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45 Capitulo 45 - Você não quer casar comigo?
Notas iniciais
Russel ainda encarava as garotas, que pareciam paralisadas, quando Judy entrou na sala.
— Russel preciso de você no... Hey, garotas, aconteceu alguma coisa?
— Quinn e Rachel estão nos escondendo alguma coisa, Judy. E eu quero saber o que é.
— Estão, garotas?
— Não tem nada que a senhora não saiba, mãe.
Judy observou os três por um segundo e depois sorriu.
— Podemos conversar, Russel?
O Fabray olhou de Judy para Quinn, franzindo a testa.
— Você sabe.
— Russel...
O mais velho levantou e estava saindo da sala quando Rachel o chamou.
— Acho que essa é uma conversa que... Eu e Quinn temos que ter com o senhor.
Russel a encarou arqueando a sobrancelha, e Rachel sentiu Quinn apertar sua mão.
— Porque não sentamos?
Russel fez o que a nora sugeriu sem tirar os olhos dela.
Rachel incentivou Quinn a sentar no sofá mais afastado do pai, mas se manteve em pé, enquanto Judy sentava ao lado do marido, pronta para segura-lo caso fosse preciso.
— Senhor Fabray, antes de mais nada, eu gostaria que o senhor soubesse que eu amo sua filha e que a respeito muito.
— Vá direto ao assunto e pare de enrolar antes que eu te mate sem nem te ouvir.
— Papai!
— Tudo bem, Quinn. Hum... Eu... Senhor Fabray, eu e Quinn... – Rachel gaguejava – Nós...
— Eu estou grávida, pai.
Russel encarou a filha arqueando a sobrancelha, antes de olhar para Rachel, que praticamente tremia, mas manteve a cabeça erguida como se estivesse pronta para enfrenta-lo, seja lá o que ele fizesse, e depois observou sua esposa, que não parecia surpresa com a notícia.
— Você sabia? – perguntou para Judy.
— Descobri tem um tempo.
— Quanto tempo? – Russel perguntou – Não, melhor, Quinn, quanto tempo de gravidez?
— Eu não comecei o pré-natal ainda então não tenho certeza, mas mais ou menos dois messes.
Russel finalmente voltou a olhar para Rachel novamente, e a garota engoliu em seco.
— Você engravidou minha filha.
— Senhor Fabray...
— Eu deveria matar você Berry. Você tocou na minha garotinha e ainda por cima engravidou ela. Eu vou matar você, Berry!
Ninguém soube dizer direito como aconteceu, mas no segundo seguinte Rachel desviava de um murro de Russel, quase caindo em cima da namorada.
— Russel! – Judy gritou, correndo para segurar o marido, enquanto Quinn levantava e Rachel corria para o outro lado da sala.
Se o sogro ia lhe dar uma surra, que Quinn não estivesse por perto para acabar sendo acertada sem querer.
— Senhor Fabray, por favor, vamos conversar.
— Meu pulso vai falar com a sua cara, sua...
— Russel!
— Deixa, Judy. – Rachel pediu, surpreendendo a todos – Desde que ele... Aceite essa criança, eu não importo se ele me bater, ou algo do tipo.
— Mas eu me importo. – Quinn disse – Se você relar um dedo nela, Russel...
— Você vai sair de casa. É, eu já conheço esse discurso.
— Não. Se você relar nela, você nunca mais vai ouvir falar de mim. Sair de casa eu já vou.
— Como é que é?
— Q, eu não acho que é um bom momento. – Rachel praticamente implorou.
— Como assim, você vai sair de casa?
— Eu e Rachel vamos morar juntas.
— Vocês... Berry. – Russel rosnou, encarando a nora, e Judy entrou na sua frente.
— Você não vai relar nela, Russel. Agora, você vai sentar naquela poltrona e ouvir o que as duas tem a dizer, ou você vai ter muita sorte se conseguir passar a noite nela, entendeu?
Russel andou a passos firmes até a poltrona, sem tirar o olhar de Rachel, que engoliu em seco.
— Rach? – Quinn chamou e a judia andou a namorada, a fazendo sentar novamente, e parando ao seu lado.
O silêncio permaneceu na sala por alguns minutos, antes de Quinn suspirar e quebra-lo.
