saber da possibilidade de serem avôs.
— Uh. – Puck fez uma careta.
— Vamos, Q? Não quero me atrasar.
— Claro. Até mais, gente.
— Até. Juízo vocês duas. – Jesse disse.
— Pode deixar. – Rachel riu.
Assim que as duas estavam fora de vista, Jane deu um sorriso de lado, olhando para o grupo a sua frente.
— Então, só eu acho que o jantar acabou na cama de uma das duas?
— Não acho que tenha sido isso. – Puck disse.
— Viram como Rachel estava sorrindo? E como não soltava a mão da Quinn? – Harmony comentou – Acho que estão juntas. Tipo, namorando, ou algo bem próximo disso.
— Eu só vi ela assim com uma pessoa até hoje. E não acabou bem. – Blaine falou.
— Não acabou bem? – Jane o encarou.
— Não. Transformou ela naquela garota que tá com uma a cada noite.
Vinte minutos depois o taxi parou em frente há um hotel, onde Hiram e Leroy as esperavam.
— Olá. – Hiram sorriu, entrando no carro ao lado de Rachel, enquanto Leroy sentava no banco da frente.
— Pai. Papai. – Rachel sorriu e respirou fundo – Pais, essa é a Quinn. Quinn... Acho que eles têm que se apresentar.
— É um prazer conhece-los, senhores Berry. – Quinn disse enquanto o motorista voltava a dirigir, já que Rachel havia lhe dado os dois endereços quando saíram do hotel.
— O prazer é nosso, Quinn. – Hiram disse – Sou Hiram, o papai. – brincou.
— E eu sou Leroy. O que sobrou. – Leroy riu.
Rachel segurou a mão da garota e sorriu para os pais, que a encararam. Ela apenas mexeu a boca, dizendo “no café”, sem som.
Levaram pouco mais da metade do tempo entre os dois hotéis para chegar no café dos Fabrays.
Assim que entraram, Quinn soltou o braço de Rachel e caminhou até a cozinha, fazendo a judia suspirar.
— Ela ainda me mata do coração andando sozinha desse jeito. – resmungou fazendo os pais rirem, enquanto entravam.
— Mãe? Pai? Kitty? – Quinn chamou quando chegou perto da porta.
— Só não chamou a única que tá aqui, Fabray. – Santana disse saindo da cozinha e abraçando a loira – Como foi ontem? – sussurrou.
— Depois. – Quinn respondeu se afastando da latina – Como tá o movimento?
— Hum... Tirando vocês, não tem mais ninguém aqui. Nem sabia que já tava aberto. – brincou.
— Certo. E cadê meus pais? – perguntou se afastando.
— Já vão descer.
— Ok. Santana, você já conhece Rachel, e esses são Hiram e Leroy, pais dela. Senhores Berry, essa é Santana, uma amiga.
— Senhores Berry, como vão? – Santana os cumprimentou.
— Estamos bem. Obrigada. E você?
— Estou bem. Trabalhando desde que Quinn tirou uma semana de férias, e tenho certeza que devo ter engordado uns cinco quilos graças aos doces da tia Judy, mas estou bem. – Santana disse fazendo os outros rirem.
— Certo. Mesa... Cinco? – Quinn perguntou pra Santana.
— Cabem todos vocês lá. Leva eles e vem pra cozinha, Fabray. Quero falar com você.
— Pode deixar, latina.
Quinn levou Rachel e os sogros até a mesa e prometeu se livrar de Santana o mais rápido possível, indo para a cozinha.
— San?
— Quero detalhes, Quinn.
— Será que pode esperar um pouco? Qual é? Eu volto pra cá amanhã.
— Sem essa de amanhã. Quero saber agora.
— Santana? – Kitty chamou entrando na cozinha pelos fundos.
— Estou aqui, tentando arrancar da sua irmã como foi o encontro.
— Hey! Quinn! – Kitty praticamente correu para perto das duas e a abraçou – Eu quero saber de tudo!
— Olha, eu tenho que voltar pra mesa antes que meu pai e minha mãe apareçam, ok? Mas, o que importa pra vocês por enquanto é que ela me pediu em namoro. O res...
