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44 Capitulo 44 - Avos
Notas iniciais
Rachel estava deitada na sua antiga cama, encarrando o teto do seu antigo quarto, que, apesar dos anos, ainda parecia exata mente o mesmo – e isso sempre a surpreendera, em todas as poucas vezes que esteve ali desde que se mudara – enquanto sua cabeça rodava sobre mil assuntos ao mesmo tempo, quando ouviu duas batidas na porta.
Com um suspiro, a judia deixou que quem estivesse do outro lado entrasse.
Leroy colocou a cabeça para dentro, parecendo um pouco perdido, e Rachel se forçou a sorrir para ele.
— Ainda tá chateada?
— Tentando entender o lado de vocês.
O mais velho entrou no quarto e sentou na cama ao lado da filha, suspirando.
Rachel observou a caixa que ele apoiou no colo por alguns segundos antes de arquear a sobrancelha para o pai.
— Então, vou ser vovô?
— É... Desculpe ter contado daquele jeito. Eu só...
— Tudo bem, nós entendemos.
— Posso? – Hiram apareceu na porta, colocando a cabeça para dentro e Rachel apenas acenou positivamente.
Hiram entrou e sentou ao lado do marido, sorrindo forçadamente para a filha.
— Rach...
— Tá tudo bem, papai. Serio. Não quero mais ouvir vocês se desculpando, ok?
— Tudo bem. – Hiram sorriu – Nesse caso, nós temos uma coisa pra você.
Rachel acenou positivamente e Leroy lhe entregou a caixa que ele segurava.
A judia abriu com calma, observando o pequeno cobertor felpudo por alguns instantes antes de pega-lo.
— Foi meu primeiro cobertor. – Leroy contou.
— Parece novo. – Rachel murmurou.
— Você sabe como sua vó é cuidadosa com as coisas. Especialmente com essas de lembrança. E, como ele foi o seu primeiro cobertor também, cuidamos da mesma forma.
— Nós achamos que... Talvez seu filho também possa usar. – Hiram falou.
Rachel sorriu, acariciando o pano devagar, com cuidado, como se fizesse carinho no seu próprio filho.
— Obrigada. É o primeiro presente dele. Ou dela. – murmurou – Não sabemos ainda.
— E tem mais uma coisa.
Hiram tirou uma caixinha preta do bolso e entregou a Rachel, que arqueou a sobrancelha.
— A aliança que você comprou é... Maravilhosa, mas nós só vimos uma, então, achamos que você poderia usar essa.
Rachel guardou o cobertor dentro da caixa em seu colo e a colocou no chão, ao lado da cama, antes de abrir a caixinha menor e se surpreender com a aliança que encontrou ali. Era linda, e até mesmo um tanto o quanto parecida com a que havia comprado para a namorada. Seriam uma combinação perfeita.
— Uau. – murmurou.
— Está na família há algum tempo. – Hiram murmurou – Então, pensei que...
— É linda, papai.
— Queremos que você saiba que não somos contra você e Quinn, Rachel. – Hiram murmurou tão baixo que Rachel mal pode ouvi-lo – Muito pelo o contrário, damos todo o apoio que vocês precisarem. Só estamos preocupados com você.
Rachel colocou o anel em cima do cobertor no chão e jogou o corpo para frente, para poder abraçar os pais, que sorriram, retribuindo o abraço desajeitado.
— Eu amo muito vocês dois, pais. E não se preocupem comigo. Eu estou bem. E vou ficar melhor ainda casando com Quinn.
***
— Quinn, anda logo! – Santana gritou – Quer deixar sua namorada esperando?
— Meu Deus, Santana, se acalma um pouco. Ainda estamos no horário. – Quinn reclamou aparecendo na sala, onde Santana a esperava – Vamos logo.
— Você devia deixar ela vir de taxi. Eu não sou motorista de ninguém. Muito menos dela.
— Fica quieta. – Quinn riu.