— Rachel não fez esse filho sozinha, pai. – Quinn disse e Rachel colocou a mão no ombro da loira, suspirando – Eu quis tanto quanto ela, então não aja como se a culpa fosse toda dela.
— Ok. – Russel levantou e apontou para Rachel – Essa é uma conversa que temos que ter sozinhos.
— Não. – Quinn disse – A última vez que vocês conversaram sozinhos ela acabou machucada. E você acabou de, literalmente, atacar ela. Se você acha que vou deixar vocês dois sozinhos...
— Ah, inferno! Que seja. Vou direto ao ponto: Berry, quando você vai pedir Quinn em casamento?
Rachel sorriu assim que Russel fez a pergunta, mas seu sorriso não durou muito.
— Nós não vamos nos casar. – Quinn disse.
— Não? – Rachel perguntou, franzindo a testa.
— Não agora e não por causa de um filho, definitivamente. Vamos nos casar um dia, mas não pretendo que seja tão já. Vamos morar juntas e criaremos esse bebê, mas não vamos nos casar.
— Você não pensa em pedir ela em casamento? – Russel rosnou – E ainda vai tirar minha filha de casa?
— Não é uma decisão só dela, pai.
O celular de Rachel começou a tocar chamando a atenção de todos e Rachel o pegou rapidamente.
— Desculpem, é importante. Eu preciso atender.
A judia se afastou em direção a cozinha, deixando os três Fabrays sozinhos.
Quando voltou, o clima parecia mais leve, então apenas suspirou.
— Russel, tem algo que queira falar comigo em particular?
— Acho que já falamos o que tínhamos que falar. – o mais velho resmungou, parecendo não muito satisfeito.
— Então, eu vou para o hotel.
— O que? Porque? Fica pra passar a noite. – Quinn pediu.
— Não sei se é uma boa ideia, Q.
— Fugindo de mim, Berry? – Russel arqueou a sobrancelha.
— Não. Não estou fugindo do senhor.
— Rach? – Quinn franziu a testa.
— Eu tenho que ir. Passo aqui amanhã cedo, ok?
— Tem certeza que não quer ficar?
— Hoje não.
— Tudo bem, eu te levo até a porta.
Rachel se despediu de Russel e Judy e foi com a loira até a porta.
— Tudo bem, agora me diz o que houve. – Quinn falou quando pararam do lado de fora da porta.
Rachel olhou a garota a sua frente de cima a baixo e suspirou.
— Não foi nada, Quinn. Não precisa se preocupar.
— Não mente pra mim, Rach.
— Não é nada com o que se preocupar, Q. De verdade.
— Tudo bem. Eu amo você.
— Também amo você. – Rachel deu um selinho na loira e se afastou rapidamente, entrando no carro e arrancando dali sem olhar para trás.
***
Rachel se jogou na cama do hotel respirando fundo várias vezes, enquanto as palavras de Quinn se repetiam incansavelmente em sua cabeça.
Em um impulso, Rachel levantou da cama e foi até o frigobar no canto do quarto, procurando por alguma coisa com álcool.
Pegou uma garrafa de cerveja e suspirou.
Girou o objeto entre as mãos algumas vezes antes de balançar a cabeça negativamente e a guardar novamente. Não era daquilo que ela precisava. Nem do álcool, nem de dar razão aos seus pais.
Quem havia dito que amar fazia bem, mesmo? Porque Rachel queria socar quem quer que tivesse dito tamanha mentira.
***
No dia seguinte Rachel entrou no café dos Fabrays logo depois que Judy abriu, surpreendendo os sogros que conversavam no balcão.
— Hey! Rachel. – Judy sorriu – O que faz aqui tão cedo?
— Eu... Hum... Eu queria conversar com Russel... Em particular. – pediu.
Russel arqueou a sobrancelha, enquanto Judy franziu a testa e Rachel engoliu em seco.
— Podemos... Falar no seu escritório?
Russel levantou e caminhou até o escritório calmamente, sem dizer nada, sendo seguido por Rachel e o olhar de Judy.
O Fabray sentou e apontou a cadeira a sua frente para a nora, que respirou fundo antes de sentar.
— O que você quer?
— Eu... – Rachel fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente antes de tirar a caixinha azul do bolso e colocar em cima da mesa, fazendo Russel arquear a sobrancelha.