— Ela o que? – Kitty praticamente gritou.
— Kitty...
— Você aceitou? – Santana perguntou e Quinn respirou fundo antes de responder.
— Aceitei.
— Finalmente! – Santana jogou as mãos para cima.
— Fico feliz por vocês, Q. – Kitty falou – Agora sou cunhada de Rachel Berry. Quer saber? Fico feliz por vocês e por mim. – disse fazendo Quinn rir.
— Eu conto os detalhes amanhã, ok? Até lá, contentem-se com isso. Tenho que voltar pra mesa. Kitty, você vem comigo. E, San, por favor, não demora pra ir lá ver o que eles vão querer, tá bem?
— Primeiro quero saber como você vai contar ao papai.
— Não vou. Rachel vai.
— Ela é louca? – Santana perguntou.
— Eu perguntei a mesma coisa. Mas ela faz questão, então...
— Ela gosta de brincar com a vida. – Santana deu de ombros – Sinto muito que vá ficar viúva, Quinn.
— Vá a merda, Santana. – a loira mandou saindo da cozinha, sendo seguida por Kitty, que ria.
— Hey! Kitty! – Rachel sorriu assim que viu a garota e levantou para abraça-la – Como você tá?
— Estou bem. E você?
— Bem, também. Esses são meus pais, Hiram e Leroy. – apontou – Pais, essa é Kitty. Irmã da Quinn.
— Muito prazer, senhores Berry.
— Olá Kitty. – ambos sorriram para a garota.
Quinn sentou, com Rachel ao seu lado, e Kitty sentou do outro lado da irmã.
— Kitty, pega um cardápio pra eles, por favor. – Quinn pediu.
— Claro! Já volto.
Kitty saiu da mesa novamente e, quando voltou, encontrou, além dos Berry e Quinn, seus pais sentados conversando.
Rachel não soltava a mão de Quinn, e a loira podia sentir o olhar de seu pai as encarando.
— Então, o que vão querer? – Santana perguntou parando perto da mesa alguns minutos depois – É só dizer que a tia Judy vai preparar. – disse fazendo os outros rirem.
— Pode deixar que eu já vou, Santana. Não quero que você acabe matando alguém sem querer. – Judy brincou.
Todos em volta da mesa fizeram seus pedidos, e Judy levantou, indo pra cozinha com Santana.
— Eu vou ajudar minha mãe. – Quinn disse para Rachel e levantou, seguindo para a cozinha sob o olhar atento da judia.
— É estranho ver ela andando sem problemas assim, não é? – Russel encarou a morena, que balançou a cabeça, concordando.
— Eu sinto que ela vai cair a qualquer segundo. – Rachel respondeu, olhando para Russel somente depois que Quinn entrou na cozinha – Mas se eu tentar andar com ela em algum lugar que ela conhece, ela fica brava.
— Imagina quando ela era pequena.
— Deve ter sido difícil. Se eu fico pronta pra correr e segurar ela por qualquer indicio de que ela pode cair, imagina quando ela tava começando a voltar a andar sozinha, depois do acidente.
Russel balançou a cabeça positivamente, suspirando.
— Mas Quinn as vezes parece ver mais do que quem enxerga. – Kitty disse – Ela sempre sabe o que eu estou fazendo, ou quando eu to chateada com alguma coisa.
— Quinn parece ser uma boa garota. – Hiram falou.
— Ela é sim. – Russel respondeu.
O assunto logo voltou ao que era antes, e Judy e Quinn levaram apenas quinze minutos para voltar com as coisas para mesa.
— Hum... O cheiro está ótimo, Judy. – Leroy falou quando a Fabray colocou o croissant na sua frente.
— O gosto é melhor ainda, eu garanto. – Russel disse e deu um beijo na bochecha de Judy, que sentou ao seu lado.
— Aqui. – Rachel pegou as mãos de Quinn, a ajudando a encontrar suas coisas em cima da mesa, como acostumou a fazer sempre que comiam juntas, o que chamou a atenção das outras pessoas na mesa.
— Obrigada, Rach. – Quinn sorriu.
— Então, Rachel, como é morar em New York? – Russel perguntou.
