Notas iniciais
Oi gente! Estamos de volta, para mais um capitulo e tenho que comentar, ótima campanha para rolar #Karley. Boa Leitura!

Rachel batia o pé incessantemente contra o chão.

Não fazia nem cinco minutos que estava ali, mas já estava mais do que impaciente.

Mil e uma perguntas rodavam em sua mente, e ela esperava ter a resposta de, pelo menos, uma parte delas quando saísse daquele consultório.

Rachel observou o doutor Stromberg sair da sua sala com a testa franzida, enquanto se despedia do paciente que havia acabado de atender, antes de chama-la com a mão.

— Rachel. Devo confessar que fiquei um pouco surpreso com a sua visita. Mesmo que, em certo ponto, já esperasse por ela. Como está a Quinn?

— Bem. Deixei ela no aeroporto há algum tempo.

— Certo. Então... Você provavelmente está aqui pra falar do bebê, estou certo?

— Está.

— Olha, apesar dos seus exames terem dito que você é não é fértil, seu corpo se desenvolve de uma maneira diferente...

— Espera aí. Como é?

— Não é sobre o que veio falar?

— Eu nem sabia que tinha feito exame pra isso. – Rachel franziu a testa.

— Bom, você fez quando era menor. A questão é que seu corpo se desenvolve de um modo diferente, e isso pode ter mudado com o tempo. Se você quiser refazer os exames...

— Não. – Rachel balançou a cabeça negativamente – Eu conheço a Quinn. Sei que esse filho é meu, e não me importa o que esses exames dizem.

— Certo. – o médico franziu a testa – Então o que, exatamente, você faz aqui?

— Quais são as chances de essa criança ser... Como eu?

— Intersexual, você quer dizer? – perguntou e a judia apenas acenou – Isso não é uma coisa genética, Rachel. A intersexualidade pode ser causada por vários tipos de situações, mas, definitivamente, não é passada de pai pra filho.

— Então, essa possibilidade não existe?

— É claro que existe. Mas as chances não são maiores pro seu filho do que seria pra qualquer outra criança. Não é algo com o que se preocupar, Rachel.

— E... Como a minha condição pode afetar na saúde e o desenvolvimento do bebê?

— Em nada.

— Nada?

— Rachel, seu filho foi feito e vai se desenvolver como qualquer outra criança. Sua intersexualidade não interfere em nada no crescimento dela. Suas preocupações com essa gravidez devem ser as mesmas que qualquer pai teria. Mantenha Quinn tranquila, garanta que ela se cuide direito, e ponto. A gravidez da sua namorada é uma gravidez como qualquer outra. Completamente normal. Consegue entender isso?

— Parece difícil de acreditar, mas acho que entendo sim. – a judia sorriu – Então, o fato de eu ser intersexual não vai mudar nada? Nem pro bebê e nem pra Quinn?

— Não.

Rachel saiu do consultório alguns minutos depois se sentindo bem mais leve de despreocupada.

***

— Melhor? – Kitty perguntou observando Quinn lavar a boca.

Depois de descer do avião, a primeira coisa que a loira fez foi correr para o banheiro mais próximo e jogar para fora tudo o que tinha em seu estomago – exatamente como aconteceu quando chegou á New York, mas, agora, Kitty podia apontar um motivo.

— Bem melhor. – a loira suspirou.

— Então, vamos atrás das nossas malas.

Alguns minutos depois as duas saíram, encontrando Santana já impaciente as esperando.

— Finalmente. Porque demoraram tanto?

— Quinn se sentiu mal.

— Tá tudo bem?

— Foi só um enjoo. Nada demais. – a Fabray mais velha garantiu.

— Meu afilhado tá dando trabalho? – Santana brincou.

— E ainda nem nasceu. – Quinn riu.

Santana passou o caminho inteiro até a casa dos Fabrays ouvindo de Kitty como New York é incrível, enquanto Quinn apenas acrescentava uma coisa ou outra.

Quando a latina estacionou, a Fabray mais nova praticamente pulou do carro, indo para o café, e Santana segurou o braço de Quinn antes que ela pudesse fazer o mesmo.

— Você vai contar pros seus pais?

— Só quando Rachel chegar. – Quinn suspirou – Não acho que um neto é exatamente o que meu pai estava esperando ou querendo de presente de natal.

— E como a Berry reagiu a notícia?

— Com uma festa, praticamente.

— Que bom. Se tivesse sido diferente, eu castrava ela.

Quinn riu, e Santana praticamente pulou para fora quando viu Russel se aproximando do carro.

Quinn saiu logo em seguida, sendo recebida por um abraço do pai.