Depois de alguns segundos o mais velho pegou a caixinha e a abriu, franzindo a testa ao ver o anel.
— O que é isso?
— Eu ia pedir Quinn em casamento. Já estava planejando antes mesmo de descobrirmos a gravidez. Mas quando ela disse... Eu só... Não sei. Acho que eu queria que você soubesse. Não estou brincando com a sua filha, senhor Fabray. Quero construir uma família com ela.
— E porque você não pediu antes, imbecil? – Russel reclamou fechando a caixinha e empurrando para a judia por cima da mesa.
— Eu estava esperando o momento certo. Eu...
— Não existe momento certo! Porra, garota, deixa de ser estupida. Era só ter pedido.
— Eu teria recebido um não!
— Agora você vai receber um não com toda certeza! Vai receber um não porque Quinn vai achar que está pedindo só pelo bebe e pelo o que eu disse.
— Eu não vou mais pedir.
— Como é?
— Ela disse ontem. Ela não quer casar.
— E isso vai te impedir?
— A vontade dela? É claro que vai! Não vou casar comigo mesma, senhor Fabray. Só vou casar com Quinn quando ela quiser tanto quanto eu.
— E agora você vai fazer o que? Esperar que ela faça o pedido?
Rachel balançou a cabeça negativamente e suspirou, forçando uma risada.
— Eu não sei. Talvez eu espere. Talvez eu nunca faça o pedido. Talvez... Eu não sei. Porque a merda de uma frase que ela disse acabou com todos os planos de futuro que eu venho fazendo há meses. Eu nem sei porque eu vim aqui falar sobre isso com você, em primeiro lugar.
Rachel pegou o anel e o colocou novamente no bolso, levantando e indo a passos pesados até a porta.
— Você ouviu o que ela disse, Berry. Ela não quer casar por causa do filho. – Russel disse quando a judia estava com a mão na maçaneta, a fazendo parar – Ela não disse que não quer casar.
— Ela...
— Senta aí.
Rachel franziu a testa, mas voltou a sentar, enquanto Russel levantou e foi em direção ao cofre.
Quando a judia percebeu o que ele pretendia, praticamente pulou da cadeira, mas já era tarde pra fugir.
Russel já estava a encarando, com o motivo de seus pesadelos nos últimos meses na mão.
— Lembra o que eu te disse quando estivemos aqui da primeira vez?
— Russel, calma. Pensa bem no que vai fazer. Você não quer que seu neto nasça sem mãe.
Russel riu, colocando a arma na mesa e balançando a cabeça negativamente.
— Claro que não. Eu não vou te matar, Berry. – Rachel relaxou visivelmente, e Russel deu a volta na mesa, parando de frente pra ela – Vou te dar um aviso, apesar de você ter ignorado o primeiro.
Rachel sentiu o impacto em seu queixo antes de conseguir entender o que estava acontecendo, o que a fez cair contra a cadeira atrás de si.
A judia levou a mão até o local onde o sogro havia acertado, arregalando os olhos.
— Você, além de tocar minha filha além do que deveria, engravidou ela, Berry. Você. Engravidou. Minha. Filha. Consegue entender o que eu to dizendo?
— Senhor Fabray...
— Cala a boca. – Russel suspirou – Eu não vou te matar. Não dessa vez. Mas esse é seu último aviso. – Russel pegou a arma em cima da mesa e destravou, a colocando contra a testa da judia, que gelou – Mais um passo errado, Berry, meia coisa fora da linha – o mais velho apertou o gatilho e Rachel fechou os olhos, com a respiração pesada – e ela vai tá carregada.
O Fabray se afastou de Rachel, dando a volta na mesa novamente e indo em direção ao cofre.
— Essa conversa nunca aconteceu, entendeu?
Quando Russel olhou novamente para a nora, Rachel ainda tentava regularizar a respiração, com os olhos arregalados, mas acenava positivamente.
— Fora da minha sala.
***
Rachel encarou a entrada do bar e respirou fundo.
Da última vez que passou ali, saiu acompanhada de duas garotas. No dia seguinte, conheceu a única que importava para ela agora.
Desceu do carro e deu a volta nele, encostando na porta do passageiro enquanto observava o fluxo de pessoas no lugar.