— É um sonho. – a judia sorriu – A cidade literalmente nunca para, sabe? Sempre tem alguém na rua, mesmo quando já está tudo fechado. Tem bastante turistas, e tudo mais, então...
— Pretende sair de lá um dia?
— Eu tenho uma vida lá. Minha casa, trabalho... Mas se eu tiver um bom motivo, eu mudaria sem problemas.
— Ainda vamos fazer ela voltar pra Lima um dia. – Hiram falou.
— Só volto em Lima a passeio, papai. – Rachel riu.
— E se precisarmos de você, estrelinha? – Leroy perguntou.
— Bom, eu posso ir por um tempo, ou levar vocês pra morar comigo, mas Lima não é mais lugar pra mim.
— Não gosta de cidades pequenas? – Quinn perguntou.
— Meu problema é com Lima, na verdade. É um bom lugar, mas... Tenho muitas lembranças ruins lá. – deu de ombros.
— Nós quase nos mudamos pra Lima uma vez. – Judy contou.
— Serio? – Quinn perguntou – Disso eu não sabia.
— Faz um bom tempo. Pouco mais de um ano antes de você nascer. – Russel disse – Mas sua avó adoeceu e resolvemos ficar. Depois sua mãe descobriu que estava gravida, e, de repente, tínhamos uma casa e um café aqui. – brincou.
— Vocês iam gostar de Lima. É uma cidade bem tranquila. – Hiram disse.
— É, parecia um bom lugar pra viver, na época. Não sei como está agora. – Judy falou.
Os quatro entraram em uma conversa pela qual Kitty, Quinn e Rachel definitivamente não estavam interessadas, então as três se focaram em comer enquanto ouviam a voz dos pais.
Quase uma hora depois, todos já haviam acabado de comer – inclusive Santana, que tinha se juntado a eles – e Rachel respirou fundo algumas vezes antes de levantar, chamando a atenção de todos para si.
— Hum... Eu... Senhor Fabray, podemos conversar... Em particular?
Hiram e Leroy olharam um para o outro arregalando os olhos. Santana deu um sorriso de lado, segurando a risada. Quinn e Kitty suspiraram e Judy franziu a testa, enquanto Russel recostou na cadeira, aparentemente não tão surpreso.
— Conversar comigo, hum? – Rachel acenou positivamente e ele suspirou – Certo, vamos ao meu escritório.
O Fabray levantou e saiu em direção ao seu escritório, ao lado da cozinha, com Rachel logo atrás.
— E é agora que você fica viúva sem nem casar. – Santana riu, levantando – Hey, Kitty, quer ouvir atrás da porta?
— Não acho que vamos precisar. – Kitty riu.
— Eu odeio vocês. – Quinn falou.
— A gente também te ama, Dorinha. Vou até comprar um vestido preto pra você ir no velório.
— Vai se ferrar, Santana. – Quinn rosnou.
— Alguém pode me explicar o que tá acontecendo aqui? – Leroy pediu.
— Certo. Hum... – Quinn respirou fundo – Senhores Berry, eu estou namorando sua filha.
— Oh, céus. – Judy ofegou.
— Isso aí eu percebi desde a hora que eu entrei no taxi. – Hiram riu, pulando uma cadeira para sentar no lugar que a filha ocupava antes e abraçar a nora – Fico feliz por vocês, Quinn.
— Eu compartilho do sentimento. Mas não acho que meu marido vá te soltar tão já pra eu ir aí te abraçar. – Leroy brincou – Mas ainda não entendo o que Rachel está fazendo.
— Bem, meu pai é um homem... Um pouco antiquado, por assim dizer. Eu falei isso pra Rachel e, mesmo que eu tinha dito milhares de vezes que eu podia lidar com o meu pai, ela insistiu em falar com ele.
— Ou seja, Rachel vai pedir a permissão do seu pai? – Leroy perguntou.
— Algo assim.
— Eis uma coisa que eu não esperava da minha filha. – Hiram sorriu.
Dentro do escritório, Russel sentou e apontou a cadeira do outro lado da mesa para que Rachel fizesse o mesmo.
— O que quer falar comigo?
