Notas iniciais
Voltamos. Olha só, estamos boazinhas hoje, não se acostumem com isso. Boa leitura.

Jéssica sentou de frente para Rachel, e as duas se encararam pelo o que a judia julgou ser uma eternidade.

— Como você tem passado?

— Vamos cortar a conversa fiada, Jéssica, que eu tenho mais o que fazer. Vai querer tomar alguma coisa?

— Não pretendo demorar muito aqui. Acho que poderíamos ter essa conversa em outro lugar, na verdade. Longe dos ouvidos daquela garota.

— Aquela garota é minha noiva. Mãe dos meus filhos. Em breve, minha esposa. Não tenho o que esconder dela.

— Rachel, esse filho nem deve ser seu.

— O que você tá insinuando?

— Esquece. Vamos focar na gente, ok?

— Ótimo. Quanto mais rápido eu me livrar de você, melhor.

— Rach, eu sinto sua falta.

— Não me importa. Jéssica, só tem uma coisa que eu quero saber. Porque?

— Rach... – Jéssica suspirou – Eu era uma criança, ok? Não sabia o que tava fazendo.

— Você tinha quase dezoito anos. Você sabia muito bem o que tava fazendo, Jéssica. Você sabia o que aquilo ia causar.

— Nunca pensei que fossem pegar tão pesado com você.

— Mas eles pegaram. Você cresceu em uma merda de cidade preconceituosa, como você achou que eles iam reagir?

— Lima sempre foi muito mais aberta...

— Lima é uma cidade pequena! Não era uma cidade de mente aberta, Jéssica.

— Eu não parei pra pensar assim, Rach. Eu só... No começo eu me aproximei de você por causa dos boatos. Você sabe, isso me intrigou. E daí eu passei a gostar de você de verdade, mas, quando eu soube que você realmente é intersexual... Eu fiquei com medo, Rach. Eu era uma garota que não sabia nada do mundo enfrentando o desconhecido desse jeito. Eu...

— Eu vou dizer mais uma vez, Jéssica. Você tinha dezoito anos. Sabia o que tava fazendo.

— Não, eu não sabia. Eu pensei que sabia, Rachel. Mas eu era só uma... Eu só pensava no que ia acontecer enquanto tava dentro da escola. Eu era definitivamente uma patricinha mais preocupada com a popularidade do que com qualquer outra coisa, Rach.

— O que você tá me dizendo é que fez o que fez porque a popularidade era sua prioridade?

— Eu era muito imatura.

— Não vou discordar disso.

— Mas não sou mais. Eu sei o que faço agora, Rach. Sei o que eu quero e o que importa. – Jessica pegou as mãos de Rachel que seguravam o copo de cappuccino – Você não sente falta do que tínhamos?

Rachel observou Quinn servir um cliente antes de voltar a olhar para a mulher a sua frente e sorrir, apoiando suas mãos com as palmas para cima, para poder segurar as de Jessica, na mesa.

— Você tem razão. Amadurecemos muito. Eu também sei o que faço e o que importa, Jessica. Eu senti falta do que tínhamos por muito tempo, mas encontrei coisa melhor. – Rachel tirou suas mãos de perto das da garota e se recostou na cadeira, sorrindo, enquanto tomava um gole do liquido ainda quente em seu copo – Espero que você encontre também.

Jessica encarou a garota a sua frente e respirou fundo, balançando a cabeça negativamente.

— Docinho, por favor.

— Não temos mais o que conversar, Jessica. Foi bom te rever. Espero que nunca mais aconteça.

— Rachel, você sabe que ela nunca vai te amar como eu te amei, não é? Como eu ainda te amo! – praticamente gritou quando a judia ameaçou levantar.

— Eu sei. E, quando a gente termina um relacionamento, é exatamente essa a intenção.

— Por quanto tempo você acha que ela vai ficar com uma pessoa como você, Rachel?

— Jessica...

— Pra maior parte das pessoas você é uma aberração. Com certeza é assim que ela te vê. Um monstro que não deveria existir, e...

— Foi você quem me tratou assim, Jessica. Não Quinn.

— É só questão de tempo, Berry. Ninguém nunca vai te querer assim. Só eu.

— Cala a boca. Quinn me ama tanto quanto eu amo ela. Nós vamos construir uma família juntas. Já estamos fazendo isso. E você não vai conseguir acabar com a minha felicidade. Não dessa vez.

— Você é a primeira pessoa com quem ela se relaciona, não é?

— Como você...?