Sabia que queria entrar ali e beber tudo o que pudesse. Sabia que, se fizesse isso, não sairia dali sozinha. E sabia também que isso acabaria com seu namoro. Era a última coisa que queria.
Jogou a cabeça contra o carro e segurou o grito irritado que coçava sua garganta.
— Rachel?
A judia abriu os olhos rapidamente, encontrando Santana parada a sua frente com uma expressão confusa.
— Hey, Santana. – murmurou.
— Você disse pra Quinn que tinha algumas coisas pra resolver com Marley e ia fazer isso no hotel. Espero que tenha um bom motivo pra tá aqui agora.
— Eu precisava esfriar a cabeça.
— Em um bar, Berry? Tenta de novo antes que eu acabe com a sua raça.
— Eu não ia entrar. – Rachel suspirou, mudando de posição – Eu só dirigi até aqui porque...
— Porque...?
— Porque foi o último lugar que eu passei antes de conhecer a Quinn.
— E daí?
— Foi o último lugar que eu passei condenada a ser a Rachel de antes.
— Berry, você não tá fazendo sentido.
— Santana, você acha que, se a Quinn me deixar, eu vou voltar a ser a imbecil que eu era antes?
— Ok, de onde surgiu isso?
— Contamos ao Russel sobre o bebe ontem, e ele me perguntou quando eu pediria Quinn em casamento.
— Uma pergunta que, não vou mentir, também me faço. Mas não vejo sentido em...
— Quinn disse que não quer casar.
Santana a encarou por alguns segundos antes de balançar a cabeça negativamente.
— Quinn disse que não quer casar?
— É.
— Quinn Fabray te falou que não quer casar? Como essas palavras?
— E como mais ela diria?
Rachel se afastou do carro passando a mão pelo rosto.
— Tem certeza que estamos falando da mesma Quinn?
— Não, Santana. Eu namoro e engravidei duas Quinn Fabray que o pai chama Russel. Olha que incrível.
— Sua ironia é surpreendentemente ruim, Berry. E alguma coisa você ouviu errado, porque Quinn quer casar, sim senhora.
— E como você pode dizer?
— Ela me disse. Várias vezes.
— Então porque ontem ela disse que não?
— Não sei. Você perguntou pra ela?
— É claro. E contei que você é minha amante também.
— Seja irônica mais uma vez, Berry, e a Quinn vai ter que descosturar sua boca antes de te beijar de novo.
— Não, Lopez. Eu não perguntei pra ela.
— Então deveria.
Rachel balançou a cabeça negativamente e forçou uma risada sem graça.
— Qual é o seu problema, afinal? Porque ficou tão... Afetada com isso?
— Porque a garota que eu amo basicamente disse que não me quer do lado dela pelo resto da vida.
— Se você tá falando da Quinn que eu conheço, eu tenho certeza que isso é mentira.
— Não, Santana, eu to falando da outra. Eu não disse que tinha duas?
Rachel revirou os olhos e se afastou da latina, dando a volta no veículo e parando na porta do motorista.
— Vai ficar aí?
— Eu não to na coleira igual você, Berry. Posso me divertir.
— Vou dizer pra Britt que é isso que você acha de relacionamentos.
— Vai pro inferno, Rachel.
— Não. Quero passar bem longe de onde você veio. Vai que tem uma gêmea?
— Idiota.
Rachel entrou no carro rindo e Santana observou o veículo se afastar antes de pegar o celular.
***
— Feliz ano novo!
Os fogos explodiram no céu enquanto os casais se beijavam, e Kitty revirava os olhos se afastando da multidão.
Rachel se afastou de Quinn e lhe deu um selinho, antes de ajoelhar em frente a namorada e dar um beijo demorado na barriga da loira.
— Feliz ano novo, filho.
A judia levantou e abraçou Quinn, lhe desejando feliz ano novo antes de se afastar para cumprimentar os Fabrays e seus convidados.
Santana se aproximou da amiga pouco depois, a abraçando.
— Feliz ano novo, Dorinha.
— Feliz ano novo, latina. – Quinn riu.
— Já falou com a Rachel?
— Ainda não. – Quinn suspirou – Eu ainda to tentando entender porque ela ficou chateada com o que eu disse, sabe? Eu não quis...