— Senhor Fabray, eu... – Rachel respirou fundo e encarou o homem a sua frente, tirando coragem nem ela mesmo sabia dizer de onde antes de soltar de uma vez – Senhor Fabray, eu estou namorando sua filha.
— Está namorando? – Russel perguntou e Rachel acenou positivamente – Está?
— Exatamente.
— Você está me informando, então. Não pedindo permissão ou minha opinião, mas me avisando que você está namorando minha filha.
— Com todo respeito, senhor...
— A partir do momento em que você vem me avisar uma coisa dessa, e não pedir minha permissão, para só então tentar algo com Quinn, você não está demonstrando nenhum tipo de respeito. – rosnou.
— Desculpe, senhor Fabray, mas acho que o senhor está exagerando. Eu realmente gosto da sua filha, e é somente por isso que estou aqui. Eu poderia fazer como faria com qualquer outra garota, e dizer enquanto estávamos sentados todos naquela mesa. Simplesmente falar “Hey, gente, eu e Quinn estamos namorando. Somos todos uma família agora.” e ignorar a opinião de todos ali que fossem contra, exatamente como fiz com a opinião de um... Amigo.
— Minha filha não é qualquer garota. E eu não sou seu amigo.
— E é exatamente por sua filha não ser qualquer garota que estou aqui.
Russel deu a volta na mesa, sentando no móvel de madeira e ficando a poucos centímetros de Rachel.
— Está dizendo que minha opinião não vale de nada pra você?
— Não foi o que eu quis dizer. Só que... Eu nem me daria o trabalho de vir conhecer o senhor se Quinn não fosse... Diferente.
— E o que faz ela ser diferente? É por que ela é cega? Ou por que ela não dormiu com você?
— Quinn é diferente por que ela é... Ela.
— Essa foi a resposta mais estupida que eu já ouvi. Pra qualquer pergunta.
— Não tem uma coisa que faz Quinn ser diferente, senhor Fabray. Ela é diferente por ser ela.
— Isso não fez mais sentido.
— Não acho que precise fazer. O senhor só precisa entender que eu gosto dela, e que ela não é igual as outras com quem eu estive. Ela me faz lembrar a pessoa que eu já fui, e ser essa pessoa novamente.
— Serio? Me conte uma coisa, então: seu filho.
— O que?
— Tem uma garota gravida de você em New York. Kitty passou boa parte dos dois últimos dias falando sobre isso. Talvez sua namorada. Quem sabe sua esposa?
— Foi um erro de uma noite. E... Eu ainda não sei se a criança é mesmo minha.
— Uma garota não engravida outra acidentalmente.
— Bom, eu sim. – Rachel suspirou – Eu sou intersexual, senhor Fabray. Tenho um... Órgão reprodutor masculino. E não tenho uma história muito boa com isso. – Russel a encarou, arqueando a sobrancelha, e Rachel respirou fundo antes de continuar – Quando eu tinha quinze anos, tive minha primeira namorada. Namoramos por quase um ano antes de termos nossa primeira vez. Ela... Tirou uma foto minha enquanto eu dormia. De maneira reduzida, fui muito humilhada por isso enquanto estudava em Lima. Isso mudou o jeito como eu agia e... Bem, anos depois veio a resultar na possibilidade de um filho.
Russel se inclinou para frente, ficando com o rosto próximo ao da garota, e Rachel engoliu em seco.
— Você não vai namorar minha filha.
— Eu já namoro sua filha, senhor Fabray.
— Então você vai terminar com ela.
— Não, eu não vou.
— Ah, você vai sim.
— Senhor Fabray, eu estou aqui, tentando conversar com o senhor, por que eu realmente gosto da sua filha. Eu não vou terminar com Quinn.
Rachel se sentiu ser levantada da cadeira e seu corpo se chocar contra a parede com força.
— Você não vai namorar Quinn! – Russel gritou, empurrando a garota contra a parede.
— Ela tem vinte e um anos! Ela manda na vida dela. Não sei se você percebeu, mas está impedindo Quinn de viver! – Rachel devolveu no mesmo tom – Ela escolhe se ela quer ou não namorar comigo. Não você!