Apesar da falta que já sentia de Rachel, Quinn ficou feliz por estar em casa novamente. Principalmente sendo acompanhada da certeza de que logo veria a namorada de novo.

***

— Você pega o avião amanhã cedo pra Lima, e dia vinte e oito a noite para Los Angeles. – Marley avisou, enquanto revisava seu olhar entre a judia arrumar as malas e o celular em sua mão, onde olhava a agenda da atriz.

— Certo.

— Dia vinte e nove a tarde você já pode ir ver a casa que escolheu. Se tiver certeza do que quer, Artie vai estar lá e vocês já podem fechar negócio. Pensamos em tudo o que você precisar pra mobiliar a casa depois que assinar os papeis.

— Ótimo.

— Sua entrevista pra falar sobre sua condição e o bebê está marcada pro dia seis. Uma coletiva, como você pediu, mas seria bom ter alguma exclusiva marcada para um dia próximo. Pense sobre. Encontro com você em Los Angeles dia quatro.

— Sua eficiência me assusta. – Rachel fechou uma das primeiras malas que terminava de arrumar e virou para Marley – Mas ainda tá faltando uma coisa.

— O que?

— Você vai se mudar comigo?

Marley suspirou, fechando a capa do seu celular, resultando em um estalo baixo, antes de encarar a chefe, que a olhava em expectativa. Rachel realmente a queria com ela em Los Angeles.

— Precisamos conversar.

***

— Quinn? – Judy chamou entrando no quarto da filha, que organizava as coisas que trouxera da viagem.

— Oi mãe.

— Tem um minuto?

— Claro. O que houve? – disse sem parar de colocar suas roupas de volta no guarda-roupa.

— Como foi a viagem?

— Foi boa. Aproveitamos bastante.

— Algo interessante? Sei lá... Alguma novidade que você queira me contar?

Quinn parou no meio do quarto, deixando os ombros caírem com um suspiro.

Sabia que sua mãe era perceptiva, e somando isso ao fato de que a mais velha sabia sobre a condição de Rachel...

— Quando a senhora descobriu?

— Alguns dias antes de vocês irem. – Judy sorriu, se aproximando da filha – Você já tem certeza?

Quinn acenou positivamente, colando as mãos sobre a barriga enquanto dava um sorriso tímido, e, logo depois, sentiu os braços de Judy em torno de si.

— Não sabe o quanto fico feliz com a notícia, filha! Parabéns. Você vai ser mãe. Céus! Vou ser avó.

Quinn sorriu enquanto passava os braços em torno da mãe. Apesar de não ser como ela havia planejado contar, aquele momento era importante para ela.

— Obrigada, mãe. Você não sabe como o seu apoio é importante pra mim.

— E como Rachel reagiu? – Judy perguntou, se afastando.

— Ficou mais feliz do que o esperado. Apesar de estar morrendo de medo do papai. – brincou.

— Seu pai vai... Ter que aceitar. – Judy riu.

— Espero que aceite logo.

— E vocês já pensaram no que vão fazer quando essa criança nascer? Com a distância, quero dizer.

— Bem, Rachel já estava pensando em se mudar pra Los Angeles, então...

— Vai ser bom pro bebê ter as duas mães por perto. – Judy concordou com um sorriso.

— É... Morando juntas.

— Morando... Uau. – Judy murmurou enquanto tentava absorver a informação – Disso eu tenho certeza que seu pai não vai gostar.

— Não é como se ele realmente fosse ficar feliz com a gravidez. – Quinn suspirou. – Mas não vou deixar ele opinar muito. Como eu já disse antes, é minha vida, e sou eu quem estou tomando minhas próprias decisões agora. E isso já está decidido.

Judy observou Quinn voltar a arrumar suas coisas em silencio por algum tempo.

— Então... Quando você pretende contar? Pro seu pai e Kitty, quero dizer.

— Rachel vem passar o ano novo aqui. Contaremos pro papai juntas. Kitty já sabe.

— Bom... Vou tentar ir preparando ele. – Judy brincou e se aproximou da filha, lhe dando um beijo na testa – Eu amo você, Q.

***

— Celular novo? – Santana perguntou sentando ao lado de Kitty no café, que bloqueou o aparelho antes de olhar para a latina.

— É. Rachel me deu de aniversário. – a mais nova sorriu de lado, mostrando o aparelho para a mais velha – Ela disse que queria me dar um carro, mas Quinn não deixou.

— O que houve?

— Parece que ela disse algo sobre ser exagerado e o papai pirar se ela fizesse isso. Não entendi muito bem.

— Não foi disso que eu perguntei. – Santana riu.

— Então o que?