— Eu sei. – Santana a interrompeu – Mas diz isso pra ela.
A latina se afastou e Quinn logo sentiu outro par de braços em torno de si.
Apesar dos sorrisos e felicitações, a mente de Quinn não saia da namorada.
Não precisava que Santana tivesse lhe contato sobre seu encontro com a judia na boate para saber que algo estava errado.
Agora ela só queria saber porque.
***
— Seu pai não ficou muito feliz de você ter vindo comigo. – Rachel comentou quando ela e Quinn entraram no quarto do hotel onde a judia estava hospedada por uns dias, até que pudesse mobiliar a casa e se mudar.
— Logo não vou mais morar com ele, então Russel tem que se acostumar.
— Claro.
Rachel ajudou Quinn a chegar até a cama e se afastou, tirando a jaqueta que usava.
Quinn respirou fundo e limpou a garganta, chamando a atenção de Rachel.
— Precisamos conversar.
A judia sentiu seu mundo despencar por alguns segundos, enquanto o medo tomava conta de si.
— Aconteceu alguma coisa?
Quinn apontou a cama ao seu lado com a cabeça e Rachel respirou fundo antes de andar lentamente até ela e sentar onde lhe foi indicado, com movimentos praticamente calculados, como se tivesse medo que até mesmo seus passos pudessem acabar atrapalhando seu relacionamento naquele momento.
Quinn esticou a mão e Rachel a segurou rapidamente.
— Rachel, eu amo você. Você sabe disso, não sabe?
— Sei, meu amor. E eu também amo você.
— E sabe que eu nunca vou te deixar, certo?
Rachel encarou a namorada por alguns segundos e suspirou.
— Santana te contou sobre nossa conversa.
— É claro que ela contou, amor. E eu quero saber de onde surgiu essa ideia de que eu vou te deixar. – Quinn falava tudo com calma.
Rachel suspirou e abaixou a cabeça, a balançando negativamente.
— Deixa isso pra lá, Q.
— Não, Rach. Você tá estranha nos últimos dias, e eu não quero isso entre a gente.
— Quando seu pai perguntou quando eu ia te pedir em casamento... – Rachel respirou fundo antes de encarar a loira – Quando seu pai perguntou quando eu ia pedir sua mão, você disse que não quer casar. Eu só... Se você não quer casar, então nós realmente temos um futuro, Quinn?
— Rach... – Quinn riu fraco, balançando a cabeça negativamente – Você me entendeu errado. Eu quero casar, meu amor. E quero casar com você. Eu só não quero que meu pai ache que tem o direito de te pressionar a pedir minha mão, e nem que você ache que tem que pedir porque eu estou gravida. Eu quero casar com você quando nós duas sentirmos que é a hora, e as duas quiserem.
— Então... Você quer casar?
— Quero.
— Eu vou adorar ver seu pai te levando pra mim até o altar.
Rachel sorriu e se inclinou, dando um selinho na namorada, que a abraçou pelo pescoço, a puxando para deitarem, o que fez a judia rir.
— Você realmente ficou chateada com o que eu disse, não é?
— Tudo bem. Eu só tinha entendido errado.
— Mas eu realmente não sei como você pode pensar que eu te deixaria.
— Eu acho que... Eu não sei. Só que quando a ideia passou pela minha cabeça... – Rachel suspirou, se acomodando na cama para que as duas ficassem deitadas de lado, uma de frente para a outra – Vamos deixar isso pra lá, por favor.
— Eu amo você. Pra sempre. – Quinn sussurrou.
— Pra sempre. – Rachel murmurou tão baixo quanto a loira – Q... Você tá pronta?
— Pra que?
— Você disse que só quer casar quando nós duas estivermos prontas. Você acha que tá pronta?
— Sinceramente, Rach? Eu to pronta pra qualquer coisa que você estiver. Casar, filhos... A vida toda juntas.
— Eu tenho sonhado com isso, sabia? Viver minha vida toda com você. Ver Kathy e esse bebê correndo por aí... E depois nossos netos. Que só o menino que você tá esperando vai dar pra gente, porque ninguém vai tocar na Kathy. – Rachel disse fazendo Quinn gargalhar.