— O que ela é, então? – Jessica a interrompeu – Ela é gay, por estar com uma mulher? Ou hetero, já que você é um homem da cintura pra baixo? – Rachel respirou fundo, passando a mão pelo rosto, e Jessica continuou, sem nem lhe dar a chance de responder – Deixa eu adivinhar: nem você sabe o que ela é, afinal, não tem ideia do que você seja.

— Vai pro inferno, Jessica. Não importa o que Quinn é, ou o que eu sou. O que importa é que nós nos amamos.

— Mesmo? Porque eu tava aqui, me perguntando... Será de qual das duas metades ela gosta mais? Por qual das duas metades ela se apaixonou, Berry? A de cima ou a de baixo?

— Jessica, porque você não volta pro buraco do inferno de onde saiu e para de me encher o saco?

— Quando cansar de brincar com ela, vem me procurar, Rach. Você sabe que só eu vou te aceitar exatamente como você é.

Jessica levantou e deu a volta na mesa, se inclinando para deixar um beijo na bochecha da judia, que encarava o nada, antes de sair do café.

Pouco depois Quinn sentou ao lado da judia, buscando sua mão direita, repousada no colo da menor.

— Rach? Tá tudo bem?

Rachel olhou para a loira e engoliu em seco, lhe dando um selinho antes de levantar.

— Eu estou ótima. Só preciso tomar um ar.

— Vou com você.

— Não, Q. Você tem que cuidar do café. Eu volto logo. Vamos para casa juntas, ok?

— Tudo bem.

***

Rachel cambaleou até a porta da casa dos Fabrays e tocou a campainha, sentindo tudo a sua volta girar. Encostou o corpo na porta e deixou a cabeça tombar para o lado, cansada.

Não demorou para que Kitty abrisse a porta, fazendo a judia perder o equilíbrio.

— Rachel? O que... Que cheiro de álcool é esse? Quinn!

— Não grita. – Rachel disse de forma embolada, jogando o corpo pra frente e se apoiando na cunhada, que a segurou – Kitty, o que a Quinn é?

— O que?

— Quinn é gay?

— Ela tá com você, não tá?

— Mas ela não deveria me querer, então. Porque eu não sou igual as outras mulheres.

— Que droga de assunto é esse?

— Kitty? Mamãe disse que você me chamou.

— A noiva é tua. Cuide você. – a mais nova disse, e Quinn franziu a testa.

— Rachel?

— Quinn. – a judia sorriu ao ver a noiva.

— Rachel, você bebeu?

— Só um pouquinho.

— Um pouquinho depois de secar o bar, né? – a loira suspirou se aproximando das duas e tomou o lugar da irmã, começando a arrastar Rachel para dentro – Você dirigiu assim?

— Não podia? – a judia perguntou, parecendo realmente confusa.

Quinn respirou fundo e fez a judia sentar no sofá.

— Não sai dai. Vou pedir pra minha mãe levar a gente pra casa.

— Mas eu posso dirigir! Não posso? Eu perdi minha carteira? – Rachel pareceu preocupada e Quinn suspirou.

— Só me espera ai.

***

Rachel acordou sozinha na cama, no dia seguinte.

Olhou pelo quarto e suspirou.

Como tinha ido parar em casa ou em seu pijama, ela não sabia, mas sua cabeça doía e seu estomago reclamava.

E ela sabia bem o que aquilo significava.

Levantou sem pressa e foi para a cozinha tentando enrolar o máximo possível.

Assim que parou na porta viu Quinn terminando de arrumar a mesa do café para as duas e suspirou.

— Senta, bebe café preto e come alguma coisa. Vai te ajudar com a ressaca.

— Q...

— Conversamos depois.

Rachel fez o que noiva disse, sem tentar contradizer novamente.

Esperou que a loira sentasse e começasse a se servir antes de fazer o mesmo.

O silêncio era pesado, e a judia se sentia cada vez mais culpada por ter bebido no dia anterior.

A mais velha aguentou quase vinte minutos daquilo, mas não podia continuar daquele jeito.

— Quinn, me desculpa. Eu...

— Você, depois de meses, saiu pra encher a cara como fazia antes. E foi dirigindo até a casa dos meus pais, desde Deus sabe onde, quando não tava conseguindo nem ficar em pé.

— Eu só...

— Você colocou sua vida em risco, Rachel. Qual era a sua intenção? Me deixar? Deixar Kathy? Deixar nosso filho?

— Eu precisava colocar a cabeça no lugar.

— Perdendo ela?

— Não aconteceu nada, Q.

— Mas poderia. Sabe a sorte que teve? Você foi egoísta. Só pensou em você. O que eu faria se você morresse, Rachel? Como seu filho ia crescer sem você? Você pensou nisso? Pensou na dor que ia causar aos seus pais? – Quinn balançou a cabeça negativamente e levantou – Perdi a fome.