— Eu conheço os Fabrays. Sei que tem algo errado com você. Me fala o que houve.

— Não tem nada de errado. Tudo na mais santa paz.

— Então porque tá com essa carinha triste? – Kitty suspirou e Santana apertou seu ombro de leve – Olha, eu sei que sou amiga da sua irmã, mas nada me impede de ser sua amiga também. Me diz o que houve. Quem sabe eu não posso ajudar?

— É o Sam. – murmurou.

— Vocês brigaram?

— Nós nos beijamos.

Santana levou alguns segundos para absorver a informação, antes de sorrir para a mais nova.

— Pensei que você era gay.

— Talvez eu seja bi. Quero dizer... Por quem eu realmente já me senti atraída na vida? Poucas pessoas e... Uma delas é Sam. Na verdade, a única outra foi Rachel. – brincou.

— Certo. Então, você é bi. Qual é o problema?

— Foi só isso pra ele. Um beijo e pronto. – suspirou – Um erro.

— E isso te incomoda porque...

— Porque eu pensei que... Talvez, você sabe...

— Pudesse ser ele.

— Pelo menos por um tempo. É. – Kitty resmungou – Eu queria que fosse ele.

— E porque não fala isso pra ele?

— Ele já deixou bem claro que não quer nada sério. Pelo menos não comigo.

— Kitty... Às vezes, gostar de alguém machuca. E tá tudo bem, porque a gente aprende com isso. Um dia você vai achar a pessoa certa. Ou a pessoa certa vai achar você.

— Eu só... – Kitty suspirou – Eu gosto dele, sabe? Mas vou ficar bem. Não foi nada além de um beijo, mesmo.

— Gostar machuca. Mas, às vezes, machucar alguém machuca ainda mais, então, dê tempo ao tempo.

— O que quer dizer?

— Não se precipite. Sam é um bom rapaz, apesar de tudo. Só não crie esperança e siga em frente. Ninguém sabe o que o futuro reserva pra cada um.

— Santana, você tá me deixando confusa.

— O amor é confuso, KitKat.

— Eu não... Amo ele.

— É claro que não. É por isso que tá assim. – Santana riu, levantando – Sua irmã tá lá em cima?

— Tá.

— Ok. To subindo. Se quiser conversar, sabe meu número.

***

Rachel parou na porta do auditório, observando o ensaio do clube do coral.

Havia chegado a Lima algumas horas antes e, assim que descobriu que o grupo tinha tirado a véspera da véspera de natal para ensaiar para a próxima competição, arrumou seu jeito de entrar no McKinley – o que não foi difícil, já que passava muitos fins de semana ensaiando sozinha ali, quando ainda estudava, então sabia bem como entrar naquela escola, mesmo com ela fechada.

— Bom. Isso foi muito bom. – Will disse, sentado em seu lugar de sempre – Becca, apenas tome cuidado com aquele agudo, certo? Você ainda tá saindo um pouquinho do tom com ele. Vamos de novo. Do começo.

— Dê cinco minutos aos meninos, Will. Aposto que está fazendo eles ensaiarem o dia todo. – Rachel disse, chamando a atenção de todos enquanto se aproximava, e Will sorriu – Deixa pelo menos eles tomarem uma água.

— Rachel! Não sabia que estava na cidade.

— Cheguei há algumas horas. Pelo visto vocês estão trabalhando duro, heim?

— Foi o que nos trouxe os últimos troféus. – alguém em cima do palco respondeu e Rachel sorriu.

— É o que sempre traz.

— E você? O que faz por aqui? Te vi em Lima mais nesse ano do que somando os dez anteriores.

— Vim passar o natal com meus pais. Não comemoramos, mas, ainda assim... – a judia deu de ombros e Will sorriu.

— Fico feliz por ouvir isso. E aí? O que achou da música?

— Me surpreendi por estarem com uma original. É realmente boa. Quem escreveu?

— É da Becca.

— Você tem talento, garota. – elogiou.

— Obrigada.

— E aí? O que mais vocês têm?

Rachel ainda ficou mais algumas horas ali, dando dicas e ajudando no ensaio, se permitindo se sentir nostálgica e com saudade da sua época de colegial.

***

— Hiram, você vai queimar isso se não tirar do fogo agora! – Leroy avisou.

— Pelo menos não sou eu que to focado em cortar a mesma batata há quase meia-hora. – Hiram resmungou, enquanto fazia o que o marido mandou – E ela nem é grande!

Leroy largou o que fazia para lhe acertar o pano de prato que tinha pendurado no ombro, arrancando uma risada dele e de Rachel, que estava sentada na mesa, observando seus pais cozinharem com um sorriso no rosto.