As duas seguiram para o aeroporto conversando, principalmente, sobre o bebê – que Santana ainda insistia em chamar de afilhado, mesmo que Quinn já tivesse falado várias vezes pra ela não criar tantas esperanças em relação a isso.
Desde a véspera de natal, cinco dias antes, as coisas tinham passado rápido.
Rachel e Quinn se falaram todos os dias pelo telefone, e a loira foi obrigada a ouvir mil e uma recomendações em cada uma das ligações. Ela podia imaginar o cuidado que Rachel teria com ela e o bebê quando estivessem juntas novamente, em algumas poucas horas.
Logo que Santana estacionou as duas foram direto para o portão de desembarque, e, assim que chegaram ali perto, Santana fechou a cara, puxando Quinn para sentarem um pouco mais longe dali.
— O que houve?
— A fama da sua namorada é uma droga. Tem uma porrada de fotógrafos aqui.
— Não é como se eu ligasse pra isso ou pra qualquer um deles de qualquer modo, Santana.
— Mas eu ligo. Não quero minha cara em uma revista.
— Não se preocupe. A intenção das fotos nas revistas é de chamar a atenção, não assustar quem tá vendo.
— Fabray, cala tua boca que você nunca nem me viu pra falar que eu sou feia. E eu não sou, só pra que fique registrado. – a latina reclamou e Quinn riu.
Pouco depois um alvoroço ainda maior se formou em frente ao portão de desembarque e Santana suspirou, balançando a cabeça negativamente e levantando.
— Rachel gosta mesmo de chamar a atenção. – reclamou – Vou buscar sua namorada. Me espera...
— Não, vou junto. – Quinn a interrompeu.
— Ok, então. Não me responsabilizo. – brincou.
Rachel tentava passar pelos vários fotógrafos e os poucos fãs sorrindo, sem mandar cada um que tinha uma câmera na mão para o inferno, como queria.
Quando avistou a namorada ao lado de Santana, o sorriso em seu rosto deixou de ser falso ao mesmo tempo em que crescia ainda mais, e ela parou de se importar em responder os fãs e sorrir para as câmeras, enquanto observava a mãe do seu filho.
Empurrou o carinho com as malas até Quinn e Santana, tentando evitar a bagunça.
Quando chegou perto da namorada, soltou o carinho e abraçou a loira, que sorriu.
— Amor. – Rachel murmurou.
— Senti sua falta.
— Eu também senti a sua.
— Tudo bem! Já chega! Todo mundo vazando! Mais um flash e todo mundo aqui vai ganhar um processo. Ou um nariz quebrado. – a voz de Santana soou mais alta que o barulho feito pela pequena multidão, fazendo as duas se afastarem, e Rachel riu ao observar a latina colocar os fotógrafos pra correr com ameaças de processos, enquanto afastava os fãs com ameaças de morte.
— Santana. – a judia chamou a atenção da latina – Não tenho nada contra os fãs. – brincou.
— Eu tenho. – Santana resmungou.
Rachel riu, deu um beijo na bochecha de Quinn e se afastou da loira para atender alguns fãs mais corajosos que tinham permanecido por perto, apesar das ameaças de Santana – que saiu resmungando sobre a atitude da judia.
Pouco depois as três estavam no carro, com Santana reclamando de ir sozinha na frente, dizendo não ser motorista de ninguém e ameaçando as outras duas de faze-las irem embora andando se começassem ou ao menos pensassem em se pegar no seu carro.
— Você já vai ter um filho, Rachel. E adotar outra. Juro que te capo sem pensar duas vezes. E aí você, Quinn, vai ficar sem teu brinquedinho favorito.
— Cala a boca, Santana. – a loira pediu, ficando vermelha, enquanto Rachel fazia uma careta.
— Isso doeu só de imaginar.
— Se doeu imaginar, vai pensando no que teu sogro vai fazer com o que você tem no meio das pernas quando souber o que você fez com a filha dele. – Santana disse rindo.
— Para de tentar assustar ela, Lopez. – Quinn resmungou, abraçando a namorada e escondendo o rosto em seu pescoço – Fique tranquila, Rach. Meu pai não vai te fazer nada.