— Quinn... – Rachel respirou fundo e revirou os olhos, seguindo a noiva em direção a sala – Essa é sua solução pros problemas? Fugir?

— Fugir? – Quinn disse, parando no meio da sala. – Minha solução pros problemas é fugir?

— É o que você tá fazendo.

— Você não chegou nem perto do que eu to fazendo, Berry.

— Eu só quero conversar sobre isso.

— Não prefere ir falar com o fundo de uma garrafa? Não acha melhor esfriar a cabeça com ela?

— Foi um deslize, Quinn.

— Não foi um deslize, Rachel. Eu tava lá por você. Eu deixei isso claro. Eu perguntei se queria companhia. Você disse não. Não foi um deslize. Foi uma escolha! – Quinn gritou.

Rachel ficou estática por alguns segundos, surpresa com a reação da noiva. Mesmo em suas piores discussões – não que tivessem existido muitas, nem alguma grave – a loira não havia levantado a voz para ela.

— Eu não queria ir pra um bar. – Rachel falou, ainda surpresa com os gritos da loira – Eu só... Quando eu percebi, eu já tava bebendo. E não queria parar.

Quinn balançou a cabeça negativamente e suspirou.

— Quinn, você... Eu... – Rachel suspirou – Eu sinto muito por isso.

— Deveria sentir mesmo.

— E sinto. Mas você me prometeu que ia estar aqui por mim se algo do tipo acontecesse. E não é isso que tá acontecendo.

— Espera aí, o que?

— Só to dizendo que...

— Tá tentando jogar a culpa dessa merda em mim. É isso que você tá tentando fazer.

— Eu não...

— Cala a boca, Berry. Não fala mais, ou vai acabar piorando.

As duas ficaram em silencio, e Quinn sentou no sofá, respirando fundo e passando a mão pelo rosto.

Sabia que estava exagerando. Que deveria conversar e tentar entender o que houve. Saber o que Jessica tinha dito.

Conhecia a noiva e sabia que ela não estava bem, muito menos precisava de uma briga.

Mas só de pensar no que poderia ter acontecido com a judia enquanto dirigia bêbada, a loira sentia algo que não sabia descrever. Só sabia dizer que era ruim e forte. Forte o suficiente para faze-la gritar com a noiva, quando sabia que o que ela precisava naquele momento era que ela a ajudasse.

Se Rachel ao menos tivesse deixado que ela se acalmasse um pouco...

— Você me ama? – Rachel sussurrou, de repente, e Quinn respirou fundo.

— Esse jogo não vai funcionar comigo, Rachel. Você não vai se fazer de coitada pra não ficar com a culpa.

— Porque você está comigo, Quinn?

Quinn não respondeu. Não queria cair na conversa da judia. Se Rachel quis começar aquela discussão, que a terminasse descentemente.

Ao invés de falar, Quinn levantou, indo em direção as escadas que levavam aos quartos.

— Quinn? – Rachel chamou, sentindo o coração pesar no peito.

— Eu vou ligar pra Santana vir me buscar. Eu... Preciso colocar a cabeça no lugar.

Quinn sumiu escada acima e Rachel sentiu as lagrimas começarem a sair sem sua permissão.

A judia se ocupou de arrumar a cozinha até a noiva sair.

Assim que a loira passou pela porta, sem ao menos lhe dar tchau, Rachel correu escada acima, pegou um casaco, sua carteira, e saiu.

***

— Eu te avisei. – Santana disse assim que Quinn acabou de contar o que havia acontecido entre ela e a noiva.

As duas tinham ido para o café dos Fabrays, porém, Quinn não estava ali pra ajudar os pais. Precisava realmente colocar a cabeça no lugar, e nada como um café da sua mãe e alguns conselhos de Santana pra isso.

— Não é exatamente o que eu tava querendo ouvir agora.

— E desde quando eu ligo pro que você quer ouvir?

— Desde quando eu to com um problema e preciso de um conselho.

— Meu conselho é: ouça meu conselho da próxima vez.

— Você é muito idiota, Santana.

— Você joga sua mulher pra outra e eu que sou idiota? – Santana riu.

— Eu não joguei Rachel pra ninguém.

— Jogou sim. Você deu a garota de bandeja pra ex dela, Fabray. Pra uma ex que claramente queria prejudicar o namoro de vocês. Porque você pode não ter percebido, mas pra mim, é muita coincidência ela aparecer na porta da Rachel pouco depois de ela ter contato sobre o casamento pra mídia.

