Mais do que se pode ver
5 Capitulo 5 - Coisas que não se vê
Notas iniciais
— Rachel, pode ir sentar. Blaine, para o palco. Vamos fazer Tango Maureen.
Blaine e Jane se colocaram nas suas posições e Rachel sentou ao lado de Quinn, que estava na plateia.
— O que achou de Take me or leave me?
— Jane é boa. – Quinn disse.
— E eu?
— Jane é boa.
— Oh! Cale a boca. – Rachel riu empurrando Quinn de leve.
O ensaio ocorreu tranquilamente.
Depois de passar todas às músicas, o grupo repassou tudo novamente – na ordem, dessa vez – e, quando voltaram para o hotel, estavam todos exaustos.
Apesar disso, ainda foram todos para o quarto de Jesse repassar algumas falas.
Quinn preferiu deixar que eles tivessem a liberdade de ensaiar sem ninguém por perto e ficou no seu quarto.
Aproveitou para ligar para Kitty, já que não havia falado com a família aquele dia.
— Hey, Q. – Kitty atendeu.
— Hey, Kitty. Como estão as coisas por ai?
— Melhores impossíveis. Algum paparazzo viu o pessoal aqui ontem, e agora o café está incrivelmente movimentado. Parece que L.A. inteira resolveu vir comer aqui.
— Vocês estão dando conta?
— Estamos sim. Só está difícil para a mamãe fazer tanta coisa. O papai tem ajudado ela.
— O papai na cozinha? Uau.
— Pois é.
— Quantos pratos ele já estragou? – brincou.
— Para a surpresa da humanidade, nenhum. E a cozinha está intacta. Mas, e aí, como estão as coisas?
— Corridas, para falar a verdade. O pessoal está ensaiando bastante para amanhã.
— E o que falaram de mim?
— Que você é uma chata insuportável, e que nunca mais voltam no café quando você estiver ai. Mas que com certeza voltam pra comer um pouco mais da comida da dona Judy.
— O que realmente falaram de mim? – Quinn podia imaginar sua irmã revirando os olhos.
— Acho que você não vai gostar de ouvir.
— Para de palhaçada, e me fala logo o que eles acharam de mim, Lucy Quinn Fabray!
— Quanto estresse. Eu heim.
— Quinn...
— Rachel ficou feliz por encontrar a primeira fã que ela teve. – Quinn riu – Ah! Jesse disse que tentou pegar o ingresso para você, mas a seção já está lotada. Ele pediu desculpas e disse que sente muito, mas vai te garantir um ingresso caso você vá para New York enquanto eles ainda estiverem em cartaz.
— Tudo bem. – Kitty suspirou – Eu suspeitei que isso fosse acontecer. Diga a ele que não tem problema. Eu já os conheci. Tirei fotos, peguei autógrafos...
— Eu sei Kitty. Eu estava ai. – Quinn a interrompeu.
— Chata. – Kitty resmungou – Enfim, o que importa é que eu os conheci. Obrigada Q.
— Eu já disse que não foi nada, Kitty.
— Agora, ignorando o fato de você ser humilde de mais às vezes, me diz o que tá rolando entre você e o Sam.
— Do que você está falando?
— Bom, quando ele brincou falando que precisava casar com você, ele não parecia estar brincando.
— Ele disse que precisava casar comigo? Quando?
— Quando ele quer casar, ou quando ele falou?
— Fala sério. – Quinn suspirou, ouvindo Kitty rir.
— Vocês estão ficando, ou algo assim?
— Sam é um cara legal, mas se ele está querendo alguma coisa comigo, esquece. Não vai rolar.
— Você está dispensando Sam Evans?
— É por aí.
— Você definitivamente vai ficar solteira pro resto de vida. Qual é Quinn? Quem dispensa Sam Evans?
— Vá à merda Kitty.
— É pra lá mesmo que eu estou indo, Quinn. Vou desligar. Tenho que ir pra escola.
— Tchau, Kitty. – Quinn riu – Se cuida.
— Pode deixar.
A loira permaneceu no quarto até a noite, quando Rachel bateu na porta, a chamando para irem jantar.
— Hey! Pensei que não iam descer. – Jesse disse assim que chegaram.
— Estava bom lá em cima? – Sam arqueou a sobrancelha.
— Vá à merda Sam. – Rachel falou ajudando Quinn a se acomodar.
— Perto do meu pai vocês não fizeram esse tipo de piada, né? – Quinn riu.
— Na verdade, Sam fez. – Harmony disse.
— Tá zoando? Kitty comentou, mas... Perto do meu pai?
— Pois é. Ele brincou, seu pai ouviu e ameaçou castrar ele.
— Eu não acredito nisso. – Quinn riu – Meu Deus, Sam!