— Eu acabo com a sua vida antes de você ter a chance de tocar na minha filha! Com a sua e a de qualquer um que chegue perto dela.
— E quando você morrer? Quem cuida dela pra você? Heim? Acha que é imortal? Que pode controlar suas filhas pra sempre? Tá na hora de acordar pro mundo, senhor Fabray! Eu gosto da Quinn. E nós estamos namorando, queira você ou não!
Russel afastou a garota da parede, a empurrando contra o outro lado do cômodo, e Rachel gemeu de dor ao sentir algo – possivelmente a maçaneta da porta – batendo em suas costas.
— Eu quero você longe da minha filha!
— Você vai ter que fazer melhor do que isso pra me convencer.
Russel soltou a garota e se aproximou de um quadro na parede atrás da mesa. O retirou calmamente, revelando um cofre, e Rachel se afastou da parede, respirando fundo e massageando levemente o lugar que havia batido contra a maçaneta.
Quando a judia olhou novamente para Russel, ele segurava uma pistola Glock 45, e Rachel arregalou os olhos.
— Eu nunca cheguei a usar com nenhum dos outros que vieram aqui. – Russel sorriu olhando para a arma e Rachel se forçou a voltar a ficar seria.
— Vai fazer o que? Atirar em mim? – Rachel tentou manter a voz o mais firme que conseguiu.
— Exatamente. Mas não agora. – Russel colocou a arma em cima da mesa, com o cano virado para a judia – Quinn ficaria brava se eu matasse você. Tenho certeza disso. Mas se eu suspeitar que você está tentando relar na minha garotinha, ou se você magoar ela... Saiba que eu tenho uma ótima mira.
— Não vou magoar Quinn. E ela pode tomar suas próprias decisões.
— Se você deixar que ela se machuque, Berry, eu acabo com a sua raça.
Rachel deu um sorriso de lado quando Russel passou por ela sem falar mais nada e o seguiu para fora do escritório.
O Fabray saiu, trancou o cômodo e saiu do café sem dizer nada, levando a chave consigo – o que fez Judy estranhar – enquanto Rachel se forçou a andar até a mesa sorrindo.
— Rach? – Quinn chamou, parecendo nervosa, ainda sentada exatamente onde estava quando Rachel saiu dali.
— Estou aqui, baby. – Rachel a abraçou por trás e deu um beijo no rosto da loira – Já disse pra eles?
— Disse. – Quinn falou – O que meu pai...?
— Não se preocupe com isso. – Rachel sorriu para os outros cinco sentados na mesa – Então...?
— Ficamos felizes por vocês, filha. – Hiram sorriu.
— Eu sou cunhada de Rachel Berry! Lide com isso mundo! – Kitty falou fazendo os outros rirem.
— É, mini Quinn. – Santana riu – Sonho realizado.
Rachel sentou, abraçando Quinn de lado, e o grupo continuou conversando por pouco mais de meia hora, quando o celular de Rachel tocou e a judia levantou para atender.
— Ela não estava brincando quando gritou que não ia terminar. – Santana falou.
— Eu vou falar com Russel mais tarde. – Judy suspirou – Ele é cabeça dura, mas vai acabar cedendo. – o barulho da porta abrindo chamou a atenção do grupo e Judy levantou – Eu vou atender. Já volto.
Judy estava se aproximando do cliente quando Russel entrou e passou direto para o escritório, sem falar com ninguém.
— Ele ficou mesmo irritado. – Hiram falou.
— Meu pai não tem jeito. – Kitty suspirou.
— Hey Q. Era Sam no telefone. Ele disse que o pessoal está indo pra um parque de diversões perto do hotel e perguntou se queremos ir. O que você me diz?
— Pode ir, Rach. Eu não acho que seja uma boa ideia eu ir.
— Por que não?
— Eu vou acabar atrapalhando a diversão de vocês e dando trabalho.
— Nada disso. Eu só vou se você for.
— Own, que fofo. – Hiram disse – Rachel já está at...
— Nem termine isso, papai. Serio. – a judia falou fazendo os outros rirem – Nós vamos, né Q?
— Tá bem. Mas não me culpe se eu te impedir de se divertir.