— O que você queria que eu fizesse? Falasse pra ela não resolver um assunto que ela vem remoendo há anos porque, supostamente, a vadia da ex dela queria atrapalhar a gente?

— Exatamente. Pra começo de conversa, Quinn, ninguém achava que isso ia fazer bem pra ela. Só você. E eu sei que fez isso porque ama essa garota e pularia na frente de um trem por ela, mas, seja lá o que a outra falou, agora quem não sabe disso é a Rachel. E eu não sei como ou quando, porque isso é problema seu, mas você vai ter que lembrar ela disso. Porque, Quinn, se você ama Rachel, então tem que assumir que esse problema todo só começou por sua causa e essa sua vontade de fazer Rachel se resolver com um passado que, quando fosse embora, ela ia conseguir esquecer de novo, do mesmo jeito que já tinha esquecido antes. E faria isso rápido.

— Esse é o problema, Santana. Rachel nunca esqueceu Jessica de verdade. Ela... Olha tudo o que ela fazia antes, por causa do que essa garota fez com ela.

— Eu olho e só vejo tudo o que ela deixou de fazer, porque se apaixonou por você.

— Santana...

— Ela deixou essa dor de lado depois que te conheceu, Quinn, porque se sentiu digna de amar de novo. – Santana suspirou – Nem é preciso ser muito inteligente pra saber que tudo o que a vaca que você chamou pra pastar aqui fez, foi só colocar na cabeça da Rachel que ela não é.

Quinn suspirou, jogando a cabeça pra trás e passando a mão pelo rosto.

— Por isso ela perguntou porque eu estou com ela.

— Você pode ser a pessoa mais segura do mundo, Q. Mas não esqueça que sua noiva, apesar da pose, não é.

Santana levantou, pegando o copo de isopor com seu cappuccino e dando a volta na mesa.

— Eu tenho que ir. – disse deixando um beijo na bochecha de Quinn – Vá atrás da sua mulher, e faça a coisa certa dessa vez. Ela precisa de você pra segurar ela no colo hoje, Fabray. Não pra brigar.

— Obrigada, San.

Santana se afastou e Quinn pegou seu celular dentro da bolsa que carregava consigo, ligando para sua noiva.

Tentou três vezes. Todas deram na caixa postal.

***

— Nenhuma notícia? – Quinn perguntou para Kitty, que procurava por qualquer sinal de Rachel na internet.

— Nada.

— Tudo bem, vocês já me fizeram esperar demais. Vamos ligar pra polícia.

— Quinn, para. – Marley, sentada ao lado de Kitty, suspirou – Rachel não tá desaparecida.

— Fazem dois dias que ninguém aqui tem notícias dela, Marley. Dois dias. Quanto tempo mais vocês querem esperar?

— Rachel só não quer ser encontrada, Quinn.

— Pois foda-se o que ela quer. Eu preciso saber se ela tá bem.

— Q, você sabe que a Marley tá certa. – Santana falou, apertando o ombro da amiga – Ela vai aparecer quando estiver pronta.

Quinn balançou a cabeça negativamente, sentindo o nó se formar em sua garganta.

Faziam dois dias que ela e Rachel tinham discutido. Depois daquilo, a judia não tinha mais dado sinal de vida.

Quando Quinn voltou para a casa naquela tarde, encontrou tudo silencioso. Esperou que a judia voltasse durante a tarde, mas ela não apareceu. Preocupada, Quinn tentou ligar novamente. A única coisa que conseguiu foi descobrir que Rachel tinha deixado o celular em casa.

Preocupada, Quinn ligou para Marley, que disse não ter falado com Rachel durante o dia todo. A assistente estava ocupada com a sua própria mudança – já que tinha decidido acompanhar Rachel e morar em L.A. – e isso tinha resultado em um tempo de descanso para a judia, já que Marley não podia dar tanta atenção aos seus compromissos. Mas também significava que Marley não fazia ideia de onde a outra pudesse estar.

Como não encontrou nenhum sinal de que a judia pudesse ter brigado com alguém pela casa, Quinn decidiu esperar que a ela aparecesse a noite. Passou a noite em claro, e ela não chegou.

No dia seguinte pediu para Kitty buscar por alguma notícia sobre Rachel, mas nada tinha saído na internet.

Quinn quis ir à polícia naquele segundo, mas as garotas a convenceram a esperar um pouco mais, já que Rachel, provavelmente, só estava de cabeça cheia e querendo um pouco de espaço.

Mais vinte e quatro horas se passaram e nada.

Quinn pediu para que Kitty procurasse por alguma novidade pela internet novamente, mas, pelo visto, o celular da garota podia lhes dizer tanto quanto elas já sabiam.