— Ele dá medo. – o loiro resmungou – E eu não sabia que ele tava por perto.
— Bom, me desculpe por ele. – a loira ainda ria.
— Você tinha que tá com a gente para ver a cara dele. Foi hilária. – Rachel disse e Jesse lhe deu um tapa na cabeça – Hey!
— Eu posso imaginar. – Quinn disse – Seja lá quem bateu nela, pare com isso.
— E... Oh! Entendi. Foi mal. Eu realmente não penso no que falo.
— Já disse que gosto disso. – Quinn falou e segurou a mão de Rachel, que sorriu.
— Com licença. – um garçom apareceu – Já querem fazer seus pedidos?
Quinn tinha certeza que ficaria louca com um grupo daquele no café, quando todos começaram a responder ao mesmo tempo.
— Certo. – Blaine disse levantando, assim que o garçom se afastou com todos os pedidos anotados – Rachel, eu preciso conversar com você.
— Não pode ser depois? – Rachel franziu a testa.
— Agora. – disse – É urgente.
Os dois se afastaram do grupo, e Blaine encarou a judia com os braços cruzados.
— O que aconteceu?
— Não faz isso.
— Fazer o que?
— Quinn.
— Quinn já foi feita, meu amigo. Não tenho como fazer ela.
— Eu to falando sério, Berry.
— Eu também.
— Se afasta dela, Rachel.
— Qual o problema, afinal?
— O problema é que você é uma vadia, e Quinn não merece isso.
— Como é que é?
— Quinn não é mais uma das putas que você leva pra cama em uma noite e no outro dia de manhã não se lembra mais nem do nome dela.
— Qual é o seu problema, Anderson?
— O meu problema é que eu te conheço.
— Me deixa te contar uma coisa que você não sabe, garoto: você não tem nada a ver comigo ou com Quinn. E...
— Tenho muito a ver com você. Sou seu amigo! – Blaine a interrompeu.
— Me chamando de vadia? Me falando esse tipo de coisa? Eu definitivamente preciso de amigos melhores!
— Olha aqui, Rachel...
— Não, Blaine. Chega! Eu sei o que eu fiz. E sei também o que estou fazendo. Não quero levar Quinn para a cama, muito menos me esquecer dela no dia seguinte. Quinn é diferente, e eu não quero estar com ela dessa forma.
— Eu não sou tonto, Rachel.
— Mas está agindo como um, Blaine. Eu estou tentando...
— Mudar e blábláblá. Essa não cola comigo Rachel. Você tem sido uma vaca desde o seu primeiro autografo, e vai continuar sendo uma. Virar da água pro vinho em um dia? Que tipo de idiota acredita nessa mudança?
Rachel respirou fundo duas vezes, fechando as mãos.
— Eu não te devo satisfação, Blaine. Agora, se me dá licença, eu vou jantar com meus colegas de trabalho.
— Você não presta Rachel.
— Foda-se, Blaine. Está na hora de você cuidar da sua vida. Você passa tanto tempo cuidando dos outros. Por que não cuida de você mesmo?
— Eu só me preocupo com você.
— Eu dispenso esse tipo de preocupação. Dispenso qualquer coisa que venha de você.
Rachel se afastou, e Blaine passou a mão pelo cabelo, nervoso.
A judia se obrigou a sorrir e sentou no mesmo lugar que estava antes. Pouco depois, Blaine fez o mesmo.
Rachel conversou com o grupo por alguns minutos, antes de suspirar e levantar.
— Gente, eu... Não estou me sentindo muito bem. Vou subir e deitar um pouco.
— Não vai nem comer? – Jesse perguntou.
— Não. Desculpem.
A judia saiu, fazendo com que todos olhassem para Blaine.
— O que foi?
— O que você fez? – Quinn perguntou.
— Não fiz nada. Não me culpem pelos ataques de diva dela. – reclamou.
— Se ela estiver mal na apresentação de amanhã, e isso interferir na atuação dela, vai sobrar pra você. – Jesse avisou e Blaine revirou os olhos.
O pedido do grupo chegou logo depois.
Quinn pediu para o garçom mandar os pratos dela e de Rachel para o quarto da judia em quinze minutos – o que significava que o prato provavelmente chegaria até elas frio, mas a loira não se importou – e levantou.
— Aonde vai? – Sam perguntou.
— Falar com a Rachel.
— Se eu fosse você, deixava ela lá. – Blaine disse – Ela pode ser bem insuportável quando tem esses ataques.
— Eu vou arriscar.
Alguns minutos depois, Quinn bateu na porta do quarto da judia, que não respondeu.
— Rachel? – disse.
Dentro do quarto, Rachel sentou na cama, respirou fundo algumas vezes e limpou o rosto.