— E quem te garante que eu to esperando um menino?
— Eu só sei.
— Você não vai ser tão protetora quanto Russel, não é? Porque se for, nós vamos começar a ter problemas desde já.
— Porque tá perguntando isso? – Rachel franziu a testa.
— Que história é essa de que ninguém vai tocar na Kathy?
— É só um sonho. Minha garotinha vai ser pura pro resto da vida. – a judia revirou os olhos e Quinn riu – Me deixa.
— Você é uma figura, Rach.
— Não ria de mim. – Rachel resmungou fazendo bico e Quinn sorriu, se aconchegando contra o corpo da garota – Hum... Q, não quer tomar um banho e se trocar antes de dormir?
— To com preguiça. – a loira murmurou e Rachel sorriu.
— E se eu preparar a banheira pra gente?
— Esse quarto tem banheira?
— A cobertura sim. Eu disse que o Jesse sempre pega o melhor. – Rachel riu – Eu já volto.
A judia deu um beijo na testa da loira antes de se afastar e sair da cama, recebendo um resmungou de Quinn como resposta, e indo em direção ao banheiro.
Depois de encher a banheira Rachel voltou para o quarto, onde encontrou a namorada quase dormindo.
— Você vai levantar ou eu vou ai te pegar no colo?
— Eu aceito o colo. – Quinn resmungou e Rachel sorriu, começando a ir em direção a cama – Brincadeira. To levantando! – a loira disse, começando a levantar e a judia balançou a cabeça negativamente.
Quinn caminhou em direção a Rachel, que a abraçou pela cintura enquanto entravam no banheiro.
— Sabe, você tá tão gostosa nessa roupa...
— Só banho, Rachel. Eu to cansada.
— Tá bem. – a judia suspirou, se afastando, e Quinn riu.
— Quem sabe amanhã? – a loira brincou e Rachel balançou a cabeça negativamente, com um sorriso no rosto, enquanto observava Quinn se despir e entrar na banheira.
***
Na noite seguinte, Rachel levou Quinn para jantar no Exterior Lotus, o que arrancou um sorriso da loira. Adorava quando a namorada fazia coisas que lembravam as pequenas – e grandes – coisas do relacionamento das duas.
Quando pediram a sobremesa, Rachel sentiu as mãos começarem a soar e o anel em seu bolso pesar mais do que seu próprio corpo.
Ela já tinha enrolado o jantar inteiro para fazer o pedido, e sabia que logo a loira ia comentar algo sobre o seu nervosismo.
Com um suspiro pesado, Rachel viu as sobremesas serem colocadas sobre a mesa, e agradeceu ao garçom com um sorriso forçado.
— Então... – a judia suspirou.
— Ok, você tá tentando me dizer alguma coisa a noite toda, Rachel. O que foi?
— Q... Você sabe que eu te amo. E eu descobri isso aqui, sentada exatamente nessa cadeira, quando tivemos nosso primeiro encontro e começamos a dizer o que procurávamos em alguém para ter um relacionamento. Naquele segundo eu percebi que você é a garota certa pra mim, e repensei tudo o que eu vinha fazendo nos últimos anos. Se eu tivesse continuado sendo aquela garota insegura que mostrava segurança demais, eu com certeza teria te perdido.
— Desde que você continue só comigo, Rach, eu vou estar com você pro resto da vida. – Quinn falou.
— Eu sei, meu amor. Agora eu sei disso. E, quer saber? Ter você pro resto da vida é exatamente o que eu quero. E eu não estou fazendo isso porque você está gravida. Na verdade... – Rachel pegou a caixinha em seu bolso e abriu, colocando na palma direita de Quinn, enquanto a incentivava a sentir o anel com a esquerda, e a loira franziu a testa – Eu comprei esse anel muito antes de você descobrir a gravidez. Comprei esse anel antes mesmo de você engravidar. Eu só estava tentando fazer o momento perfeito... Mas eu descobri que não tem como construir o momento perfeito, e se eu só esperar ele chegar, pode ser que nunca aconteça.
— Rach, isso é...?
— Lucy Quinn Fabray, – Rachel a interrompeu – você já é a mulher da vida, mãe dos meus filhos, e a única pra mim. Me daria a honra de ser, também, a minha esposa?
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