— Vocês não mudam nunca. – a judia riu.

— Isso se chama amor. – Hiram piscou para a filha antes de dar um beijo na bochecha do marido.

— Falando em amor, como vão as coisas com a Quinn? – Leroy perguntou.

— Vão bem. Maravilhosamente bem. – Rachel suspirou – Pais, tenho que contar algumas coisas pra vocês.

— Da última vez que eu ouvi isso, não acabou bem. – Hiram falou, sentando de frente para a judia, enquanto Leroy deixava a ceia para depois e se virava para olha-los – O que aconteceu?

— Eu vou me mudar.

— Certo. Casa nova? – Hiram brincou.

— Estado novo.

— Porque eu tenho a impressão de que você não vai voltar pra Lima? – Leroy perguntou cruzando os braços.

— Porque eu não vou voltar pra cá, papai. Sempre disse que depois que saísse, não voltaria, e vou cumprir minha promessa. Nada de Lima. Vou para Los Angeles.

— Rachel, não acha que é uma mudança muito grande pra se fazer por causa de um namoro? – Hiram a encarava, serio. Se preocupava com o quanto a filha estava se entregando a esse relacionamento.

— Por um namoro, talvez. – Rachel disse tirando a caixinha azul de dentro do bolso – Pra isso, não.

Rachel abriu a caixinha e deixou que seus pais observassem a aliança, deixando Hiram de boca aberta enquanto Leroy se aproximava da mesa para olhar também.

— Você tem certeza disso?

Rachel deixou a caixinha em cima da mesa com um suspiro, antes de sorrir para o pai.

— Eu amo Quinn como nunca amei ou vou amar alguém. Tenho andado com esse anel no bolso há mais de mês, então, sim, eu tenho certeza disso. Vou pedir Quinn em casamento.

Os dois se entreolharam a Leroy sentou, suspirando.

— Rachel, estamos adiando essa conversa há messes, mas agora não dá mais.

— Aconteceu alguma coisa?

— Aconteceu. Você mudou da água pro vinho em questão de horas, Rachel. Não que não gostemos do que você se tornou, mas... Estamos preocupados.

— Pais... Foi uma sequência de coisas, ok? Eu ia perder meu emprego, ia perder vocês e... Ou eu mudava, ou eu mudava. Eu não tinha outra opção. Minha vida estava indo para o ralo, e eu tinha que tomar uma atitude drástica e urgente.

— E como você se sente assim?

— Melhor. – Rachel suspirou – Eu nunca quis ser aquilo, sabem? Não era eu. Eu só precisei de um choque de realidade um pouco mais intenso pra perceber.

— Você tem certeza que foi isso? Porque, as vezes, parece que seu mundo tem girado somente em torno de Quinn desde que vocês se conheceram.

— Quinn só estava lá pra me segurar quando precisei. Quando eu pensava em fazer alguma merda, ela tava ali pra me impedir. Eu ia ter que mudar, de um jeito ou de outro. Quinn só apareceu na hora certa pra me ajudar com isso.

— Esse é o problema, Rachel. – Hiram balançou a cabeça negativamente – Quinn se apaixonou por essa Rachel. E se... Se você se cansar dela e voltar a ser como era antes?

Rachel levantou, pegando e guardando o anel de volta no bolso e suspirou.

— Eu amo Quinn. Eu quero com ela o que vocês têm, e nós já começamos a construir isso.

— Rachel...

— Quinn está gravida. Mas esse anel foi comprado antes disso. Quinn é meu futuro, pais, então não tentem me impedir.

— Quinn está... Espera ai! Nós vamos ser avôs?

— Vão. Mas esse filho não foi o que me motivou a comprar esse anel. Na verdade, esse anel tá no meu bolso pelo mesmo motivo que ela tá gravida: eu amo Quinn.

A judia estava saindo do cômodo quando seu celular tocou em cima da mesa e ela voltou para busca-lo.

— Você prometeu que não ia trabalhar enquanto estivesse aqui. – Hiram cobrou.

— Não é trabalho. – Rachel franziu a testa – Pelo menos eu não conheço o número.

— Então atende. – Leroy mandou, repreendendo o marido com o olhar.

— Alô? – a judia atendeu meio incerta.

— Rachel Berry? – a voz feminina do outro lado perguntou.

— Ela mesma. Quem fala?

— Mercedes Jones. Trabalho no departamento da Justiça da infância e da juventude de Los Angeles, e gostaria de falar sobre o processo de adoção no qual você deu entrada.

Notas finais
Será que vai sair a adoção da Kathy? O que acharam do capítulo? E será que a #Karley vai rolar? Hehe... Até semana que vem.