— Passei os últimos dias rezando por isso. – a judia brincou – Eu estou tranquila, Quinn. Seja lá o que Santana dizer, tenho certeza que já imaginei a situação e pelo menos umas dez piores. Passei os últimos dias imaginando muitas delas.
— E depois diz que tá tranquila. – Santana provocou, ainda rindo da judia.
— Que seja, Santana. Eu tenho certeza que meu filho não vai nascer órfão de uma mãe. Aliás, Quinn, meus pais deram um presente pro bebê. É o primeiro dele, não é? Porque se não for eu menti pros meus pais. – brincou.
— Pode ficar tranquila, é o primeiro sim. – Quinn riu – O que eles deram?
— Um cobertorzinho. É algo mais pelo sentimental que pelo material, sabe? Foi do meu pai, e depois meu, mas...
— E ai, Berry. Onde eu te deixo? – Santana a interrompeu, já cansada de ouvir a voz da judia.
— Na minha casa. – Quinn disse, afastando a cabeça do pescoço da namorada e se ajeitando no banco.
— No hotel. – Rachel respondeu.
— Nada disso. Você vai ficar em casa, Rachel.
— Não quero incomodar.
— Não vai incomodar.
— Baby, por favor...
— Nós vamos pra minha casa, e isso não está sendo colocado em discussão.
— Certo. – Rachel balançou a cabeça negativamente, rindo – Sua casa, então.
— Pensei que quem tinha bolas ai era você, Berry.
— Céus! Eu deveria ter vindo de taxi. – Quinn reclamou, fazendo Rachel rir.
— Santana, pelo menos eu tive coragem de chamar ela pra sair, não é mesmo?
— O que quer dizer com isso?
— Sei lá. Porque a gente não pergunta pra Brittany pra ver se ela entende?
Santana parou o carro no farol e olhou para a judia pelo retrovisor, com a cara fechada.
— Sai do meu carro, Berry. – falou fazendo a judia gargalhar – E ainda ri. Garota desaforada. – murmurou.
— Sabe, Santana, a Rachel tá certa. – Quinn falou, fazendo a latina arquear a sobrancelha e virar o corpo para trás, para olhar a amiga – Se até eu já cansei da sua enrolação, imagina a Britt.
— É complicado.
— Não é não. É só chamar.
— Você diz isso porque já namora.
— Santana, se você não tomar uma atitude, outra pessoa vai tomar. – Rachel falou.
Santana dirigiu o restante do caminho em silencio, enquanto Quinn e Rachel conversavam sobre o bebê.
***
Rachel observava Quinn andar de um lado para o outro do quarto com uma expressão neutra no rosto – mesmo que estivesse mil vezes mais nervosa que a namorada.
— Eu não sei. Eu acho que... Não sei, Rachel.
— Quinn, vamos ter que contar em algum momento.
— Eu sei. Eu só... Não sei se é uma boa ideia.
— No ano novo vai ter mais gente aqui. Você já conta para alguns parentes e... Com mais testemunha fica mais difícil pro seu pai conseguir me matar.
— Rachel eu... – Quinn suspirou – Acho que é melhor contarmos para o meu pai em particular.
— Me contar o que?
Rachel arregalou os olhos ao ver o sogro surgir na porta, mas cuidou de se recompor antes que ele pudesse perceber seu nervosismo.
Quinn apenas respirou fundo antes de virar de frente para a porta, de braços cruzados.
— Agora deu pra ouvir atrás da porta?
— Eu só vim chamar vocês, mas parece que tem algo que eu deva saber, não é?
— Não é hora pra isso, pai.
— O que estão escondendo?
— Senhor Fabray, nós... É um assunto um pouco... Longo e delicado. Não temos muito tempo pra isso agora. Podemos conversar quando voltarmos? – Rachel pediu, levantando e parando ao lado de Quinn – Por favor.
— O carro já tá esperando vocês. E serei eu quem vou estar esperando quando voltarem. Não demorem.