— Rachel, sou eu. – ouviu Quinn chamar – Por favor, abre a porta.
A morena respirou fundo, abriu a porta e se forçou a sorrir.
— Hey, Quinn. Por que não está lá em baixo?
— Você estava chorando?
— Não. Eu...
— Não adianta mentir para mim, Rachel. Dá pra ouvir na sua voz.
— Eu estou bem.
— Posso entrar?
— Claro! Desculpe.
As garotas entraram no quarto e Rachel encostou a porta, correndo até Quinn logo em seguida, e a levando para se sentar na cama.
— Eu pedi para subirem nossos pratos. Espero que não se importe.
— Tudo bem. Mas eu realmente não estou com fome.
— O que foi que Blaine te disse?
— Não foi nada.
— Eu posso não te ver, Rachel, mas eu sei pela sua voz quando está mentindo.
— Ele só... Disse a verdade.
— Que verdade?
— Que eu não presto. Que tenho sido uma vaca com todo mundo. E que eu não posso mudar isso.
A voz da judia falhou e Quinn suspirou, a puxando para perto de si.
Rachel acabou encostando a cabeça no colo da loira, enquanto ela fazia carinho em sua cabeça, brincando com seu cabelo.
— Não liga pro que ele diz. Você é uma boa pessoa. Só fez as escolhas erradas.
— E me tornei uma pessoa ruim. – resmungou.
— Não se tornou não, Rachel. Você ainda pode arrumar isso. Você tem pais que te amam, tem seus fãs, bons amigos... Você tem a mim, pra te ajudar com o que você precisar.
— Às vezes eu acho que só preciso de...
— De...?
— Esquece.
— Rachel.
— Fumar alguma coisa para me sentir melhor. – a judia apertou os olhos e Quinn paralisou por alguns segundos, antes de suspirar e voltar a mexer nos cabelos da morena.
— Você fez?
— Não.
— Você me prometeu Rachel.
— Eu sei Quinn. E eu não voltei a me drogar. Juro.
— Você deveria procurar um profissional.
— Eu não preciso. Eu só... Me sentia bem quando fumava, sabe? Esquecia de tudo.
— Não é a solução.
— Eu sei que não.
Rachel ficou encarando a parede e sentindo o carinho de Quinn por alguns minutos, quando alguém bateu na porta, avisando que o jantar das duas havia chegado.
— Quer que eu vá atender? – Quinn perguntou quando Rachel sentou novamente, tirando a cabeça do seu colo.
— Pode deixar.
Rachel voltou pouco depois com a comida das duas.
— Aqui. – ajudou a loira a encontrar os talheres e o copo na bandeja e sentou de frente para ela.
— Você trate de comer também. – mandou.
— Não Quinn. Eu...
— Não foi um pedido, Rachel. Você precisa comer.
— Você parece até meu pai falando. – Rachel riu.
— E você passou o dia todo trabalhando. – Quinn arqueou a sobrancelha – Coma, Rach.
— Tudo bem. – Rachel resmungou – Feliz agora? – perguntou depois de engolir um pouco da sua comida.
— Vou ficar quando você terminar.
Ambas comeram em um silencio confortável, enquanto Rachel observava Quinn com um pequeno sorriso no rosto.
— Está melhor? – Quinn perguntou quando já estavam acabando de comer.
— Estou bem. – Rachel disse.
— Você não deveria deixar o que os outros falam te atingir desse jeito.
— O problema é que ele está certo.
— Não está não! Só você pode saber se você está disposta a dar um basta nas suas besteiras ou não.
— Eu sei. E estou. Eu... Eu já te disse. Não quero decepcionar meus pais ou perder esse emprego.
— Como esse assunto começou, afinal?
— É melhor não. – Rachel sorriu.
— O que? É tão ruim assim? Por que... Ele simplesmente te tirou de lá do nada.
— Blaine é um idiota.
— Eu vou ser obrigada a concordar. Mas isso não explica... Totalmente o que aconteceu. Eu não pude ver, mas o pessoal disse que você parecia querer bater nele.
— E eu queria. Mas Jesse ia ficar bravo e eu ia acabar perdendo meu papel. – Rachel suspirou – Acho que pedi a folga pro Jesse no momento perfeito.
— Você vai dar um tempo? – Quinn franziu a testa.
— Vou passar uma semana com os meus pais. Preciso esfriar um pouco a cabeça. Rever algumas pessoas. Sair um pouco dos holofotes.
— Vai te fazer bem.
— Vai sim.
Rachel colocou seu prato e o de Quinn, ambos já vazios, de volta na bandeja e a mesma na pequena mesa em um canto do quarto, e voltou a sentar na cama com a loira.
Ficou a encarando por algum tempo, e percebeu a loira começar a corar.