As quatro estavam sentadas na mesa de Kitty, no café dos Fabrays, que estava pouco movimentado naquela semana.

— Santana, não são vinte e quatro horas pra uma pessoa ser dada como desaparecida? Porque já se passaram quarenta e oito. E se algo tiver acontecido com ela? E se... E se Jessica estiver por trás disso? Fazendo algum mal a ela?

— A única coisa que eu to fazendo, Fabray, é ela gemer o meu nome.

Quinn levantou rapidamente assim que ouviu a voz atrás de si, pronta para partir para cima da garota que havia causado tudo aquilo.

— Espera aí. – Santana levantou, segurando o braço direito da loira e olhando Jessica de cima a baixo – Você é a ex vadia?

— Como é?

— Você é a ex da Rachel?

— Não sei se sou tão ex assim...

— Cara, eu garanto que é. Ninguém em sã consciência largaria Quinn pra ficar com você. Ninguém em sã consciência largaria nem mesmo o poste ali da esquina, que tá podre de velho, pra ficar com você.

— O que quer dizer?

— Que Quinn tem razão. Devemos ir até a polícia, porque com certeza ela não fugiu com a ex.

— O que você quer aqui? – Quinn perguntou.

Jéssica encarou a loira a sua frente e deu um sorriso de lado.

— Vim trazer um recado da Rach. Ela pediu pra você parar de ligar. Nós vamos voltar juntas pra New York, hoje. Queremos um pouco de paz.

— Rachel pediu pra eu parar de ligar?

— É.

— O que realmente veio fazer aqui?

— Você perdeu, Fabray. Aceite isso. Ela não quer saber de você.

— Ela pode até não querer saber de mim, mas o telefone dela tá em casa, sua vagabunda de quinta. Então fala logo o que veio fazer aqui, e some.

Jessica riu, balançando a cabeça negativamente.

— Ok, me pegou. Mas meu assunto é com a Rach, não com você.

— Ah, vai pro inferno, Jessica. Eu tenho mais com o que me preocupar do que suas frescuras, agora.

— É claro que tem. Minhas frescuras, como você chamou, foram mais do que eficientes pra afastar Rachel de você.

— Você pode ter trazido uma fase difícil, sim. Mas nós vamos superar isso.

— Serio? Você e quem? Porque Rachel não tá aqui. E não vai voltar. Porque a próxima parada dela, meu bem, vai ser na minha cama, e não na sua.

— A próxima parada dela, Jessica, vai ser no altar. Do meu lado.

— Tá ai uma coisa que eu pago pra ver.

— Infelizmente pra você, meu casamento não vai ser um circo. Não estamos cobrando entrada nem contratando palhaço. Você não tem chance de entrar.

— Olha só, garota... – Jessica deu um passo pra frente, e Santana esticou o braço, a segurando pelo ombro.

— Se você der mais um passo pra perto dela, eu parto sua cara em quatro, entendeu?

— Tira a mão de mim.

— Ou o que?

— San, não. Violência nunca leva a lugar nenhum.

— Vai levar ela pro hospital se tentar chegar perto de você de novo. – Santana murmurou, soltando a garota, que riu.

— Ok, eu adoraria ficar aqui discutindo com vocês, mas eu tenho mais o que fazer. E a presença de vocês me incomoda.

— Olha só, garota, você já trouxe problemas demais. Vê se desaparece.

— Eu to só começando.

— Então eu também to. – Santana disse entrando na frente de Quinn – Você vai ficar longe das duas queira ou não.

— Ou você vai fazer o que?

— Conseguir uma ordem judicial pra isso.

— Ah, claro. Boa sorte tentando. Nenhum advogado vai pegar um caso perdido assim. Eu só estive por perto quando vocês me chamaram.

— Isso não é verdade. E mesmo se fosse, eu conheço gente o suficiente para te colocar atrás das grades só por estar aqui agora, se eu quiser.

— Isso foi uma ameaça?

— Foi a constatação de um fato.

— Você deve conhecer muita gente pra me por na cadeia sim. Mas eles provavelmente deveriam estar todos lá.

— Alguns estão. Uniformizados, armados e dando surra em gente da sua laia.

— Meus advogados...

— Chame quem quiser. E lhes diga que você quer brigar com a Lopez. Vamos ver quem vai ficar sem advogado. – Santana riu – Eu nunca perdi uma, Jessica. Agora some daqui.

Notas finais
Onde será que a Rachel se meteu? Será que a Jessica vai conseguir separar Faberry? Agora sim: até sábado! Kkk