O Fabray mais velho se afastou do quarto pisando duro, e Rachel respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
— Eu to muito ferrada.
— Vamos logo, Rach. Nós podemos lidar com o meu pai quando voltarmos.
— Ele vai me matar. Você sabe disso, não é? E eu nem tenho um testamento ainda.
Quinn riu e deu um beijo na bochecha da garota, se afastando logo em seguida.
— Pega suas coisas e vamos logo. – mandou enquanto ia até sua cômoda pegar o celular.
***
Rachel parou na porta dos fundos da casa que possivelmente seria sua e suspirou, olhando o quintal aberto. Aquele tinha sido um dos lugares da casa que mais lhe chamou a atenção. Já podia imaginar a piscina de um lado, perto de uma parte coberta com uma churrasqueira e uma grande mesa, mas afastado do lugar mais seguro, onde seus filhos poderiam brincar sem que ela e Quinn se preocupassem que eles acabassem na piscina antes de aprender a nadar...
— Rach? – Quinn chamou, parando ao lado da namorada e interrompendo seus pensamentos.
— O que achou da casa? – a judia perguntou.
— É um bom espaço.
— E é muita bonita também. Tem um bom espaço aberto aqui. Kathy iria adorar. E o bebê. Eles poderiam brincar sem problemas. E eu pensei em construir uma piscina, mas se cercarmos, eles vão ter espaço o suficiente pra correr sem perigo.
— Aposto que sim.
— E é perto da casa dos seus pais. – Rachel finalmente olhou para a loira e sorriu, segurando sua mão e a puxando para fora da casa – Você acha que viveria bem aqui? Quero dizer, temos que adaptar algumas coisas pra você e pra Kathy, mas, tirando isso, o que acha?
— Acho que não tenho nada contra. Mas você tem certeza que quer ficar logo com a primeira?
— Não é a primeira que olho, Quinn. – Rachel riu fraco – Bom, pessoalmente, sim, mas Marley selecionou os melhores endereços e olhou as melhores casas. Me mostrou as fotos de várias e essa foi a que mais gostei.
— Então você já tinha escolhido ela?
— Não. – Rachel parou de andar e ficou de frente para a loira, segurando suas mãos – Vai ser nossa casa. Temos que escolher juntas. Essa foi a que eu mais gostei, mas podemos procurar outras, se você quiser. Não vou tomar uma decisão sem você.
Quinn sorriu e lhe deu um selinho.
— Vai levar um tempo até me acostumar, e tem muita coisa pra adaptar, mas essa casa é perfeita, Rach.
Rachel sorriu e beijou Quinn, antes de passar o braço pelo da loira, e as duas voltarem para a casa, onde Artie e a corretora as esperavam com a palavra final.
— E então? – a mulher sorriu, confiante.
Rachel balançou a cabeça positivamente para Artie e o rapaz sorriu, respirando fundo.
— Acho que nós dois podemos tratar de negócios agora, senhorita Sarfati.
Os dois se afastaram em direção a cozinha, ambos tomando uma postura mais profissional, e Rachel franziu a testa.
— Sarfati... Eu tenho certeza que já ouvi esse nome em algum lugar antes. – murmurou – Então, Quinn, que mudanças temos que fazer na nossa nova casa?
***
Rachel ajudou Quinn a descer do carro antes de pagar o motorista, que lhe lançou um sorriso agradecido pela gorjeta generosa – que a judia nem percebeu que dava.
Em silencio, perdidas cada uma em seus próprios pensamentos – Quinn sobre como seria se adaptar a nova casa, e Rachel sobre a morte que ela tinha certeza que lhe aguardava nas mãos do sogro –, as duas subiram as escadas até a casa dos Fabrays, e estavam indo direto para o quarto da loira, quando um limpar de garganta chamou a atenção de ambas.
As duas voltaram para a sala e Rachel viu sua vida passar diante dos seus olhos quando encontrou Russel sentado em sua poltrona com a expressão séria.
— Acho que temos uma conversa para ter, não acham?
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