— O que foi?
— Eu queria te levar comigo para New York. – disse fazendo Quinn rir.
— Posso saber por quê?
— Por que eu quero você por perto. – Rachel sorriu – Gosto da sua companhia.
— E por que não você se mudar para L.A.?
— Eu não posso. Tenho um contrato com Jesse. Mas se for um convite, posso pensar no assunto quando ele acabar. – disse fazendo a loira rir.
— Kitty me mataria se você fizesse isso.
— Por quê?
— Sem mais peças da diva dela.
— Você tem razão. Meus fãs iam odiar você por me fazer parar. Mas, sabe, essa não é a primeira vez que a possibilidade me passa pela cabeça.
— Como assim? Rachel, eu já te ouvi cantar e, não posso te ver no palco, mas você tem uma energia tão forte quando está lá que... Você nasceu para isso. Não pode parar.
— Eu sei. E, sinceramente, não consigo me imaginar fazendo outra coisa. Só... Como eu disse, Blaine tem razão. Virei o que virei por causa da fama.
— Não pensa assim, Rachel. Pensa que... Você conseguiu o que queria.
— Nem tudo. – Rachel murmurou e suspirou – De todo jeito, as pessoas não se lembrarão de mim por ter chegado aonde eu queria, se eu continuar assim. Se lembrarão por não ficar lá muito tempo.
— Hey. – Quinn esticou as mãos e a judia as segurou – Você vai ficar lá até querer sair. Você vai fazer os maiores papeis que o teatro musical já viu. Vai marcar uma peça como você diz que Barbra marco Funny Girl. Você só vai deixar de fazer o que você ama, quando você quiser, Rachel. Você sabe disso.
— Eu só preciso tomar vergonha na cara.
— Não. Você só precisa tomar cuidado com o que faz em público. Você é talentosa, Rachel. Sua vida pessoal não deveria interferir no seu trabalho.
Rachel encarou a loira por algum tempo e depois suspirou.
Sabia que Blaine estava certo. Quinn não era qualquer uma. E Rachel não queria que ela fosse.
Mas, de repente, a judia se viu lembrando da época em que conversava com os pais sobre a garota dos seus sonhos.
Ela tinha entre os quatorze e os quinze anos na época, e os pais viviam perguntando por que ela nunca deu bola para nenhuma das garotas que viviam no seu pé.
A judia sorriu lembrando do que sempre dizia: “Nenhuma delas é a garota certa. Não acham que eu vou seguir meu sonho. Não me apoiariam. São só garotas fúteis, que na verdade querem qualquer um que olhe para elas, que fale com elas, que pensem nelas, ou que respire perto delas. Não seriam fieis e não servem para mim.”
Quando ela havia resolvido que aquele era exatamente o tipo de garota que ela precisava? O tipo que ela dizia odiar naquela época acabou sendo o tipo de garota que ela levava para a cama quase toda noite.
O tipo de garota que Quinn nunca seria.
— Rachel?
— Estou aqui. – a judia disse – Você é perfeita, sabia?
— Não sou não. Você que não me conhece bem o suficiente. – brincou.
— É sim. E é linda também.
— Bom, isso eu não posso dizer sobre você. – brincou – A não ser...
— O que? – Rachel sorriu para a loira.
— Vem cá. – Quinn soltou a mão da judia e ambas se aproximaram um pouco mais uma da outra – Posso? – a loira perguntou aproximando as mãos do rosto da judia.
— Tudo bem.
Rachel fechou os olhos, sentindo as mãos de Quinn passarem por seu rosto lentamente, quase lhe acariciando.
Quinn desceu as mãos pelo rosto da judia, passando os dedos levemente sobre a boca da morena, e sentiu um beijo suave na ponta deles, que a faz sorrir.
— Você é muito bonita, Rach. – murmurou, ainda sentindo o rosto da judia.
— Hum... – a judia murmurou.
Quinn se aproximou um pouco mais de Rachel, e sentiu a respiração da morena ficar um pouco mais pesada contra sua mão.
— Está tudo bem? – Quinn perguntou.
— Desculpa. – Rachel pediu, colocando as mãos sobre as da loira, pousadas em suas bochechas – Eu não posso fazer isso.
— Do que você tá falando?
— Eu to falando que Blaine tem razão.
— Rachel...
— Você não é qualquer uma, Quinn. Você é especial. Eu não posso... Não quero fazer isso com você.
— Então foi isso que Blaine foi te falar? – Quinn riu fraco – Uau.
— Olha...
— E você ficou chateada, por que...?
— Por que eu sei que não sou o suficiente para você.
Rachel não soube dizer exatamente como aconteceu, mas, no segundo seguinte, a boca de Quinn estava na sua. E a judia não era louca o suficiente para recuar.
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