— Oh, baby, eu não iria me divertir se você não fosse.
— Hum... Sei. – Quinn riu.
— Hey, Kitty, quer ir com a gente? – Rachel chamou – A gente passa e te deixa aqui mais tarde.
— Claro. Vou pedir pra minha mãe. – Kitty praticamente correu até a cozinha, onde Judy arrumava o pedido do rapaz que havia chegado há alguns minutos.
— Eu já volto. – Rachel avisou, se afastando da mesa.
A judia respirou fundo algumas vezes antes de bater na porta do escritório de Russel.
— Entra. – Rachel entrou e encostou a porta – Você? – ele revirou os olhos.
— Será que podemos conversar... Se o senhor estiver mais calmo?
— Seja rápida.
— Certo, senhor Fabray, eu acho que... Nós dois nos descontrolamos. Eu entendo que queira proteger Quinn. Entendo mesmo, por que eu também quero. E eu não deveria ter dito aquelas coisas, mas... Se o senhor me der uma chance...
— Não existem chances, Berry. Você está falando da minha filha, não de um jogo.
— Eu sei. E... Senhor Fabray, eu gosto da Quinn. Não vou dizer que amo ela, por que só nos conhecemos há uma semana, mas eu quero fazer isso dar certo. E eu sei que...
— Vá direto ao assunto.
— O seu recado está dado. Se eu magoar a Quinn, o senhor, literalmente, me mata. Será que podemos, pelo menos, tentar nos dar bem, agora?
— Quinn não vai terminar com você, nem você com ela. O que você ganha me enchendo o saco pra tentar se dar bem comigo?
— O que o senhor ganha quando dá flores para sua esposa, a leva pra jantar, ou faz alguma surpresa pra ela?
— Eu não faço mais esse tipo de coisa. – Russel revirou os olhos.
— Pois deveria. – Rachel deu um sorriso de lado – O que importa é que... Sua aprovação é importante pra Quinn. Nós não precisamos transformar isso em uma guerra, ou algo assim. Ninguém sairia ganhando.
— Bom, eu não costumo perder.
— E como o senhor ganharia isso? Vendo Quinn chateada com o senhor? Ou triste por que não demos certo? O que ganharia com isso?
— Você fora da vida dela.
— E o que te faz ter tanta certeza que eu vou fazer mal a Quinn? Que nós duas não vamos dar certo? Eu posso faze-la feliz, senhor Fabray. Sei disso. Só preciso de uma chance.
— E supondo que eu te de essa chance, o que pretende fazer pra me fazer te odiar menos?
— Sua filha feliz.
Russel deu a volta e sentou na mesa, encarando a Berry de braços cruzados.
— Eu não entendo por que insiste tanto.
— O senhor não insistiria se seu sogro tivesse feito algo parecido?
— Eu amo minha esposa.
— E eu tenho certeza que estou no caminho de amar Quinn.
— Mas não chegou lá ainda. E pode nunca chegar. Como todos.
— O senhor nunca vai saber se colocar cada um que queira um relacionamento com sua filha pra correr. E eu não estou falando só de Quinn, até mesmo por que não pretendo deixar que ela tenha um outro relacionamento.
— Você tem sorte que eu não quebrei seu nariz ao invés de te mostrar a arma. – Russel deu um sorriso de lado.
Rachel sorriu e balançou a cabeça negativamente.
— Eu sei que ainda vamos rir disso um dia, senhor Fabray. – Rachel estendeu a mão para Russel, que apenas olhou para ela e arqueou a sobrancelha – Tudo bem. – Rachel colocou a mão no bolso – Então... Eu e Quinn vamos nos encontrar com o pessoal em um parque, e Kitty vai com a gente, se o senhor não se importar.
— Não fiquem fora até muito tarde.
— Trarei Kitty de volta antes do jantar.
— E, Berry... Espero que você saiba que minha arma está sempre carregada. E que ninguém além de nós dois sabe dela. Fui claro?
— Sim senhor.
— Ótimo. Nos vemos mais tarde.
Rachel saiu do escritório sorrindo. Poderia ter sido pior – ou pelo menos ela gostava de pensar assim.
Fale com o autor